Small obsession
10 Capítulo 10 - Ressonância
Notas iniciais
— Rukia —
Fechei a porta batendo-a com força. Estava muito irritada e confusa com a bipolaridade das ações de Ichigo. É claro que notei o clima tenso entre ele e Grimmjow e estava consciente do grande ciúmes de Ichigo, mas nada justificava a maneira estranha com que havia me tratado, indo embora daquela maneira.
Decidi deixar Ichigo um pouco de lado para começar a me preparar para a noite de hoje, afinal, essa noite era minha e das minhas amigas e eu queria aproveitar sem preocupações.
Fazia tempo que não nos reuníamos. Havia sempre algo que atrapalhava e uma de nós sempre acabava faltando. Tinha consciência que todas tínhamos nossas responsabilidades e compromissos como Yoruichi, a mais velha, que já era casada e até cuidava de duas crianças que mesmo não sendo seus filhos os tratava como tal; ou Matsumoto, que corria o mundo trabalhando como modelo; ou até mesmo Inoue, que passava os dias estudando gastronomia para, enfim, conseguir realizar seu sonho de ser uma grande chef de cozinha e eu sempre anda ocupada demais com meu trabalho na construtora. Éramos muito ocupadas e isso fazia com que nossos raros encontros na primeira segunda-feira de cada mês se tornasse algo especial. Todas tão diferentes, mas, ainda assim, ligadas pelo mesmo laço de amizade.
Corri apressada até o banheiro a fim de tomar um longo banho, e assim o fiz. Agora, depois de quase duas horas me arrumado, sentada no sofá em meu pequeno, mas confortável apartamento, volto a pensar nele. Ichigo. Pensava no beijo maravilhoso que ele havia me dado aquela tarde, o qual eu havia correspondido com fervor; pensava também em sua declaração repentina e em seu novo comportamento. Sinto meu coração acelerar só de pensar nele.
Cada vez mais tinha a certeza de que aquele sentimento adormecido no fundo de meu ser estava renascendo e se tornando maior. Ainda não sabia dizer se isso era bom ou ruim, só tinha consciência de sua existência e nada mais. Ainda era tudo muito recente para se fazer afirmações.
Olhei o relógio. Oito e dez. Elas já estavam atrasadas. Respirei fundo e continuei olhando para o nada. Aquilo estava calmo e silencioso demais, tanto que quando a campainha tocou quase cai do sofá com o susto que levei.
Irritada, levantei do sofá praguejando baixo, e caminhei a passos duros até a porta abrindo-a bruscamente.
— Até que enfim. — digo indo em direção ao sofá esperando que alguma de minhas amigas me respondesse com a mesma “gentileza” de costume.
— Fico feliz por minha presença ser desejada por você. — diz uma voz rouca e grossa bem próxima a mim assustando-me.
— Grimm... Grimmjow? — digo virando-me assustada para o homem parado em minha frente. — É... Na verdade eu estava esperando outra pessoa. — digo meio hesitante dando um passo para trás. Estávamos muito próximos e essa proximidade toda era perigosa.
— Ah você vai sair? — pergunta olhando minhas roupas. — Pensei que iriamos repetir nossa conversa agradável de ontem. Tinha até pensado em pedir pizza. — diz deixando o grande sorriso que tinha antes sumir aos poucos.
— Ah me desculpe, mas já tinha esse compromisso a algum tempo. — digo baixo.
— Ah tudo bem então. Deixa para uma outra hora. — diz sorrindo novamente.
— Sim. — respondo sorrindo também.
— Então…. — começa a dizer, mas tem sua frase interrompida por uma voz feminina e manhosa.
— Kuchiki-san!!! — chama essa mesma voz a qual sei ser a de Inoue. — Kuchiki-san? — diz agora olhando de mim para Grimmjow e esse mesmo sorri de modo safado. —Você…. Você está atra... atrasada então eu…. eu vim te chamar. — completa ela, gaguejando corada encarrando Grimmjow que ainda sorria.
— Tudo bem, Inoue. — digo tentando chamar sua atenção, que estava voltada ao homem parado ao meu lado. — Vamos? — pergunto indignada com aquela situação.
— É sim.. Vamos. — responde ela desviando o olhar ainda corada.
Esperei os dois saírem e tranquei a porta.
— Boa noite, Grimmjow. — me despeço.
— Boa noite, senhoritas. — responde sorrindo. — Grimmjow Jaegerjaquez, prazer senhorita Inoue. — diz entrando em seu apartamento sem esperar resposta.
Inoue ainda encarrava a porta corada quando a puxei para dentro do elevador fazendo-a despertar do transe no qual se encontrava. Permanecemos em silencio até enfim chegar ao carro. Inoue estava muito estranha. Parecia deslumbrada pelo meu novo vizinho e isso me irritou.
— Porra, Rukia que demora. — disse Yoruichi “gentil” como sempre. — E por que a Inoue está com essa cara de boba? — perguntou estreitando os felinos olhos dourados.
— Não esquenta, Yoruichi. Ela sempre teve essa cara. — diz Matsumoto sarcasticamente.
— Eu acho que acabei de conhecer o escritor da série “Ressonância”. — diz ela corando ainda mais ignorando o comentário de Matsumoto.
— Grimmjow Jaegerjaquez? — gritam Yoruichi e Matsumoto, que se mantinham em silencio até então. — Como? Aonde? — diz Yoruichi puxando Inoue, que sentava no banco ao seu lado.
— Ele é meu vizinho. — digo indiferente àquela algazarra toda.
E então, em menos de um instante, três pares de bonitos olhos de cores exóticas me encarravam pedindo respostas.
— O que? — pergunto querendo acabar logo com aquilo.
— Como assim " O que"? — diz Matsumoto impaciente. — Você tem um dos maiores escritores de Romance eróticos morando no seu prédio e não avisa as amigas? E depois vem com esse “O que?”. — continua fazendo drama. — Você é cruel, Rukia-chan. — encerra chorosa como sempre fazia quando estava chateada.
— Chega disso, Matsumoto. — diz Yoruichi ainda me encarrando. — Tem certeza que é mesmo ele. Grimmjow Jaegerjaquez? — questiona séria e ansiosa ao mesmo tempo.
— Bem esse é o nome com o qual ele se apresentou e ele me disse que escreve livros eróticos. — respondi tentando disfarçando meu interesse. — Ele é tão famoso assim? —perguntei soando indiferente.
— Em que mundo você vive, Kuchiki? — pergunta me repreendendo. — Os livros dele viraram febre no Japão inteiro. — diz Yoruichi animadamente. — É dos livros dele que tiro algumas brincadeiras que o Urahara gosta. — completa piscando me modo safado.
— Ele é lindo. — diz Inoue sonhadora.
— Ishida não gostaria de ouvir isso, Inoue. — diz Matsumo implicando com Inoue como antigamente. Fazendo com que caíamos na gargalhada instantaneamente.
— Tudo bem. Chega de falar de escritor e livros e vamos logo que tenho um monte de coisas para contar. — digo mudando de assunto.
— Tudo bem, mas eu quero conhecer ele. — diz Matsumoto sorrindo de modo sacana sendo acompanhada por Yoruichi que balançou a cabeça afirmativamente.
— Tudo bem, mas outro dia. — digo encerrando o assunto. Finalmente Yoruichi liga o carro. Seguimos o caminho inteiro rindo e falando bobagens. Sempre foi assim e eu sentia que isso nunca mudaria. O tempo poderia passar, mas nossa amizade continuaria a mesma. E isso me alegrava infinitamente.
Quando, enfim, paramos em frente a boate lotada sorrimos de modo cumplicie, sentindo que aquela noite prometia e nos iriamos nos divertir como antigamente sem pensar em nada. Afinal, estávamos juntas e isso definitivamente era o que realmente importava.
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