Small obsession
29 Capítulo 29 - Rumo certo
Notas iniciais
— Ichigo —
A brisa da manhã entrava mansamente pela janela aberta de meu quarto. Aquele com certeza seria um lindo dia e, estranhamente, eu me sentia leve e até mesmo, feliz.
Depois da conversa esclarecedora que tivera com Kaien na tarde passada, todo o meu ser encontrou um alento tão grande , que agora já me sentia conformado com tudo o que ocorrera até ali.
Eu estava confiante de que tudo voltaria aos seus eixos e assim, Rukia logo voltaria aos meus braços. Sabia que eu teria de merece-la e já me encontrava decidido a fazer meu melhor para isso.
— Ichi-nii, a Yuzu esta chamando para tomar café. — Falou Karin batendo levemente na porta de meu quarto.
— Já estou indo, Karin. — Respondi terminando de me vestir.
Hoje eu queria passar o dia todo com minha família e tentar recuperar o tempo que havia perdido sendo um covarde.
Ao terminar de me vestir desci rapidamente as escadas desviando com agilidade de uma voadora de meu pai, que pretendia me pegar de surpresa.
— Você me parece enferrujado, velho! — Exclamei passado por ele, que resmungava estendido ao chão.
— Não seja tão mau com o papai, Onee-chan. — Reclamou Yuzu ajudando o velho a levantar.
— Não ligue para ele, Yuzu-chan. Ichigo é apenas um filho ingrato e frustrado pelo fora que levou da Rukia-chan.... — Falou meu querido pai cinicamente.
Cansado de ouvir as provocações de Isshin, apenas sentei a mesa ao lado de Karin, que alheia a toda algazarra, olha sorrindo para o aparelho celular que tinha em mãos.
— Me passa o suco de laranja, Karin. — Pedi sendo ignorado pela mesma. — Karin? — Repeti vendo-a levantar apressada para logo deixar a cozinha. — O que deu nela?! — Indaguei a Kaien, que já tomava seu café em silencio.
— Coisas da adolescência. — Respondeu ele sem me dar muita atenção.
— Aposto que ela estava falando com o Hitsugaya-kun... — Falou Yuzu com os olhos brilhando de alegria.
— Quem?! — Perguntei curioso.
— O namorado dela. — Falou Kaien.
— Namorado?! Como assim? A Karin só tem dezessete anos, não pode namorar qualquer um assim! — Exclamei exaltado. — Velho, você sabia disso?! — Indaguei vendo-o olhar para mim com desdem.
— Mas é claro. Você acha que eu ia deixar minha filhinha namorar com um desconhecido?! — Declarou ele sentando-se a mesa.
— Isso... Isso é um absurdo! — Esbravejei irado. — Não me diga que esta namorando também, Yuzu? — Perguntei virando-me para encarar a loirinha, que constrangida, corou fortemente.
— Claro que não, Onee-chan! — Reclamou ela constrangida.
— Isso não esta certo. Eu vou lá falar com a Karin. — Disse decidido percorrendo o mesmo caminho que a morena usara para sair da cozinha. Nenhum deles tentou me parar.
Nossa casa era grande, mas não foi difícil encontra-la sorridente ainda encarrando o maldito celular.
— Karin. — Chamei serio, fazendo-a se assustar para logo me olhar. — O que você está fazendo? — Completei vendo-a corar sutilmente.
— Eu... — Começou ela parecendo procurar as palavras certas. — Eu estou conversando com meu namorado. — Falou ela sem pestanejar.
— Namorado? Desde quando você tem idade para namorar? — Indaguei me sentando ao seu lado na varanda.
— Não me venha com essa de idade, porque sei que desde os quinze você é doido pela Rukia e sei também, que se ela quisesse vocês namoravam desde aquela época. — Rebateu ela me deixando sem palavras.
— Isso não vem ao caso. — Respondi fugindo do assunto. — A quanto tempo você esta com esse cara? — Perguntei já mais calmo, porém ainda contrariado.
Era difícil para mim aceitar que minhas irmãzinhas havia crescido e amadurecido enquanto eu me escondia remoendo o passado covardemente.
— Já vai fazer quase dois anos. — Contou ela sorrindo.
— Dois anos?! Como assim "Dois anos" e ninguém me contou nada?! — Falei passando as mãos pelos cabelos.
— Eu queria te contar. De verdade, mas você nos evitava e falava poucas vezes com o velho. — Confessou ela tristemente surpreendendo-me.
A culpa me corroía mais uma vez. Sabia que o culpa de toda aquela situações era eu mesmo.
— Me desculpe, Karin... — Sussurrei segurando levemente a mão da garota, que me olhava sorrindo. — Prometo não ser mais um irmão ausente. — Prometi seriamente. — Mas, vou querer conhecer esse rapaz e se ele não for bom o bastante para você eu o mato. — Completei vendo-a rir verdadeiramente.
— Claro. Toushiro já me disse que quer te conhecer a algo tempo.
— Certo...
— Ichigo! — Exclamou Kaien apressadamente. — O hospital ligo, tia Masaki finalmente acordo...
O mundo parecia ter parado de girar e eu não sabia o que fazer, então eu simplesmente corri até meu pai, que já pegava o carro apressado.
Em menos de quinze minutos já estávamos todos em direção do hospital. Eu com meu carro levando Karin, e o velho em seu carro levando Kaien e Yuzu.
Sentia-me extasiado com a noticia. Realmente tudo estava se acertando aos poucos, mas mesmo assim uma angustia se instalava lentamente em meu peito.
Precisava vê-la com meus próprios olhos para saber que tudo aquilo não era uma piada de mau gosto.
Estacionei o carro ao lado da vaga onde estava o de meu pai.
— Vamos rápido, Karin. — Chamei vendo-a assentir me seguindo apressada.
Sem me importar em ser educado arrastei Karin junto a mim em direção ao quarto onde nossa mãe havia ficado em coma os últimos três anos. Em poucos instantes lá estávamos nós parando em frente a porta branca.
— Karin. — Um voz forte ecoa pelo corredor enquanto um rapaz de baixa estatura caminhava apressado em direção a minha irmã, que já havia se solta de minha mão.
— Toushiro! — Exclamou emocionada abraçando-o — Ela acordou. Minha mãe finalmente, acordou... — Afirmava deixando as lagrimas correrem por sua face.
— Eu sei amor. O Aizen me avisou assim que eu cheguei para visitar o meu velho. — Falou ele acariciando os cabelos negros dela.
— Kurosaki Karin. — Chamei enciumado. — Esse é seu namorado? — Perguntei vendo-os me olharem cúmplices.
— Sim, senhor. Me chamo Hitsugaya Toushiro. — Falou ele tomando a frente de Karin.
— Kurosaki Ichigo, irmão mais velho da morena ai e homem que vai te matar se você fizer algum mal a minha irmã. — Declarei tocando a maçaneta da porta vendo que meu pai e Kaien já vinha apressados pelo corredor branco. — Não demore Karin. — Falei abrindo a porta de vez.
Meus olhos arderam ao baterem de encontro aos castanhos de minha mãe.
Um sentimento de culpa e saudades percorria meu corpo. Queria abraça-la, mas não sabia se aquele era o momento certo.
— Ichigo... — Sussurrou ela sentando-se na cama lentamente, para logo depois abrir os braços em minha direção.
Já não conseguia me conter mais.
Em passos rápidos corri até ela, abraçando-a fortemente.
— Mamãe... — Disse baixinho deixando as lagrimas caírem enfim.
— Meu menino agora já é um homem... — Falou ela também chorando. — Oh Deus, quanto tempo eu perdi?! — Completou solução pelo choro forte.
Meu coração se apertava em um misto de dor e felicidade. Finalmente minha mãe estava comigo e minha família. Agora sim, as coisas tomariam o rumo certo, inclusive minha vida.
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