Small obsession
23 Capítulo 23 - Amor
— Grimmjow —
Estava atordoado. Não, essa não era a expressão certa.
Perdido? Sim, era essa a palavra.
Já não sabia como desviar meus olhos daquele cristalino mar violáceos que eram seus grandes e expressivos olhos; não achava a força necessária para afastar as mãos daquela pele macia pressa entre meus dedos e principalmente, não conseguia lembrar a razão pela qual não devia capturar aqueles pequeninos lábios vermelhos em um beijo lascivo e sedento. Lábios esses que despertavam, mesmo sem querer, meus instintos mais sacanas.
A distancia entre nos era pequena e isso era perigoso tanto para mim quanto para ela.
Talvez seja por sentir esse mesmo perigo que afastou-me tão bruscamente. Parecia amedrontada.
— Vá embora você também. — Mandou seria dando alguns passos para aumentar a distancia entre nós.
— Não. — Disse bem-humorado caminhando até seu confortável sofá.
Não queria voltar para a solidão de meu apartamento e ficar com ela, mesmo sendo perigoso, era divertido e reconfortante.
— Folgado! — Acusou ao ver-me deitado confortavelmente observando a "linda" dedicatória que eu mesmo havia feito. — Por que ninguém vai embora quando eu mando?! — Reclamou indignada ao fechar a porta.
— Acho que é por causa do seu tamanho. Talvez você não saiba, mas essa baixa estatura não lhe deixa nem um pouco assustadora. — Disse gargalhando de minha própria piada.
— Vai se ferrar, Grimmjow. — Gritou corando devido a irritação que demonstrava e isso foi combustível para minhas gargalhadas, que só aumentaram. — Maldito! — Exclamou fazendo-me sorrir debochado.
Não tinha como negar que ela ficava ainda mais linda com as bochechas coradas, talvez fosse esse o motivo para gostar tanto de irrita-lá.
— Alguém já lhe disse o quanto fica linda corada?! — Indaguei sem pensar.
Percebi que não devia ter dito isso ao vê-la suspirar profundamente parando próxima a mim.
— Vá embora, Grimmjow. Hoje não estou de bom-humor para ouvir suas gracinhas. — Disse tirando o livro de minhas mãos.
Olhei em seus lindos olhos por alguns instantes vendo que ela falava serio.
— Você está triste, Rukia. — Afirmei ao ver o quanto ela parecia abalada.
— Isso... Isso não é assunto seu. — Falou tremula. — Vá embora. — Suplicou sentando no sofá ao meu lado.
Ficamos mais uma vez em silencio. Não queria ir embora, sentia uma necessidade grande de permanecer ali.
— Já disse que irei lhe ouvir caso queria desabafar sobre qualquer coisa. — Falei olhando-a de canto.
— Não sei se é certo você estar aqui... Eu e o Ichigo... Bom, nem sei mais como estamos... Mas mesmo assim não é certo. — Falou hesitante.
— Não se preocupe. Serei somente seu amigo essa noite. — Declarei vendo-a olhar-me surpresa.
Ficamos um bom tempo em silencio novamente. Ela parecia dividida entre falar ou não, percebi isso ao vê-la abrir e fechar a boca varias vezes.
— Não acredito que ele duvidou de mim. — Sussurrou ela surpreendendo-me. — A gente namora a mais de uma semana e eu nunca o trairia. Mesmo depois de saber de tudo o que ele fez, eu não o trairia. — Continuou ainda em um tom baixo.
Nunca imaginei que poderia vê-la assim, tão frágil. Justo ela que desde a primeira vez que nos vimos passou uma imagem forte.
Definitivamente Kurosaki era um idiota de marca maior.
— Mas sabe o que é mais engraçado nessa historia?! — Disse ela sem esperar resposta. — É que eu estava disposta a continuar com isso, mesmo ele tendo mentido, eu ainda iria continuar com esse namoro. Queria fazer dar certo, mas hoje vi que não vale a pena. Ele continua o mesmo ciumento e inseguro de sempre e eu odeio isso nele. É como se ele não confiasse em mim. — Finalizou deixando-me sozinho na sala.
Poderia estar enganado, mas sentia dor em suas palavras. Ela parecia sofrer e isso mexia comigo de uma maneira estranha. Nunca havia sentido nada daquilo. Era um sentimento estranho. Era algo bom e ao mesmo tempo angustiante.
— O amor é uma droga. — Disse de repente surpreendendo-me.
Trazia consigo duas taças e uma garrafa aberta de algum vinho barato qualquer. Serviu as duas com uma quantidade considerável e ofereceu uma a mim bebendo da outra que estava em sua outra mão.
— Amor? — Perguntei debochado. — Não acredito nessa ilusão criada pelos livros. — Falei bebendo um gole de minha taça.
— Não acredita? — Perguntou surpresa. — Mas você escreve romances! — Exclamou exasperada. — Como pode alguém descrever tão bem emoções e sentimentos nos quais não acredita?! — Indagou olhando-me curiosa.
— Corrigindo. Escrevo Romances Eróticos. — Afirmei sorrindo. — E é simples, nanica. — Respondi fazendo mistério. — Eu não acredito no amor. Acredito somente na atração que acontece entre um homem e uma mulher. Desejo e esse amor que as pessoas romantizam, são duas coisas completamente diferente. — Finalize olhando para a taça em minha mão direita.
— Uau! — Exclamou olhando-me. — Você tem uma maneira interessante de pensar. — Falou sorrindo.
Não sabia o que estava acontecendo comigo naquele dia. Repreendia-me internamente por me perder nela mais uma vez naquela noite. Aquilo era algo novo para mim e isso deixava-me confuso ao não saber o que aquele sorriso provocava em meu interior.
— E você? — Perguntei rápido a fim de cortar meus próprios pensamentos. — O que pensa sobre esse "amor" do qual as pessoas sempre falam? — Completei ao ver sua confusão.
— Bom... — Começou meio incerta. — Eu acho que todos devem ter uma razão para viver, mas o amor não deve ser uma delas. — Declarou sem encarrar-me nos olhos.
— E por que você acha isso? — Questionei curioso.
— Porque não podemos basear nossas vidas em um sentimento tão incerto e complexo como o amor, pois seremos destruídos ao sofrer qualquer desilusão. — Disse rapidamente mostrando o quanto entendia do assunto. — Uma visão dramática, não é mesmo? — Perguntou.
— Dramática ou não, ninguém sofre por opção. — Declarei olhando-a.
O silencio se instalou na pequena sala logo após minhas palavras.
Cada vez mais tinha a certeza do quão inteligente a pequena mulher a minha frente era, aquela inteligencia fazia-me querer saber mais e mais dela. Sentia vontade de conversar horas e horas. Algo um tanto inusitado da minha parte, afinal sempre preferi fazer mulheres gemerem meu nome a ter uma conversa inteligente com qualquer uma.
Ela me fazia contrariar cada vez mais meus ideais.
— Quer mais vinho? — Perguntou ao ver minha taça vazia.
— Sim. —Respondi analisando-a.
Rukia não era nem de longe a mulher mais bela que eu já havia visto, mas tinha algo que a tornava especial, algo que a fazia ser uma exceção a regra. Isso fazia-me querer descobrir o que seria esse "algo" que me prendia tanto.
Está certo que na primeira vez que a vi a unica coisa que passava pela minha cabeça era transar casualmente com a pequena e ao conhecer Ichigo isso havia tornado-se um jogo, mas agora ao conversa com ela não sentia mais necessidade disso. Estava confuso comigo mesmo. Isso não era normal de maneira nenhuma.
Passamos tanto tempo conversando e bebendo que meu estomago passou a reclamar de fome, decidimos por pedir uma pizza e assistir um filme qualquer da televisão.
Rukia deitava esparramada sobre o tapete da sala com um gato laranja dormindo preguiçosamente ao seu lado. O filme estava engraçado, mas não conseguia manter-me concentrado nele nem por quinze minutos. Observar Rukia era bem mais interessante.
Já fazia mais de uma hora que não tirava os olhos dela e notei rapidamente o momento no qual ela adormeceu, ali mesmo, no chão da sala.
Não sabia a atitude certa a tomar, então simplesmente deitei-a confortavelmente no grande sofá, onde antes eu estava.
Sabia que não devia, mas não me contive afagando aqueles macios fios negros.
— Durma, Rukia. Durma, pois hoje velarei seu sono como um bom amigo. —Sussurrei sentando-me sobre o tapete onde antes ela deitava.
Não podia negar que aquela atitude surpreendia até a mim mesmo, mas estava decidido a seguir meus próprios impulsos para ver onde tudo aquilo iria parar.
Estava curioso sobre todas essas novas sensações que nasciam em meu interior e não descansaria até acabar com toda aquela confusão interna que sentia sempre ao olhar para a linda mulher, que dormia serenamente.
"Seria isso o que chamavam de paixão?" — Questionei-me mentalmente.
Patético, isso é o que eu era por pensar algo tão surreal.
Essas ilusões de amor e paixão eram deixadas apenas para os protagonistas e não para meros coadjuvantes como eu, mas será mesmo que eu queria ser apenas um coadjuvante? Será que eu não queria mesmo experimentar pela primeira vez essa doce ilusão? Estava confuso demais para saber as resposta, mas também estava decidido a obtê-las nem que para isso eu tivesse que quebrar a cara final. Depois se tudo isso não desse certo era só transformar em um livro. Venderia milhões para pessoas tão infelizes quanto eu. Porque no final das contas, não seria o primeiro e muito menos o ultimo a sucumbir àquele inconstante "Amor". Que para mim não passava de uma ilusão até conhece-la. Contraditório, não?
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