Small bump
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Notas iniciais
Minha segunda (e nem de perto a última) fic para esse projeto que me deixa sorrindo atoa. Como sempre quero agradecer as meninas que são incríveis e deixam esse mês ainda melhor.
Quero agradecer a Milly por ter me aguentado e por ter betado nos 45 do segundo tempo, obrigada, amg! E um agradecimento especial também para a Callie que fez esssa capa simplesmente perfeita!
Então é isso, espero que gostem!!
—1
Cinco meses. Esse era o tempo que eu e Harry estávamos tentando engravidar, que decidimos que estava tudo pronto para nossa pequena família crescer. Claro que sabíamos que não seria de uma hora para outra que íamos conseguir, mas durante todos os dias, semanas e meses, meus pensamentos sempre acabavam voltando para a pequena criança que eu iria gerar.
Em parte era assustador. Pensar em ser mãe sempre despertou dois extremos em mim: medo e desejo. Sempre quis ouvir alguém me chamando assim, sentir esse amor que todos dizem ser tão forte e inabalável, ter o fruto de uma relação tão boa quanto a que eu tinha com meu marido.
Entretanto, por outro lado, era um ser humano dependendo quase que inteiramente de mim pelo menos nos primeiros anos, desde que estivesse dentro de mim. Uma coisa viva. E havia as dores tanto durante a gravidez como no parto e na amamentação. Havia os medos, as inseguranças.
Cada etapa era (e ainda é) assustadora, mas, ainda assim, contra toda a minha parte racional, meu coração apertava (e ainda aperta) ao pensar no futuro bebê. Um ser vivo com um pouco de mim e um pouco de Harry e cheio do amor que nós dois sentimos. E esses eram meus pensamentos antes e depois de dormir durante todo o tempo que passamos tentando.
Talvez por causa do estresse e de toda a ansiedade dentro de mim que essa tenha sido a primeira vez que minha menstruação atrasou. No início não me importei, às vezes acontecia. E então os outros sintomas chegaram, primeiro o cansaço, então os peitos doloridos de um jeito insuportável, senti até mesmo os enjoos e esse era o primeiro teste que fiz.
Meu marido não saiu do meu lado, mesmo quando eu disse que fazer xixi na frente dele era desconcertante. Sua mão ficou entrelaçada na minha durante todo o tempo interminável que esperávamos o resultado sair.
Harry nunca foi bom em esconder seus sentimentos e isso foi a primeira coisa que percebi nele (e, provavelmente, a primeira coisa que me fez ficar apaixonada), então quando nós falamos sobre filhos e nossos desejos pela primeira vez, ficou muito claro que era o sonho dele. Talvez o maior. E apesar de nunca ter colocado pressão em mim, eu podia sentir quase que de forma palpável a ansiedade dele, quase chegando a ser maior que a minha.
Mas Harry não sentia o medo que eu sentia, era até mesmo engraçado, como se tivesse nascido para ser pai. E, se querem saber, ele realmente nasceu. O jeito que tem com as crianças, sempre sendo o favorito delas. O jeito como sempre foi um pai postiço incrível para Teddy, seu afilhado, e parecia brilhar quando estava rodeado por crianças.
Esses momentos só me faziam ter ainda mais certeza e vontade de construir uma família com ele. E foi nisso que foquei enquando o maldito resultado não saia, foquei no meu desejo e que mesmo que desse negativo, eu iria realizar nosso sonho.
Harry foi o primeiro a conferir o resultado e, tenho que confessar, me surpreendeu não ver decepção ou tristeza nos olhos dele quando a palavra “negativo” foi dita. Havia apenas esperança, assim como no abraço que ele me deu quando um soluço solitário escapou dos meus lábios.
Ali selamos uma promessa silenciosa de continuar tentando. E só iríamos parar depois de conseguir.
—2
Oito meses. Esse era o tempo que eu e Ginny estávamos tentando engravidar, que decidimos que estava tudo pronto para nossa pequena família crescer. E apesar de saber que não seria fácil, estávamos preocupados, nervosos e ansiosos, não achamos que ia demorar tanto.
Tês meses depois do primeiro teste, Ginny começou a sentir os sintomas, mais rápido dessa vez. No primeiro dia veio as dores no corpo e o cansaço, no segundo dia estava sem fome e vomitava sempre que sentia até mesmo os cheiros de comida. Comprei o teste de gravidez depois de ir ao supermercado, comprar uma sopa e frutas. No fim, ela tinha apenas comido algo que a fez mal e pouco tempo depois ela estava recuperada e tínhamos dois testes negativos.
Então Ginny estava cada dia mais impaciente e, mesmo que não me falasse, sentia a culpa saindo por todos os seus poros. E foi em uma noite, depois que ela chegou do trabalho, que a puxei para uma conversa séria que acabou com nós dois chorando e duas decisões tomadas.
A primeira era que ela iria começar a frequentar a terapia e que marcaríamos uma consulta com a médica que Luna, a melhor amiga de Ginny, nos indicou. Era engraçado, parando para pensar, que Luna, a maior esotérica que conhecíamos, seria a primeira a nos empurrar para uma médica, mas ela estava certa e não adiantava mais adiar o momento.
Na primeira consulta foi tudo como mais ou menos esperávamos, ela fez algumas perguntas e mandou uma bateria de exames tanto para minha esposa quanto para mim. Talvez “bateria” seja pouco para descrever, talvez montanha fosse melhor.
E ainda havia uma pequena fila para marcar a consulta de volta, já que, por ser muito boa, havia muita gente atrás da nossa médica. Mas nada iria nos impedir de tentar… de conseguir realizar nosso sonho de aumentar nossa família.
—3
Um ano e dois meses. Esse era o tempo que eu e Harry estávamos tentando engravidar, que decidimos que estava tudo pronto para nossa pequena família crescer, e quatro meses que descobri ter a Síndrome de Ovários Policísticos (SOP).
Também quatro meses que comecei a terapia, que Harry e eu voltamos para a academia e mudamos nossa alimentação, que comecei a tomar remédios para tratar a SOP e que começamos a transar de forma programada.
Preciso confessar que no começo era tudo muito estranho, sentia culpa e ansiedade o tempo todo e minha psicóloga ainda sofre em algumas sessões, já que são sentimentos que nunca vão embora, mas agora consigo controlar melhor e, na maioria das vezes, pensar racionalmente.
E ainda havia o fato de agora termos um calendário do sexo, como Harry apelidou. Foi estranho no primeiro mês, ter que transar em determinados dias, era quase que uma obrigação que não animava nenhum dos dois, mas tenho o melhor marido do mundo que tem as melhores ideias.
Harry inventou que nos dias que tínhamos que transar também eram dias obrigatórios para encontros, então durante os dois meses seguintes nós fomos a bares, restaurantes, boates, passeios… Eram noites de casais, onde esquecíamos que estávamos tentando ter filhos ou qualquer outro problema. Eram as melhores noites ao lado do melhor homem que conheci.
Era por não estar sentindo mais tanta ansiedade, estresse ou pressão que fiquei com um pulga atrás da orelha quando a menstruação atrasou. A médica tinha falado que isso poderia acontecer, por causa dos hormônios que estou tomando, mas ainda assim… valia a pena tentar.
Não contei ao meu marido, seria uma surpresa se estivesse mesmo grávida, mas se desse negativo lidaria com aquilo muito bem, nem estava tão esperançosa assim, se querem saber. É, era o plano perfeito.
Exceto que deu negativo e eu estava sim completamente ansiosa. E que Harry descobriu no dia seguinte, como um farejador profissional de testes de gravidez, ou talvez fosse culpa dos meus olhos marejados, somando os ombros caídos e o ar triste que me rodeava. E claro, havia o fato dele me conhecer melhor que qualquer pessoa.
No dia seguinte ao nosso terceiro negativo, Harry me mimou e cuidou de mim com todo o amor que eu já sabia que ele sentia por mim.
—4
Um ano e cinco meses. Esse era o tempo que eu e Ginny estávamos tentando engravidar, que decidimos que estava tudo pronto para nossa pequena família crescer. E nós tínhamos a mais pura certeza dessa vez.
Nós mudamos nossa rotina em torno do nosso desejo de engravidar, claro que tinha sido ótimo para nossa saúde como um todo e pretendíamos continuar, mas tudo havia começado por causa do nosso sonho.
Criamos esperanças, expectativas e fomos frustrados algumas vezes, mas ainda assim não nos deixamos abalar, porque era (e ainda é) o nosso sonho: ter uma criaturinha que é a mistura de nós dois.
Durante os três meses depois do último teste nós nos esforçamos, seguimos todas as recomendações médicas arrisca, tentamos e eu não sabia explicar como, mas Ginny estava se sentindo estranha, não como das outras vezes, era diferente.
Passamos quase uma semana conversando sobre, tentando não nos encher de novo de uma expectativa que não seria correspondida e só quando achamos que estávamos prontos para qualquer que fosse o resultado, fomos até a farmácia juntos.
Assim como em todos os outros, fiquei com ela em todas as etapas (mesmo que ela continuasse a falar o quão estranho era fazer xixi na frente de outra pessoa), segurei a mão da minha esposa por todos os minutos que tivemos que esperar e a levantei rindo alto quando o segundo traço apareceu, mesmo que clarinho.
Não pudemos acreditar que finalmente nosso bebê estava a caminho, em alguns meses estaria em nossos braços, nos tirando noites e mais noites de sono. Era quase que mágico.
Queríamos mais que um simples teste de farmácia, então no dia seguinte, depois de passar quase que a noite toda em claro discutindo sobre assuntos relacionados ao bebê, fomos os primeiros no consultório, não podíamos e nem queríamos esperar nosso positivo, nossa certeza completa.
Foram mais algumas horas esperando o resultado, horas que passamos sonhando acordados, felizes demais, pensando e listando tudo o que tínhamos que fazer e comprar e aprender em tão pouco tempo.
Divagamos tanto sobre nossos planos, deitados na nossa cama, que mal percebemos quando o horário que o resultado iria sair chegou e passou, só acordamos para o presente quando nossas barrigas roncaram, chamando nossa atenção. Então enquanto Ginny ia olhar o resultado no computador, eu fui preparar um lanche para a gente, cantarolando baixinho a primeira música que me veio na cabeça.
Estava quase terminando nossos sanduíches que reparei na demora e no silêncio da minha esposa. A chamei uma, duas vezes, mas não tive resposta, então fui até ela.
— Amor? — chamei de novo quando a vi sentada em frente ao seu notebook, estática.
Ela se virou para mim devagar, como se estivesse acordando de um transe, e só então vi seu rosto molhado pelas lágrimas.
— Eu não… — um soluço. — O que tem de errado comigo, Harry? Porque eu não consigo ficar grávida?
—5
Um ano e oito meses. Esse era o tempo que eu e Harry estávamos tentando engravidar, que decidimos que estava tudo pronto para nossa pequena família crescer. Três meses que eu tentava não pensar sobre nossa decisão.
Continuava a seguir as recomendações, a fazer tudo certinho, mas depois do último teste… do último negativo, era como se eu não tivesse mais forças para ter esperanças. Eu não queria ter esperanças.
Harry continuava carregando um otimismo invejável e irritante, mas até ele tinha ficado abalado depois daquele dia. E toda a família também estava abalada, mesmo que a toda poderosa Molly Weasley, minha mãe, tenha proibido qualquer um de falar sobre.
Entretanto era difícil não perceber a preocupação de todos quando toda semana éramos obrigados a jantar na Toca, ou com as milhares de ligações diárias que recebíamos por motivos toscos. Mas não estávamos achando ruim, pelo contrário, era até bom pra nos distrair da constante culpa e estresse.
Céus, quando bati o martelo, decidindo superar todo e qualquer medo que o assunto me dava, eu não estava esperando todos esses sentimentos ruins tomando conta de mim. Sabia que não era a única a passar por isso, mas, muitas vezes, não conseguia evitar me sentir sozinha, como se tudo estivesse conspirando para o meu fracasso.
— Então todo mundo no ônibus começou a xingar o cara — a voz da minha mãe me chamou de volta à realidade. Eu e Harry estávamos na Toca, em mais um jantar semanal obrigatório, e enquanto os homens faziam o jantar, as mulheres estavam na sala, conversando e rindo e cuidando dos pequenos que ainda não podiam ir lá fora correr nos jardins.
— Apesar de não gostar de violência — Luna começou, colocando uma mecha dos cabelos loiros para trás da orelha — preciso dizer que estaria junto, xingando esse homem.
— Ah, minha querida — minha mãe riu e balançou a mão na direção da minha melhor amiga — agora está tudo bem, mas me conte, como anda a vida de mãe de gêmeos?
Tentei não fazer uma careta com o assunto. Estava feliz por Luna e amava meus dois afilhados (mesmo que só fosse realmente madrinha de Lorcan) com todo o meu coração, mas aquele assunto tocava numa ferida ainda aberta em mim, então levantei e fui até a cozinha, precisava olhar meu marido e, com sorte, ganhar um beijo e um abraço.
Como era comum, Harry pareceu sentir o que eu precisava, pois só foi preciso me ver colocar a cabeça para dentro do cômodo que ele se levantou e falou que íamos olhar as crianças lá fora.
Nós saímos pela cozinha mesmo, ele segurando minha mão com força e, assim que a porta se fechou atrás de nós, ele me puxou para um abraço apertado.
— Estão falando sobre os gêmeos — sussurrei baixinho e Harry apertou um pouco mais um abraço. — Eu me sinto horrível por isso, Harry. Me sinto a pior pessoa.
— Você não é, está bem? — ele sussurrou de volta, se afastando apenas o suficiente para conseguir me olhar nos olhos. — A Luna sabe como você está se sentindo e todos nós estamos aqui para lhe apoiar.
Simplesmente concordei com a cabeça e o puxei de volta para um abraço onde ficamos por mais algum tempo. Ninguém foi procurar pela gente, já estavam acostumados a tirarmos um momento em todo o jantar só para ficarmos juntos, repondo nossas energias.
Esse até mesmo havia sido tema de muitas conversas entre mim, minha mãe e Luna. Como algumas semanas depois, quando era a semana das mulheres cozinharem e só havia nós três na cozinha. O assunto surgiu depois que eu voltei de um desses momentos com Harry, logo as duas estavam falando sobre como nossa relação era quase que mágica, como poucas pessoas tinham isso na vida.
E eu concordava, tinha plena consciência de como eu e ele tínhamos tido sorte de nos encontrar, estávamos sempre nos agradecendo por isso. Mas então um assunto levou a outro e, quando menos esperava, Luna se virou para mim e simplesmente falou, como sempre, sem filtros:
— Quando foi a última vez que fizeram um teste?
Houve um momento de silêncio onde até mesmo o mundo à nossa volta pareceu pausar.
— Quando fiz o exame de sangue.
— Bem, acho que devia fazer de novo — ela deu de ombros e voltou a cortar as cenouras.
— Você acha? — levantei uma sobrancelha para ela mesmo que não fosse ver. — Por qual razão mesmo?
— Eu estava conversando com sua mãe — eu olhei rápido para dona Molly e percebi que ela estava estranhamente concentrada na panela que mexia — e comentei como sua aura está diferente desde a semana passada.
— Minha o que?
— Olha, querida — minha mãe falou com a voz doce que ela só usa quando sabe que vai falar algo delicado — você está diferente, então nós estávamos conversando e achamos que você pode estar grávida.
Eu as encarei desacreditada, porque 1) não havia nada que pudesse indicar que eu estava grávida e 2) elas tinham conversado sobre aquilo nas minhas costas?
— Eu trouxe um teste — Luna falou, indo até a própria bolsa e pegando uma sacola plástica. — Se você tem certeza que não está, só vai ser uma confirmação para você.
Até podia falar o quão irritada estava com aquilo, mas eu simplesmente suspirei, cansada demais para discutir. E realmente sabia que não estava, dessa vez não tinha nem esperanças, então só peguei a sacola e fui até o banheiro.
Voltei cinco minutos depois, joguei o teste negativo na mesa sem falar nada e fui até Harry. Nesse dia não jantamos na casa dos meus pais, mas não houve choro quando cheguei em casa. Estava cansada demais para isso.
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Dois anos e um mês. Esse era o tempo que eu e Ginny estávamos tentando engravidar, que decidimos que estava tudo pronto para nossa pequena família crescer. E essa é a primeira vez que eu estou lutando para esconder meus sentimentos da minha esposa.
Não é por mal, óbvio, mas não posso deixar transparecer o quanto estou cheio de esperanças. Ginny, apesar de ainda seguir tudo direitinho, não está mais esperando, como se já tivesse desistido. E enquanto eu estou cada dia mais certo de que ela está gerando uma pequena criaturinha dentro dela.
A primeira desconfiança veio um mês atrás quando, de repente, meu perfume a deixava enjoada e eu tive que abandoná-lo de vez. Depois veio o enjoou da comida favorita dela, depois de qualquer perfume algumas gotas mais forte que o normal.
Ela negava com firmeza que estava grávida, era só as pessoas que não tinham mais senso de convivência.
Durante dois dias ela vomitou, mas “é apenas aquele burrito que a gente comeu, eu disse que tava estragado”. Na semana seguinte as dores no corpo começaram, assim como o cansaço. A mudança frequente de humor veio na terceira semana .
Mas Ginny estava tão desacreditada que conseguiria engravidar que colocava a culpa toda no trabalho, já que parecia entrar em todo projeto que aparecesse na frente. E eu tive que fingir acreditar, enquanto reparava em cada mudança.
Na última semana tive a completa certeza quando veio o primeiro desejo, estávamos assistindo a um filme, deitados no sofá, quando ela virou para mim e falou “nossa, me deu uma vontade de comer sorvete de flocos… e eu nem gosto”. Então eu levantei e disse que ia comprar com um sorriso que não consegui esconder, mas que ela mal notou de tão concentrada no filme que estava.
Durante o tempo fora não comprei apenas o sorvete, mas três novos testes de marcas diferentes, dessa vez queria ter muita certeza, nada de falsos positivos. Mas não conversei com ela sobre o assunto daquele dia, entreguei apenas o sorvete e a observei comer com um sorriso apaixonado no rosto, ignorando completamente o filme que passava na televisão.
Só tirei os testes do esconderijo que tinha os colocado no fim de semana, depois de falar com Molly no telefone e gentilmente negar o convite obrigatório de jantar, não gostava de mentir, mas me esforcei para soar o mais sincero possível ao falar que tinha um jantar importante da empresa.
Ginny estava no banho quando coloquei as três embalagens em cima da cama e sentei ao lado, esperando por ela, e minha esposa me encarou como se visse um et quando passou pela porta, confusa demais.
— Harry, o que é isso?
— Olha, eu sei que você acha que não está… — comecei andando até ela.
— Eu sei que não estou!
— E eu que você está — dei meu melhor sorriso de desafio. Conhecia a pessoa que dormia ao meu lado bem demais, sabia que ela não iria resistir a um motivo para provar que estava certa. — Então estamos em um impasse.
— Não, não estamos — ela cruzou os braços, claramente emburrada. — Já disse que não estou!
— Eu duvido!
Ah, as doces palavras mágicas. Eu consegui ver a mudança no rosto dela, como aquelas duas palavrinhas haviam despertado algo nela que estava ainda mais intenso com as frequentes mudanças de humor. Ela se afastou de mim irritada, transbordando orgulho, e pegou as embalagens, eu a segui até o banheiro mordendo os lábios para esconder o sorriso vencedor.
Enquanto esperávamos, fiquei apoiado no box no chuveiro e ela no balcão da pia, os dois encarando os testes. O primeiro a mostrar o resultado, mostrou dois traços em um rosa forte, quase como se gritasse “se fudeu, vai ter que comprar fralda!” e Ginny fez uma careta, desacreditada. O segundo estava igual ao primeiro e meu sorriso aumentou, enquanto a minha esposa agora encarava o terceiro, estática, e eu fiz o mesmo, agora com meu coração batendo rápido. Durante todo aquele mês não havia parado para pensar que seria pai.
Quer dizer, claro que tinha pensado muito sobre o fato de ter um bebê dentro da barriga da minha esposa, mas havia ficado tão concentrado em como provar aquilo para ela que acabei não digerindo a ideia, então minha mente começou a digerir enquanto encarávamos o terceiro e último teste, ansiosos.
Quase não consegui acreditar quando o segundo traço apareceu. Estava clarinho no começo, quase como se o universo ainda não tivesse decidido nos dar certeza sobre aquele bebê, mas então... então minha visão ficou embaçada com as lágrimas que começavam a cair, meu estômago embrulhou e tive a certeza que seriamos pais.
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