Sleepless
1 oneshot
Notas iniciais
Considerem como um teste, talvez.
(Mas se eu me apegar ao pairing, cês se ferraram.)
Kaoru's POV.
Revirei na cama, suspirando.
Passei as mãos pelo rosto, impaciente.
Me virei de novo, olhando no relógio do criado-mudo ao lado de minha cama.
3:15 da manhã e nem sinal do Shinya.
Me sentei à beirada da cama, tirando a coberta de cima do meu corpo, logo sentindo uma brisa gelada me atacar.
Caminhei pelo quarto, desnorteado, sentindo ainda mais frio, conseqüência da janela aberta.
Estávamos em um hotel em Berlim, descansando dos shows.
No dia seguinte voltaríamos para a Ásia...
...Ou melhor, daqui a algumas horas...
Era nosso costume dividirmos quartos de hotel, um sempre sobrava.
Dessa vez, calhou de eu cair no mesmo quarto que o Shin...
Não que isso me desagrade, longe disso!
Continuei perambulando pelo quarto feito alma penada.
Voltei a observar o relógio.
3:47am.
Porra, cadê o Shinya?!
Me joguei na cama, bufando.
Ele, o Die e o Totchi decidiram sair para não-sei-aonde com não-sei-quem...
E como costume, eu e o Kyo ficamos conversando até as duas da madrugada.
Nada de muito interessante ou intelectual, apenas baboseiras.
Me deitei de bruços, enfiando a cabeça no travesseiro.
-Grrr...!
Eu me sentia ridículo!
Eu me sentia uma bosta de adolescente!
E o pior, um adolescente apaixonado!
Ouvi um barulho na porta.
Me virei por puro reflexo, me deparando com o Shin parado à porta, me fitando.
-T-te acordei? – o ouvi sussurrar.
-N-não, Shin, não acordou, não... – eu disse, voltando a me sentar na cama, inquieto.
Vi seu sorriso, mesmo o quarto estando parcialmente escuro.
Pela primeira vez o abajur fora útil.
Ele fechou a porta com cuidado e se sentou à outra cama que havia no quarto, ao lado da minha.
-Tava com o Die? – sorri levemente, curioso.
-Sim, s-sim. – ele sorriu, mas abertamente que eu. Admito que senti uma leve pontada de ciúmes por causa do sorriso vindo após eu citar o apelido do Daisuke. – Era pra eu chegar antes, mas Totchi e eu tivemos que ajudar o Die porque ele bebeu demais e...Gomenasai, Kaoru-san.
Pisquei.
Por que ele tinha que ser tão gentil?
-Tudo bem, Shin, eu só tava preocupado porque você tava com...O Die.
Ele riu.
Uma risada raramente alta, extrovertida.
A risada mais gostosa que eu já ouvi.
Tentei não ficar vidrado na cena do Shinya tirando a regata preta, exibindo o corpo magro, mas não menos...Interessante.
E a luz do abajur ainda ajudava a deixar a cena ainda mais...
-Kaoru-san? Daijoubu?
Pisquei, saindo dos meus devaneios.
Ele me olhava curioso, um tanto corado.
Eu devia estar secando o coitado.
-D-daijoubu desu! – falei apressado, sem jeito, voltando a me deitar, de costas para ele.
Depois de um tempo, em silêncio, ouvi um clique e a luminosidade do abajur sumiu.
Cerrei os olhos, me apegando ao segundo travesseiro em minha cama.
Voltei a abri-los quando senti minha cama afundar e uma respiração quente acariciar minha orelha.
-Já dormiu? – ouvi a voz de Shinya soar bem próxima ao meu ouvido, doce.
-N-não. – balbuciei.
-Então, boa noite, Kao.
Senti seus lábios úmidos roçarem no meu rosto. Um beijo de boa noite.
Quando me virei para responder, apenas o vi deitado, de costas para mim, provavelmente dormindo.
Bufei.
Eu sou muito lerdo mesmo.
Me virei, deitando de barriga para cima, observando o teto.
Voltei meu olhar para o rapaz deitado na outra cama.
Meu estômago revirava.
Olhei para o relógio.
4:27am.
As horas se arrastavam e dali a pouco já estaria amanhecendo.
E o Líder ficara acordado a noite toda preocupado com a paixonite dele e...
Bufei.
Eu sempre fui um homem de atitude!
O que está acontecendo comigo?!
Me levantei, mirando Shinya.
Respirei fundo, me deitando em sua cama, o abraçando por trás.
O senti estremecer de leve, se encolhendo.
O cheiro do cabelo dele era delicioso.
-Tá dormindo?
-...
-...
-..Não. – o ouvi dizer baixinho.
Suspirei aliviado por ele ter me respondido ao invés de me jogar no chão.
-Boa noite. – eu disse, roçando meus lábios em sua orelha tentado em mordê-la.
-Boa noite..
Sorri, dando um leve beijo em seu pescoço, recebendo uma risadinha em resposta.
Digamos...Assim, por cima, que aquela fora a melhor noite da minha vida. Mesmo eu tendo dormido.
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