Notas iniciais
Olaaaaaaa
Faz tempo q não posto nada neh? Mas aqui está! demorou, mas chegou!
espero que gostem ^^
Ah... estou sem beta. Desculpem os errinhos >.

Haru tocou a própria bochecha com a ponta dos dedos. E, confusa por encontrá-las molhadas, juntou as sobrancelhas.

Olhou para suas mãos e assustou-se ao ver que eram lágrimas. Estava chorando? Por quê? Por ele de novo?

Pela primeira vez olhou em volta. Não podia ver nada, só o horizonte. O chão parecia gelo, mas a temperatura era agradável. Como ela chegara ali? Não conseguia se lembrar.

- Oi? – chamou, mas nem seu próprio eco respondeu.

Seus olhos a estavam enganando? Duas silhuetas estavam se formando seis metros à sua esquerda. Correu até lá, sedenta por companhia. Com medo da solidão. Acabou agradecendo suas mãos, esticadas em frente ao seu corpo, quando elas encontraram a parede de vidro. Teria batido o rosto se elas não estivessem ali.

As silhuetas se encaravam, em silêncio. Tudo começou a entrar em foco. Chocada Harusame o reconheceu. Mas os olhos claros encaravam uma garota amedrontada.

“Skies are crying

I am watching
Catching teardrops in my hands”

A garotinha tremia, de olhos arregalados, encolhida no chão à alguns centímetros dele.

Assustada, Harusame não conseguia se mover. Era muita loucura. Era impossível, certo? A garota assustada era ela. Mais jovem, com certeza, mas continuava sendo ela. Como isso era possível?! Ela estava bem ali, atrás da parede de vidro! Como podia estar aos pés dele novamente?!

O pânico e a confusão só passaram quando a garotinha perguntou algo ao homem, mas ele não respondeu. Somente continuou a encará-la.

- Responda! Responda para ela! – era estranho chamar a si mesma de “ela” e não “mim”, mas foi assim que Haru decidira diferenciar. “Ela” e “eu”.

Mas o homem continuou a ignorá-la.

“Only silece, hás it’s ending

Like we never had a chance”

Uma movimentação, à sua direita, lhe chamou a atenção. Um espelho. O seu espelho na verdade. Aquele que ficava em seu quarto; com os mesmos adesivos, bilhetinho e frases de auto-estima. A única diferença é que seu reflexo não aparecia. Pousou a mão direita na superfície espelhada. Nada.

“Do you have to make me feel like

There’s nothing left of me?”

Mas... Ela queria ver a própria imagem? Queria ver as cicatrizes e os curativos? Queria olhar só para sentir falta daquela beleza ingênua? Ela queria se ver quebrada?

“You can take everything I have

You break everything I am”

O espelho quebrou-se sob sua mão e a imagem apareceu, porém distorcida pelas rachaduras. Outro grito ecoou o seu. Sobressaltada, ela viu a criança levar um chute do homem que, antes, ela idolatrava.

“Like I made of glass

Like I made os papper”

- Não! – gritou apoiando-se na parede de vidro – Não! Não! Não! Saia de perto dela! – Tentou, em vão, empurrar a parede de vidro.

A garotinha suplicou para que o homem não a machucasse mais, mas a expressão dele nem sequer mudou.

“Go on and try to tear me down

I will be rising from the ground

Like a skyscraper,

Like a Skyscraper!”

- Ei! Pequena! Ei! – Gritou ela – Saia de perto dele!

Mas a estranha dupla parecia não ouvi-la. Berrou por mais um tempo, assistindo o homem agredir a garotinha.

Chutes, socos e puxões.

- Pare!

A criança sorria para o rapaz, perguntando se sua mão estava doendo sempre que ele lhe socava.

- Pare com isso, Pequena! Ele não merece sua compaixão!

Ela precisava ajudar a menina. Tinha que pará-lo.

“As the smoke clears

I awaken and untangle you from me”

Começou, então, a socar a incomoda parede. Um após o outro, os socos atingiam o vidro com força. Mas não causavam danos. Os tremores, devidos a dor, já haviam começado há muito tempo quando ela viu o próprio sangue manchando seu indestrutível alvo.

O liquido vermelho se espalhou rápido conforme ela desferia socos cada vez mais fortes. E, com a visão debilitada, entrou em pânico ao ouvir o grito torturado da pequena Haru.

Correu alguns metros para o lado, a fim de liberar sua visão. Seus joelhos falharam ao ver o corte na pele lisa da menininha. O sangue vermelho estava manchando a infantil bochecha rosada.

Suas mãos doíam menos agora.

Procurou, com os olhos, a arma que havia ferido a garota. Um tremor a fez apoiar no vidro quando seus olhos pousaram no chicote.

Chicote.

Que arma mais fria!

Uma arma de fogo, ou até uma espada a matariam mais rápido, mas Haru não precisa ser um gênio para saber que a intenção não era matar.

Ele sorriu.

Haru perdeu a paciência.

Com passos rápidos, ela pegou o espelho e deu um passo para trás. Reúniu as forças e o jogou com força contra a parede.

O única coisa que ela conseguiu,foié ver uma chuva de cacos espelhados comemorar a segunda chicotada.

- Não!

“Would it make you feel better

To watch wile I bleed?!”

O último estilhaço brilhante atingiu o chão.

A pequena sorriu para o homem, mas não pode conter as lágrimas. O último golpe atingira seu pescoço e parte de seu colo também. O sangue escorria por sua roupa e em poucos minutos atingiria o chão.

Sobre o espelho, agora irreconhecível no chão, Harusame percebeu como esse homem a havia machucado.

Quantas cicatrizes invisíveis a atormentavam.

Palavras, ações, memórias e decepções.

Pesadelos.

“All my windows

Still are broken

But I’ standing on my feets!”

Olhou para ele e se deixou, com a promessa de que seria a última vez, suspirar. Mordeu o lábio inferior e enxugou a lágrima solitária que fugira de seu controle.

“You can take everything I have

You can break everything I am”

Analisou a garota sorrindo e se encarou em um estilhaço no chão. Tentou evitar comparações, mas acabou chegando aos olhos. A cor era a mesma, óbvio. Mas o que eles demonstravam eram sentimentos antagônicos. A pequena tinha um desejo ardente de salvar o homem que a machuca. Ninguém duvidaria que ela teria coragem de se jogar na frente de uma bala por ele. Ela, com certeza, faria de tudo para estar ao lado dele.

Porém, a mais velha, demonstrava medo. Ela não queria, em hipótese alguma, ficar perto do homem. Ele a machucara de uma maneira irreparável e, agora, ela pagava por isso. Com medo de arriscar, medo de se envolver. Evitava qualquer assunto que poderia lembrá-la da existência dele. Em vão, lógico, pois cada célula dela se lembrava dele, como se seus átomos se agarrassem ele.

“Like I made of glass

Like I made off papper”

Harusame parara de contar depois do décimo golpe, mais ou menos.

Ela queria ir embora. Queria se enfiar sob as cobertas macias e confortar a si mesma. Mas a imagem da criança, lutando para se levantar após cada cruel chicotada, não a deixava desviar os olhos.

Além disso, pra onde iria? Onde estava?

Na verdade não importava.

Porque se ela não salvasse a pequena garota, uma parte dela nunca voltaria para casa. Nunca mais ela se sentiria inteira.

Tinha que salvar a si mesma.

“Go on and try to tear me down,

I will be rising from the ground”

Não se lembrava de se sentir tão segura, tão convencida, tão certa antes. Com apenas um chute, a parede ruiu.

Por um segundo experimentou a raiva. Ela quase quebrara as duas mãos tentando quebrar a parede e, agora, a destruira com um único chute.

Mas, assim que compreendeu, ficou feliz pela conquista.

A parede era seu próprio medo, Haru não a danificara antes porque sua intenção era parar o homem. Mas, dessa vez, ela queria bani-lo de vez da sua vida.

Haru havia se cansado de sofrer.

Não teria piedade.

“Like a skyscraper,

Like a skyscraper!”

Todo aquele vidro dançou até o chão em pequenos pedaços brilhantes. O som era até harmônico. E Haru não se preocupou em se cortar. O vidro era sua raiva e, nesse exato momento, ela tinha um objetivo em mente.

E sua raiva não poderia alcançá-la.

Andou até ele, com os olhos corajosos. Mas ninguém parecia vê-la. Nem mesmo o show dos cacos de vidro chamou a atenção deles.

“Go run, run, run,

I’m gonna stay right here”

Segurou o chicote no ar, sentindo o couro arder contra sua mão machucada.

O homem agora a olhava assustado.

“Watching you desappear!”

Em um ato infantil, ela o empurrou com força, fazendo-o desequilibrar e cair sentado.

- É a minha vida! Minhas memórias! Minha cabeça! Vá embora! Saia daqui! – berrou. Haru respirou fundo, enquanto ele absorvia sua aparição inesperada. A voz dela tornou-se baixa e sombria – Essa é minha cabeça... Eu mando aqui.

“Go run, run, run

Yeah, it’s a long way down”

O cenário, de repente, mudou. O nada desesperador deu lugar a uma animada cidade no fim de tarde. Os três se encontravam no terraço de um arranha-céu.

Haru sorriu e sussurrou:

- Ninguém nunca te ensinou a não brincar com vidro quebrado? Você pode se machucar...

“But I’m closer to the clouds up here!”

Virou-se para a criança e estendeu sua mão. Assustou-se ao ver que as horríveis feridas haviam sumido. O rosto lisinho se iluminou e a menina aceitou a ajuda para se levantar.

A imagem da criança foi absorvida, por alivio de ambas, pela mais velha. Com as mãos sobre o peito agradeceu a pequena.

Harusame a salvara, mas ainda faltava uma coisa.

Bani-lo.

Apoiou o pé em seu peito e sorriu. Ele tentou argumentar, mas as palavras se perderam em um grito de terror, enquanto ele caia, caia e caia.

Por um momento ela quase se arrependeu. Não por tê-lo banido, mas por ter sido tão cruel. Porém, percebeu que ela havia sido muito mais gentil do que ele foi pra ela.

Ela ganhara.

Superara ele.

“You can take everything I have,

You can break everything I am,

Like I made of glass,

Like I made of paper”

Sorriu para si mesma enquanto via a cidade escurecer. Conseguiu bani-lo, mas agora tinha que provar para si mesma.

Ficou no completo breu por alguns segundos, se preparando para a próxima luta, mas acabou por voltar a movimentada avenida. Lembrava-se de ter saído de casa e sabia que estava indo encontrar uma amiga em um café, quatro quarteirões dali.

Mas essas informações se perdiam no caos que sua cabeça estava. Ao virar uma esquina, ela havia o encontrado. Ele a encarava alegre, um pouco surpreso por encontrá-la.

Pânico.

Harusame segurou a vontade de correr, mantendo-se firme. “Eu o bani” continuava a lembrar a si própria. A imagem da pequena Haru apareceu para ajudá-la, trazendo à tona as emoções de auto-proteção.

“Go on and try to tear me down,

I will be rising from the ground”

- Oi – diz ele.

“Like a skyscraper!”

- Oi – ecoa ela.

“Like a skyscraper!”

- Como você está? – ele sorri.

“Like a skyscraper!”

Ela pensa um pouco e percebe, gradativamente, que as próximas palavras não seriam mentira.

“Like a skyscraper!”

- Eu estou bem. Eu estou finalmente bem...

“Like a skyscraper!”

Notas finais
Não me matem por favor >.
Reviews? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!