Skyrim - Das cinzas

16 Capítulo XVI - Reforçando as fileiras


As folhas alaranjadas já recheavam o chão da região sul de Skyrim. O vento silvava gelado, batendo nos pelos expostos da couraça vermelha de um Husky de caça, que farejava incansavelmente. Alguns passos atrás dele, um par de botas de um estranho material enegrecido quase não faziam barulho na folhagem seca, apesar das passadas apressadas de quem as usava. Atrás dele, um ser ainda mais silencioso.

Ambos trajavam o uniforme da Dawnguard, ambos com mangas compridas, sendo que a do rapaz era preta com uma única ombreira no ombro esquerdo com o sol e a cruz, símbolo da Dawnguard, e a da garota era de uma cor que se aproximava mais de um vermelho-sangue bem escuro. Os dois trajavam capas e capuzes, do qual, no caso do rapaz, escapavam alguns fios de sua franja branca como a neve do norte.

Ele olhou para a companheira, cujos olhos amarelados cintilavam por debaixo do capuz, e deu um pequeno sorriso, feliz por meramente lembrar que ela estava lá.

—Bran, — o rapaz chamou o cão — já chega. Menos.

O cachorro olhou-o. Os olhos dos dois eram quase um espelho um do outro. Esperou até que a dupla chegasse mais perto e começou a andar na sombra entre os dois.

—Por que trouxe um desses mesmo, Duncan? — Serana perguntou, num humor revigorado.

—Vai ficar mais fácil de achar esse tal de “Florentius”. — respondeu o rapaz.

—Oh. E… obrigada pelas roupas novas.

—Não agradeça por isso, Serana. Simplesmente pedi que Gunmar fizesse uma armadura para você que ainda fosse da Dawnguard, mas que remetesse à quem você é. Ele foi rápido nisso.

—Bom… se não devo agradecer por isso, posso pelo menos agradecer por essa manhã? — perguntou a vampira, num tom provocante.

Duncan apenas deu um sorriso um tanto enigmático como resposta.

—Ainda acho que eles ouviram alguma coisa. — disse ela.

—Não, não ouviram. Nem teria como ouvirem.

—Não dá pra ter exatamente certeza, Duncan…

—Claro que dá. Ninguém ficou nos olhando estranho hoje.

—Hm…. tem razão.

—Só uma dica…

—Hm?

—Tente não me arranhar tão forte da próxima vez. Agora que o vento está batendo, isso começou a arder.

—Ah… certo. Me desculpe.

—Serana?

—Hm?

—Estou brincando.

Os dois ficaram em silêncio por um segundo, então caíram na gargalhada.

—Bobo. — disse Serana, por fim — Fiquei realmente preocupada.

—Não fique. Veja, acho que é nossa escavação.

A escavação de Ruunvald era localizada no lado leste da montanha da Pedra de Shor e, em seu exterior, havia apenas uma barraca. Examinando-a, encontraram o que parecia ser uma anotação. Eram as observações pessoais de um Vigilante chamado Volk. Tal nota menciona que Volk e Florentius tiveram o trabalho cansativo de proteger a entrada, até que finalmente foram convidados a se juntarem à escavação por um Vigilante chamado Apa. Embora os dois guardas começassem a achar toda a situação suspeita, eles claramente se aventuraram nas minas conforme ordenado, e, sem escolha, o trio se vira forçado a fazer o mesmo.

Estou certo de que estamos cavando no lugar certo. Posso senti-lo nos meus ossos, e sonho em encontrar Ruunvald à noite. Mesmo na minha hora de vigília, quase posso ouvir uma voz reconfortante dizendo-me que estamos indo no caminho certo.

Ao entrar, ouviram os ruídos de escavação vindo de baixo, por isso, desceram a rampa de madeira montada pelos Vigilantes e, ao chegar lá embaixo notaram que a pessoa em questão, que trajava o uniforme dos Vigilantes, estava na plataforma adjacente, batendo com uma picareta em… nada, aparentemente. À medida que Duncan se aproximou, notou um estranho nevoeiro vermelho cobrindo-lhe o rosto e, quando chegou perto o suficiente para averiguar se ele estava bem, ele imediatamente atacou. Da passagem para a câmara atrás de Duncan, outro Vigilante se apressou em ajudar seu companheiro. Duncan defendeu-se do golpe da picareta do primeiro, cortando-a no processo. O segundo, que veio com uma massa de batalha, levou um chute na boca do estômago.

—Eu estou do lado de vocês, droga! — praguejou ele.

Um vulto passou por ele. Logo, a garganta do primeiro estava rasgada e cascateando sangue, enquanto uma Serana ensanguentada se alimentava do segundo.

—Por que fez isso?! — Duncan indagou.

—Não havia outra forma. — respondeu ela, limpando o sangue da boca com a manga da blusa. — A mente deles estava totalmente tomada. Conheço bem essa névoa vermelha. Não havia como salvá-los, nem restaurar suas mentes ao que eram.

Duncan estreitou os olhos por um segundo, mas forçou-se a lembrar que apesar de aparentar ser mais jovem até do que ele, Serana tinha mais de quatro mil anos de idade, sendo a maioria como uma vampira. Se alguém tem propriedade no que diz, é ela.

Como o habitual para o ladrão que Duncan ainda era, um baú trancado era uma tentação forte demais para ser resistida. Olhou cautelosamente em busca de armadilhas e mexeu no trinco algumas vezes, assim como fizera na maior parte das portas das ruínas Dwemer, verificando seu conteúdo e pegando tudo de interessante. Em uma caixa ao lado do túnel de onde saiu o outro Vigilante, havia um outro diário, chamado “Descobrindo Ruunvald, Vol. I”, escrito por Moric Sidrey, o Vigilante que descobriu o lugar. Nesse volume, ele explicava a razão de fazer tais anotações e menciona um acampamento logo à frente.

Prosseguiram através do túnel do norte até chegar à uma intersecção com um Vigilante de patrulhamento e uma poça de óleo. Duncan pensou em incendiar o óleo, mas Bran, já reconhecendo as pessoas com névoa vermelha como inimigos, atacou.

Pulando sobre ele, o cão atacou-lhe o rosto e depois a garganta, rosnando ainda para um outro vigilante que vinha de uma veia de Malaquite. Duncan pegou uma das facas de atirar da bandoleira em sua perna e a arremessou, de forma certeira, na testa do Vigilante.

Depois, dirigiram-se pelo túnel sul até chegar a uma grande sala com dois Vigilantes e, para a surpresa de Duncan, mais um husky. Duncan parou no para-peito de madeira, pegou a besta e deu um tiro certeiro em um dos vigilantes. Logo depois, antes que o outro vigilante pudesse notar o que houve, também foi alvejado. O Husky começou a latir raivosamente pela morte de seus donos. Duncan então usou seu encantamento de truque mental para acalmar o cão.

Examinando mais cautelosamente a sala, Duncan e Serana encontraram poções úteis e “Descobrindo Ruunvald, Vol. II” com mais observações detalhadas de Moric Sidrey sobre a escavação, juntamente com alguns problemas pessoais inquietantes.

Isso deve ter algo a ver com os espaços apertados, mas eu me encontrei propenso a terríveis dores de cabeça. Embora estas dificilmente me impessam de meu papel de liderança, eu me achei distraído às vezes. Houveram muitas conversas com os trabalhadores onde eu me afastava, até que eles me chamassem de volta à realidade. Às vezes eu perdi pequenas quantidades de tempo e não consigo lembrar o que fiz.

Mais adiante, após um túnel estreito, após despachar mais um Vigilante e acalmar mais um cão, chegaram à outra câmara com um enorme andaime de madeira que caia em sua área central, obviamente usado pelos Vigilantes trabalhadores para facilitar armazenamento, já que várias caixas e barricas estão empilhadas, junto com uma estante de livros.

Olhando para baixo, Duncan constatou a presença de dois guardas, um próximo à uma escrivaninha de madeira e outro logo abaixo do andaime. Um sorriso diabólico se desenhou nos lábios do jovem, lembrando-se de seu tempo na Irmandade Negra. Pulou o parapeito já sacando a adaga presa na parte de trás de seu cinto e caiu em cima do desavisado Vigilante, usando seu corpo para amortecer a queda enquanto enterrava a adaga em sua garganta. O outro, ouvindo o som do corpo, virou-se com a besta em mãos. Duncan tirou a adaga da clavícula de sua última vítima e, num movimento extremamente rápido, atirou-a e correu em direção a seu alvo. Com um silvo, a adaga atravessou a jugular do Vigilante antes mesmo que ele pudesse puxar o gatilho. Antes de ele começar a caír, Duncan já havia chegado e arrancou brutalmente a adaga, rasgando a garganta de seu alvo.

—Isso era realmente necessário? — perguntou Serana.

—O que?

—Isso. Se mostrar dessa maneira. Parece até que você gosta de matar.

—Você disse que eles não são conscientes e que não há como curá-los. Significa que são nada mais que máquinas de matar, certo?

—Certo.

—Então tomei a liberdade de me soltar um pouco.

—Aquele monstro que a Irmandade Negra criou ainda está aí dentro, então.

—Está. E quanto mais sangue eu derramo, mais ele luta pra sair. Mas eu não vou deixar.

—Duncan… você passou por muita coisa. Tem isso, tem o que você passou no Soul Cairn, tem… aquela sua condição…

—É… acho que não posso mais me dar ao luxo de me considerar humano, não é? — disse, soltando um risinho de resignação.

—Não diga isso. Você ainda é humano. Bem, pelo menos, mais humano do que eu.

Duncan acariciou com as costas dos dedos de sua mão ainda limpa o rosto de Serana, com um olhar levemente entristecido.

—Vamos, — disse ela — se Florentius estiver dominado dessa maneira, talvez tenhamos que voltar para o forte de mãos vazias.

Na mesa perto da prateleira estava o volume III do diário, detalhando não apenas suas próprias dores de cabeça recorrentes, mas também dores de cabeça entre sua equipe de Vigilantes. No entanto, apesar da dor e apagões, a escavação continuou, mesmo que a atenção de Moric Sidrey se afastasse de Ruunwald para outra coisa nas profundezas da mina.

Eu sonho que finalmente alcançaremos Ruunvald, e não posso deixar de refletir sobre o que isso significará para minha reputação! Minha família ficará tão orgulhosa, especialmente meu pai, Minorne. Ele e a mãe sempre estiveram interessados ​​em meus estudos, mesmo que minha irmã Minorne não fosse. Mas estou muito animado para revelar minhas descobertas aos meus colegas, Minorne e Minorne, e talvez meu mentor Minorne. Ah, todos não ficarão satisfeitos?

—Todos os conhecidos dele se chamam Minorne? — perguntou Duncan para si mesmo.

Serana respondeu, de qualquer maneira:

—Isso na verdade é um efeito do Charme Vampiro, a magia que eles estão sob efeito. Após um tempo, a pessoa afetada começa a ter lapsos de memória e só consegue pensar em seu enfeitiçador, no caso, “Minorne”. Na verdade, esse tipo de anotação já não devia ser possível nesse estágio.

—Acha que ele pode ter notado que havia algo de errado consigo e isso é um esforço da mente dele para se forçar a lembrar do nome das pessoas próximas à ele?

—Muito provavelmente. O que significa que ele tem, ou ao menos tinha, uma mente bem forte.

—Acha que se conseguirmos salvar algum deles, será reversível?

—Sim, será, mas ao contrário do caso de Dexion, que estava sob o efeito de outro tipo de magia de controle mental, haverão sequelas permanentes. Alucinações, surtos, pesadelos, amnésia constante…

—Nossa, isso é bem triste.

—Realmente. O pior do Charme Vampiro é exatamente isso. Ele destrói a mente da vítima, mas também consome sua identidade.

Duncan se mantém em silêncio. Logo, ele, Serana e o trio de huskies continuam sua jornada escavação adentro.

A próxima área continha mais caixas e barris, juntamente com três placas de pressão que desencadeiam bestas montadas. Duncan então evitou que seu pequeno time caísse nas armadilhas, até que passassem pelo túnel que dava em uma enorme câmara cheia de arquitetura nórdica, uma ponte suspensa e vários Vigilantes.

Duncan viu em toda essa estrutura uma rede de possibilidades. Ordenou para que os cães esperassem e pediu para que Serana fizesse o mesmo. Correu em direção ao guarda que, ao perceber o movimento, virou-se. Mas Duncan já havia se pendurado numa borda, saindo do campo de visão do Vigilante, enquanto se locomovia ainda pendurado para trás dele. O último som que o homem ouviu foi o barulho da adaga saindo da bainha. Então começou a caminhar pela ponte. Ao atravessá-la, havia a rampa que o levaria para outro andaime e uma pequena sala com algumas poções e um baú à vista, guardado por um Vigilante.

O rapaz não hesitou na escolha. Encostou-se no muro e bateu duas vezes, atraindo o idiota para a morte certa. Ao despachá-lo, entrou e pegou tudo o que precisava, mas ouviu um som que não trazia boas notícias: um rosnado.

Duncan virou-se pronto para encantar o Husky que havia sentido o cheiro do intruso, mas a magia fez efeito tarde demais e o cão soltou um latido. O rapaz olhou para fora da saleta, vendo os outros Vigilantes vindo em seu encalço. Ele soltou um assovio e ouviu Bran e sua pequena, mas crescente alcatéia latindo, vindo à todo vapor. Serana, numa velocidade incrível, se postou ao seu lado, ao mesmo tempo que ele desembainhava a lâmina dos Nightingales e a Dawnbreaker.

Quando os dois se atiraram nos inimigos, sendo logo imitados pelos cães, tudo virou um turbilhão de sangue e tripas voando. Como eles estavam lentos, Duncan se permitiu usar ataques giratórios, resultando em golpes mais fortes e brutais. Serana usava tanto sua espada quanto as prórias mãos, às vezes recorrendo à clássica combinação de magia de raio e de gelo para dar cabo dos inimigos mais distantes.

Logo notaram que a grande câmara diante deles marcava o local onde Moric e sua equipe finalmente atravessaram a parede certa e encontraram a entrada para o Templo de Ruunvald. No entanto, o quarto e último volume do diário de Moric Sidrey, encontrado por Senana em cima de um barril perto da entrada do Templo, revela o que Serana já suspeitava: que Moric e seus trabalhadores foram todos levados ao Templo por uma voz estranha que lentamente os seduziu a todos.

Encontrei minha musa e seu nome é Minorne. Ao ler os diários antigos, percebi que me chamou de dentro de Ruunvald. Ela é a voz que eu tenho ouvido, aquele que me chamou sempre para baixo na montanha. Os Vigilantes, os trabalhadores, eles também a ouviram! Que alegria saber que não estou sozinho em seu amor! Ah, Minorne, como teríamos encontrado este lugar sem você!

Serana olhou para o diário com um misto de raiva e pena. Duncan pôs a mão em seu ombro para lembrá-la de que ele estava lá, gesto que ela devolveu com um sorriso. Adentraram o Templo de Ruunvald, que os lembrou muito de uma típica ruína nórdica, embora nenhum draugr pudesse ser encontrado aqui. Ao atravessarem um pequeno corredor encontraram numa mesa um livro com o título “Minorne”. Ambos se entreolharam.

Ao folhear, Duncan constatou que o conteúdo do livro consistia em um misto entre as divagações do agora ex-Vigilante do Stendarr, Moric Sidrey e uma carta de amor para sua nova amante nas profundezas da ruína, Minorne. Ele detalha seu amor eterno e como ele conseguiu atrair ainda mais Vigilantes para a ruína, simplesmente por mentir. Duncan lembrou-se de sua primeira missão como Dawnguard, na Cripta Dimhollow, onde pensou ter visto o fim dos Vigilantes de Stendarr e, inevitavelmente, com a situação, revisitou o mesmo sentimento de impotência diante disso. E o pior — chacinara os membros que restavam vivos. Por mais que, tecnicamente, aqueles não fossem mais os Vigilantes de Stendarr.

Focou-se ao sentir Serana tocando sua mão e virando a página.

O livro também continha uma pista para o paradeiro de seu alvo, Florentius Baenius, e o ódio de Moric contra alguém que prejudicaria sua amante: "Há insensatos neste mundo que não atendem a sua bela voz. O guarda, Florentius, enviado do farol, ele ainda reza para Arkay, um deus ausente que palesce em comparação com Minorne! Eu vou rezar para a deusa que posso ver! Ele que apodreça em sua jaula!"

—Ué… — perguntou Duncan em tom baixo — Monges de Arkay são imunes à essa magia?

—Aparentemente, sim. — respondeu Serana — Nunca tentei com um antes.

Ao continuarem no único caminho viável, se depararam com outra grande sala, com um enorme altar com tochas crepitando e três figuras que, ao caminharem até a luz, revelaram-se uma maga e dois Vigilantes, um deles, o mais alto, de cabelos ruivos e um elegante cavanhaque, referido como Moric. Moric e o outro vigilante bajulavam a maga, aparentemente Minorne, que por sua vez se incumbia de torturar, usando magia de raios, um resistente, mas já sujo e ferido prisioneiro numa enorme cela: Florentius. Duncan sacou sua besta e deu um tiro de aviso próximo ao pé da maga.

—Já chega, — disse ele — deixe-o ir.

Minorne respondeu ordenando que seus lacaios atacassem.

Os dois partiram para cima de Duncan e Serana.

—Moric! — chamou Duncan, enquanto aparava um golpe da picareta de Moric — Volte a si! Lembre-se do que essa escavação significava para você! Seu pai, sua mãe, seu colegas!

—A única coisa que interessa a mim é minha amada Minorne! — respondeu o vigilante.

—Não seja tolo! Ela está controlando você!

—Como ousa falar de minha amada dessa forma? — Moric desferiu mais golpes furiosos, em completo frenesi.

Duncan cansou-se disso. Com um golpe rápido da lâmina dos Nightingales, ele cortou a picareta ao meio e logo depois desferiu um soco, mirando os tachões de aço de sua luva na têmpora de Moric.

—Ela te enfeitiçou, te usou para enganar seus amigos… você não vê? Ela não é uma deusa, nem sequer ama você ou qualquer um de seus amigos! Ela está os usando como escravos para extrair pedras preciosas das montanhas! Escravos que não comem, não bebem, não dormem! Faz idéia do quão doentio isso é?

A névoa vermelha se dissipou por um momento.

—Ela… ela… — o Vigilante estava confuso, mas logo a névoa voltou, ainda mais densa — Ela apenas nos libertou!

Moric então tentou apunhalar Duncan com o que sobrara do cabo de sua picareta. Duncan apenas girou ao redor de si, deixando que Moric passasse direto por ele, e estocou por debaixo de seu braço, atravessando o peito de Moric.

—Obri...gado… — sussurrou o Vigilante num último momento de lucidez, então a espada pesou e Duncan a tirou, deixando o cadáver cair no chão.

—Vocês acham que vou me render? — gritou Minorne — Acham que podem me derrotar?

—Nós não precisamos. — disse Duncan, com um sorriso cínico. — Peguem!

Os quatro Huskies avançaram para cima da feiticeira, que gritou em pânico, sem ter tempo de resistir.

Enquanto esperavam que os cães terminassem sua refeição, um Bran ensanguentado veio em direção a eles, arfando e abanando o rabo com uma chave na boca, como um filhote com um osso.

—Bom garoto. — disse Serana, sorrindo e afagando o cão.

Ao subirem o lance de escadas e abrirem a jaula de Florentius Baenius, o mesmo mostrou muito pouco da normalidade solicitada por Isran ao demonstrar sua gratidão:

—Eu sabia que você conseguiria! — afirmou o sacerdote — Arkay não tinha tanta certeza. Entre você e eu, acho que ele não acreditava que você fosse conseguir. Mas não eu! Eu sabia disso o tempo todo!

Duncan não segurou um sorriso debochado

—Claro. Vim te soltar daqui.

—Eu sabia! Eu sabia que Arkay me salvaria. Pedi ajuda, e ele te enviou! Você é uma adição muito bem-vinda a este lugar morto, meu amigo. Eu devo tanto a você quanto a Arkay enormemente. Tenho certeza que conseguirei me acertar com ele mais tarde, mas você ... O que posso fazer para agradecer?

—Preciso que vá ao Forte Dawnguard.

—Eu suponho que eu possa… diga-me, por favor, o que há lá?

—Israan e eu precisamos de sua ajuda.

—Isran? Minha ajuda? — o sacerdote adquiriu um tom desconfiado — Isso... é algum tipo de piada? Arkay colocou você nisso? Isran não fez nada além de zombar de mim. Ele nunca me deu o Respeito que eu mereço.

—Olhe, sei que tiveram seus problemas no passado…

—Israan deixou isso bem claro — observou Serana.

—... mas o que está havendo é muito maior que meros desentendimentos, lhe garanto.

—Olhe, rapaz, — respondeu ele — acabei de sair de uma confusão aqui, caso você não tenha notado, e enquanto eu aprecio sua ajuda, eu ... O que? Não, não é o que eu ... Sim, mas ... Você tem certeza? Mesmo? Bom... Arkay diz que é uma boa idéia que eu vá. Eu não concordo, mas ele não é o tipo de companheiro que você pode simplesmente ignorar. Vejo você no Forte Dawnguard, então. Não se preocupe, Arkay vai me mostrar o caminho.

Ele então saiu andando, deixando um Duncan e uma Serana olhando um para o outro com cara de tontos.

—Estou começando a achar que “excêntrico” não é bem a palavra que define esse aí. — disse Duncan.

—Concordo… vamos, temos que ficar de olho pra ver se o amigo dele não vai levá-lo para uma das armadilhas da mina.