Skyrim - Das cinzas
8 Capítulo VIII - Além da Morte
Assim que terminaram de descer a escadaria até o Soul Cairn, Duncan deu uma boa olhada no lugar. O céu era de um roxo muito, muito escuro e enevoado. Na verdade, aparentemente, havia névoa por toda a parte. O lugar em si parecia um conjunto de ruínas de várias épocas e lugares, todas enegrecidas, assim como a areia negra sob seus pés.
—Que lugar amistoso esse que sua mãe escolheu para viajar... –Duncan disse, sarcasticamente.
—Nem me fale... o lugar me dá arrepios. Vamos, temos que achar minha mãe o mais rápido possível... sinto como se estivéssemos sendo observados.
Quando começaram a andar pela pequena estrada, notaram que haviam almas espalhadas por todo o lugar. E elas diziam várias coisas. Alguns tinham total consciência de onde estavam, outros, sequer suspeitavam que haviam deixado o mundo carnal. E Duncan pôde ouvir cada um deles.
“Meu navio! O que houve com meu navio?” “Sempre me disseram para tomar cuidado em quem confiar.... agora estou confinada aqui.” “Por favor.... me ajude!” “Que dia é hoje? Que ano? Até mesmo.... em que Era?” “Eu sinto saudades da minha família...”
As vozes... elas pareciam ecoar no cérebro de Duncan. Aparentemente, iriam ecoar para sempre. Mas uma das vozes se sobressaiu entre as demais. Um homem que os abordeu diretamente, ao contrário do restante das almas, que aparentemente estavam totalmente desligados da realidade.
—Arvaak! – o homem chamou, então pediu aos dois – Por favor... vocês precisam me ajudar a achar Arvaak.
—Calma. – respondeu Duncan – Quem é Arvaak?
—Arvaak, meu cavalo! Por favor, vocês têm que me ajudar a achá-lo! É uma besta tão leal... Ele saiu correndo com medo, mas eu nunca mais o encontrei, e agora ele está perdido nesse lugar horrível!
—E como vamos ajudar você a achá-lo? – perguntou Serana.
Mas o homem já não parecia mais ouvir. Apenas chamava repetidamente.
—Arvaak, volte! Por favor! Volte!
—Tsc. – Serana estalou a língua. –Vamos, não podemos perder tempo com as alucinações de uma alma perdida.
—Espere. – Duncan segurou o braço de Serana. – Já estamos procurando por sua mãe. Nada custa ficarmos um pouco mais atentos, para ver se achamos o tal cavalo.
—Você é quem sabe. –Serana respondeu, secamente.
Eles continuaram na estrada por mais um tempo, até que, com o estrondo e o clarão de um trovão, esqueletos negros saíram do chão.
—Quem são esses? – Duncan perguntou, desembainhado Dawnbreaker.
—Devem ser guardas que detectaram que não estamos totalmente mortos. – Serana respondeu.
Eles enfrentaram os Esqueletos, e foi quando Duncan percebeu o quão enfraquecido ele estava: ele estava se cansando excessivamente rápido.
Ao continuarem o curso, pensaram ter visto um cavalo fantasmagórico ao longe, e resolveram seguí-lo, mas logo ele sumiu.
—Perdemos ele! – Serana praguejou.
—Talvez não. – Duncan respondeu. – Ele estava andando em uma linha reta. Vamos seguir por ela e ver no que dá.
Serana assentiu, impaciente. Ela estava preocupada em encontrar sua mãe, e não um cavalo estúpido.
Quando continuaram andando, notaram um grupo de monges espirituais exaltando o crânio fantasmagórico de um cavalo. E isso não seria a coisa mais bizarra que eles veriam naquele lugar, nem de longe. Quando se aproximaram, os monges tiraram os capuzes e capas fantasmagóricos, revelando ser mais esqueletos negros. Duncan poupou o fôlego, tentando dar ataques contidos, sempre que possível. Já Serana não tinha esse problema. Ela partiu para cima das criaturas, sem hesitar. Quando terminaram, pegaram o crânio do cavalo e retornaram para a estrada.
—Arvaak! – o cavaleiro chamou – Vocês o acharam! Ah, estou tão feliz! Posso sentir que sua alma está finalmente livre.
Ele tomou o crânio de Arvaak e encostou a testa dele com a da criatura, então levantou o crânio e uma poderosa magia o envolveu. Quando o brilho o deixou, a cabeça de Arvaak havia ficado do tamanho de um pequeno pingente.
—Use isso para invocar Arvaak e viajar pelos reinos de Oblivion. – disse o cavaleiro – Ele se provará extremamente leal, sempre que for lhe dada a chance.
—Certo... –Serana respondeu. – Antes que vá, eu gostaria de lhe fazer mais uma pergunta.
—Sim? – O cavaleiro respondeu – Qualquer coisa para as melhores pessoas que já cruzaram esse lugar.
—Estamos procurando uma Necromante extremamente poderosa, chamada Valerica. Ela provavelmente está usando roupas similares às minhas, e também deve ter um corpo feito de carne e osso.... eu espero.
—Ah.... quer dizer a Vampira da Torre? Isso é fácil de responder. Estão vendo aquela enorme fortaleza ali? – ele apontou.
O tal castelo era tão grande que deixaria Harkon e Isran com ciúme. Parecia que, no reino mortal, ele poderia comportar mais de quinhentas pessoas. O cavaleiro continuou.
—É lá que ela está. Já fazem muitos e muitos anos que ela está aqui. Não sei dar-lhes uma ideia exata de tempo, já que... bom.... após alguns séculos, é fácil perder a conta. Ela está aprisionada ali, pela eternidade, pelo que dizem, pelos Ideal Masters.
—Pelos Divinos! Mamãe! –Serana saiu correndo em direção ao castelo.
Duncan agradeceu ao cavaleiro e saiu atrás.
Os relâmpagos continuavam. O vento zunia pelos ouvidos de Duncan, junto com as vozes dos espíritos ali aprisionados eternamente.
—Duncan... – ele ouviu um sussurro.
Duncan freou girando os calcanhares e olhou ao redor.
—Duncan... – ele ouviu de novo.
O rapaz começou a olhar desesperadamente em volta de si. De onde aqula voz estava vindo? Ela parecia vir do pé de seu ouvido, mas ao mesmo tempo parecia estar em toda a parte. Alguma das almas ali o conhecia?
Duncan ouviu seu nome mais uma vez, mas agora foi Serana quem o chamou.
—Você está bem? – ela perguntou – Parece assustado.
—Não é nada... pensei ter ouvido meu nome.
Serana ficou em silêncio por um momento, para ver se ouvia alguma coisa. Tudo o que ela ouviu foi o vento e os trovões ao longe.
—Vamos... disse ela, por fim. – Esse lugar me dá arrepios.
Os dois seguiram até a colina na qual teriam que subir para alcançar o castelo. Quando chegaram, viram que os espaços entre as colunas emanavam um estranho brilho roxo-avermelhado. Serana tentou passar a mão pela enorme passagem, mas ela tocou em algo no meio do ar, que emanou o mesmo brilho.
—Uma barreira invisível. – constatou ela. Depois ela gritou, chamando. – MÃE! MAMÃE!
Alguns segundos depois, a enorme porta da frente do castelo se abriu, revelando uma mulher com aparentemente seus quarenta e tantos. A mulher tinha seu cabelo preso em dois coques, seus olhos pareciam muito os de Serana. Ela trajava a mesma armadura de Serana e Harkon: era Valerica.
—Pelo Criador... – Valerica disse – não pode ser. Serana?!
—É você mesma? – Serana realmente parecia em ver a mãe, apesar de Valerica não demonstrar o mesmo –Eu não posso acreditar! Como podemos entrar aí? Temos que coversar.
—Serana? O que está fazendo aqui? – Valerica perguntou, ainda incrédula – Onde está seu pai?
—Ele sequer sabe que estavmos aqui. – Serna respondeu – Não há tempo de explicar.
Mas Valerica não dera ouvidos. Assim como todos naquele lugar, ela parecia paranoica e distante.
—Eu devo ter falhado... – disse ela – Harkon deve ter encontrado um jeito de decifrar a profecia, não é?
—Não, você entendeu tudo errado.... – disse Serana, num misto de decepção e esperança de que sua mãe fosse compreensiva. – Estamos aqui para Pará-lo. Fazer a coisa certa.
Foi então que Valerica notou que Serana se referia a um plural e se deu conta da presença de Duncan.
—Espere um momento. Você trouxe um estranho aqui? Perdeu a cabeça?!
—Não, você não enten... – Serana tentou argumentar, mas Valerica a interrompeu.
—Você – disse ela, olhando para Duncan. – Venha até aqui.
Duncan se aproximou da barreira.
—Então, — disse ela, com um olhar de desdém – como é que um caçador de vampiros está na companhia da minha filha? Dói-me pensar que você viajaria com Serana sob o disfarce de seu protetor em um esforço para caçar-me.
—Como sua filha disse, você entendeu tudo errado. Eu a acompanhei até aqui para mantê-la segura. Quero parar Harkon tanto quanto ela, e não tenho a menor intenção de machucá-la.
—Vindo de alguém que mata vampiros como uma maneira de comércio, eu acho difícil acreditar que suas intenções são nobres. Serana sacrificou tudo para impedir Harkon de completar a profecia. Eu esperaria que ela explicasse isso para você.
—E explicou. – Duncan respondeu – Estamos aqui atrás dos Elder Scrolls. Só assim vamos Pará-lo.
—Você acha que eu teria a audácia de colocar minha própria filha naquele túmulo apenas para a proteção de seu Elder Scroll? Os pergaminhos são apenas um meio para um fim. A chave para a Tirania do Sol é a própria Serana.
—Espere.... como assim, “a própria Serana”? Achei que fosse o Arco de Auriel, é por isso que queremos os Scrolls, queremos encontrá-lo.
Valerica suspirou.
—Quando fugi do Castelo Volkihar, – explicou ela – fugi com dois Elder Scrolls. Um deles, o que você encontrou com Serana, fala realmente de Auriel e sua arma arcana, o Arco de Auriel. O segundo Scroll declara que "o sangue da Filha de Coldharbour cegará os olhos do Dragão”.
Duncan cruzou os braços e estreitou os olhos.
—E como, raios, Serana se encaixa? Ela é essa “Filha de Coldharbour”?
—Como eu, Serana já foi humana uma vez. Nós éramos devotas seguidoras do Lorde Molag Bal. A tradição dita que as fêmeas devem ser oferecidas a Molag Bal em seu dia de convocação. Poucas sobrevivem à provação. As que o fazem, no entanto, emergem como um vampiro puro sangue. Chamamos essas confluências de "Filhas de Coldharbour".
Duncan massageou as têmporas.
—Então era o sangue de Serana que Harkon queria, não o Elder Scroll... –ele disse a si mesmo.
—Agora você está começando a ver por que eu queria proteger Serana, e por que eu mantive o outro Scroll Elder tão longe dela quanto possível.
—Ou seja, encurtando a história, Harkon quer matar Serana para acabar com a Tirania do Sol. Certo?
—Correto. Se Harkon obtiver o Arco de Auriel, e o sangue de Serana for usado para manchar a arma, a Tirania do Sol estaria completa. Aos olhos dele, ela estaria morrendo para o bem de todos os vampiros.
—Ele nunca vai fazer isso. Eu não vou deixar. – Duncan disse confiante.
—E como exatamente você planeja pará-lo?
—Com qualquer meio necessário. E se eu não tiver outra opção, eu vou matar Harkon.
Valerica fez outra careta de desdém. Duncan já estava ficando possesso com isso. Ela respondeu então:
—Se você realmente acredita nisso que está dizendo, então você é um tolo maior ainda do que eu suspeitava originalmente. Você não acha que eu pesava essa opção antes de promulgar meus planos?
—E a opinião de Serana nisso? Não tem valor para você?
—Você não se importa com Serana ou com a nossa situação, tenha você ou não se tornando um de nós para sobreviver ao Soul Cairn, você ainda é um caçador de vampiros em seu coração. Você está aqui porque somos abominações em sua mente. Criaturas malignas que precisam ser destruídas.
—Talvez um dia isso tenha sido verdade, Valerica. – Duncan respondeu. – Exceto pela sua afirmação de eu não me importar com Serana. Eu me importo. E acredite, isso teve um papel central na minha mudança de opinião. Antes, para mim, realmente sua espécie era apenas outro tipo de monstro que precisava ser eliminado. Uma raça que incendeia uma vila inteira apenas para se alimentar do sangue das pessoas desesperadas para fugir. Mas Serana sabia que eu era um caçador desde o início, e não fez nada contra mim. Eu sabia que ela era uma vampira desde o início, e não fiz nada contra ela.
—Porque você queria respostas, meios de impedir a profecia. – Valerica retrucou.
—Eu sequer sabia da profecia. Tudo o que eu sabia naquela maldita cripta era que havia ali uma garota perdida e com medo, cujos pais a trancafiaram ali por mais de quatro mil anos, e sequer pensaram em voltar para buscá-la. E tudo o que fiz foi ajudá-la. Ajudá-la a ir para casa, ajudá-la a decifrar essa profecia. Ajudá-la a encontrar você, nossa única esperança de parar o louco do pai dela, que está enviando vampiros por toda Skyrim para nos caçar.
—E por que eu acreditaria nas palavras de um caçador de vampiros?
—Porque sua filha acredita.
Valerica virou-se para a filha.
—Serana? Esse estranho se alia à um grupo que a caçaria e a mataria como um animal, e mesmo assim, devo confia-la a ele?
Serana respondeu secamente:
—Esse “estranho” fez mais por mim no breve tempo em que eu o conheço do que você jamais fez em séculos!
—Como ousa?! Eu larguei mão de tudo o que eu mais me importava para te proteger daquele fannático que você chama de pai!
—Sim, ele é um fanático... ele mudou. Mas ainda, sim, é meu pai. – Serna novamente sentiu o nó em sua garganta, mas conseguiu se segurar. Sua voz no entanto, tremeu – Por que você nem sequer se esforça para entender como isso faz eu me sentir?
—Oh, Serana.... se apenas você abrisse seus olhos.... – Valerica respondeu, com pesar na voz. – No momento em que seu pai descobrir o seu papel na profecia, de que ele precisa do seu sangue para completá-la, você estaria em terrível perigo.
Duncan pensou em responder que ele estava ali exatamente para protegê-la disso, mas decidiu ficar calado. Isso era entre as duas. Serana, no entanto, não hesitou em reforçar a afirmação anterior de Duncan.
—E para me proteger, você decidiu me trancafiar longe de tudo com o que eu me importava? Você nunca me perguntou se me esconder naquela tumba era a melhor coisa a se fazer, apenas esperou que eu a seguisse cegamente. Vcoês dois estavam obsecados de mais com seus próprios caminhos. A motivação de vocês pode até ser diferente, mas no fim, eu sou apenas um peão para você, também. – ela deu uma pausa, novamente para se conter, pois sua voz voltara a tremer – Eu queria que nós pudéssemos ser uma família de novo. – Seu tom tornara-se duro. – Mas eu duvido muito que possamos conseguir algum dia. Talvez não mereçamos esse tipo de felicidade. Talvez.... não seja para nós. Mas ainda, sim, precisamos Pará-lo. Antes que ele vá longe de mais. E para isso, precisamos do Elder Scroll.
O tomde Valerica encheu-se de compaixão e tristeza.
—Eu.... me perdoe, Serana.... Eu não sabia... Eu não vi... Permiti que meu ódio pelo seu pai nos afastasse por tempo de mais. Me perdoe. Se quer o Elder Scroll, ele é seu. – Valerica então virou se para Duncan. – Suas intenções ainda não são muito claras para mim. Mas pelo bem de Serana, eu o ajudarei da maneira que puder.
—Obrigado. – disse Dunac. — Antes de mais nada, precisamos do Elder Scroll. Ele está aí com você?
—Sim. Eu o mantive seguro e a salvo aqui desde que fui aprisionada. Para nossa sorte, vocês estão em posição de quebrar a barreira que cerca essas ruínas.
—E o que temos que fazer?
—Primeiro, localizem as torres mais altas que circundam essas ruínas. Elas estarão emanando a energia para a barreira continuar de pé, tiradas de almas que foram aprisionadas aqui. Destrua os guardiões que estão as mantendo lá, e isso deve fazer com que a barreira desmorone.
—Certo. Não vamos demorar, tem minha palavra.
—Uma última palavra de alerta: há um dragão, chamado Durnehviir voando pelo Cairn. Tomem muito cuidado com ele. Os Ideal Masters o incumbiram com a missão de cuidar dos Guardões.... e ter certeza de que eu ficaria aqui. Ele sem dúvida ira intervir se percebê-los como uma ameaça.
—Certo. Vou me lembrar disso. – disse Duncan.
Os dois olharam em volta e viram as três torres que Valerica mencionou, cada uma na mesma distancia entre elas e o castelo, tornando a jornada entre uma e outra demorada.
Ao chegarem na primeira das torres, uma simples torre sem portas ou janelas, eles avistaram a enorme armadura cintilante sentada em um trono. Ao lado do trono, um machado de batalha ainda maior descansava. Em volta dele, almas de pessoas aprisionadas estavam inertes, sendo drenadas para a alimentação do campo de força. Eles também reconheceram as quatro figuras encapuzadas: eram aqueles malditos esqueletos.
—Você cuida dos ajudantes e eu cuido do grandalhão? – perguntou Duncan.
—Tem certeza? Você está fraco. Talvez não consiga cuidar de um inimigo daquele tamanho.
—Muito menos de quatro inimigos ao mesmo tempo, Serana. Estou contando com o fato de que essa coisa será lenta.
—Certo.... boa sorte. – ela disse, por fim.
Duncan atirou com a besta na cabeça fantasmagórica da armadura gigante, que se levantou instantaneamente, pegando seu machado. Duncan se sentiu com sorte de ter embebido as armas com óleo para espectros e para vampiros, afinal aquela coisa era o maior espectro que ele havia visto.
A coisa veio para cima ele, e como ele havia antecipado, ela era lenta. Ele rolou para o lado, desviando-se do enorme machado, que levantou poeira ao atingir o chão. Aproveitou o tempo que o Guardião levaria para voltar a levantá-lo e o atingiu com a Dawnbreaker em uma das brechas de sua armadura. O fogo saiu por todas as frestas da mesma, e a criatura rugiu de dor. Um rugido agudo e metálico. Agora, o Guardião estava irritado, e Duncan precisaria tomar o dobro do cuidado. Ele conseguiu jogar-se para frente para escapar de um corte horizontal baixo de mais para ser desviado abaixando. Uma vez atrás da criatura, ele fez mais um corte na brecha da armadura, e obteve o mesmo efeito de antes, protegendo o rosto das chamas com o braço. A criatura jogou toda a força em sua coluna e girou em seus calcanhares, realizando um ataque giratório que quase acertou Duncan. Então, o jovem sentiu uma pontada de dor em seu braço, e um fino filete de sangue escorreu. A coisa havia o acertado, afinal. Ele tentou manter distância. Lembrou-se de algo que viu uma vez e começou a circular a criatura, desenhando semi-circunferências com a ponta da espada. Ele tomou o cuidado de se manter constantemente mudando o ritmo de suas passadas, visto que a criatura poderia muito bem acertá-lo com o machado à qualquer momento, mas a distância forçaria o guardião a usar um ataque vertical, ou ao menos jogar seu corpo para frente, dando chance de Duncan desviar-se. A criatura acompanhava o movimento da espada, sempre em guarda, caso recebesse um novo ataque.
O que ela não percebeu é que Duncan estava só ganhando tempo.
Quando Serana despachou o último dos esqueletos, ela fez uma bola de relâmpagos com ambas as mãos e atirou no gigante, que cambaleou para frente, então virou-se para ela e rugiu mais uma vez. Quando ele tentou correr na direção dela, ela lançou gelo em seus pés, congelando-os. Ele então atirou seu machado, que foi facilmente repelido por mais uma bola de relâmpagos.
Duncan aproveitou que agora o Guardião era uma base estável, que não mudaria constantemente de lugar. Ele correu, pulou, bateu um pé nas costas do Guardião, impulsionando-se um pouco para cima, e depois fez isso com o outro pé, alcançando os ombros do gigante. Ele tentou alcançar Duncan, mas a pouca mobilidade oferecida pela enorme armadura metálica não permitiu. Duncan pensou rápido e enfiou Dawnbreaker pela “gola” da armadura. Vendo que a criatura entraria novamente em combustão, ele saltou. Um pilar de fogo subiu por onde se encontrava antes a fantasmagórica cabeça do guardião, e logo a armadura caiu aos pedaços, vazia.
Ao mesmo tempo que isso aconteceu, o pilar de magia que saia da torre e ia até o castelo-prisão de Valerica se esvaiu, logo sumindo totalmente.
—Um já era, faltam dois- constatou Serana.
O segundo Guardião estava sentado em outro trono no meio das ruínas de um castelo abandonado. Apesar de ele usar um Martelo de Guerra, a tática pôde ser facilmente repetida.
O terceiro seria um desafio a parte, visto que a torre em questão estava com sua base quebrada, mas estava flutuando no ar. E o pior, sem sinal do Guardião.
—Ele deve estar lá em cima. – disse Serana. – Se ao menos pudéssemos alcançá-lo... já sei, mas vai ter que confiar em mim.
—Estou ouvido. – disse Duncan.
—E se eu te arremessasse lá para cima? Você podia alcançar a borda e seguir.
—Certo. E como eu desço depois?
—Ah. Eu te pego quando você pular. – Serana piscou.
Os dois riram.
—Certo, faça. – disse Duncan.
Serana o pegou pela cintura e deu o impulso. Ele foi arremessado com força, mas não o suficiente para ultrapassar a borda. Duncan ia cair.
Quando conseguiu se segurar no espaço onde devia haver um tijolo, ele respirou aliviado.
—Me desculpe! – Serana gritou lá de baixo.
—Tudo bem! – ele respondeu.
Duncan então escalou até a borda. Havia um pequeno corredor e um lance de escadas. Ao subi-las e virar a pequena esquina, ele deu de cara com o Guardião e seus ajudantes, já espernado por ele.
—Oi, pessoal – disse ele –estou interrompendo alguma coisa?
Então ele correu com tudo o que tinha e se jogou com todo o peso de seu corpo no Guardião, chocando seu obro contra o peito do gigante, que se encontrava na borda da torre. A coisa cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio por um momento. Um dos esqueletos, equipado com um arco, disparou contra Duncan, que saiu do caminho da flecha bem a tempo. O disparo acertou o guardião, que estava quase recuperando seu equilíbrio, dando o último empurrãozinho necessário para que ele caísse da borda. Os ajudantes olharam seu mestre cair para a.... segunda morte, talvez, e se viraram para Duncan, revoltados.
Duncan olhou em volta e encontrou um poço com uma água preta no meio do chão.
—O que será que isso faz? –perguntou ele, já correndo para o poço.
Assim que ele tocou a água, ele foi teleportado lá para dentro com um relâmpago.
Serana assustou-se.
—Como você...? – ela perguntou.
—Nãoi sei.
—Aquilo que caiu era o...
—Era.
—Então... conseguimos?
—Aham.
Ela deu um grito de felicidade, abraçando, Duncan e levantando-o no ar. Quando se deu conta do que fez, colocou-o imediatamente no chão.
—Ahm... desculpe. – disse ela, adquirindo cor novamente. Definitivamente aquilo era enrubescer para um vampiro.
—Tudo bem. Venha. Vamos encontrar sua mãe.
—Certo.
Então eles rumaram para o castelo de Valerica.
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