De repente o meu celular tocou, e assim que eu atendi, minha mãe berrou comigo.

-SUA LOUCA!! ESTAMOS TE PROCURANDO A HORAS!! HORAS!! VOCÊ DORMIU NA RUA FOI!?

-Quem você pensa que é para querer saber onde eu estou?- Perguntei sem dó.

-Eu? SUA MÃE!

-AH! Agora você quer ser minha mãe!- G apareceu na sala e fiz sinal para ele levar o irmão dele pra cima- Porque não pensou nisso antes de se embebedar, chegar em casa no dia seguinte e ficar com qualquer um!? HÃN!

-Escuta aqui! Eu não devo satisfação da minha vida a ninguém! Muito menos a você e...

-Sabe meu maior desejo? QUE VOCÊ MORRA!- Disse desligando o telefone.

Abri e tirei a bateria e o ship. Colocando um que eu achei na rua uns dias atrás.

-Essa... coisa nunca mais fala comigo- Disse pro G quando ele desceu as escadas.

-Maninho, porque não vai lá no fundo, arrumar as coisas pra gente brincar de escolinha?- Ele perguntou colocando-a no chão.

-EBA!- Ela disse saindo pulando toda alegre e indo embora.

-Você sabe que eles vão colocar a polícia atrás de você... e vão te achar...

-Quando isso acontecer, eu me mato- Respondi- Eu não agüento mais essa... merda que eu chamo de vida!

-Não fala assim Bee...

-Você sabe que é verdade- Disse de bico.

-Vai melhorar.

-E se não? Esse é um fardo que eu vou ter que carregar pro resto da minha vida...

-Me promete uma coisa?- Ele perguntou me olhando.

-Fala.

-Tem tanta coisa que você perderia se se matasse.

-Tecnicamente- Comecei- Já estaria morta, ou seja, isso não importaria mais.

-Não seja teimosa- Ele disse sério- Vem, vamos brincar com o Lucas... depois vou te levar numa amiga da minha mãe.

Fomos para o fundo do quintal, brincamos com o Lucas e o levamos para a casa da avó deles, depois pegamos um ônibus e fomos para essa tal amiga da mãe dele.

-Psicóloga!?- Perguntei incrédula- Tá me chamando de depressiva?

-Não. Mas você precisa de uma.

Entramos, ele me pagou uma sessão de uma hora e meia, e quando eu saí de lá, ela me receitou anti-depressivos...

-Anti-depressivos- Disse pra mim mesma- Maravilha!

-Pelo menos não são calmantes.

Olhei pra ele com cara de “Vai se fuder”, ele riu e entram policiais no consultório.

-Achamos ela- Disse um deles no rádio- Senhorita Gabriela, venha comigo, seus pais a estão procurando.

Olhei para o G e ele entendeu.

-Ela não vai com vocês.

-Quem disse?- Perguntou o policial.

-Nós- Dissemos em coro.

Um dos policiais me pegou pelo braço e o outro pegou o G e nos levaram para a viatura, logo estávamos na delegacia.

-Você vai fazer né?- Disse G triste pra mim.

-Vou. Não dá mais G. Não agüento mais.

-Como? Você não quer mesmo voltar não é?

-Não para aquele... inferno que eu chamava de casa...

-Eu não vou te ajudar... você é minha melhor amiga... não quero isso pra você.

-Ta vendo aquela gaveta com chave?- Perguntei apontando.

-To.

-Quando eles saírem, eu abri e pego uma arma.

-Como sabe que é lá que eles guardam?

-Onde mais guardariam?- Perguntei.

Notas finais
na reta final.

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