Sky full of Stars
1 Você é um céu cheio de estrelas
Notas iniciais
E quem é minha amiga secreta? É A ARÊ-CHAN! Amada, eu espero, do fundo do meu coraçãozinho, que você tenha um 2020 muito iluminado, cheio de amor, felicidade e muito sucesso. Além, espero que você goste desse pequeno presente, que foi feito com muito amor e carinho unindo duas coisas que eu amo muito. Juro que tentei trazer os casais que você pediu, mas parecia que nada ficava bom o suficiente. E lembra de todas as vezes que você me ofereceu ajuda no grupo? EU NEM SABIA O QUE DIZER PQ EU TINHA TIRADO VOCÊ! Prometo que aquela fic SasuHina no universo de Star Wars vai sair um dia.
A parte 2 dessa história sai amanhã! Nas notas finais vou colocar algumas observações que talvez sejam necessárias para a história.
Quando embarcou no expresso de Hogwarts para seu sexto ano na escola de magia, a jovem Hinata Hyuuga esperava um ano tranquilo, um em que ela pudesse focar em seus estudos para o N.I.E.M.s do próximo ano. Contudo, no momento em que sentou a mesa da Lufa-Lufa, ao lado de Shino e Chouji, percebeu que suas expectativas não seriam atendidas. A decoração do grande salão estava diferente e estandartes de outras duas escolas, Castelobruxo e Koldovstoretz, brilhavam ao fundo do salão principal. A jovem fez uma conta rápida e arregalou os olhos claríssimos.
Aquele era o ano do torneio tribuxo.
Lembranças de quatro anos atrás preencheram a mente da jovem bruxa. Ela estava em seu segundo ano e aquele também havia sido um ano do torneio, mas, ao invés de ser realizado em Hogwarts, ocorrera em Uagadou e o irmão de seu melhor amigo ganhara a taça, para o orgulho da família Uchiha, Hogwarts e de todos os corvinos, que viviam se gabando desde então.
Hinata levou o olhar para a mesa da Sonserina, procurando Sasuke, mas antes que o encontrasse, as enormes portas do salão foram abertas e a jovem suspirou com a enormidade de criaturas exóticas, e belíssimas, que tomaram conta do salão. Atrás, numa dança belíssima, vinham os alunos de Castelobruxo, trajando um uniforme tão verde quanto as florestas que protegiam sua escola.
— Hogwarts está ferrada esse ano. — Ela ouviu alguém sussurrar perto de si quando parte das criaturas se transformaram em humanos, a maior delas sendo a própria diretora de Castelobruxo, Benedita Dourado. — Nem mesmo Itachi era um animago nesse nível.
Apesar de conhecer pessoalmente Itachi, já que muitas férias foram passadas na casa da família Uchiha, Hinata não pode deixar de concordar com a fala. Itachi era um bruxo formidável, mas com certeza os alunos de Castelobruxo dariam trabalho para o Uchiha, e isso vendo apenas a pequena apresentação. Os estudantes brasileiros, e sua diretora, exalavam uma magia selvagem tão poderosa que podia ser sentida por todo o salão.
Hinata nunca havia sentido algo tão… belo.
Enquanto Castelobruxo trouxera toda a beleza das florestas, Koldovstoretz trouxe a beleza do inverno Russo. Hinata ficou maravilhada com os flocos de neve, tão perfeitos que pareciam ter sido esculpidos a mão, que caiam pelo salão, rodeando os alunos russos que dançavam, mais sobriamente que os brasileiros, mas ainda assim de forma bela.
Quando finalmente o diretor de Hogwarts, Hashirama, começou a falar, a jovem Hyuuga teve uma certeza: a última coisa que aquele ano seria era tranquilo.
***
Hinata apenas encontrou Sasuke no primeiro sábado livre desde que as aulas recomeçaram, no lugar favorito deles: embaixo de uma grande árvore em frente ao lago negro. A capa escura do rapaz estava jogada no chão e ele estava deitada sobre ela, os cabelos escuros estavam espalhados, quase se confundindo com a cor da vestimenta, e um dos braços cobria os olhos do sol da tarde. Por um momento, a jovem pensou que ele estava cochilando e resolveu dar meia volta, mas a voz profunda de Sasuke a alcançou.
— Achei que ia fugir de mim para sempre, Hyuuga. — Hinata nunca admitiria aquilo em voz alta, mas adorava quando Sasuke a chamava de Hyuuga. Era uma provocação que vinha desde o primeiro ano e que, secretamente, ela passara a amar.
— Eu não estava fugindo de você, Sasuke. — Respondeu suavemente, sentando ao lado do amigo e sorrindo quando ele tirou o braço dos olhos e virou para encará-la. Aquela havia sido as primeiras férias, desde o primeiro ano, que eles passaram separados e ela se surpreendeu como o Uchiha estava diferente, mas ,ao mesmo tempo, o mesmo de sempre.
A pele, normalmente tão pálida, estava levemente bronzeada pelo sol forte do Egito — onde o moreno havia viajado com o irmão — e os cabelos estavam mais longos, mas pareciam combinar ainda mais com os traços bonitos comuns dos Uchihas. E os olhos...
Hinata não sabia exatamente quando começara a reparar tanto nos olhos do melhor amigo, mas ela reparava. E toda vez que encarava os olhos escuros e intensos de Sasuke era como se ele pudesse ler a alma dela. Eles se conheciam muito bem, era até estranho como pessoas com personalidades, e casas, tão distintas fossem tão ligados.
Mas a Hyuuga não sabia o que faria se não tivesse Sasuke, e todos os comentários ácidos e sarcásticos, em sua vida.
— Ser monitora, todas as aulas, a preparação pro N.I.E.M.s. não são coisas muito simples. Eu sei que você vai falar que isso só vai acontecer ano que vem, mas eu prefiro começar a me preparar já. — Ela continuou, desviando o olhar do rapaz para o lago. — Às vezes, eu sinto falta da tranquilidade dos primeiros anos.
Eles ficaram em silêncio por alguns momentos, Hinata sabia que Sasuke concordava com ela. As coisas eram muito mais simples quando Itachi ainda estava em Hogwarts e todos os holofotes se concentravam nele. No entanto, desde que o mais velho se formara, tudo se voltara para Sasuke e, apesar de gostar da popularidade, a cobrança de ser perfeito era muito grande.
— Seu cabelo cresceu. — O moreno disse, apoiando o corpo em um dos cotovelos e com a outra mão colocando uma mecha do longo cabelo feminino atrás da orelha dela. Hinata sentiu as bochechas esquentarem e algo se remexer dentro dela.
— O seu também. — Ela murmurou com um sorriso tímido. — Andando demais com Itachi, não é mesmo?
A risada que o amigo soltou fez com que aquele algo se remexesse ainda mais.
— Você teria amado o Egito, Hinata. — Ele voltou à posição inicial, deitado em cima da capa. — Essa viagem teria sido melhor se você estivesse lá para compartilhar a dor que foi ouvir os discursos intermináveis de Itachi sobre a magia antiga e como os trouxas modificaram a história e todo aquele blá blá blá.
— Você ama os discursos intermináveis do seu irmão, Sasuke. — Hinata disse, rindo. — E eu preferiria passar vinte horas estudando poções do que repetir essas férias em casa. Neji voltou e tudo o que meu pai sabia falar era de como ele estava mudando as coisas no ministério Japonês, como ele tinha orgulho. De como eu deveria seguir os mesmos passos.
A Hyuuga suspirou e abraçou os joelhos, a felicidade que sempre encontrava junto de Sasuke se esvaindo um pouco ao lembrar-se das férias. Hinata sempre se sentiu menos junto a sua família, e depois que fora selecionada para Lufa-Lufa ao invés da tradição dos Hyuugas em se juntarem a Corvinal, tudo aquilo piorou. Neji sempre fora alguém querido para ela, um exemplo, mas Hinata queria ser sua própria pessoa, ter sua própria história.
Mesmo que ainda não tivesse descoberto o que queria seguir.
— Bondosa demais para trabalhar com política. Péssima demais em poções para uma medibruxa. — A voz feminina era carregada de decepção. — Tudo pelo que minha família é conhecida, eu não me encaixo. Às vezes, eu invejo sua família, Sasuke. Apesar de toda a cobrança, a única coisa que eles querem é que vocês sejam felizes e bem sucedidos. Não que se encaixem num molde que não tem nada a ver com quem você é.
Sasuke ficou em silêncio, pois não sabia o que dizer naquele momento, já que Hinata tinha razão. Seu pai era, em muitos momentos, um tirano, mas nunca impedira os filhos de fazer aquilo que eles amavam, desde que fizessem com perfeição. O jovem sabia que sua mãe tinha muita influência sobre o velho Fugaku e, por um momento, ele pensou que talvez as coisas tivessem sido diferentes para os Hyuugas se a mãe de Hinata, Hikari, não tivesse falecido ao dar à luz a filha mais nova, Hanabi.
O coração do rapaz se incomodava ao ver a melhor amiga naquele estado. Hinata era tão importante para ele que provavelmente queimaria tudo se isso significasse que ela fosse feliz. Ela nunca se importou com sua fama, a fama de sua família, sempre fora a pessoa que o viu por quem ele era: Sasuke e não apenas um Uchiha, e isso o conquistou desde o primeiro momento em que eles conversaram, ainda no expresso de Hogwarts no primeiro ano. E, por ter acompanhado toda a trajetória de Hinata até aqui, ele ficava completamente irritado ao saber que o pai duvidava da filha, que ela mesma se menosprezava por não se achar boa o suficiente.
Sasuke queria tanto que Hinata enxergasse o quão maravilhosa ela era. Se existisse um feitiço que fizesse que ela se visse pelos olhos dele, provavelmente o faria. Porque, para ele, Hinata era perfeita. Não só em sua aparência, que era belíssima com os fios longos e escuros que contrastavam com a pele pálida e os olhos claríssimos que pareciam duas luas brilhantes. Mas também por sua personalidade, sua bondade, a vontade de ajudar o próximo, a suavidade em que fazia as coisas mesmo para aqueles que não eram tão simpáticos com ela, a gentileza em ensinar tudo o que sabia.
Hinata se doava ao próximo e isso, para ele, era uma das coisas mais belas e corajosas que existiam.
— Hinata. — Ele a chamou, ficando de joelhos na frente dela e, quando ela levantou o rosto, ele colocou as duas mãos nas bochechas dela, fazendo com que ela o encarasse. — Eu já te disse isso muitas vezes, mas parece que você ignorou todas elas. Você não precisa ser alguém que você não quer apenas para agradar a sua família, Hinata. Você é incrível, Kakashi não cansa de elogiar sua performance na aula de transfiguração, Minato queria você no time de quadribol desde o segundo ano. E nem preciso dizer o quão bem você se dá com todas as criaturas mágicas, não é? Fora o quão boa você é nas aulas de astronomia. Sem você, eu não teria passado naquela prova ano passado. Você diz que não é boa o suficiente em poções, mas mais da metade dos sonserinos do nosso ano invejam sua habilidade e, se Orochimaru não fosse tão escroto, teria te elogiado desde o primeiro ano.
Os olhos claríssimos da jovem encheram-se de lágrimas, mas não de tristeza. E Sasuke não pode evitar acariciar as bochechas dela com os polegares e sorrir.
— A única coisa que você precisa aprender é como a confiar em si mesma. — Ele completou e a abraçou, deixando que ela repousasse a cabeça em seu peito, mesmo que isso significasse que seu uniforme ficaria molhado pelas lágrimas que ela derramava. — Você é uma bruxa incrível, não pelo sangue da sua família, mas por todo o seu esforço. Eu não me surpreenderia se você fosse escolhida como campeã de Hogwarts nesse torneio.
Sasuke percebeu que gostava de Hinata no terceiro ano, mas não deu muito bola para aquele sentimento por achar que era apenas um reflexo de sua confusão adolescente e a tristeza por Itachi estar se formando. Entretanto, aquele sentimento apenas cresceu cada vez que ela sorria para ele, cada vez que o ajudou nas matérias que o Uchiha não era um gênio, que eles treinavam quadribol juntos ou apenas conversavam coisas leves embaixo da árvore no lago negro. Agora, no sexto ano e com ela abraçada a ele, Sasuke tinha toda a certeza.
Ele amava Hinata Hyuuga.
Mas Hinata amava Naruto Uzumaki, então, tudo o que restava a ele era continuar sendo o porto seguro que sabia ser para a morena. Era tentar fazer com que ela fosse feliz.
Mesmo que aquilo significasse que ele não ficaria tão feliz assim.
***
— Você vai se inscrever? — Hinata perguntou enquanto eles tomavam café da manhã juntos na mesa da Lufa-Lufa. Ao notar a confusão no rosto do amigo, continuou: — Para o torneio tribuxo.
Sasuke havia pensado muito sobre o torneio. Apesar de ser uma oportunidade incrível, e única já que aquele era seu penúltimo ano em Hogwarts, o jovem não tinha exatamente uma gana em participar. Além do mais, seu irmão havia sido o último campeão a representar a escola, e vencedor. Tudo o que Sasuke não queria era estar a sombra do irmão novamente.
— Não, acho que não. — Ele respondeu e todos na mesa se surpreenderam.
— Sasuke, maldito, você não vai se inscrever? — A voz energética de Naruto, um grifinório, surgiu. Apesar daquela ser a mesa da Lufa-Lufa, todas as casas gostavam de se reunir ali para o café, principalmente o grupo deles, que se reunira no primeiro ano. — Ta com medo de perder pra mim?
— Eu não preciso de um torneio escolar para me provar pra ninguém, Naruto. — O Uchiha respondeu com desdém e o loiro soltou um grito. — Além disso, você não cansou de perder pra mim? No quadribol e, agora, no torneio tribruxo também?
— Ora, Sasuke, não seja tão escroto com o Naruto. — Hinata o repreendeu, mas ele podia enxergar o pequeno sorriso nos lábios rosados.
— Não que ele esteja mentindo, né, foi culpa desse paspalho que perdemos a taça de quadribol ano passado. — Sakura Haruno, a rosada prodígio da Grifinória, disse dando um tapa, nada leve, na cabeça do Uzumaki. — E a taça das casas também!
— Oe, Sakura, não diga isso. — Naruto disse com um sorriso tão iluminado que fez com que Hinata se contorcesse por dentro. — Você sabe que não foi de propósito.
— Claro, por que meter um balaço no seu próprio apanhador E ser pego fora da cama no horário proibido não são coisas que você fez por querer. — A rosada revirou os olhos, mas a Hyuuga conseguia enxergar o carinho nas orbes esmeraldas. — Paspalho.
Hinata tinha um carinho muito grande por Naruto desde o primeiro ano, quando ela e Sasuke ainda não eram melhores amigos e o loiro a salvou de um bando de corvinos que a importunavam por envergonhar a família Hyuuga por ter sido escolhida para Lufa-Lufa. Por muitos anos, a jovem julgou que estava apaixonada por Naruto, mas na metade do quinto ano percebeu que aquilo era apenas uma admiração muito grande e que, na verdade, seu coração batia mais forte por orbes escuras, não azuis.
Mas a lufana sabia que, para Sasuke, ela era a melhor amiga. Aquela com quem ele poderia contar sempre, o ombro amigo — com foco no amigo. Ele nunca a veria como algo a mais. Ele era, como os trouxas gostavam de falar, muita areia para o seu caminhãozinho. Então, ela preferia continuar assim, como a melhor amiga, do que perder Sasuke para sempre. A jovem suspirou e voltou a atenção para o seu café.
Sasuke, que sempre estava de olho em Hinata, crispou os olhos com a reação dela para o loiro. E Ino, a sonserina que conhecia tanto Sasuke quanto Hinata muito bem, revirou os olhos azuis e balançou a cabeça.
“Por Merlin!” Ela pensou, irritada. “Dois idiotas. Dois completos idiotas que não enxergam o que está a meio palmo dos olhos deles.”
— E ainda dizem que Uchihas e Hyuugas tem a melhor visão de todas. — A Yamanaka bufou, levantando da mesa e jogando os cabelos loiros para trás. — Sinceramente.
Todos da mesa olharam confusos para a sonserina que caminhava irritada em direção às portas do salão. Ino não era conhecida por jogar meias palavra, sempre fora muito direta e reta quanto ao que queria falar, então aquela reação não condizia com a personalidade dela.
Sasuke e Hinata, que eram os mais próximos da loira, se entreolharam e ambos balançaram a cabeça negativamente, sem saber o que exatamente a loira queria dizer. Sasuke, é claro, tinha alguma ideia, mas não falaria aquilo em voz alta, ainda mais no meio de todo mundo.
— Vamos, ou Orochimaru vai nos matar por chegar atrasados na aula dele. — Sasuke disse, levantando da mesa e estendendo a mão, que Hinata pegou como apoio para se levantar também. — Vejo você perder na seleção, Uzumaki.
— OE SASUKE MALDITO! — Naruto gritou, mas o casal já estava correndo para fora do salão e rindo em conjunto.
***
O salão principal estava diferente no dia da escolha dos campeões. Apenas algumas das milhares de velas estavam acesas, a principal fonte de luz vindo do Cálice de Fogo, que brilhava com seu fogo azul imponente em frente a mesa dos professores. As mesas das casas estavam encostadas nas paredes, fazendo com que os alunos ficassem misturados, muitos sentados no chão. Hinata ocupava o lugar ao lado de Sasuke, seus joelhos se encostando vez o outra, fazendo com que as bochechas da jovem ficassem vermelhas o tempo inteiro.
A jovem lufana estava levemente ansiosa. Na noite anterior, nos últimos momentos em que o cálice estava aceitando inscrições, colocara seu nome no fogo. A única pessoa, além dela mesma, que sabia daquilo era Naruto, que a incentivara a fazer isso. Hinata sabia que não seria escolhida, mas aquele pequeno ato de coragem fez bem para ela, como se ela estivesse honrando todas as palavras bonitas que Sasuke havia dito naquela tarde em frente ao lago.
Sorrindo para si mesma, Hinata olhou os amigos que conversavam sobre quem seria escolhido das outras escolas. As apostas em Gaara, de Koldovstoretz, e Kiba, de Castelobruxo, eram muito altas. Em Hogwarts, todos tinham certeza que Naruto seria escolhido. Ele e Sasuke sempre foram os destaques da escola em seu ano e, já que o Uchiha escolhera não participar, o vencedor parecia óbvio.
As conversas cessaram no momento em que os três diretores entraram no salão. Eles se colocaram ao redor do cálice e, após um breve discurso de Hashirama, a seleção começou. Era lindo a forma como os papéis com os nomes saiam do cálice e voavam para a mão de cada diretor, que lia o nome do aluno escrito ali. As apostas acabaram sendo corretas, já que Kiba e Gaara foram selecionados. Quando Hashirama pegou o último papel, um sorriso surpreso passou a brincar o rosto do diretor, fazendo o coração de Hinata bater furiosamente. Ela não tinha esperanças de ser escolhida, mas contrariando todas as expectativas não fora o nome de Naruto Uzumaki que foi dito em voz alta.
— Hinata Hyuuga. — Por um momento, o silêncio se fez presente. Sasuke encarou Hinata com surpresa e ela pode enxergar algo dolorido nos olhos que tanto gostava. Ela sabia o que ele queria perguntar, sabia como ele se sentia traído naquele momento, mas antes que ela pudesse dizer algo, o grito de Naruto se fez presente e todos aplaudiram, principalmente os alunos da Lufa-Lufa.
A última vez que um Lufano fora campeão do torneio fora Cedrico Diggory, quase dois séculos atrás.
Hinata queria ficar, conversar com Sasuke, explicar que ela não esperava que aquilo fosse acontecer. Que não tinha nenhuma pretensão real quando colocou o nome no cálice, mas seus companheiros de Hogwarts batiam palmas e a empurravam levemente em direção ao caminho que os outros campeões tinham seguido. Ela olhou para os orbes negros que tanto adorava uma última vez e o que enxergou ali doeu seu coração.
Respirando fundo, Hinata seguiu o caminho. As mãos delicadas tremiam, lágrimas acumulavam-se nos cantos dos olhos claríssimos, mas ela se manteve forte. Ela e Sasuke conversariam depois, ele entenderia porque ela não tinha dito nada.
Ou pelo menos ela esperava que sim.
***
— Por que você não me contou? — Sasuke a questionou quando eles chegaram na árvore em frente ao lago negro, a mesma árvore que era considerada o lugar especial deles. Hinata podia sentir a irritação nas palavras do sonserino, assim como uma leve tristeza que ele tentava não demonstrar.
— Me desculpe, Sasuke. — A voz delicada tremia levemente. — Eu não tinha pretensão nenhuma de me inscrever. Mas suas palavras naquela tarde, a insistência de Naruto…
— Naruto? Naruto insistiu para que você participasse? — Hinata nunca havia ouvido tanto ciúmes na voz do amigo quanto naquele momento.
— Eu queria… — As mãos femininas tremiam e ela não sabia o que fazer com elas, muito menos sabia as palavras certas a dizer. Hinata não havia realmente pensado quando depositou seu nome no fogo aquela noite, ela só queria se sentir mais do que realmente sentia. Queria orgulhar seus amigos, principalmente Sasuke.
Mas, aparentemente, a jovem apenas estragara tudo.
— Eu disse milhares de vezes que não adiantaria nada colocar meu nome ali sabendo que não seria escolhida. — A voz estava quase tão trêmula quanto suas mãos, mas a jovem não parou de falar, com receio que, se parasse, não conseguiria continuar. — Nas várias vezes que um lufano colocou seu nome ali, pessoas falaram: e eles vão fazer o quê? Conversar com o bicho até ele se cansar? As pessoas não colocam fé em nós, dizem que somos muito amigáveis, muito bondosos, mesmo o diretor de nossa casa sendo um dos maiores bruxos de todos os tempos.
A Hyuuga limpou as lágrimas que escorriam pelo rosto delicado e colocou os cabelos escuros para trás, encarando o melhor amigo.
— Naruto insistiu muito, disse que eu não tinha nada a perder com aquilo. Insistiu tanto que falou com o professor Minato para que ele viesse falar comigo, e o que ele disse foi algo que muitas pessoas precisam aprender, eu inclusive. “Bondade não é uma fraqueza”. — A jovem sorriu levemente lembrando-se das palavras do diretor da lufa-lufa. — Mas quem realmente me convenceu a participar não foi Naruto, Sasuke. Foi você, suas palavras naquele sábado, sua confiança em mim. Eu sei que deveria ter te contado, eu não consigo lembrar de quando eu escondi algo de você… Mas eu não queria decepcioná-lo ao me inscrever e não ser chamada.
Sasuke teve a certeza de que, se fosse mais corajoso do que realmente era, diria que amava Hinata naquele momento. Iria abraçá-la, enxugar as lágrimas que manchavam o rosto bonito, beijar os lábios rosados e afirmar que ela nunca iria decepcioná-lo. Quando ouviu o nome dela ser escolhido na noite anterior, seu coração doera em saber que ela fizera algo sem dizer nada para ele, e quando o nome de Naruto fora mencionado…
Sempre houve uma pequena competição entre ele e o Uzumaki, desde muito antes de entrarem em Hogwarts, já que suas famílias eram muito próximas. E, no primeiro ano, quando foram selecionados para casas com um histórico de rivalidade, aquela rivalidade apenas aumentou. Era tudo amigável, é claro, mas sabendo que Hinata gostava do grifinório e que contara algo para ele que não contara para Sasuke, bem, o jovem Uchiha nunca havia sentido tanto ciúmes em toda sua vida.
— Hinata… você… — Ele respirou fundo, se aproximando da jovem e a abraçando. O cheiro de lavanda característico da amiga o acalmou. — Você nunca vai me decepcionar. Acho que nem mesmo se decidisse lecionar Estudo dos Trouxas.
O coração de Hinata batia acelerado, tanto pela proximidade com o Uchiha, com seu perfume amadeirado que preenchia as narinas dela e levava arrepios por sua pele, quanto pelas palavras. Ela derramou algumas lágrimas, mas daquela vez de alívio. A Hyuuga queria que elas significassem mais, mas só de não ter afastado o amigo por uma falha de comunicação, Hinata sentia-se grata.
— Me desculpe por não ter falado nada. — Ela murmurou, abraçando o rapaz mais forte.
— E me desculpe por ter reagido tão mal. — Sasuke acariciou os fios macios da amiga e sorriu brevemente. Eles ficaram ali, naquele abraço reconfortante por vários momentos até que o Uchiha voltasse a falar: — Vamos, nós temos muito trabalho a fazer.
— Temos? — Hinata perguntou, confusa, se soltando do abraço e ajeitando o cabelo.
— Você tem um torneio para ganhar, Hyuuga. — O tom de voz que ele usou trouxe arrepios para a pele da lufana. — E eu vou fazer de tudo para que isso aconteça.
O sorriso que pintou o rosto de Hinata fez com que o coração de Sasuke errasse algumas batidas, ele não compreendia como alguém podia mexer tanto consigo como ela. O Uchiha queria ter a famosa coragem de um grifinório, que para ele muitas vezes podia ser vista como burrice, e dizer tudo o que sentia para a perolada. No entanto, na verdade, Sasuke tinha medo.
Ele preferia tê-la apenas como melhor amiga do que não a ter de forma alguma.
***
A primeira tarefa aconteceu na segunda semana de novembro. As únicas pistas que os campeões haviam recebido eram que eles teriam que recuperar alguma coisa dentro da floresta proibida, que levaria a pista para a próxima tarefa, e uma frase que deixara Hinata extremamente nervosa.
Sigam as aranhas.
A jovem Hyuuga sabia muito bem o tipo de aranha que existia nas profundezas da Floresta Proibida.
— Aranhas? Por que tinham que ser logo aranhas? Não podia ser… sigam as borboletas? — Kiba havia resmungado após eles saírem da sala com os diretores e a lufana não pôde deixar de rir baixinho, o pouco que conversara com o brasileiro teve certeza de que, além de um bruxo incrível, era uma pessoa muito boa e divertida.
Ela e Sasuke treinaram exaustivamente se baseando no palpite da Hyuuga que eles teriam que adentrar o território da colônia de Acromântulas. Além dos feitiços, ela passou muitas horas na biblioteca, pesquisando a melhor forma de lidar com aqueles seres sem necessariamente matá-los ou machucá-los.
Quando a jovem adentrou a floresta na noite da tarefa, levou consigo as palavras da Sasuke — “Eu acredito em você, Hyuuga” — e o toque singelo que ele lhe dera na testa, uma pequena tradição entre os irmãos Uchiha que a jovem sempre achara muita bonita. Ela estava certa quanto ao que eles tiveram que enfrentar, já que os três ovos dourados estavam no centro da colônia de Acromântulas, os descendentes de Aragogue e Mosag.
Hinata não terminou em primeiro apenas porque ficou para trás para ajudar Kiba, que em um momento de descuido, provavelmente pelo pavor que o rapaz sentia de aranhas, acabou sendo pego e machucando a perna. Hinata fora obrigada a usar um feitiço ofensivo, que não matou, mas machucou a acromântula o suficiente para que eles pudessem sair da floresta. Quando os dois saíram do meio das árvores, com o brasileiro apoiado na lufana e ela praticamente banhada em sangue de acromântula, os gritos dos alunos era quase ensurdecedor.
Gaara terminara em primeiro, mas Hinata ganhara mais pontos por não ter deixado alguém para trás.
— Eu disse para você, Hinata. — Minato, o diretor da Lufa-Lufa, disse quando ela finalmente soltou o Inuzuka e pode respirar aliviada. — Muitos veem nossa casa como a mais fraca, mas é preciso muita força para fazer o que você fez hoje, se arriscar para salvar alguém que é seu adversário.
— Será que agora essa sua cabeça dura vai começar a acreditar em mim? — Sasuke perguntou com um sorriso de lado que fez o coração da Hyuuga bater mais forte. — Você está bem?
— Apenas cansada, Kiba ficou um tempo desacordado e ele consegue ser mais pesado na forma de animago. — Ela riu baixinho e mostrou o ovo dourado para Sasuke. — Agora é descobrir como isso vai nos levar para a próxima tarefa.
— A próxima tarefa é apenas daqui um mês, você tem tempo. — Hinata podia enxergar a preocupação nos olhos escuros do Uchiha. — Agora você precisa descansar. E tomar um banho, sangue de acromântula fede, Hyuuga.
— Seria uma pena se eu te abraçasse e espalhasse esse fedor em você, não é mesmo? — A lufana riu, ameaçando abraçar o amigo, que deu um passo para trás, fazendo com que ela risse mais.
Mas não demorou muito para que ele a abraçasse, sangue de acromântula ou não, Sasuke estava mais do que aliviado em saber que ela saíra daquela primeira tarefa bem. O Uchiha nunca fora bom em esperar, então, as horas que passara ali, sem nenhuma notícia, foram as piores. O sonserino não sabia como aguentaria as outras duas tarefas, que provavelmente seriam muito piores que a primeira.
— Estou feliz que você esteja bem. — Ele disse baixinho, apoiando o queixo no topo da cabeça feminina.
Hinata sorriu, o coração aquecido pelo carinho do melhor amigo. Eles só se separam porque a grande multidão de alunos de Hogwarts chegara até eles, comemorando a quase vitória da lufana. A Hyuuga olhou uma última vez para Sasuke, que sorria abertamente para ela, e se deixou ser carregada para dentro do castelo, entrando nos gritos de comemoração.
— Você não acha que passou da hora de abrir o jogo, Sasuke? — Ino perguntou, parando ao lado do amigo.
— Ino…
— Não, Sasuke, eu falo sério. — A loira encarou o Uchiha seriamente, colocando a mão direita no ombro masculino. — Vocês estão dançando ao redor um do outro a séculos, está óbvio para todo mundo, menos para os dois aparentemente.
— Hinata sempre gostou de Naruto. — Sasuke disse. — Eu… não quero perdê-la, Ino. E eu acho que se eu falar a verdade sobre o que eu sinto, é o que vai acontecer.
— Para um Uchiha, você é bem burro, em, Sasuke? — Ino revirou os olhos e suspirou, cansada. — Vamos, não quero perder esse banquete. Ao contrário dos alunos de Hogwarts, os russos sabem como cortejar uma mulher e não ficam de enrolação.
O Uchiha ergueu as sobrancelhas, surpreso, mas não discutiu com a loira. Anos convivendo com Ino o ensinaram que não valia a pena. Apenas seguiu a amiga para o salão principal, mas as palavras dela martelavam em sua mente.
Seria possível que Hinata o quisesse além da amizade?
***
Hinata sentia-se idiota por trazer o ovo de ouro para o banho com ela, mas algo dentro dela insistia para que fizesse isso. Uma das vantagens de ser uma monitora, apesar de suas obrigações terem diminuído por conta do torneio, era ter um banheiro exclusivo no quarto andar. A jovem disse a senha para o quadro, que se abriu depois de conversar alguns momentos com a lufana. Antes de tirar o uniforme, Hinata conferiu se estava sozinha e abriu suas torneiras favoritas, enchendo a grande banheira com água quente, essência de lavanda e muitas bolhas.
Esperando que a banheira enchesse, Hinata segurou o ovo com as duas mãos e o olhou atentamente pela primeira vez. Fazia cinco dias desde a primeira tarefa, mas a jovem não conseguiu arrumar tempo para se dedicar ao objeto devido às aulas e suas responsabilidades. Sasuke se oferecera para ajudar a decifrar a próxima pista, mas ela sentia que deveria fazer aquilo sozinha. A Hyuuga sentia a magia dentro do ovo, era algo que a atraia, como se a estivesse chamando, e durante toda aquela semana tivera que lutar para não largar tudo o precisava fazer apenas para ficar olhando para o objeto.
Respirando fundo, a jovem colocou delicadamente o ovo ao lado da banheira e retirou o uniforme, dobrando-o e o guardando na bolsa que trouxera. A pele se arrepiou quando entrou na água quente, mas a lufana sentou na banheira, deixando a água relaxar os músculos doloridos e cansados. Por alguns momentos, ela permaneceu assim, apenas olhando a bonita sereia que acordara na vidraça e passara a cantar, penteando os longos cabelos.
Abraçando os joelhos, Hinata pensou em toda a sua trajetória até ali, os momentos bons, os ruins, sua amizade com Sasuke, os sentimentos que confundiam seu coração em relação ao sonserino. Pensou em tudo o que aprendeu, como fora surpreendida ao ser escolhida para o torneio tribruxo. Pensou em sua família, apesar de ser próxima da irmã — e a Hyuuga mais nova ter ficado em êxtase quando Hinata fora escolhida como campeã — e de a ver todos os dias, elas não tinham realmente tempo de sobra para passar juntas e, até ali, a Hinata não havia recebido nenhuma carta de casa, o que não era nenhuma surpresa, mas ainda assim o coração dela se entristecia, era de se esperar que ser escolhida como campeã do torneio tribruxo seria suficiente para Hiashi, mas, aparentemente, até isso era pouco para o medibruxo chefe do St. Mungus.
A Hyuuga suspirou e os olhos claríssimos se voltaram para o ovo. Ela o pegou, passando os dedos molhados pela casca dourada e suspirou, surpresa, quando ela começou a se desfazer e gotículas douradas dançaram ao redor da jovem, para depois formar um papel no mesmo tom de ouro em que pequenas letras iam se juntando. Dentro do ovo, agora sem sua casca dourada, uma pequena serpente encarava a jovem com seus olhos do mesmo tom de ouro que antes cobria sua casa.
O canto da sereia cessou e outra voz, mágica e poderosa, começou a falar lentamente o que havia escrito no papel, enquanto a criatura ia mudando de forma a cada verso.
hora lá, hora cá
com a beleza da mudança ele virá
para a água atrair, enganar e devorar
mas se o feitiço certo você usar
inofensivo então se tornará
e aquilo que buscas enfim encontrará
— Um metamorfo da água. — Ela murmurou para si mesma, quando a voz se calou e o papel enrolou-se sozinho e caiu ao lado da banheira. A criatura agora nadava alegremente em seu pequeno espaço como um sereiano e Hinata arregalou os olhos. — Ah não, você só pode estar brincando comigo.
Hinata era uma das melhores alunas em História da Magia, e ela lembrava-se bem do torneio em que Harry Potter participara, assim como da segunda tarefa que fora imposta para eles, e, apesar de adorar água e nadar, não estava nem um pouco ansiosa para ter que mergulhar nas profundezas do lago negro, onde criaturas mais do que perigosas existiam.
Ela respirou fundo, colocou o ovo do lado da banheira e mergulhou a cabeça na água. Tinha algo a mais naquilo que ela não estava enxergando, decifrara o local da próxima tarefa, sim, mas não o que ela teria que buscar, seria uma réplica da tarefa de 1994? O animal preso dentro do ovo, o modo como ele mudava de forma, com certeza era alguma pista... E qual seria o bendito feitiço certo? Como ela adivinharia se não soubesse o que exatamente eles enfrentariam dentro do lago? Hinata soltou o ar lentamente pela boca, formando bolhas na água até que ficasse insuportável permanecer ali. Quando emergiu, o animal dentro do ovo retornara para a forma de serpente que tinha no início e estava enrolado em si mesmo, os olhos dourados fechados, como se dormisse tranquilo.
Hinata balançou a cabeça, pensando que gostaria de estar tranquila como o pequeno ser, não se preparando para entrar em um dos lugares mais perigosos do mundo bruxo. Era engraçado como todos diziam que não existia nenhum lugar mais seguro do que a escola de magia de Hogwarts, mas, dentro do terreno da escola, havia vários dos lugares mais perigosos que qualquer um pudesse imaginar.
Ela riu com a constatação e saiu da banheira, se enxugando rapidamente e colocando um uniforme novo. Recolheu o ovo e o pergaminho com o poema e seguiu para a cozinha afim de pegar um pequeno lanche antes de ir para a biblioteca. Apesar de não gostar de abusar de seus privilégios, aquela era uma situação rara. Hinata precisava pesquisar mais sobre a próxima tarefa.
“A sessão restrita que me espere.” Pensou enquanto seguia seu caminho.
Notas finais
As modificações no torneio tribruxo: ele ocorre a cada quatro anos, não é tão violento como costumava ser. Alunos do sexto e sétimo anos podem participar. As escolas são escolhidas aleatoriamente (entre todas as escolas de magia do mundo), exceto pela campeã do torneio anterior, que é a que sedia o evento.
A história se passa duzentos anos depois dos acontecimentos de Harry Potter.
Então, o que acharam? Fazia muito tempo que eu queria escrever uma UA de Naruto em Harry Potter e eu acabei achando que seria um presente bom para minha querida Arê. O que vocês acharam de Hinata campeã? Confesso que fiquei com muita dúvida sobre isso, mas acho que ficou do jeitinho que queria. E mais alguém está com vontade de pegar Hinata e Sasuke pelo pescoço e gritar para eles se beijarem? Pq eu to assim desde a primeira cena hahahah.
Espero que vocês tenham gostado, principalmente você, Arê! Até amanhã com a parte 2.
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