Sky
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Demorei cerca de uma semana para ler o livro. Era viciante, não conseguia parar de lê-lo. Realmente tive um momento difícil em esconder o livro dos outros mas acho que Elena está começando a desconfiar de algo.
Tive que lutar contra a vontade de pular algumas páginas, ou ligar antes de acabar mas não conseguia imaginar o que o Tsuna faria se descobrisse que eu não havia terminado de ler.
Mas eu consegui, acabei o livro. Encontrei Tsuna algumas vezes depois disso, aquele sentimento que tinha borboletas no meu estomago apenas cresceu. Logo, cheguei à conclusão, estava apaixonado, mas nunca disse uma palavra aos meus guardiões e principalmente a Elena, Chrome, Haru e Kyoko. Elas me comeriam vivo se descobrissem que eu estava gostando de alguém e não havia dito nada para elas, por enquanto. Tenho certeza que eles não ligariam do Tsuna sendo um menino. Tanto que já temos um casal assim na mansão. Asari e G com certeza estão juntos, mesmo que eles não digam nada, não podem se esconder da minha intuição.
Havia descoberto muitas coisas sobre ele nesse tempo, também. Reborn, meu tutor demônio era o misterioso irmão do Tsuna – que por algum motivo não havia contado ao moreno menor sobre a máfia. Reborn era um demônio. O que me fez pensar como um demônio pode ter um anjo como irmão.
Os pais do Tsuna faleceram em um acidente de carro quando ele tinha quatro ou cinco anos, Luce e Reborn o adotaram quando ele completou seis anos.
Tsunayoshi tinha um caso sério de câncer no pulmão no estágio quatro – isso tem um nome, mas não consegui decorá-lo — e não poderia se esforçar muito. Eu teria que ir no ritmo dele e respeitar as consultas e exames como explicou Reborn. Mas, apesar de tudo, cada momento que eu passava ao lado daquele pequeno moreno era como se tudo a minha volta simplesmente sumisse. Só existia eu e ele, e me pergunto se ele se sente da mesma maneira.
Enfim, hoje estava trancado em meu quarto. Todos haviam saído para resolver seus problemas, sendo assim, estava sozinho na enorme mansão. Peguei meu celular no criado mudo ao lado direito da cama. Digitei rapidamente os números que a pouco havia decorado. No segundo toque uma voz saiu rouca da outra linha.
– Giotto?
– Olá Tsuna – disse sorrindo, me jogando na cama – Estou sozinho em casa, entediado e totalmente dolorido da última sessão de treino com Reborn.
O ouvi suspirar, algo como preocupação.
– Você está bem? – perguntou com uma pitada de apreensão fofa na voz, normalmente rouca.
– Sim, na base do possível – respondi sorrindo.
– Isso é bom – ele divagou, e um silêncio se instaurou entre nós. Lutei com subconsciente sobre chama-lo para me encontrar ou não. Tomei minha decisão e disse, cortando o ar pesado.
– Está fazendo algo? – perguntei.
– Não – ele sussurrou receoso.
– Então o que acha de irmos até aquela loja? — disse — A de doces – falei depois de alguns segundos.
– Sério? – ele perguntou com ansiedade, e uma pitada de timidez.
– Sério – respondi.
– Em quanto tempo? – ele perguntou novamente.
– Meia hora – disse olhando para o relógio.
– Certo.
– Até.
Desliguei a chamada e pulei da cama. Há algo naquele menino que me faz querer ficar perto dele, de protege-lo.
Tomei um banho rápido, vesti a primeira roupa que encontrei pelo caminho. Corri até a entrada da mansão e peguei minha bicicleta. Sai pedalando em rumo ao centro comercial.
Depois que Giotto desligou o telefone, não demorou mais de dez minutos para que eu já tivesse tomado banho e colocado uma roupa. Esta que consistia em uma calça jeans escura e uma blusa laranja e branca. Estava um clima bom então não peguei nenhuma jaqueta. Desci as escadas e encontrei Luce-neechan mexendo em algumas sacolas. Logo identifiquei como roupas de bebê. Outra coisa que eu não falei, Luce-neechan está grávida. Ela e Reborn-nii são casados a algum tempo e ela está de três meses.
– Tsu-kun? – a voz dela cortou os meus pensamentos – Ora, vai sair?
Sorri, e me aproximei dela.
– Vou, estou indo encontrar o Giotto – disse me sentando ao lado dela no enorme sofá – Já descobriu qual o sexo do bebê?
– Não, mas mesmo assim eu comprei algumas roupinhas – disse sorrindo – São todas brancas então não vai haver problema.
Ri. Esse bebê seria uma lufada de ar fresco na vida dos dois, levando em conta que eu não estaria aqui daqui a um ano.
– Você quer que eu te leve? – disse Reborn-nii me assustando – Estou indo em direção ao centro.
– Quero.
Reborn-nii me deixou na frente da loja. Prometi que teria cuidado. Entrei e me sentei numa das mesas mais afastadas. Giotto ainda não havia chegado. Esperei.
Depois de dez minutos ouvi o sino da porta e o loiro já conhecido adentrou a loja. Ele esquadrilhou a área e me encontrou após alguns segundos. Sorriu e caminhou até mim. Ri do seu sorriso bobo e me perguntei de também tinha um sorriso idiota no rosto. Ele estava lindo. Usava uma calça jeans clara e uma blusa azul que realçava ainda mais seus olhos azuis.
– Boa tarde, Tsuna – disse enquanto se sentava a minha frente.
– Boa tarde, Giotto.
Uma garçonete se aproximou da nossa mesa mas foi chamada por outra. Giotto estava me encarando, novamente. Ele estava sorrindo, um lindo sorriso.
– O que você vai querer? – veio a voz da menina, nos tirando de nossos pensamentos.
A jovem era morena e tinha olhos verdes. Magra e de estatura mediana. Ela tinha jeito de modelo, se me perguntarem.
– Um bolo de morango com baunilha e uma xícara de café – disse olhando o menu.
– E o senhor? – ela perguntou olhando para o Giotto.
– O mesmo que ele – falou sorrindo, em algum momento descobri que nossos gostos eram bastante parecidos.
A menina acenou positivamente e saiu em direção a cozinha. A segui com os olhos até que ela desaparecesse da vista. Me virei para olhar o loiro que dividia a mesa comigo. Ele continuava me encarando, corei.
– Giotto, você está me encarando a quinze minutos – sussurrei, ele pareceu voltar a realidade e deu um sorriso bobo, hesitou por um pequeno momento mas depois se pronunciou.
– Desculpe.
Conversamos enquanto comíamos e rimos de algumas pessoas – guardiões de Giotto. Por fim, terminarmos o nosso pequeno lanche, este que Giotto insistiu em pagar, novamente. Saímos da loja e andamos por alguns instantes. Estava ficando tarde.
De repente ele pegou a minha mão e me puxou para algum lugar. Sua mão era quente e macia, diferente da minha que estava mais para cubo de gelo.
– Giotto? Onde estamos indo? – falei quando consegui acompanhar seu ritmo.
– Você vai ver – ele disse sorrindo.
Depois de alguns minutos paramos em frente a uma floresta, um caminho de pedras se formava por entre as árvores e continuava por dentro da mesma.
– Feche os olhos – ordenou Giotto com uma venda preta na mão.
– O que você vai fazer? – perguntei receoso olhando nos olhos dele.
Ele sorriu e veio mais perto de mim, estávamos separados por apenas vinte centímetros. Senti meu coração pular uma batida quando ele sorriu.
– Não se preocupe, eu vou estar aqui, ok?
Acenei com a cabeça e fechei os olhos, logo senti o tecido em contato com o meu rosto. As mãos habilidosas dele prenderam a venda tomando cuidado com a cânula e logo já estava sendo guiado novamente por ele.
– Onde estamos indo? – falei tomando cuidado por onde estava pisando.
– É segredo.
Andamos por alguns minutos até que pude ouvir um barulho de água. Senti que a mata ao nosso redor havia sumido. Uma clareira, deduzi. Senti que Giotto tirava a venda e esperei até sentir o tecido desaparecer.
– Pode abrir os olhos agora.
Abri os olhos lentamente, me acostumando com a luminosidade do lugar. Estávamos mesmo em uma clareira. Finalmente vi a fonte daquele som de água. Era uma linda cachoeira. Uma série de pedras cinzentas se espalhava como degraus por um morro alto. A água espumava e fluía sobre cada pedra, então despencava e se abria como um leque, caindo em um amplo lago turquesa lá embaixo. Árvores e pequenos arbustos com diminutas flores vermelhas cercavam o lago. Era uma visão encantadora.
Quando me aproximei de um dos arbustos, percebi que ele parecia se mover. Dei mais um passo e centenas de borboletas alçaram voo. Eu ri e rodopiei em meio a uma nuvem de borboletas. Quando elas tornaram a pousar, várias descansaram em meus braços e em minha blusa. Subi em uma pedra que se debruçava sobre a queda-d’água e examinei uma borboleta empoleirada no meu dedo. Era colorida como o arco-íris. Quando ela voou, fiquei parado observando a água rolar morro abaixo. Então ouvi uma voz às minhas costas.
– É lindo, não é? É o meu lugar preferido no mundo todo.
– É. Nunca vi nada assim.
Ele me pegou pela mão e me conduziu por uma trilha ao lado da cachoeira. Nos sentamos em um lugar plano cheio de flores. E só então consegui perceber que estava anoitecendo. O céu havia ganhado um tom alaranjado. Olhei para o Giotto. Ele estava observando o céu com um olhar distraído. Voltei a olhar para o pôr do sol. Me senti observado e olhei para o Giotto novamente. Ele estava me encarando com um sorriso bobo no rosto.
– Você está me encarando Giotto – disse corando.
– Não tenho culpa por você ser tão lindo – ele sussurrou com um sorriso quente.
Corei ainda mais.
– A é? – sussurrei – Por que você acha isso?
– Porque eu te amo.
Meus olhos foram incrivelmente grandes. Giotto tinha acabado de se confessar para mim. Ele se confessou para mim.
Eu tinha sonhado com isso nos últimos dias mas nunca havia pensado que poderia se tornar realidade.
Eu amava aquele loiro mais do que deveria, isso era fato, mas guardei para mim, achava que o Giotto não me amava do jeito que eu o amava. Mas agora, estava vivendo em um sonho. Senti as lágrimas descerem pelas minhas faces. Vi Giotto morder o lábio inferior.
– Eu – gaguejei – Eu também te amo Giotto.
O loiro sorriu e enxugou as lágrimas da minha bochecha e segurou meu rosto suavemente.
Giotto fez a única coisa que conseguia pensar. Ele beijou Tsuna. O maior havia agido por impulso quando viu as lágrimas do moreno, mas agora ele não conseguia mais parar. Era viciante para o loiro. Em um primeiro momento o moreno ficou tenso, provavelmente surpreso, mas agora, o loiro riu em sua mente, Tsuna estava respondendo timidamente. Ele sorriu para o beijo quando ele deslizou seus braços ao redor da cintura do menor. Tsuna hesitou antes de envolver seus braços e volta do pescoço do loiro e apertou levemente.
O moreno corou olhando nos olhos azuis do loiro quando se afastaram, seus braços ainda em volta do pescoço do maior. O loiro lambeu os lábios e sorriu. Sentou-se sobre as pernas e se inclinou mais perto do moreno. Seus narizes estavam se tocando como Giotto colocou as mãos nas coxas de Tsuna e sussurrou para o moreno.
– Você fica tão lindo corado – E apertou seus lábios contra os de Tsuna.
O menor corou mais ainda na afirmação do maior. Lágrimas escorreram pelo seu rosto quando eles se separaram. Ele apertou-se mais perto do loiro, enterrando seu rosto no pescoço do maior.
“Por favor, que isso não seja um sonho” pensou o moreno.
Giotto sorriu quando sentiu o moreno se apertar contra si. Seus dedos acariciando o cabelo macio do moreno. Tudo estava bem agora. Tsuna se afastou do loiro e fungou baixinho. O loiro não conseguiu evitar o sorriso que teve lugar em seu lábio enquanto olhava o mais jovem. Sorrindo maliciosamente, Giotto levantou o queixo de Tsuna e o beijou novamente. Tsuna se surpreendeu mas logo respondeu ao beijo, pensava que seria como os outros mas Giotto pediu passagem, lambendo levemente o lábio inferior do moreno. O mesmo reagiu por instinto abrindo a boca, apenas o suficiente para que o loiro entrasse. Logo ambos estavam em uma luta onde não haveria vencedor.
O loiro explorava cada canto da boca do outro com agilidade. O gosto do moreno era uma mistura de morango e baunilha, totalmente viciante para o loiro.
Eles se separaram quando o ar foi necessário. Tsuna estava extremamente corado e ofegante o que fez com que Giotto usasse todo seu auto controle para não beija-lo novamente.
– Pare de me olhar assim.
Giotto voltou dos seus pensamentos encontrando um moreno tentando desviar os olhos de si, sendo mal sucedido.
– Assim como?
– Como se eu fosse um pedaço de carne.
– Ah, mas isso é impossível.
– Hum?
– Você com certeza é tão gostoso quanto um.
O moreno ganhou uma coloração ainda mais avermelhada após a observação do loiro. Rindo o loiro puxou o menor para si fazendo com que ambos caíssem na grama, sorrindo. Giotto caiu de costas e Tsuna caiu por cima de si. Seus rostos estavam quase se tocando.
– Eu te amo – sussurrou Giotto.
– Eu também te amo – respondeu Tsuna.
Giotto sorriu e se ergueu apenas o suficiente para que seus lábios se encontrassem. Ele o amava, há como amava.
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