Sky
12 Sete minutos no paraíso.
Notas iniciais
Yay, passei a semana toda meio zumbi.
O JinChan no capítulo não ficou como eu esperava, mas eu tenho outras expectativas sobre ele. :3
Sujeito a muitos erros, estou com muita dor no braço/pulso esquerdo, mas mesmo assim não desisti de trazer o capítulo para vocês. Espero que gostem e boa leitura.
P.S: Um agradecimento a Nina (minha SuHo), a Kisopa e ao Sir Lewis (meu biased do Baro) pelas recomendações. Jamais imaginei que Sky chegaria a 4! ;A;
Muito obrigada e capítulo especial de presente pra todo mundo.
Escrevi o finalzinho ouvindo Smile (do Ignition), dica. *-*
Praticamente não movia um músculo sequer, a face serena estava petrificada na mesma expressão, as mãos repousadas em seu colo e a ansiedade o corroía por dentro. As vezes permitia-se piscar, os longos cílios faziam cócegas em seu rosto ao fechar os olhos amendoados, que observavam a porta do local com cuidado. Cada movimento era parte de um personagem criado para ser perfeito, mais valioso que todo o ouro ao redor do mundo.
Ao morder os lábios em uma curiosidade sutil, sentiu o gosto do brilho labial invadir sua boca, não negava a vontade de rir ao lembrar-se da maquiagem que foi obrigado a usar, a pele estava mais acetinada, as bochechas mais coradas e os lábios mais vermelhos e convidativos. Segundo o seu professor ele era perfeito para o papel, o que não saberia dizer se era um elogio ou não.
Seu figurino era todo rico em detalhes, o tecido caia como um véu sobre o seu corpo, o tom claro mesclava com sua pele e os bordados e as rendas deixavam a figura masculina mais delicada e suave. O ambiente também colaborava para deixar tudo mais bonito, mantos transparentes tramavam um caminho até onde ele estava sentado, a iluminação fraca criava um clima de mistério, e em sua visão até mesmo algo romântico poderia ser sentido naquele cenário que se assemelhava a um fragmento de um conto infantil.
GongChan estava apreensivo, afinal aquela busca ao tesouro deveria ter fim quando encontrassem o objeto ou prêmio de valor, algo que jamais encontrariam, porque ele — o garoto considerado anormal — era o tão aclamado tesouro, o que poderia gerar muita confusão para ele e para o clube. Quem gostaria de aceitá-lo como algo valioso? Quem ao menos chegaria perto dele sem sentir nojo? A maioria dos alunos fingia que ele era um ponto invisível, ou uma mancha de algo ruim e contagioso.
Pensando melhor era uma péssima ideia montar aquele teatro todo para nada, se alguém que o desprezasse tanto fosse o seu “salvador”, iria se revoltar contra aquilo e sobraria até mesmo para o professor Kibum se explicar, já que o mais velho não sabia de nada que GongChan sofria naquele lugar, ou melhor, ninguém sabia.
Só ele era capaz de sentir cada olhar de indiferença em sua direção.
Quando ouviu a porta sendo aberta, fechou os olhos com força, mesmo que fugisse do papel não poderia deixar de sentir medo. E se fosse Zico? E se o machucassem?
- GongChan? – Uma voz conhecida o chamou, claramente preocupada.
O mais novo abriu os olhos, não acreditando no que estava vendo.
Em meio aos tecidos suspensos da decoração lá estava ele.
Como se medisse cada passo JinYoung se aproximava, como esperado ele encontrou o tesouro perdido, ele encontrou seu próprio tesouro particular, pois estar com GongChan sempre foi um desejo secreto, um desejo que ele reprimia a todo custo, mas que no primeiro momento de fraqueza se rendia.
GongChan estava lindo.
- Ah, que bom que foi você quem me encontrou. – GongChan suspirou aliviado. – Quando concordei em ser o tesouro me esqueci de um pequeno detalhe... – Pausou. – Ninguém gostaria de me encontrar.
- Eu... – Não sabia o que responder, sentiu um nó na garganta ao ver como GongChan estava vestido.
- O Sandeul disse que eu estava aqui? – Perguntou se levantando, o que fez JinYoung recuar com a visão.
Se pudesse mataria o professor de artes. Onde Kibum estava com a cabeça? Existiam garotas no clube, então por que justo GongChan para o papel? Por que submeter o garoto a uma exposição como aquela? E se algum engraçadinho o encontrasse antes? O mais novo estava simplesmente igual a uma garota, vestia praticamente uma camisola com mangas compridas de um rosa muito suave, os bordados eram femininos e mesmo que pouca, uma fina camada de maquiagem cobria sua pele.
- Eu não entendi direito, Baro me procurou dizendo que o seu amigo precisava de ajuda. – Explicou, ainda sem reação diante das vestes do moreno. – Ele disse a pista e foi fácil te encontrar.
- Você não falou mais comigo desde aquele dia... – Lembrou. – Por que me ajudou? Achei que estivesse cansado de bancar o cara legal.
- Seu amigo estava desesperado. – Respondeu soando frio, ainda sentia uma certa raiva pela amizade entre Sandeul e GongChan. – E me desculpe por ter sumido. – Não queria perder o que havia conquistado.
- Tudo bem, eu sei que ficaria ruim para você ser visto conversando comigo. – Disse o que tanto o angustiava.
- Não! – JinYoung quase gritou, segurando o menor pelos ombros. – Não é isso, nunca foi. – Respirou fundo. – Eu sou muito idiota, me perdoe. – Pediu.
- Você não fez nada, não precisa pedir desculpas. – Abaixou a cabeça, a vergonha rapidamente queimava suas bochechas como brasa. – E obrigado por me ajudar.
JinYoung assentiu, sentindo os ossos sobre os seus dedos, deslizando suas mãos lentamente pelos braços do mais novo, sentindo a textura do tecido, o calor da pele que ultrapassava aquela camada de pano, e principalmente sentindo GongChan tão próximo. Não conseguiu controlar a vontade de tocá-lo, levando uma de suas mãos até os cabelos, que ele descobriu serem macios como imaginava, tirando alguns fios que insistiam em encobrir o rosto tão bonito.
- Por que aceitou se vestir assim? – Perguntou delicadamente.
- O professor disse que queria um novo conto sendo representado, em que os piratas sequestram a princesa e alguém vem resgatá-la. – Riu baixinho. – Ele me achou perfeito para o papel porque não via malícia em meus olhos.
Naquele ponto JinYoung teria que concordar.
GongChan parecia ter sido arrancado a força de um conto de fadas.
- E se não fosse um príncipe? E se fosse alguém com más intenções que te encontrasse? – Indagou interrompendo o contato entre eles. – Seria fácil para o Zico te humilhar vestido assim.
- Mas foi um príncipe. – GongChan respondeu em toda sua inocência, sem notar o peso que uma simples declaração carregava. – Pode falar a verdade, eu estou igual a um travesti! – Riu, dando uma volta e fazendo o figurino rodar como os vestidos das princesas.
- Não, não é para tanto. – JinYoung riu, o professor de artes era louco ao escolher uma “princesa” homem. – Eu diria que a Cinderela sentiria inveja. – Confessou. – Agora pode ir se trocar que eu te espero e depois te ajudo a tirar a maquiagem.
O mais novo concordou, estava se sentindo ridículo com aquelas roupas, ainda mais perto de JinYoung que o deixava simplesmente sem fala. Foi até o banheiro e se livrou do figurino, trocando por sua calça jeans e uma camisa polo, assim pelo menos sentira menos vergonha por estar no mesmo ambiente que JinYoung.
Depois de se trocar fez o que o mais velho mandou, se sentou próximo a penteadeira, indicando os produtos necessários para tirar toda a maquiagem. JinYoung era cuidadoso, passava o algodão lentamente pelo seu rosto, tirando qualquer vestígio de pó compacto, deixando sua pele limpa novamente. Por um momento achou que aquele gesto era uma carícia suave, era tratado como se fosse de vidro e pudesse quebrar a qualquer instante. Todo aquele cuidado parecia o machucar mais do que qualquer insulto ou olhar atravessado, porque JinYoung estava sendo gentil.
Porém em sua mente era apenas isso, gentileza.
Um garoto tão educado jamais se comportaria como um dos valentões do colégio, era de se esperar um gesto de bondade por parte do mais velho. O que JinYoung deveria sentir era pena, sua imagem de garotinho indefeso comoveu facilmente alguém como ele, que era diferente dos outros garotos.
- Pronto, deixou de ser a “Chanderela” para ser o GongChan novamente. – JinYoung disse assim que terminou, entregando um papel para o mais novo tirar o brilho labial.
- Obrigado. – Disse se levantando.
- Percebeu que só sabemos pedir desculpas ou agradecer? – JinYoung apontou. – Amigos não precisam se desculpar ou agradecer a todo instante, amigos simplesmente sabem que podem contar um com o outro. – Explicou.
- E nós somos amigos? – GongChan perguntou vacilante. Eles poderiam ser amigos? Somente a ideia o deixava feliz.
- Se você aceitar um hyung chato como amigo, sim. – Riu, ansioso com a resposta do moreno.
- Eu aceito. – Respondeu, mas não sabia como. Estava tão radiante por dentro que sua vontade era poder abraçar JinYoung com toda sua força.
- Ótimo, então vem comigo. – Estendeu sua mão. Sem saber que aquele gesto significava muito mais do que ele poderia aguentar. – O professor JongHyun está vendendo alguma coisa e fazendo o maior sucesso, vem comigo até lá? – Convidou.
- Eu e você? Andando juntos? – Vacilou. E se Zico os visse?
- Claro, nós somos amigos agora. Esqueceu? – Disse óbvio. – Anda, ou vou desistir de pagar tudo...
- Não, er... Vamos então. – Aceitou, segurando a mão de JinYoung para sair com ele de dentro da sala.
O toque era quente, trazia uma sensação gostosa de conforto. Sua pele formigava em contato com a pele do mais velho, conseguia sentir cada pulsação, como se as batidas do coração de JinYoung fossem as suas próprias batidas.
- Como me achou? – Perguntou assim que alcançaram o corredor. – Qual foi a pista que te levou até o camarim?
JinYoung sorriu, mas não respondeu. Apenas continuou puxando GongChan, sem interromper aquele contato.
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“Eu me sentia feliz apenas por tocar a palma de sua mão. Já estava rendido aquele sentimento que eu ainda não saberia denominar. Estava preso, amarrado, completamente ligado a GongChan, mas não por causa de nossas mãos unidas, mas pelo meu coração que batia por ele. Desejei ser correspondido, queria me jogar daquele abismo que era poder estar ao seu lado, ignorando qualquer coisa a minha volta. Colégio, amigos, família, preconceito... Nada roubaria a sensação boa que me dominava. E quando GongChan perguntou sobre a pista, eu sorri. Tinha sido tão fácil encontrá-lo, pois ele estava exatamente onde ficava todos os dias, no lugar em que o anjo se esconde.
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x-x-x
Acordou bem disposto, o sol iluminava parcialmente o quarto. Do outro lado seu primo dormia sonoramente, não acordaria tão cedo naquele sábado que prometia ser longo. Seu sono foi tranquilo graças a ajuda de Baro no final das contas, desde que chegou ali esperava de tudo do mais velho, menos receber sua ajuda, já estava acostumado com as provocações, os insultos, os olhares tortos... Mas o que aconteceu no festival foi inédito. Baro foi solidário com a sua preocupação e o seu desespero, e por causa de sua intervenção e da ajuda de JinYoung o festival terminou de uma forma positiva.
Enquanto se arrumava para o seu primeiro dia no emprego, se lembrou do sorriso estampada no rosto de GongChan ao chegar acompanhado, nunca tinha visto o melhor amigo feliz daquele jeito. Os olhinhos brilhavam em expectativa perto de JinYoung, que diferente dos outros garotos era muito simpático e tratava GongChan como ele merecia. Ficou feliz por ver os dois andando juntos no festival, mesmo com os olhares incrédulos de Zico e seu grupo.
JinYoung provou ser uma boa pessoa, parecia se importar com GongChan e só de ver o amigo menos solitário se sentia realizado.
Se arrumou rapidamente, fez sua higiene matinal, trocou de roupa, arrumou a cama e tomou o desjejum acompanhado de seus tios que acordavam cedo até mesmo no sábado. Eles tinham concordado – depois de muita insistência – em deixá-lo trabalhar, não seria algo que atrapalharia seus estudos e talvez fosse até bom Sandeul se ocupar com outras coisas, pois realmente odiava ficar parado. Diferente de Baro que provavelmente dormiria até a hora do almoço, todo esparramado na cama, o que fez Sandeul rir ao voltar para o quarto para pegar sua mochila.
- Sabe, hoje é meu primeiro dia na pet shop. – Disse ao abaixar-se próximo a cama do primo, sabendo que Baro não estava ouvindo. – E é tudo graças a você. – Sorriu, achando fofa a expressão do outro ao dormir. – Obrigado, prometo me esforçar... E pra você não sentir minha falta, vou deixar meu pato com você. – Levantou-se, colocando o bicho de pelúcia próximo a cama do primo.
Riu da cena, Baro jamais sentiria sua falta, mas ele ficaria mais tranquilo deixando alguém – o pato – cuidando do sono do mais velho.
Apesar de seu tio oferecer para levá-lo, preferiu ir de ônibus para guardar o caminho. Chegando lá foi bem recebido, Onew explicou direitinho a sua função, que era dar banho nos animais e ajudar ShinWoo na loja quando ficasse sem nenhum serviço. Além dele mais dois funcionários eram responsáveis por cuidar dos animais, que tinham as unhas cortadas, os pelos aparados e desembaraçados, já que algumas raças de cachorro precisavam de cuidados a mais.
- Está gostando do seu primeiro dia? – DongJun perguntou querendo puxar assunto.
- Ah, sim. Todos são bem legais. – Respondeu tímido, o sorriso do outro era desconcertante.
- Hm, que bom. – Analisou. – Já que é seu primeiro dia, quer almoçar comigo? Por minha conta, é claro. – Sorriu ainda mais, tinha achando Sandeul bem interessante.
Principalmente na parte de trás.
- Deixe o novato em paz, DongJun. – ShinWoo entrou carregando várias sacolas. – Eu trouxe o almoço hoje, dê em cima do garoto em outra oportunidade!
Sandeul corou com o último comentário, era impossível ele receber uma cantada. Todos almoçaram juntos no segundo andar da loja, que era onde Onew morava desde que tinha reformado e transformado o lugar em um ambiente amplo e aconchegante. O clima era agradável, todos riam e de certa forma o mimavam por ser o mais novo entre eles, o que mais o surpreendia era ShinWoo o tratar tão bem, como se ele não fosse amigo dos valentões do colégio, chegava até mesmo a ser atencioso, perguntando se Sandeul estava satisfeito ou se queria comer mais alguma coisa.
Até mesmo conversaram sobre a festa, ShinWoo não poderia deixar de ir e tentou de certa forma investigar sobre alguém que não estava ali presente.
- Er, sua amiga vai também? – Começou como se não tivesse interesse em saber.
- A Krystal? – Já desconfiava de quem se tratava, mas só com ShinWoo assentindo ele teve certeza. – Sim, ela vai.
- Ela vai armada ou não? – Achou melhor se certificar que o ambiente era seguro.
- Não! – Sentiu vontade de rir. Por que todos tinham medo da garota? – Pode não parecer, mas a Krystal é uma garota muito doce.
ShinWoo iria discordar, mas bem na hora Onew apareceu interrompendo a conversa.
- Imagino que o assunto esteja bom, mas ShinWoo a louça é sua! – Avisou, rindo da cara de desgosto que o garoto fez. – Não precisa fazer essa cara, eu te ajudo! E Sandeul, pode ir buscar a sobremesa na padaria aqui do lado? Já encomendei e está tudo pago.
O novato gostou da ideia da sobremesa, e também achou melhor não interferir na cumplicidade que os dois emanavam, foi até a padaria e voltou trazendo um delicioso bolo de chocolate.
O resto da tarde foi tranquilo e Sandeul teve a certeza que faria boas recordações naquele lugar.
x-x-x
Primeiro se certificou de que a porta estava trancada, para depois avançar em passos lentos pelo quarto, fazendo o mínimo de barulho possível. A voz animada que vinha do banheiro soava como uma doce melodia, adorava quando o caçula se empolgava no banho, ele começava a cantar sem perceber e YongGuk gostava de ficar ouvindo escondido.
Porém dessa vez ele não queria se esconder.
O querido irmãozinho era muito distraído, tinha deixado a porta aberta como imaginou, o contato da sua mão com a maçaneta gelada causou uma sensação boa, sabendo que dentro do cômodo abafado pelo vapor do chuveiro ele encontraria algo que o agradaria muito. Esperou o chuveiro ser desligado, já imaginando a pele molhada, os cabelos grudados na nuca por estarem molhados, o cheiro de shampoo impregnado nos fios e os reflexos do mais novo estariam lentos após passar muito tempo debaixo da água quentinha e relaxante.
Quando abriu a porta lentamente para não ser notado, teve a visão que ansiava, a pele branquinha molhada parecia um convite para degustar do pecado, já imaginava seus lábios tocando cada ponto daquele corpo. Zelo se secava despreocupadamente, sem saber que olhos felinos o observavam como se ele fosse uma presa, o que de fato era, pois se encontrava em extrema desvantagem.
- Vejo que está cheiroso só para mim. – Abordou o menor, envolvendo seus braços na cintura magra e o prendendo naquele aperto. – Eu amo sua pele, ainda mais molhada. – Sussurrou malicioso.
- Me solta, hyung! – Zelo desesperou-se, apenas uma toalha branca cobria sua nudez.
- Não, na festa não poderei ficar assim com você. – Disse melancólico, arrastando Zelo que se debatia, até encostar ele na parede fria do banheiro. – Aliás, eu preferia que você ficasse em casa.
- Eu nunca posso fazer nada, você sempre me prende dentro de casa! – Exaltou-se, Bang iria na maldita festa também, qual o problema?
- As festas que o HimChan promove não são de um ambiente familiar. – Explicou sua preocupação. – Eu ficarei de olho em você. – Alertou, depositando um pequeno beijo no ombro desnudo do caçula.
- Eu não vou fazer nada errado. – Garantiu, tremendo com o toque do irmão mais velho. – Agora pode me soltar?
- Não. – Sorriu. – Quero provar um pouco de você. – Depositou outro beijo. – Só mais um pouquinho... – E outro. – Você me deixa louco, sabia? – E mais outro beijo, dessa vez subindo pelo pescoço.
Um nó se formou na garganta de Zelo. Por que eles não poderiam ser como os irmãos normais? Por que YongGuk insistia em tentar aquele tipo de aproximação? Era errado, cada beijo que o maior distribuía por seu corpo era como se manchasse o nome de seus pais. Eles eram sujos por continuar com aquilo, se sentia um lixo por não ter forças para empurrar o mais velho e sair correndo dali, um grito de desespero estava preso em sua garganta, tanto que as pequenas lágrimas de sua angústia começavam a transbordar de seus olhos.
Queria sumir, fugir das armadilhas do irmão, ser um garoto normal, que poderia sair com os amigos, e quem sabe até viver um grande amor.
Mas ele estava preso a um maldito laço sanguíneo.
YongGuk via seu desespero como algo maravilhoso, era a prova que o irmãozinho se rendia ao desejo. Prensava Zelo na parede, enquanto marcava sua pele com beijos possessivos e devastadores. Sua língua em contato com a pele úmida o deixava louco, o jeans justo que usava começava a incomodar, e a maldita toalha impedia um contato mais íntimo. Tomado da força que possuía segurou os pulsos do menor com uma só mão, guiando a mão livre pelo ventre reto do caçula, parando na metade do caminho para dar atenção aos mamilos que pareciam dois botões convidativos ao toque.
Ouvir o gemido de Zelo ao ser tocado foi como uma vitória, ainda marcava a pele do menor com os dentes, se deliciando por estar no comando. As lágrimas salgadas escorriam pela face angelical, e fazia questão de seguir o caminho delas com a língua. Porém queria muito mais que aquilo.
- Me beije. – Pediu.
- Não, hyung. Por favor, isso não. – Zelo implorou, seu corpo infelizmente respondia aos estímulos do mais velho, porém sua mente se mantinha sã e beijar na boca do próprio irmão deixava tudo ainda mais sujo.
- Por que? – Indagou. – Seu corpo pede por isso. – Disse deslizando a mão livre até o meio das pernas do caçula, tocando naquele ponto, por cima da toalha. – E só um beijo...
- Não, tudo menos isso. – Continuava chorando, os toques em sua região mais íntima continuavam apesar dos protestos.
- Tudo? – YongGuk riu, apertando a coxa do menor, dedilhando seus dedos por debaixo da toalha, até tocar diretamente a intimidade de Zelo.
Que arfou e segurou o choro.
De forma lenta YongGuk o tocava, pela primeira vez alguém lhe proporcionava algo daquela forma, na verdade nem ao menos tinha dado o primeiro beijo, apenas os selinhos agressivos que recebia do irmão, o que ele não contava como um contato verdadeiro. A mão atrevida percorria toda sua extensão, que reagia ao mínimo toque, mordia o lábio inferior com toda força que possuía, controlando os gemidos que morriam em sua garganta, ao mesmo tempo em que era beijado nos ombros, no pescoço...
Não saberia dizer por quantos minutos aquela tortura durou, pareciam horas devido a intensidade de sensações, o corpo imaculado era receptível a todas elas, sua mente dizia que aquilo era errado, mas seu coração bombeava o sangue tão rápido por suas veias que seu corpo tremia a cada movimento mais ágil da mão do mais velho em seu membro.
Quando tudo terminou, quando suas pernas perderam as forças e ele escorregou até o chão, viu tudo ficar embaçado pelo choro. Tinha se rendido por tão pouco, por um prazer tão passageiro. YongGuk se levantou para lavar a mão, vendo a cena patética do irmão de camarote, Zelo precisava entender que nada impediria de tomá-lo para si de uma vez por todas.
- Viu? Você gostou. – Abaixou-se, tirando os fios que insistiam em grudar na testa do menor, que agora estava banhada em suor. – Acho que você vai precisar de outro banho. – Riu, se inclinando até o menor e depositando um beijo em sua bochecha. – Se você soubesse o quanto fica lindo desse jeito, tão frágil e entregue.
- Me deixe sozinho. – Pediu quase sem voz.
- Tudo bem. – Concordou se levantando. – Vamos sair daqui uns vinte minutos, se ainda quiser ir é melhor se arrumar.
Zelo não o encarou, tinha perdido a vontade de ir a festa, tinha perdido a vontade de viver.
Porém não daria aquele gostinho de vitória ao irmão, iria de qualquer jeito, então assim que Bang saiu se levantou reunindo a força que lhe restava, entrando no chuveiro novamente.
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“Eu queria tirar o cheiro dele da minha pele. Coloquei na temperatura mais elevada do chuveiro torcendo para a água quente me queimar, quem sabe assim as marcas dos seus beijos sairiam do meu corpo. Elas estavam por toda parte, mostrando claramente a minha fraqueza e o lado doentio do meu irmão. Estava ficando cada vez pior, eu tinha medo dele perder a paciência e me tomar de vez, porque ele não se importava se éramos irmãos ou não, era um maldito egoísta cego pelo próprio prazer. Eu estava em seu caminho, o que não o faria parar.”
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Os boatos sobre as festas regadas a bebida que o anfitrião oferecia eram verdadeiros, por todo lado jovens se serviam de mais um copo, deixando a música ditar o ritmo de seus movimentos. Pela primeira vez estava em um ambiente como aquele, só tinha certeza que sairia vivo dali porque GongChan estava ao seu lado, e Krystal seria dura na queda caso acontecesse algo de errado.
Os três chegaram a festa juntos, a casa era enorme e a sala fora transformada em uma pista de dança, imaginou que os móveis foram levados para bem longe daquela bagunça, se um daqueles copos cheios de bebida colorida caísse em um tapete, poderia ser dada perda total da peça. “Tenta encontrar alguém da nossa sala”, seu melhor amigo sussurrou contra seu ouvido, a música alta e agitada impedia qualquer comunicação. Fez o que o amigo sugeriu, sem desgrudar dos dois começou a percorrer os olhos pela casa, tentando se familiarizar com o lugar e com supostas ameaças.
Estava em território inimigo afinal.
Reconheceu muitos rostos do seu colégio, mas havia algumas pessoas de fora, a sala de jantar fora transformada em um ambiente mais confortável, tinha um sofá e almofadas espalhadas pelo chão, onde algumas pessoas conversavam animadamente. Não avistou seu primo logo que chegou, mas foi só pensar nele que viu Baro conversando com Zico, bem “alegre” em sua opinião, pelo jeito que o loiro gesticulava já deveria estar afetado pela bebida alcoólica.
“Isso não vai dar certo”, pensou ao ver o primo sumir mais uma vez.
- O MinWoo está nos chamando. – GongChan o tirou daquele transe, o puxando entre as pessoas até o outro canto da sala.
Cumprimentou o amigo que estava acompanhado de HyungShik e ChunJi, todos estavam com um copo em mãos, o que o fez indagar se deveria beber ou não. Viu GongChan todo animadinho aceitando um gole da bebida do amigo efusivo, que ria praticamente se jogando nos braços de HyungShik. Era impressão sua ou estava rolando alguma coisa entre eles? MinWoo teria que contar tudo detalhadamente depois.
Krystal estava ao seu lado com cara de poucos amigos, mas era impossível não notar o quanto ela estava linda, usava um vestido vermelho e em vez de salto calçava um all star velho que lhe dava um ar mais rebelde, e os cabelos lisos emolduravam o seu rosto de princesa. Só de estar parada ao seu lado recebeu vários pedidos para conversas particulares com alguns garotos, que ela recusou sendo mais direta possível.
- Volte para o inferno, reencarnação do diabo! – Disse recusando o décimo convite da noite. – O que eu preciso fazer para afastar essa gente esquisita? – Perguntou para Sandeul que apenas ria da situação.
- Tente ser menos encantadora. – Respondeu, ganhando em troca um sorriso da garota. – Você é bonita Krystal, lide com isso.
- Hm, um elogio vindo de você eu até aceito. – Brincou. – Você também está muito bonito.
Sandeul quis negar, mas no fundo estava se sentindo um pouco mais confiante, mesmo usando jeans, a camisa branca com detalhes em preto no colarinho lhe dava um aspecto mais elegante, e o cabelo levemente bagunçado um ar mais jovial. Pensou em falar de ShinWoo para ela, mas com certeza ela fecharia a cara e tiraria aquele sorriso bonito do rosto, preferiu deixar para outro momento.
A festa seguiu animada, claro que alguns mais “atirados” já se beijavam nos cantos ou até mesmo descaradamente em público, o grupinho logo aumentou com a chegada de outros alunos do segundo ano, e aparentemente Zico e os outros pareciam bem calmos até então.
Quando o relógio marcou exatas onze horas, a diversão começaria.
- Vejo que estão se divertindo. – Zico finalmente entrava em jogo. – Fico feliz que todos tenham vindo, independente de nossas diferenças. – Sorriu amistoso em direção a Sandeul.
- A festa está ótima. – MinWoo se pronunciou, tentando passar tranquilidade.
- Fico feliz com isso. – Sorriu mais uma vez, ficando entre GongChan e Sandeul, passando os braços por seus ombros. – Que tal uma trégua? – Perguntou para os dois. – Queria convidá-los para uma pequena brincadeira em grupo.
- Qual brincadeira? – GongChan perguntou firme, lendo cada expressão no rosto de Zico, sabendo que todas elas eram falsas.
- Verdade ou consequência. – Sussurrou contra seu ouvido.
GongChan sabia que aquela proposta carregava um peso muito maior do que parecia, o sorriso do mais velho transmitia uma malícia sem igual. Tentou absorver tudo que aquilo significava, e por incrível que pareça não viu nenhuma ameaça ali.
Não iria ter medo de uma simples brincadeira.
- Tudo bem, nós vamos. – Aceitou o convite, que mais parecia um desafio.
Sandeul olhou atônito em sua direção, que dizia claramente “você ficou louco?”, fez um sinal para tranquilizar o amigo enquanto Zico os arrastava até a sala de jantar, os participantes já estavam sentados em círculo, a música ficou mais baixa e todos pararam de dançar para observar atentamente o que iria acontecer naquele jogo.
Quando viu que Baro estava participando, Sandeul quis desistir na hora, porém foi impedido por GongChan que o tranquilizou pedindo para que ele sentasse. Além deles, L.Joe, YongGuk, Luna, JiYeon, Vic, Sulli e Minsoo participavam da brincadeira, o que não significava muita coisa, a maioria sendo do terceiro ano não o deixava mais tranquilo, e ter Baro ali, bem a sua frente parecia um motivo a mais para ele desistir daquela loucura.
Mas ele não desistiu e o jogo começou.
As primeiras rodadas foram leves, a maioria escolheu verdade e as perguntas não eram comprometedoras, ele via a malícia escondida em muitas delas, mas até o momento estava se saindo bem. Enquanto a garrafa girava no piso, ele olhava disfarçadamente para Baro, que ria por qualquer coisa, em uma das perguntas que caíram para o primo perguntaram qual era seu maior medo, e ele prontamente respondeu que um ataque de patos zumbis o deixaria em pânico, o que fez todos rirem, mas só Sandeul entendeu aquela resposta.
Quando as perguntas começaram a ficar mais pesadas, ele soube que a noite só estava começando. Luna foi a primeira a pagar consequência e teve que tirar a camiseta que usava, ficando somente com o sutiã, que fez os garotos da festa gritarem calorosos. YongGuk teve que virar uma dose de bebida de uma só vez, e Sandeul não tinha a menor vontade de saber o que era realmente aquele líquido. Até que em uma das rodadas L.Joe fez ele beber o tal líquido, que desceu queimando por sua garganta. Nunca mais beberia algo do tipo, era horrível.
A garrafa continuava girando, o assunto começava a ficar mais quente e Zico resolveu tentar algo novo quando chegou em sua vez de perguntar para Baro.
- Verdade ou consequência? – Ditou firme, ele conseguia se manter sóbrio mesmo depois de ter ingerido bebida suficiente para dopar um cavalo.
- Consequência. – Baro escolheu, olhando para a namorada e rindo.
- Sete minutos no paraíso... – Zico mandou, e Baro já estava levantando animado puxando Sulli para ir com ele, quando o de dreads terminou sua sentença. – Com o Sandeul.
O loiro estagnou, olhando para Sandeul com um sorriso divertido nos lábios. “Ótimo”, ditou atravessando a roda e puxando o primo sem a menor delicadeza pelo braço, arrastando ele pela casa até a entrada, o jogando sem um pingo de delicadeza dentro do armário de casacos, botas, capas de chuva...
Sandeul gelou quando ouviu a porta sendo trancada por fora, e Zico avisando que eles só poderiam sair dali depois de sete minutos, e que o jogo continuaria sem eles. O armário era pequeno, ficava praticamente colado no mais velho sentindo a respiração morna tocar sua face, uma luz fraca iluminava o local, o que o impedia de ver o brilho nos olhos de Baro.
Passaram o primeiro minuto em silêncio, apenas as respirações aceleradas poderiam ser ouvidas, e ele jurou que seu coração estava batendo tão forte que a qualquer momento ele poderia pular do peito. Uma estranha sensação de ansiedade o dominava, ao mesmo tempo que um nó em sua garganta parecia querer sufocá-lo. Por que sentir Baro tão próximo o deixava assim? Por que ao ter a cintura envolvida pelos braços do mais velho perdeu toda a noção de tempo e espaço que tinha?
Agora a respiração quente e descompassada batia contra o seu pescoço, o que involuntariamente arrepiava cada poro do seu corpo. Mordeu os lábios em sinal de nervosismo quando o primo riu abafado contra sua pele, não vendo a menor graça na situação, estava desesperado, mas não o suficiente para afastar aquele contato que no fundo de sua alma era bem-vindo.
- Você tem cheiro de amaciante. – Baro revelou, percorrendo a ponta do nariz por seu pescoço, o fazendo recuar até onde conseguiu. – Olhando mais de perto você até que é bonitinho. – O mais velho continuou o envolvendo pela cintura, a voz completamente amolecida por causa do álcool.
- Baro, por favor... Me solta. – Pediu baixinho, sem saber o motivo de controlar o tom de sua voz.
- Não. – Respondeu risonho, encostando sua testa contra a do primo. – Somos só nós dois agora... – Sibilou. – E eu vou te mostrar porque chamam essa brincadeira de sete minutos no paraíso.
A música lá fora soava ainda mais baixa dentro do pequeno cômodo, simplesmente desaparecendo quando sentiu a mão do mais velho tocar sua face, em uma carícia tão leve que o fez entregar todas as suas barreiras, rompendo de vez a linha que os separava. O toque queimava sua pele, o que o fez fechar os olhos em um misto de ansiedade e dor.
Porque doía estar tão próximo de Baro e doía perceber que ele ansiava por aquilo há muito tempo.
Quando o beijo finalmente aconteceu, ele soube que estava completamente perdido.
Baro tomava sua boca com calma, primeiro em um singelo roçar de lábios para em seguida abrir caminho por eles, dotado de uma delicadeza que não lhe pertencia. O toque era suave, tão distinto das inúmeras vezes em que brigaram, tão único e acolhedor. Moviam suas bocas em sincronia, pareciam que eram eternos amantes, pois o beijo se encaixava de tal forma como se fossem duas metades que finalmente se encontravam.
Talvez fosse isso.
Talvez no infinito de suas diferenças existisse um fim, aquele que ditava o ritmo do beijo e as batidas do seu coração, que também comandava seus pensamentos que estavam nublados ao sentir a maciez dos lábios do mais velho, o aperto firme entre seus corpos, e a sensação única de que ali era o seu lugar.
- O pato beija bem. – Baro comentou risonho, assim que se separaram, mas não por completo.
Porque logo estava sendo beijado de novo, os lábios sendo puxados e se encontrando.
De novo e de novo.
Em sua opinião, aquele momento duraria para sempre.
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“Meu coração inquieto dentro do peito parecia que a qualquer momento pularia para fora. Seu beijo era doce e inebriante, eu sentia o gosto do álcool, mas eu também sentia o gosto de sua boca, o que poderia se tornar um vício. Era meu primeiro beijo, aquele que eu jurei guardar e só entregá-lo por amor, mas estar ao lado de Baro me fez esquecer qualquer promessa, ou talvez me fez finalmente cumpri-la. Eu estava rendido por seus lábios cálidos, que pareciam repousar sobre os meus de tão lento que era o ato de ser beijado, o que no momento não era errado ou imoral, era apenas nossa redenção, nossa fuga do mundo real em que aquilo jamais aconteceria. Os sete minutos suspendidos no tempo, foram os sete minutos de uma vida inteira.”
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Notas finais
E BOOM, o que acharam do capítulo? Mais do que nunca quero reviews sobre ele. E depois desse final eu mereço né? Que os leitores fantasmas apareçam porque eu escrevi tudo isso com dor. xD
Beijos e até o próximo.
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