Sky

15 Pingos de tinta e bolhas de sabão.


Notas iniciais
Maior capítulo de Sky até agora!
Me desculpem pelos erros e boa leitura! ♥

A sala dos professores estava lotada, não era comum as reuniões acontecerem antes das aulas, mas aquele dia era apenas uma exceção para o diretor – nada convencional – anunciar os resultados do festival. Ele sorria satisfeito, os alunos se divertiram, a maioria dos pais o elogiaram e também todas as barracas venderam de acordo com o esperado, sua secretária já tinha dado a relação dos professores que arrecadaram mais dinheiro para os clubes que eram responsáveis, e por isso estava ali. Todo ano o docente que arrecadasse mais dinheiro ganhava um bônus salarial no fim do mês, e apesar da competição ter sido acirrada dois professores se destacaram mais do que os outros.

- Gostaria de parabenizar a todos pelo esforço. – Começou animado. – A senhorita Park passou o fim de semana contabilizando as vendas de todas as barracas, os resultados foram ótimos.

O ambiente se encheu de sorrisos e congratulações, todos se dedicaram muito para o festival acontecer, porque com o dinheiro arrecadado os clubes poderiam continuar realizando suas atividades. Porém, existia um professor mais otimista do que os outros, sorria confiante que estaria no topo da lista dos que mais venderam, afinal sua pele ansiava por um tratamento estético digno, estava dependendo daquele dinheiro para melhorar minimamente sua condição financeira.

Só não sorria ainda mais abertamente porque do outro lado da sala aquele ser asqueroso – conhecido como JongHyun – o observava, daquela forma maliciosa que o tirava do sério. Estavam trabalhando! Como o professor de educação física se comportava como um animal em busca de alimento perto de todos? E se fossem notados? Os lábios carnudos estavam molhados e sibilavam palavras que de onde estava Key não poderia ouvir, mas tinha certeza que era algo obsceno e pecaminoso já que JongHyun simplesmente não desistia.

Estava tão distraído por causa do maldito ogro que quando voltou seu olhar para o diretor, ele já estava enérgico em seu discurso mostrando o resultado das vendas em um quadro, acompanhado pela secretária Park que era tão eficiente que chegava a ser irritante. O primeiro e o segundo lugar ainda estavam ocultos, o que causou uma inquietação em seu estômago, pois seu nome não estava no restante da lista, ou seja, o primeiro lugar com certeza era seu. De uma forma quase sádica Key sorriu para JongHyun, um sorriso que demonstrava claramente sua satisfação pela vitória.

- A disputa pelo primeiro lugar este ano me surpreendeu. – HeeChul avisou. – Parabéns pelo esforço dos dois professores, sendo um deles novato. – Disse sincero, começando a puxar o papel que encobria o nome dos felizardos, revelando pouco a pouco o vencedor. – E o professor que vai receber o bônus é... Kim JongHyun!

Bônus? Ele não conhecia a existência de um bônus! Key olhava para o quadro e o seu nome em segundo lugar quase tendo um ataque do coração, não era possível perder para a montanha de músculos que sequer deveria ter a mente empreendedora como ele. JongHyun era realmente a pessoa mais odiosa de todo o mundo, por mais que evitasse pensar nele, algo sempre acontecia para ele ser o centro das atenções.

- Diretor, deve estar acontecendo algum engano. – Resolveu investigar. – Eu era responsável pela barraca de bebidas, a que certamente vende mais... Também arrecadei com a caça ao tesouro, é ridículo meu nome estar ocupando o segundo lugar.

- Ah, Kibum. – O diretor riu. – Ninguém aqui contava com os dotes culinários do professor JongHyun, até os pais dos alunos queriam fazer um estoque de panquecas porque muitos levaram para comer depois. – Disse e Key quase caiu para trás se não estivesse apoiado em uma das mesas.

Panquecas? Então o pervertido do Kim JongHyun vendeu panquecas? O professor de artes quase espumou de tanta raiva que sentia, só poderia existir um ingrediente secreto na receita, era impossível vencer o herdeiro de um político renomado com... Panquecas! Todos antes de saírem e irem para as salas de aula cumprimentaram o vencedor, menos ele, é claro. Iria jogá-lo contra a parede – não no sentido sexual – e descobrir que espécie de magia negra ele usava para preparar a comida, pensando melhor o chocolate quente estava muito gostoso para ser a bebida tradicional.

- Quero falar com você. – Key disse cruzando os braços enquanto a sala se esvaziava aos poucos.

- Hm, esperou os outros professores saírem para me parabenizar? – JongHyun perguntou com um sorriso malandro brincando em seus lábios. – Se você quiser pode me parabenizar indo hoje à noite ao meu apartamento. – Convidou com segundas, terceiras e quartas intenções.

Key sentiu vontade de socá-lo, não o fez porque JongHyun precisava de dentes para falar. Olhou no relógio – caríssimo – e sorriu ao perceber que tinha alguns minutinhos antes do sinal soar indicando a primeira aula, arrancaria a verdade em preciosos segundos.

- O que você colocou na comida? – Foi direto, quase empurrando o professor de educação física.

- Ahn? – Fez uma careta em sinal de confusão. – Eu não coloque nada, não tenho culpa se tudo que faço é bem feito.

- É impossível! – Key exasperou-se. – Como pode ter arrecadado mais dinheiro vendendo panquecas? Elas, elas... Engordam!

JongHyun sentiu vontade de rir pelo escândalo do outro professor, claro que a quantia em dinheiro era bem-vinda para as atividades do clube de atletismo e de arco e flecha, mas ele não tinha se dedicado tanto apenas pelo dinheiro e sim pelo prazer de estar fazendo algo em benefício dos alunos. Com o dinheiro eles poderiam comprar equipamentos, uniformes e também usariam nas pequenas viagens nas temporadas de campeonatos, mesmo que a maioria dos alunos tivesse uma boa condição financeira o funcionamento dos clubes era independente disso.

- Talvez porque eu realmente me dediquei, sem tentar tirar proveito da situação. – Acabou respondendo, mas queria calar Key de outra forma, então depois apenas sorriu desdenhoso.

- Temos um exemplo de cidadão, parabéns. – Kibum disse irônico. – Deve estar adorando o gostinho da vitória, não é mesmo?

Bingo!

Aquele era o momento exato. Sem pensar duas vezes enlaçou a cintura fina com os braços, deixando Key bem preso contra seu corpo, sorrindo ainda mais abertamente ao ver o espanto brotando dos olhos pequenos.

- O gosto da vitória é delicioso. – Começou a provocação, completamente embriagado pelo perfume marcante do professor de artes. – Tão único que devo compartilhar, o que acha?

Iria protestar, iria gritar, iria chutá-lo no meio das pernas assim que tivesse chance, mas só pensou nas possibilidades de se livrar de JongHyun, pois ele foi mais rápido e o calou com um beijo urgente. Não era calmo, não era romântico... E sim altamente desesperado e envolvente, a boca tomou a sua com maestria, dominante e esmagadora. Com o susto acabou abrindo os lábios, o suficiente para a língua do mais velho abrir passagem, sendo prontamente recebida em um desejo que ele jamais admitiria.

Há algum tempo não beijava alguém, com sua vida praticamente de cabeça para baixo era quase impossível pensar em outra coisa que não fossem seus problemas. A não ser pelo professor irritante flertando com ele quando podia, estava bem longe de se envolver novamente. Porém, era um teste contra sua sanidade um beijo ser tão enlouquecedor, estavam na sala dos professores correndo o risco de serem pegos e mesmo assim o toque não se findava. Sem perceber correspondia e puxava os lábios fartos entre os dentes, resmungando xingamentos enquanto seu corpo pedia para estar próximo a JongHyun.

Estava tão envolvido que foi o professor de educação física quem interrompeu o beijo.

- Se soubesse que beijava tão bem, teria feito na primeira oportunidade. – Jjong disse um pouco ofegante. – Espero que tenha apreciado o gosto da vitória assim como eu. – Provocou antes de soltar o corpo trêmulo do outro. – Tenho que separar algumas coisas para a próxima aula, irei primeiro.

E assim, como se nada tivesse acontecido JongHyun deixou para trás um Key completamente atordoado, se amaldiçoando mil vezes por ter cedido a um simples beijo.

-

“Pelo poder da minha coleção de sapatos Armani, o que foi aquilo? Aquele ogro simplesmente me agarrou como se eu fosse a sua princesa Fiona! Eu odiava contos de fadas e não acreditava neles, a vida real era bem mais amarga e sempre mantive meus pensamentos em ordem em relação aos meus casos amorosos, sendo que eles se resumiam a noitadas de sexo e nada mais. Não estava acostumado com beijos esmagadores e tantas provocações, ele queria me enlouquecer e estava conseguindo. O pior de tudo não era ter me rendido, era ter provado pela primeira vez o gosto da vitória pelos lábios de outra pessoa.”

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x-x-x

Alheio ao festival e da pequena confusão provocada na reunião, o jovem professor de História estava mais concentrado em seus horários e nos testes que passaria ao longo da semana para as turmas em que lecionava. Nada muito difícil, apenas um questionário para detectar os pontos da matéria com mais dúvidas, já que na maioria das vezes os alunos quando questionados sempre diziam estar entendendo perfeitamente o conteúdo. Não fazia a linha “professor durão”, era calmo, gostava de ensinar, tinha muita paciência com os alunos mais preguiçosos e principalmente sentia orgulho de sua profissão.

O único problema era o aluno rebelde do terceiro ano, a turma já era conhecida como a pior no sentido de conversas durante as aulas e também pelo comportamento dos alunos pelos corredores, nem a mais rigorosa educação coreana parecia dar um basta na situação. Além dos péssimos modos em sala de aula, do uso indevido do uniforme e do hábito – nada indicado – de fumar, TaeMin também o perseguia em seus sonhos, com o mesmo olhar felino da vida real.

Suspirou e adentrou a sala de aula lotada e barulhenta, mas como sabia respeitar o espaço dos alunos logo o ambiente era outro, todos em silêncio aguardando a matéria do dia. Bom, todos é exagero, pois TaeMin sentado na última carteira no canto da sala, parecia ocupado demais escutando um rock de origem duvidosa com os fones de ouvido. Ele usava o cabelo solto e desfiado como de costume, a única peça do uniforme que se preocupava em usar era o paletó preto com o emblema do colégio, por baixo usava uma camiseta velha com a estampa “punk is not dead”, algo proposital é óbvio.

A última discussão com o aluno ainda ecoava em sua mente, estava desapontado com o comportamento do garoto, queria ajudá-lo, entendê-lo e amparar a falta que um pai fazia na hora da educação de um filho, mas todas suas tentativas foram em vão. Ele não era ninguém para invadir a vida e os problemas de um aluno, só que conhecer na pele o que o menor sentia criava entre eles uma ligação inexplicável, que talvez foi quebrada ao ter levantado a mão para o garoto, ato que ele julgava todos os dias em sua mente.

TaeMin não prestava atenção na aula e muito menos na música que escapava pelos fones de ouvido, seu pensamento estava ainda focado na última consulta com sua psicóloga. Contou – em partes – sobre o tapa que levou, omitindo o necessário para ocultar o sentimento estranho que Minho lhe causava, tentando buscar uma resposta para tudo que estava acontecendo. Apesar de já ter ficado com garotos, nunca se sentiu estranho perto de alguém do mesmo sexo, mas com o professor de história era diferente, sentia-se ameaçado pela presença marcante do mais velho, como se sucumbisse a uma vontade desconhecida.

- Hey, TaeMin. – Alguém lhe cutucou. – TaeMin! – A mesma pessoa voltava a chamá-lo.

- O que você quer? – Virou-se irritado, tirando os fones de ouvido e se deparando com HimChan.

- Pegou alguém sábado? – Indagou segurando a vontade de rir, perto do quadro o professor falava entusiasmado sobre a Revolução Industrial.

- Claro, uma garota loira. Por que? – Deu de ombros, ele sempre terminava aos beijos com alguém nas festas promovidas pelo amigo, então não entendia a pergunta.

HimChan sorriu ainda mais, levando uma de suas mãos até a boca para abafar o riso. Ren não estava mentindo quando contou sobre TaeMin, era incrível como o garoto tinha facilidade para enganar até o mais pegador entre seus amigos, iria parabenizá-lo quando o encontrasse novamente. Afinal, Lee TaeMin conseguiria ter todas as garotas que desejasse – o que HimChan e ninguém entendia – e foi enganado pela beleza exótica e andrógina de seu amigo.

- Seu nome era... Ren? – O último golpe só para confirmar.

TaeMin assentiu. Qual o problema do moreno?

- Lamento informar, mas ela... Era ele! – Ditou por fim, iniciando uma risada escandalosa que parou a aula no mesmo instante.

- O que disse? – TaeMin se levantou abruptamente, justo quando o professor se virou e a sala estava olhando para ele, o que só significaria uma coisa: Culpado.

MinHo deixou em cima da mesa o livro que usava para passar algumas anotações, suspirando ao ver TaeMin levantado interrompendo a aula, era pedir demais ter um dia de paz na turma do terceiro ano. Contou até dez mentalmente, imaginando que o garoto estava quieto demais para ser verdade, claro que TaeMin acharia uma forma de irritá-lo até o término dos dois períodos, manter uma boa convivência parecia fora de cogitação. Teria que ser mais firme do que na aula passada.

- Senhor Lee, vá para o corredor. – Mandou sem dar chance para o garoto se defender.

Não era sua intenção atrapalhar a aula, aliás, antes de HimChan o interromper buscava uma forma de pedir desculpas por ter ofendido a esposa do professor, claro que depois da consulta com TaeYeon. Foi uma indicação dela, e sempre acaba se rendendo aos conselhos de sua noona, nunca tinha sido em vão ou perda de tempo. Como não queria arrumar mais confusão com o professor, acatou o pedido saindo da sala em silêncio, sabendo que levaria uma bronca e perderia pontos com MinHo.

- Se é um esforço fora do comum suportar uma aula minha, preferia que não frequentasse mais às aulas. – MinHo disse seco quando estavam a sós no corredor. – Sei que fui invasivo, mas deixei claro semana passada que...

- Me desculpe. – TaeMin o interrompeu antes que terminasse sua frase.

Porém, o pedido de desculpas não era pelo acontecido de minutos atrás, mas sim pela ofensa da semana passada. Seu tom era tão firme que MinHo entendeu a profundidade de suas palavras, optando por se calar, certo de que o menor teria algo mais para dizer. Mas era difícil, mostrar-se arrependido e ainda ficar tão perto do mais velho e manter o controle, suas emoções sempre se confundiam perto dele.

Sentia vontade de provar dos lábios do professor engomado.

- Dê uma volta pelo colégio e volte na segunda aula. – Acabou respondendo, não poderia dizer mais nada naquele momento. TaeMin sempre o surpreendia.

Para alguém tão inatingível, pedir desculpas soaria como uma humilhação, mas não estava surdo e ouviu corretamente que TaeMin estava arrependido. Achou melhor dispensar o aluno durante os últimos minutos da primeira aula, ficava desarmado com o garoto em sala de aula e recobrar o raciocínio depois de estar perto dele era uma tarefa árdua. O mais novo também precisava pensar, a vontade clara de beijar seu professor o deixou atordoado, colocaria um fim na dúvida o mais rápido possível.

Por esse motivo retirou o celular do bolso, passando uma mensagem de texto para o número que ele recorria sempre que precisava relaxar, jogando conversa fora e tomando algumas cervejas. Se estava sentido algum desejo pelo professor, iria retirá-lo de si com a pessoa mais adequada, também o único que toparia uma loucura como aquela.

“Precisamos nos encontrar o mais rápido possível.”

Kai jamais negaria um pedido seu.

x-x-x

Gostava de estar por cima, ou melhor, ter a melhor visão do campo de batalha. Passou a semana toda tramando pequenas peças, simples, sorrateiras e sem qualquer vestígio, nada muito severo porque não era seu objetivo vencer a guerra em uma única batalha. Queria massacrar o oponente, filho de um renomado militar não poderia ser ridículo e deixar as coisas fluírem, amava ter a situação em suas mãos, podendo esmagá-la com os dedos assim que enjoasse de joguinhos tão infantis. Claro que admitia estar brincando, desestruturaria mentalmente e depois partiria para algo físico, pelo menos até se divertir o suficiente.

Ir para diretoria na segunda-feira mostrou o quanto o oponente era fraco, pois não tinham provas sobre os bilhetes do armário, muito menos para tudo que os sucederam. Na terça não relataram ao diretor sobre a comida podre colocada – de propósito – em seus armários, na quarta também se calaram diante do sumiço do uniforme de educação física e das ameaças deixadas em seus livros escolares, e agora também se esconderiam como ratinhos assustados.

Esperava ansiosamente por suas vítimas, iria provocá-los todos os dias, tornando a rotina do colégio cada vez mais insuportável e provando que o inferno realmente existe. Porém, apesar de tudo não considerava ser um demônio, ele deveria na verdade ser proclamado como um anjo, disposto a limpar o colégio de toda a sujeira, de gente esquisita que em sua opinião não merecia viver. Era justo por seus próprios meios livrar-se daqueles que o incomodavam, apenas a presença de GongChan – e também de Sandeul – o deixava irado, sentia raiva do anormal ter estragado seus planos há um ano.

Ser recompensado era o mínimo, não era? Substituir uma presa por outra era apenas a natureza seguindo seu curso normalmente, a cadeia alimentar social não poderia ser quebrada por uma premonição ou o que seja a esquisitice de GongChan.

- Sério, isso é ridículo. – YongGuk murmurou irritado. – Por que não dá uma surra neles de uma vez? – Indagou, mascando um chiclete sem gosto apenas para não morrer de tédio. – Estou cansado de esperar.

Zico revirou os olhos, o que seu amigo tinha de músculo faltava em cérebro.

- Não pedi para me acompanhar. – Respondeu. – Você assiste a vários filmes sobre guerra e não aprende nada?

- Ah, mas nos filmes eles já chegam explodindo tudo. – Riu. – Fode de vez a vida desses desgraçados, bancar o bonzinho não combina com você. – Desdenhou-se. – “Tá” amolecendo?

- Se não calar a boca, vou é foder você. – Cortou o loiro que continuava rindo. – Pressão psicológica, nunca ouviu falar?

- “Pressão psicológica” blábláblá... Um soco resolve a esquisitice dos dois. – Disse prático, observando o colégio pela cobertura.

Arrependia-se mortalmente de acompanhar Zico, mas pelo menos conseguia ver o irmão caçula do alto da enorme construção, o garoto lia um livro sentado em um dos bancos do pátio, sozinho e sem ninguém aparentemente para perturbá-lo. Ótimo, assim ficava mais tranquilo para ajudar Zico em mais uma etapa da perseguição que ele achava ridícula, se odiava tanto o tal GongChan era apenas socá-lo até tirar algumas gotas de sangue da pele de porcelana e pronto. Porém, o amigo preferia agir como nos filmes americanos, praticando bullying em vez de terminar aquilo como homem.

- O imbecil do Baro que não chega, logo os dois aparecem e adeus plano infalível. – Zico reclamou, conferindo no relógio os dez minutos de atraso do amigo.

- Seu plano é uma merda. – Bang voltou a reclamar, quase levando um soco dessa vez.

Como era um “sortudo filha da puta” segundo HimChan, o amigo atrasado chegou no mesmo instante, com duas latas pesadas de tinta em mãos, murmurando e falando alguns palavrões, mas enfim Baro estava lá.

- Finalmente! – Zico exclamou, indo ajudar Baro e segurando uma das latas de tinta. – Por que demorou?

- Foi difícil entrar com a tinta sem o porteiro perceber, agradeça ao Kyung que distraiu aquele ahjusshi chato. – Explicou, abaixando para não ser visto pelos alunos. – Eles já passaram?

- Não, mas veja já estão se aproximando. – Apontou para GongChan.

Porém, GongChan não estava acompanhado de Sandeul, quem caminhava lado a lado com ele era ninguém menos que JinYoung. “Ótimo”, Zico pensou assim que os viu, estava querendo dar uma lição no mais velho desde a festa, até cogitou armar alguma coisa durante a semana, mas estava tão concentrado no plano inicial – GongChan – que até esqueceu da discussão da festa. Agora eles veriam que quem se metesse em seu caminho seria esmagado, ou no caso receberia uma mão extra de pintura, porque a lata destinada a Sandeul teria outro dono.

- Vai mesmo jogar a tinta no JinYoung? – Baro vacilou, matinha a lata apoiada na beirada da cobertura para virá-la quando fosse o momento. – Ele é nosso brother, esqueceu?

- Joga no anormal, eu cuido do JinYoung. – Zico mandou. – Ele quem deu mancada primeiro, só estou dando o troco.

Sendo assim, Baro não disse mais nada. Ficaram em silêncio olhando tudo por cima, aguardando suas vítimas passarem debaixo de onde estavam para despejar a tinta, algo clichê, mas incomodo. Zico contava os segundos mentalmente, depois agradeceria JiYeon por ter avisado GongChan que o professor de educação física queria falar com ele, dessa forma o garoto iria procurá-lo na quadra e passaria por ali.

Quando finalmente passaram, a tinta foi jogada.

Era como se até mesmo o céu quisesse rir de sua infelicidade, mesmo que há segundos estivesse rindo com a companhia do mais velho. Desde quando a chuva manchava suas roupas? Poderia chover em um dia de sol? Era pegajoso e grudava em seu cabelo, sua roupa poderia ir direto para a lata de lixo, toda coberta pela cor amarela, mas não era ouro vindo do céu, era tinta. Abaixou a cabeça olhando suas mãos cobertas, limpou em vão uma delas no uniforme completamente sujo, porque o líquido pingava dos fios de cabelo grudados na testa e irritava seus olhos.

Logo as risadas vieram, cortantes e cruéis. Novamente ele era o centro das atenções, humilhado pela milésima vez na semana, tantas provocações que somadas seriam capazes de machucá-lo de verdade. Porém, o que o assustou não foi ser mais uma vez golpeado e sim olhar para o lado e ver JinYoung no mesmo estado que ele, coberto de tinta amarela, como se estragassem um quadro muito valioso por uma distração do pintor que acabou usando cores demais.

Antes que pudesse reagir JinYoung o puxou pelo braço, afastando quem estava no caminho rindo da situação, sentia pena do ser humano ver a tristeza de alguém como motivo de diversão, mas não tinha tempo para pensar porque continuava sendo puxado. Durante a semana ele e o mais velho conversaram muito, sempre tendo apoio quando tudo se complicava, não ficava sozinho por um minuto sequer, Sandeul ou JinYoung o acompanhavam para não ser pego por Zico na primeira oportunidade. Sentia-se como um objeto precioso a ser protegido, mesmo que fosse por alguns momentos.

- Espere aí. – JinYoung pediu quando entraram no vestiário vazio. – Meu uniforme da educação física está limpo, pode tomar banho que vou te dar uma toalha.

- N-n-não precisa. – Disse quase sem voz, doía ver JinYoung todo sujo por sua causa. – Posso voltar para casa andando, assim não irei sujar o ônibus.

- De jeito nenhum! – Interrompeu. – Você me contou que seus pais não imaginam o que acontece no colégio, não assuste eles chegando com a roupa coberta de tinta. – Pediu. – Tome um banho, também levarei seu uniforme para a lavanderia.

GongChan iria protestar, não queria que o outro se preocupasse, toda aquela situação era sua culpa, acabou prejudicando quem mais o ajudava. Era egoísta continuar se aproximando do mais velho, pois ele tinha muito a perder sendo amigo de um fracassado, o colégio todo já comentava sobre eles, inventando coisas maldosas e espalhando milhares de boatos. Não queria prejudicar ninguém, sabia que ser amigo de JinYoung estava além do seu alcance, quando as provocações aumentassem pediria para ele se afastar.

Ou melhor, pediria naquele momento.

- Sunbae... – Começou incerto, ao mesmo tempo em que deveria afastar JinYoung não queria mais uma vez destruir o que estavam reconstruindo.

- Seja o que for me diga depois, hm. – O cortou. – Pode tirar a roupa, vou olhar para o outro lado. – Disse, se envergonhando mais do que deveria.

A vergonha dominou o espaço, o mais novo achou melhor entrar no chuveiro logo, se livrando do uniforme o mais rápido que conseguia sem respirar o suficiente no processo. Ligou o chuveiro afobado, encostando-se na parede gelada observando seu tronco magro enquanto a água levava a tinta amarela para o ralo, tocando algumas pintinhas em seu peito permitindo-se chorar. Tudo que sofria até então não era nada comparado ao ver JinYoung coberto de tinta, sendo humilhado só para permanecer ao seu lado, com aquele sorriso bonito indicando que aquilo não era nada. Como? Como JinYoung conseguia se manter calmo?

Calma era a última coisa que sentia, estava aflito por envolver seus amigos no jogo ridículo de gato e rato entre ele e Zico, o problema era só seu, não poderia deixar que Sandeul ou JinYoung se machucassem também. Sem dúvidas a semana estava se tornando a pior de todas, desde que enfrentou o garoto mais temido do colégio, simplesmente por não conseguir fechar os olhos diante de injustiças. Os bilhetes, os olhares e a tinta eram apenas o começo, a intenção não era marcá-lo por fora, mas sim deixar uma mancha profunda dentro de seu corpo.

Lavou o cabelo três vezes, mas nem com tanto esforço a tinta parecia querer desgrudar dos fios e também de sua pele, esfregou com tanta força até deixar a epiderme avermelhada, se machucando em certos pontos. Chorou em silêncio, prendendo os soluços na garganta, não queria preocupar ainda mais quem o esperava fora do box, deixou que a água limpasse e o levasse para longe, até um mundo em que nada pudesse atingi-lo. O mesmo mundo em que ele pudesse sorrir sem repreensão, sem ser julgado pelo simples fato de estar feliz, sem as malditas visões ou qualquer dom que o fizesse diferente das outras pessoas.

Desligou o chuveiro ao se sentir limpo, por fora é claro. Porque pela primeira vez os ataques de Zico estavam funcionando.

- Tudo bem? – JinYoung indagou preocupado.

Seus cabelos estavam molhados e seu rosto limpo, provavelmente tirou a tinta como podia em uma das pias do vestiário. Mas todo o resto continuava coberto pela cor amarela, estranhamente GongChan passou a gostar de amarelo, o mais velho ficava bonito com aquela cor.

- Obrigado pelo shampoo, sem ele não conseguiria tirar toda a tinta. – Agradeceu, evitando olhar para JinYoung pois usava apenas uma toalha amarrada na cintura.

JinYoung sorriu, se aproximando até sentir o seu cheiro desprendendo dos cabelos do mais novo. Era lindo, o corpo esguio tão alvo que chegaria a ser crime tocá-lo, com algumas pintinhas espalhadas pelo peito, que subia e descia afoito pela busca de ar dos pulmões. Entregou a roupa voltando a se virar, deveria caber já que eram quase do mesmo tamanho, não demorou muito e GongChan já vestia sua bermuda e camiseta da educação física.

- Ficou bom. – Avaliou. – Não ligue para o que aconteceu hoje, sei o que está pensando. – Disse, dando alguns passos chegando até GongChan.

Que permaneceu estático com o que aconteceu a seguir.

Uma mão morna tocou seu rosto, como se o consolasse de algo. JinYoung traçou um caminho com os dedos desde o queixo até a bochecha, em que o polegar tratou de pressionar até tirar uma manchinha de tinta insistente que permanecia ali. Não conseguiria decifrar o outro nem que tentasse durante toda sua vida, seus toques eram abrasadores, sempre era mesma sensação de formigamento, mas poderia se acostumar com ela.

- Não adianta pedir para eu te deixar, porque eu não vou. – JinYoung confessou próximo ao seu ouvido. – Eles podem tentar de tudo, todas as cores do arco-íris não serão suficientes, aceito um balde de tinta por dia se isso me aproximar de você.

- É loucura. – GongChan respondeu sentindo vontade de chorar novamente. – Jogaram tinta em você por minha culpa, sunbae.

- Não, fui eu quem provocou Zico na festa. – Explicou. – Ele só está tentando me atingir ao fazer tantas barbaridades com você.

Por que tudo tinha que ser sempre pela forma mais dolorosa? GongChan não saberia responder, talvez por ter que seguir por aquele caminho desde cedo, quando seus colegas de classe o evitavam sendo apenas uma criança inocente. Entretanto, o caminho mais doloroso era muito mais fácil do que continuar seguindo ao lado de JinYoung, até onde aguentaria era impossível saber, então apenas fechou os olhos quando sentiu um singelo beijo em sua bochecha.

Exatamente onde estava a tinta amarela anteriormente.

-

“Tão instável quanto o tempo era meu futuro ao seu lado, eu não conseguia ver nada além de nuvens negras em nosso caminho, anunciando que a tempestade só estava começando. O sol que ainda brilhava lá fora era amarelo assim como a tinta derramada sobre nós, que sem querer aqueceu o que crescia dentro do meu peito, germinando uma nova flor, ainda que com espinhos era a mais bela entre todas as flores do mundo. Porque nasceu do sentimento que eu jurava ser impossível existir em um coração renegado pelo amor, mas que mesmo assim brotou. A previsão do tempo dias depois anunciou que iria chover e quando a primeira gota fosse derramada contra a terra selaríamos algo desconhecido até então.”

-

x-x-x

Um estrondo ecoou pela sala anunciando a chegada do irritadiço morador, Baro passou por ele como um raio, jogando a mochila no sofá – sem se importar ao atingir Sandeul no processo – e caminhando até a cozinha em busca de um refrigerante. Depois da discussão de domingo, todos os dias eram da mesma maneira, evitavam-se ao máximo e o mais velho fazia questão de mostrar que estava irritado cada vez mais com a convivência. Pelo menos não ouve nenhuma ofensa ou ameaça, era como se um fingisse que o outro era invisível, evitando até mesmo dormirem no mesmo horário para não se cruzarem muito no quarto.

Da cozinha Baro ficou observando Sandeul, se perguntando onde ele estava quando GongChan ficou ensopado de tinta, era pra ele estar junto e ficar no mesmo estado que o garoto esquisito. Mas não poderia simplesmente perguntar, ficaria muito óbvio que estava envolvido na estória da tinta, se JinYoung soubesse ficaria irado por causa de uma atitude tão infantil. Acabou dando de ombros, abrindo a latinha de refrigerante, tomando enquanto se apoiava no balcão displicentemente tentando relaxar do dia cansativo.

Sandeul acabou não aguentando ficar muito tempo naquele silêncio, sentia os olhos do primo queimando em suas costas, acabou levantando do sofá e se encaminhando até a cozinha para beber água, mas parou assim que viu a manga do uniforme do mais velho manchada de tinta amarela. Um segundo e ligou todos os fatos, estava na biblioteca com Krystal quando Chunji apareceu afobado contando sobre GongChan e o acidente com a tinta, saiu correndo no mesmo instante atrás do amigo, se deparando apenas com a tinta seca no chão do local. Só mais tarde GongChan apareceu acompanhado de JinYoung contado como tudo aconteceu, os dois desconfiavam de Zico, jamais imaginou que seu primo estava por trás do acidente planejado.

- Como foi capaz? – Era a primeira vez que abria a boca para falar com Baro desde a briga.

- Do que está falando? – Virou-se minimamente para encarar Sandeul, se arrependendo instantaneamente.

Sandeul era bonito demais para o seu próprio bem.

- Foi você! – Quase gritou. – Você jogou tinta no GongChan!

Ah, como sempre o mais novo estava defendendo o esquisito. Baro quase saiu da cozinha para evitar outra discussão, não queria se estressar com o outro ou faria uma loucura, mas só de ver como ele defendia e mudava de postura por GongCha, resolveu encará-lo. Pegou a latinha de refrigerante e jogou com tudo na parede, o líquido que restava na embalagem sujou boa parte da cozinha, queria assustar e conseguiu. Sandeul recuou alguns passos, a atitude violenta era novidade, sempre era ferido com palavras e não ações.

- Cala essa maldita boca! – Baro explodiu. – Sim, eu joguei tinha no seu amiguinho e faria de novo, algum problema? – Indagou, mas sua voz era cortante em ameaça.

- Por que fez isso? – Retornou com outra pergunta.

Baro revirou os olhos, o outro era muito tapado mesmo.

- Porque eu quero, satisfeito? – Se aproximou, segurando o queixo do mais novo com força. – A tinta era pra você.

Soltou o primo na mesma brutalidade, o empurrando para tirá-lo de seu caminho. Aproveitando que seus pais não estavam foi direto para suíte deles, entrando no banheiro já desabotoando a camisa do uniforme. Realmente estava suja de tinta, se amaldiçoou mentalmente por ser tão idiota a ponto de deixar vestígios sobre o que tinha feito, abriu a torneira e esperou a banheira encher, jogando alguns sais de banho e sabonete líquido para fazer bastante espuma. Esperou sentado na borda, verificando a temperatura da água conforme a banheira enchia, quando ficou do seu agrado entrou afundando quase todo o corpo na água que agia como um relaxante muscular.

Com certeza passaria o resto de seus dias ali, totalmente despreocupado com o mundo lá fora. Ficou brincando com as bolhas que se formavam conforme balançava suas mãos na água, fechando os olhos permitindo-se apenas aproveitar o momento em silêncio, sentia preso e sufocado dentro da própria casa por culpa do inquilino indesejado. Toda a tensão em seus ombros era devido a ele, ao maldito pato-zumbi-aproveitador e sua carinha meiga que lhe dava vontade de socar na primeira oportunidade.

E como não podia, acabou batendo a mão contra á água derrubando parte dela da banheira, por mais que evitasse o nome e o rosto de Sandeul invadiam seus pensamentos, principalmente o semblante triste e os olhos marejados. Sem perceber levou uma das mãos até seus lábios, lembrando dos beijos ardentes que trocou com o mais novo, ali sozinho poderia admitir que não foi de todo ruim. Os lábios eram macios, convidativos, o cheirinho de amaciante lhe agradava, e por mais que Sandeul fosse homem não era bruto, seus toques eram calmos, mas firmes...

Ao ver o rumo de seus pensamentos, balançou a cabeça várias vezes em negação. “Aish, deu para gostar de patos agora?”, murmurou para si mesmo e levantou-se da banheira, suas mãos estavam enrugadas por passar tempo demais na água. Só então olhou em volta e se deparou sem sua toalha, aliás, não havia nenhuma toalha ali para se secar, quase entrou em pânico pensando em ligar para a ONU o socorrer, mas lembrou-se de Sandeul e pela primeira vez ele poderia ser útil.

- Sandeul! – Gritou. – Eu esqueci a toalha, traga-a imediatamente. – Claro que mandou, ele não iria pedir gentilmente sendo que saiu do banho com mais raiva do que entrou.

Ficou parado em pé na banheira por alguns segundos, até ouvir leves batidas na porta e dizer para Sandeul entrar. Porém, o garoto abriu uma pequena fresta e esticou o braço sacudindo a toalha em uma atitude infantil.

- Está aqui. – Disse balançando mais uma vez o tecido.

- Eu estou vendo. – Suspirou perdendo a paciência. – Entre e traga até mim, não posso sair da banheira, ou você quer secar o chão molhado depois?

Sandeul engoliu em seco, abrindo a porta e finalmente entrando no banheiro.

De olhos fechados.

Aquele garoto era louco! Eles eram homens, qual o problema de um ver o outro pelado? Pensando melhor, nunca se trocavam perto, sempre saia do banheiro já vestido e o primo fazia o mesmo, sequer sabia como Sandeul era sem camisa, e ao notar tal fato riu de maneira sádica. “Então o pato é tímido”, concluiu enquanto observava o garoto se aproximar lentamente, já que esbarrou na pia, tropeçou nas roupas jogadas no chão...

- Pare de ser idiota, pode abrir os olhos! – Baro mandou. – Eu tenho tudo que você tem, claro que em proporções bem maiores... – Disse se gabando do próprio corpo.

Relutando e travando uma guerra interna contra si mesmo, Sandeul abriu os olhos. Segurando o ar com toda força e soltando de uma vez ao ver o corpo do mais velho molhado bem á sua frente, se desesperando de tal forma que seus olhos quase saltaram, acabou jogando a toalha de qualquer jeito e saiu correndo o mais rápido que pode.

- Ah, mas é muito gay mesmo! – Baro ainda gritou, pegando a toalha no chão e se secando. – Veja Baro-Baro, ele gostou de você. – Disse para uma parte específica de sua anatomia.

Na sala uma pobre criança se escondia inutilmente atrás de uma almofada.

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“Realmente não saberia dizer o que aconteceu, entrei no banheiro e fui obrigado a abrir os olhos, me deparando com Baro exatamente como veio ao mundo. Além do meu corpo eu não conhecia a anatomia de mais ninguém, ele era definitivamente mais forte, tinha músculos formados e sua barriga era igual a dos ídolos que as garotas da minha sala tanto admiravam. Eu deveria estar mais vermelho que um pimentão, minhas bochechas ardiam de vergonha e eu me sentia patético por ter fugido igual a uma garotinha, mas simplesmente não consegui reagir ao ver seu corpo ainda molhado e quente. Desejei do fundo de minha alma ser uma daquelas bolhas de sabão, para flutuar e sumir em seguida, apagando a memória mais devastadora da minha vida.”

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Notas finais
Yay, viram como comentar faz diferença? Capítulo bem gordo e cheio de coisas!
No próximo tem Kim Jongin mais gostoso do que nunca fazendo uma participação em Sky!
Vejo vocês em RP!
Beijos. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.