Sky

8 Entre tapas e chocolates.


Notas iniciais
Oi gente. ♥
Me desculpem pela demora, mas eu viajei (show da Demi *u*), tive algumas provas fodidas, e o estágio ainda me prende até dia 28 de junho. Pfvr, peço a compreensão de todos os lindos e lindas.
Ah, semana que vem tem mais umas provas fodidas, mas acho que sábado já dá pra postar outro.
Boa leitura e me desculpem pelos erros.

Aguardava com toda a paciência do mundo o menor se pronunciar, após quatro anos de profissão ela estava acostumada a lidar com o silêncio sepulcral de alguns pacientes. Enquanto observava cada ação do garoto, lembrava-se da primeira vez que o viu em seu consultório, completava um ano como psicóloga naquele dia, e por uma ironia, ou não, do destino, deparou-se com o caso mais complicado até então.

Estava acostumada com casos de depressão, mulheres histéricas, adolescentes rebeldes, mas o garoto que entrou em sua sala naquele dia era diferente. Mesmo que ela insistisse e usasse todos os métodos aprendidos durante a faculdade, por três meses em todas as consultas o garoto só abria os lábios em uma linha fina para respirar, não esboçava nenhuma reação, olhava para o teto branco adornado em gesso por quarenta minutos e ia embora assim que o relógio marcava o término da sessão.

Sorriu triste olhando mais uma vez para o garoto, agora já crescido, poderia ter se tornado um homem caso não houvesse sofrido um trauma tão grande, poderia ser alguém melhor se não vivesse por um único motivo.

Poderia ser feliz.

- Você se lembra das primeiras palavras que me disse? – Perguntou ao mais novo de repente.

- Sim. – TaeMin riu ao lembrar-se. – “Eu vou matá-lo.” — Repetiu a frase dita anos atrás.

- Faz tempo que não falamos sobre isso. – TaeYeon analisou. – Ultimamente só tem falado do tal professor de história, não gostaria de expor o que realmente sente em relação aquele dia? – Tocou no assunto mais delicado da relação dos dois. Depois de três anos poderia dizer que construíram uma certe amizade, para ele a psicóloga, ou melhor, sua “noona” era de confiança, mesmo que ele evitasse expor algumas coisas até para ela.

- Noona, não insista. – Suspirou. – Não adianta me aconselhar, já ouvi tudo que precisava ser dito durante os últimos três anos. – Olhou diretamente para a loira. – Estou melhor aqui fora, na clínica praticamente me dopavam, o que aconteceu três anos atrás é algo que só me interessa.

- Mas o que aconteceu meses atrás é uma consequência disso. – Alertou. – Você... Você não tentou de novo, tentou? – Preocupou-se.

- Não noona, já disse que não tentaria me matar novamente. – Respondeu sincero, era incrível como não conseguia ser áspero com a mais velha. – Aquilo foi um gesto de fraqueza, mas não vai se repetir. Eu quase quebrei a promessa que fiz após... Após a morte da minha mãe.

- E por causa dessa promessa você está se matando pouco a pouco, TaeMin. – Viu que o mais novo se encolheu no divã, mas prosseguiu. – Lembrar-se de sua mãe dói, não dói? – Ele continuou imóvel. – Acha que ela ficaria contente ao ver você determinado com algo sem sentido? Liberte-se dessa promessa, a justiça já está punindo o culpado.

- Não é o suficiente. – A voz do garoto soou como um trovão, diferente de segundos atrás estava carregada de ódio. TaeYeon sentiu estar pisando em um campo minado, porém ela sabia que a bomba estava prestes a explodir, TaeMin não aguentaria por muito tempo. – Se continuar com essa conversa, acho melhor eu sair mais cedo hoje. – Ele pareceu voltar ao normal, com o mesmo tom de tédio de sempre.

- Não, não, mocinho. Ainda temos vinte minutos. – Ela achou melhor mudar de assunto. – Aconteceu mais alguma coisa no colégio? – Pisou em um terreno mais fácil de se lidar.

- Ah, o chato de novo. – Emburrou-se. – Não estou frequentando as aulas dele, então o politicamente correto veio atrás de mim. – Deu de ombros. – Por culpa dele o Hyung deu mais um de seus sermões.

- Nosso trato não era você frequentar todas as aulas? – A mulher impôs ordem. – Sinceramente, estou decepcionada com você.

- Não, noona! – TaeMin levantou-se, aproximando da mesa da mais velha. TaeYeon era como uma segunda mãe para ele, mesmo com a pouca diferença de idade não a via como psicóloga, talvez por isso evitasse falar sobre o dia em que perdeu sua mãe, queria estar com a mais velha pela sua presença, e não por causa de uma consulta. – Ele, ele me tira do sério. Todo certinho, vive se intrometendo na minha vida! – Explicou.

- E isso não é bom? – Analisou. – Você sempre disse que todos no colégio são indiferentes a você, ele pelo jeito é um ótimo profissional. – Suspirou. – Eu sei que você não gosta de frequentar as aulas, todas elas, sei que só aceitou ir com a condição de não ter nenhum professor “pegando no seu pé”, e que apesar disso tira excelentes notas, então faça um esforço. – Concluiu.

- Vou tentar, apenas tentar. – Disse contrariado. Não suportava nem ao menos encarar o professor.

- Certo! Pode ir por hoje. – A loira sorriu, se levantando e indo até o mais novo. – Se cuide, qualquer coisa me ligue e nos vemos semana que vem. – Apertou o ombro dele com firmeza, tentando passar conforto com aquele gesto.

- Obrigado, noona. – Acompanhou o sorriso da psicóloga, eram raras as vezes que TaeMin sorria verdadeiramente.

Porém, era pisar para fora da sala que sua máscara de frieza tomava conta de si.

-

Na sala de espera outro garoto aguardava ser atendido, suas mãos suavam conforme os minutos passavam e a espera diminuía, seria sua primeira consulta com a psicóloga, não sabia ao certo como agir. Durante todo o caminho até o local, pensou em várias formas de camuflar seus sentimentos, seus tios não poderiam conhecer sua verdadeira intenção, que era sumir da vida deles o mais rápido possível, também não poderia deixar escapar nada sobre Baro, e claro, ela não poderia saber que ele era o verdadeiro culpado do acidente.

Que ele deveria estar morto.

Seus batimentos se aceleraram assim que a porta se abriu, revelando uma mulher loira e muito bonita, aliás, era uma das mulheres mais lindas que seus olhos já viram. “Certo Sandeul, você terá que mentir um pouco para ela”, pensou conforme ela seguia em sua direção, porém o que não esperava era ver um colega de teatro sair pela mesma porta da psicóloga.

- Pronto? – A mulher sorriu acolhedora, indicando a porta por onde TaeMin havia saído.

Sandeul assentiu, se despedindo de sua tia e vendo o outro garoto acenar para a secretária, o mais velho parecia conhecer bem o local. Respirou fundo e seguiu a psicóloga.

Torcia para as primeiras aulas de teatro darem resultado.

x-x-x

Desde a conversa com o diretor se encontrava totalmente perturbado, a verdade pesava em sua consciência e em seu corpo, mal dormiu nas últimas noites, tudo que sabia agora sobre o menor não era apenas sobre ele, era também sobre seu próprio passado. Era coincidência demais justo ele ser seu aluno, talvez a verdade fosse um sinal para se afastar ou talvez fosse exatamente o contrário.

TaeMin não entrou em sua vida por acaso.

O motivo do garoto estar dominado pelo ódio, pelo rancor, era o mesmo motivo de três anos atrás que quase levou MinHo a perder tudo. Ligar as datas e os fatos foi simples, uma pesquisa mais apurada na internet e em jornais da época foi suficiente para entender a ligação que eles tinham, a única diferença era que o mais novo precisava ser libertado, assim como ele foi.

Porém ainda era difícil lidar com os últimos acontecimentos, o imã que TaeMin exercia sobre ele parecia mais forte, e desde a segunda-feira ele tentava evitá-lo a todo custo, não sabia se estava fugindo ou dando um tempo para si mesmo.

- Hey, cara! – Foi barrado por JongHyun assim que tentou entrar na sala dos professores. – O que acha de sair pra beber depois do trabalho? – Ele e o professor de educação física adquiriram o costume de jogar conversa fora pelo menos uma vez na semana.

- Ah, não sei... – Analisou o convite. – Prometi chegar mais cedo hoje. – Respondeu guardando algumas provas em seu armário, não tinha mais nenhuma aula na quinta-feira.

- Que feio recusar o convite de alguém mais velho. – JongHyun fingiu indignação. – Preciso te contar que ele aceitou sair comigo.

- Você acabou de contar. – MinHo riu do outro. – Mas... O que você fez para ele aceitar?

- Nada, Key não resiste ao meu charme natural. – Orgulhou-se, recebendo um olhar de “eu não acredito nisso” por parte de MinHo. – Okay, eu convidei ele para jantar em um restaurante novo, muito, mas muito caro.

- E como pretende pagar? Vai vender aquele seu carro velho? – Riu mais uma vez da careta que o mais velho fez.

- Não fale assim do Romeo, ele está comigo há anos. – Cruzou os braços, em uma tentativa de parecer mais rude. Falhando, é claro. – Estou dando aulas particulares para uma ahjumma “cheia da grana”, sou personal trainer agora.

- Ela está te pagando por serviços extras? – Alfinetou, recebendo um soco no braço em seguida. – Aish, você é forte baixinho.

O “baixinho” odiava ser chamado assim.

- Eu quero falar com você. – JongHyun até pretendia retrucar o professor de história, mas TaeMin entrou na sala abruptamente.

- TaeMin, você sabe que alunos não podem entrar aqui. – Jjong respondeu cansado, mesmo sabendo que era com MinHo que o aluno queria falar.

- Tanto faz. – Deu de ombros. – Eu só quero falar com ele. – Apontou para MinHo.

- Tudo bem Jjong, ele não vai demorar. – Tranquilizou o amigo, que assentiu deixando os dois a sós. – O que quer?

- Ah, o que eu quero? – Bufou irritado. – O certinho me persegue por semanas, vive se metendo na minha vida e desde segunda-feira só tem me ignorado. Não entendo gente velha, então qual é o seu maldito problema?

MinHo o encarou por alguns segundos, não imaginava ser procurado, chegou a pensar que TaeMin adoraria o fato dele não se meter mais em sua vida, entretanto não era sua intenção se afastar, ele só estava confuso com as novas informações. Afastar-se de vez do mais novo nunca foi uma opção, ele entendia TaeMin em sua motivação, o problema é que isso estava matando qualquer esperança de recuperação dele.

- Já disse para me respeitar, você não deveria estar aqui. – Disse, mas evitando olhar o garoto.

- O HeeChul deve ter te contado tudo, não é mesmo? – Riu da situação. – Você é igual aos outros, quando percebem que estão lidando com um garoto problemático simplesmente desistem. – Disparou amargo. – Eu tenho nojo de você. – Praticamente cuspiu as últimas palavras, se arrependendo de seguir os conselhos de TaeYeon, querendo sair o mais rápido dali.

- Espere... – Segurou TaeMin pelo braço com certa força, fazendo o corpo magro se chocar contra o seu no processo. – Eu não desisti de você, quero que volte a frequentar minhas aulas.

- Não? – Riu forçado, não conseguindo controlar a respiração que se acelerou ao estar tão perto do mais velho. – Então o que sente agora é pena do garotinho órfão.

- Não é pena. – Sussurrou próximo demais da bochecha do menor, quase fechando os olhos ao fazê-lo. – Eu o intendo, mais do que gostaria. – Soltou o garoto ao notar o que estava fazendo. Ele era apenas um aluno, toda aquela aproximação era perigosa, era irracional.

- Acho que você é mais louco do que eu. – Riu sem graça, se pudesse olhar no espelho notaria que estava corado. – Eu, eu voltarei a frequentar suas aulas. – Soltou antes de sair correndo da sala de professores.

MinHo apenas suspirou ao ver o menor partir, estava mais envolvido do que imaginava.

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“Não sei o que deu em mim naquele momento, meu coração disparou e eu simplesmente fugi dali o mais rápido possível. Fugi dele e da aproximação repentina que aquele aperto causou, suas palavras ainda provocavam calafrios no meu corpo, e eu sabia que nem ao menos um maço de cigarros me acalmaria por ter chegado tão perto dele, por ter sentido a sua respiração contra minha bochecha. Por um segundo eu não odiei meu professor de história, mas no segundo seguinte meu ódio duplicou pelo simples fato de eu estar me rendendo.”

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x-x-x

Arrumava tudo sozinho, era sempre assim. Engraçado que o professor com aquele jeito todo pomposo de ser fugia do trabalho rapidinho, vivia enchendo o peito de orgulho para falar de si mesmo, mas na hora de trabalhar ele se julgava cansado e incapaz de fazer o serviço, o que resultava em tudo nas suas costas. Porém GongChan não reclamava, gostava de ficar perto do palco, mesmo que em um cômodo abarrotado de roupas.

Não via a hora de ensaiarem uma peça de verdade, esperava apresentar uma até o final do ano, desde pequeno sonhava em ser ator e não era a primeira vez que tinha aulas de interpretação, na escola primária já se mostrava interessado na carreira, mesmo tendo a experiência de pequenas peças infantis. O trabalho era simples, muitos figurinos já estavam prontos para o festival, só precisava organizar e ver o que estava faltando para terminar o figurino.

Talvez poderia ir embora mais cedo, mas justo naquele dia Sandeul faltou na reunião do clube, por motivos médicos segundo ele, mas GongChan sabia que ele estava mentindo, aliás, ele sempre sabia quando o amigo mentia, não o julgava pois logo o menor contaria toda a verdade para ele, então só lhe restava esperar.

- Ah, então você veio, achei que me abandonaria aqui Sandeul! – Disse assim que ouviu alguém entrar no camarim, só poderia ser Sandeul chegando atrasado, porém quando se virou para ver quem era se deparou com JinYoung bem ali, parado na sua frente.

- Olá. – O garoto lhe cumprimentou meio sem jeito, na verdade nem ele sabia como veio parar ali, apenas sentiu vontade de ver GongChan e quando acordou para a realidade já estava no teatro do colégio, tarde demais para se arrepender. – Atrapalho?

- Não! – Praticamente gritou devido ao susto, derrubando uma caixinha de botões no processo, não queria que ele fosse embora.

- Tudo bem? – JinYoung prontamente ajoelhou-se ao lado do mais novo para ajudar a recolher os botões, sorrindo ao ver o rubor tomar conta do rosto pálido.

- Tu-tudo, me desculpe pela confusão. – Respondeu praticamente em um sussurro, evitando olhar para o rosto do mais velho. “Droga GongChan, faça alguma coisa!”, repreendeu-se mentalmente.

- Não precisa se desculpar. – Riu mais uma vez, recolhendo os últimos botões espalhados pelo chão, e se levantando assim que terminaram. – Eu estava passando e resolvi dar um “oi”. – Coçou a nuca sem jeito.

- Ah, é raro alguém lembrar de mim. – Disse mais para si mesmo do que para JinYoung, estava nervoso demais devido a presença dele, mas ao mesmo tempo estava feliz pela visita inesperada.

- Pensei em vir aqui ás vezes, posso? – Perguntou, abaixando ligeiramente para poder olhar nos olhos do mais novo, que mantinha a cabeça baixa até então. – Eu gostei de conversar com você.

Se GongChan estava nervoso, seu nervosismo triplicou devido as últimas palavras do outro, jamais cogitaria a possibilidade dele gostar da sua presença, ou melhor, dele querer se aproximar justo do “anormal” do colégio. Tanto que demorou alguns segundos assimilando a nova informação. “JinYoung gosta de estar comigo!” vibrou por dentro, não conseguindo controlar o sorriso que se formou em sua face.

Que fez JinYoung simplesmente recuar ao vê-lo.

GongChan ficava lindo sorrindo, jamais se esqueceria daquele pequeno instante, onde os lábios finos e vermelhos exibiam a fileira brilhante de dentes, as bochechas coradas exibiam a vergonha, e os olhos semicerrados transmitiam uma sinceridade sem fim.

Poderia ficar observando o mais novo para sempre.

- Eu também gostei de conversar com você. – GongChan finalmente respondeu, dessa vez olhando diretamente para JinYoung, que desviou o olhar constrangido ao ser pego mirando o mais novo. – Quer um chocolate? – Lembrou-se que tinha dois na bolsa, sua mãe sempre dizia que oferecer chocolates era a melhor alternativa para fazer uma nova amizade.

- Eu aceito. – JinYoung sorriu ao ver o mais novo se enrolar todo para procurar o doce na bolsa, voltando afobado depois da procura. – Obrigado. – Agradeceu aceitando o chocolate oferecido, mirando o papel brilhante da embalagem.

- O que foi, não gosta desse? – GongChan perguntou notando o interesse do outro pelo rótulo. Além de não saber o que falar, estragar tudo se enrolando nas frases, agora também oferecia o chocolate errado?

- É meu favorito. – JinYoung sorriu abrindo finalmente o doce, mordendo um pedaço e se deliciando com a sensação do cacau em sua boca. – Mas me conte, o que você tanto faz aqui? – Puxou assunto.

E então nos próximos minutos GongChan explicou todo seu trabalho, a montagem dos figurinos, a reforma de alguns, se estendendo até no que o clube iria fazer para o festival que aconteceria no próximo mês, sendo ouvido atentamente por JinYoung que se divertia com a empolgação do mais novo, não deixando de apreciar o chocolate dado pelo garoto.

Não reclamaria se passasse todas as tardes com ele.

-

“Enquanto ele me contava animado sobre o clube, eu apenas ouvia atentamente cada palavra dita, como se eu absorvesse um pouco do que ele mais gostava, como se nós fossemos amigos há muito tempo. Naquela tarde gravei todos os seus gestos, todos os detalhes do seu rosto na minha mente, queria poder levar sua imagem em todo lugar que eu fosse. O chocolate que derretia em minha boca não era meu favorito, mas passou a ser desde o momento que ele me entregou a embalagem brilhante...”

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x-x-x

Adorava a sensação pós banho, o cabelo lavado, a pele limpa e perfumada, até o vapor que se formava no banheiro era agradável, mas estava feliz não só por algo tão comum, mas sim pela sensação de dever cumprido. Era certo que mentir nunca foi sua especialidade, aliás, ele nunca disfarçou tão bem como na consulta com a psicóloga durante a tarde, não que ele gostasse de ser um mentiroso, por esse lado se sentia mal, mas por outro ele sabia que era necessário omitir algumas coisinhas da loira bonitona.

Riu com o pensamento, ela era realmente muito bonita, mesmo não tendo os cabelos negros como a mais profunda escuridão, ou os dentes semelhantes aos de um esquilo, ou ainda o olhar mais severo que já cruzara com o seu e a cama mais aconchegante de todas.

Quando notou o rumo de seus pensamentos balançou a cabeça várias vezes, ele praticamente acabara de descrever o próprio primo! Baro não era uma mulher, então por que compará-lo com uma? “Você está enlouquecendo Sandeul”, concluiu após deixar o aposento e se encaminhar para sua cama, porém sortudo como sempre foi, não conseguiu chegar até seu destino.

- Paradinho aí. – Baro praticamente voou em cima de Sandeul, o prensando na parede logo após ele sair do banheiro.

- O que eu fiz dessa vez? – Choramingou, o mais velho mantinha seus braços presos acima de sua cabeça, e olhando para a situação seus lábios se encontravam a poucos centímetros de distancia dos lábios aparentemente macios de Baro.

- O que você fez não, o que você vai fazer. – Baro ditou com a voz ligeiramente rouca, nos últimos dias sentia como se precisasse tocar o mais novo a todo instante, se esbarravam mais vezes que o necessário por metro quadrado. – Você vai sumir amanhã, entendeu?

- Sumir? Me desculpe, mas eu não sou o Harry Potter para aparatar por aí. – Disse sério, não notando que acabara de rir com a cara do primo. – Ai, ai, ai... Não precisa me machucar. – Reclamou assim que o aperto em seus pulsos ficou mais firme.

- Amanhã a Sulli, minha namorada, vem jantar aqui. – Tratou de mostrar o grau do seu relacionamento com a garota, esperando receber alguma reação de Sandeul, mas ele se manteve calado. – Ela não pode descobrir sobre nós, entendeu? Então de um jeito e suma daqui.

- Descobrir sobre nós? Somos amantes agora? – Fechou a boca controlando-se para não rir, estava andando demais com MinWoo, aos poucos deixava a timidez de lado. Com a convivência acabou descobrindo que era engraçado provocar Baro.

- Você só pode estar de palhaçada com a minha cara! – Baro grunhiu de raiva tamanha ousadia do mais novo, Sandeul já colocava as asinhas de fora. – Espero que tenha entendido o recado, do contrário eu mato você. – Ameaçou soltando Sandeul do aperto e se afastando.

- Seu lado malvado só apimenta a rela... – Não concluiu a frase, cansado de suas provocações Baro avançou em sua direção, o jogando na cama com toda sua força.

O que veio a seguir parecia uma briga de leões, onde um era evidentemente mais fraco, Baro tentava a todo custo sufocar o primo com um travesseiro, mas era impedido pelas mãos que se debatiam abaixo de si, estava tão possesso que mal notou que se encontrava em cima do mais novo, com uma perna de cada lado do corpo do primo, em uma posição comprometedora demais. Queria apenas socá-lo, esmagá-lo como um inseto e depois passar os pedacinhos do “pato-não-mais-sonso” em um triturador de carne.

- Eu vou matá-lo! – Controlou-se para não gritar, as risadas do mais novo preenchiam o quarto, Sandeul estava muito escandaloso para seu gosto. – Cala boca, quer que meus pais venham aqui?

- Cha Baro, vou matá-lo primeiro. – Sandeul parou de rir e tomado de uma força que não possuía inverteu o jogo, deixando Baro por baixo. – Espero que eles venham ver que você está me batendo! – Ditou. – Mas agora eu vou me vingar... – Soltou uma risada um tanto maligna, encarando Baro seriamente.

Para depois começar a fazer cócegas na barriga do mais velho, que se contorcionava tentando escapar das garras do “pato-vilão-torturador-de-esquilos”, Baro simplesmente gargalhava, não sabia como seus pais não vieram ver o que estava acontecendo, dessa vez agradeceria se alguém tirasse aquele monstro de cima do seu corpo, porque Sandeul também era pesado. Quando estava quase ficando sem ar conseguiu segurar os braços do torturador, esboçando um sorriso de vitória que significava que aquilo teria troco.

Sandeul não teve tempo de se defender, pois Baro novamente invertia as posições e ficava por cima, deixando o mais novo bem preso debaixo do seu corpo, tanto que sentia o tórax de Sandeul subindo e descendo devido a sua respiração acelerada. Mas a sua também estava, e conforme seus lábios se aproximavam da orelha do mais novo ela se alterava ainda mais, como se seus pulmões implorassem por mais ar.

- Pare de gracinhas. – Sussurrou com seus lábios a milímetros da pele do mais novo. – Amanhã você não me apareça nesse apartamento, eu não sei com quem você está andando, ou se pegou a doença daquele anormal, mas eu não sou seu amigo pra permitir que tire uma com a minha cara. Entendeu? – Sua voz saiu mais fria do que imaginava.

- Entendi. – Sandeul respondeu mecanicamente, com sua voz fraca devido ao nó que se formava em sua garganta, por mais que lutasse contra si mesmo, não conseguia evitar as tentativas de se aproximar de Baro. – Pode, pode sair de cima de mim se já terminou?

Baro tremeu ao ouvir a voz fraca do primo, quase pedindo desculpas pela forma que o tratou, mas era errado eles serem amigos, o acontecimento de segundos atrás não passou de um engano. Não podiam rir juntos, aquele ser indefeso abaixo de si era um maldito intruso, então por que insistia em manter aquele contato? Ao perceber que se mantinha há tempo demais em cima de Sandeul, tratou logo de afrouxar o aperto, deixando ele escapar entre seus braços.

Se assustando com a falta que Sandeul fez.

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“Era uma questão de tempo até ele perder a paciência, mas eu ainda insistia em me aproximar de Baro. Eu vi como ele ficou perturbado ao ficarmos tão perto, eu não sabia que ele estava confuso assim como eu. E ele não sabia que o motivo de toda essa inquietação era o mesmo; estávamos entrando em um caminho sem volta, um caminho onde poderia me apaixonar por ele.”

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Notas finais
E aí, sentiram falta de alguns casais?
Espero que tenham gostado do capítulo.
Beijos e até o próximo.