Notas iniciais
Finalmente fiz mais um capítulo. Peço desculpas pela demora. Em compensação, esse capítulo ficou bem grande, mas acho que ficou bom. Espero que agrade! Reviews por favor :) hehe

Lá estava eu, num lugar estranho, ouvindo o gênero musical mais pesado de todos. A maior revolução histórica que já houve, sem dúvidas, foi a invenção do Metal. A música circulava por minha cabeça e me envolvia. Era meu momento de relaxar. Não desejava estar em qualquer outro lugar naquele momento, a única coisa que me trazia alegria eram meus fones de ouvido. Eu podia sentir...

–Quero que conheçam alguém. Esse é o Rich — Dizia Alo, me apresentando para duas garotas no show.

–O que você está ouvindo? — Uma das garotas perguntou.

–Você não ia gostar — Eu dizia em tom de honestidade. Aquelas garotas eram tão femininas que me nauseavam, elas não deveriam nem ao menos saber a definição do gênero.

Ainda que eu tinha dito isso, a garota falou que gostava de ouvir de tudo. Aquilo me irritou profundamente. Agora sim aquele lugar ia ouvir música de verdade. Música eletrônica é desprezante, nem sei o que eu estava fazendo ali. Alo tentou me impedir, mas foi em vão, fui em direção próximo as caixas de som, e pluguei meu Ipod no auto falante. Agora o Metal se espalhava salão a dentro. As pessoas ao redor ficaram extremamente incomodadas e me mandaram desligar. Mas eu preferi fazer um screamo e gritar junto. Eu e Alo fomos expulsos da festa.

Eu não entendia a concepção de Alo com garotas. Ele estava no meu quarto e a única coisa que se preocupava, era quando iria perder sua virgindade. Ele me culpava por ser tão desprezado.

–Isso é porque todas as meninas que conhecemos são idiotas — Eu dizia para Alo, que era tão imbecil, que gostava de qualquer garota que aparecesse na sua frente.

–Vou achar uma metaleira para você então — Ele dizia se comprometendo a achar uma garota na escola que pudesse fazer meu tipo.

Era um novo dia, eu sempre acordava ao som de uma música do Napalm Death. Coloquei uma das minhas camisetas das minhas bandas preferidas, logo em seguida meu coturno, e minha jaqueta. Meu cabelo era um pouco comprido e bem armado.

– Bom dia, indo para escola, certo?

–Sim Kevin, é para lá que eu vou todo dia. — Odiava perguntas inconvenientes.

–Queria mesmo que você não me chamasse de Kevin, sou seu pai — Ele parecia um pouco magoado.

Apenas segui em frente, e quando cheguei na escola, fui procurar Alo, que havia me ligado logo quando acordei, falando que precisava muito falar comigo. Ele estava na biblioteca. Ele me arrastou por entre os corredores, mas não disse nada. E então, entrou num corredor e puxou um livro. Havia um pequeno espaço, para que eu pudesse observar o que ele queria que eu olhasse. Era simplesmente perfeita. Nunca havia visto ela antes. Usava uma calça jeans bem justa, uma camiseta preta cujo o nome da banda não consegui ver, uma gargantilha, e delineador preto, combinando com suas unhas. Ela me passava uma imagem tão depreciativa, que eu não conseguia ficar sem admirar sua beleza deslumbrante. Era ótima aos meus padrões. Alo conseguiu achar quem eu procurava há tanto tempo.

–Vá lá falar com ela. — Alo exigia que eu fosse falar com a garota.

Eu havia recusado de início, mas Alo continuou insistindo, então fui em direção ao tal corredor. Estava mais nervoso do que nunca, não sabia o que iria dizer a ela.

–Oi — Ao dizer essa simples saudação, enquanto eu olhava pra menina, eu escutava uma música pesada. Aquilo era tão estranho. Minha própria mente estava me atrapalhando.

Ela não respondeu, então procurei por um assunto.

–Eu só estava procurando um livro...Aqui está ele! — Não entendi porque eu disse essa porcaria. Quem eu queria enganar? Qualquer pessoa que olhasse para mim, já iria dizer que eu sou um inativo que não tem um mínimo interesse por leitura.

A garota simplesmente não dizia nada, ficava apenas parada com alguns livros na mão, me fitando com uma cara de desprezo e repulsa. Eu estava tão constrangido, que apenas queria sair daquele lugar, e parar de falar coisas sem sentido.

–De qualquer modo, tchau! — Me convenci de que a garota não iria me responder.

Lá estava Alo me falando porcarias novamente, tentando me convencer de que eu precisava de alguém para me ensinar como lidar com uma mulher. Aquela hipocrisia do garoto me irritava tanto. Ele não tinha ninguém também. Por que simplesmente vinha me dizer toda aquela bobagem? Ele sugeriu que falássemos com uma garota, para que pudéssemos entender o lado das mulheres.

–Olha Rich, te entendo, mas veio ao lugar errado. Também não sei nada sobre garotas -Dizia Franky, enquanto jogava tênis de mesa com Alo.

–Estamos ferrados então! — Eu dizia, totalmente desanimado.

–Mas sei de alguém que pode ajudar — Ela mantinha aquela pequena esperança de sempre.

Franky então seguiu pelos corredores da escola, se dirigindo a uma sala. Eu estava prostrado, ela não iria conseguir achar alguém, que realmente pudesse nos ajudar. Na sala havia uma garota e sua roupa era ridícula. Eu só conseguia ver aquela cor repugnante, um collant e sapatilhas de ballet. Lá estava ela, dançando ao som de uma música clássica. Eu queria fugir daquele lugar.

–O que vocês fazem aqui? — Grace dizia com um grande e nauseante sorriso no rosto.

–Meu amigo Rich precisa de ajuda. — Dizia Franky me puxando pelo braço.

Ela me saudou, e perguntou o que poderia fazer por mim. Franky falou que eu precisava de ajuda com garotas, e eu expliquei resumidamente a história da garota da biblioteca. Naquele momento então, a porta se abriu e as amigas de Grace entraram.

–O que você faz aqui? — Mini dizia muito irritada para Franky.

–Estou falando com Grace. Algum problema com isso?

–Não posso te impedir de falar com a minha amiga, posso? — Mini dizia a Franky, com uma cara muito enervada.

Mini estava ali para convidar Grace para ir a um café com ela e Liv. De uma forma bem ofensiva, ela disse que não se importava se Grace quisesse ficar conversando com estranhos, lésbicas e nerds, ao invés de sair.

–Espera um minuto... — Eu intervi. Não queria aquela loira irritante, falando de mim e meus amigos daquela forma.

Ela me interrompeu, criticou meu gosto musical e ainda mandou eu ir me danar depois disso. Aquela garota era tão azucrinante e medíocre. Só se importava com ela mesmo, e tratava as outras pessoas ao seu redor, como se elas não significassem nada. Grace se despediu de todos nós, e seguiu Mini como se estivesse obedecendo-a.

Depois da escola, subi um pequeno morro, e peguei um cigarro para ter um momento de reflexão e sanidade. Gostava de pensar comigo mesmo. Naquele momento, uma garota chegou perto de mim. Não sei de onde a mesma surgiu. Ela estava usando um lenço e óculos, não havia como reconhece-la de início. Então, ela abaixou os óculos e pude notar que a garota era Grace.

–Acho melhor que eu fique escondida nessa disfarce — Eu ainda não conseguia entender o motivo daquilo.

Ela disse que o disfarce era para que Mini não ficasse sabendo que ela estava ali, e decidiu que queria me ajudar.

–Não acho que seja uma boa ideia Grace.

–Por que não, Rich? — Ela dizia meio magoada.

–Sem ofensa, mas você é tudo que eu mais desprezo no mundo. — Agora eu ofendi para valer, não devia ter falado de forma tão grosseira.

Grace ainda assim não se sentiu tão ofendida quanto eu pensava. Ela simplesmente ignorou aquilo que eu havia dito, e mandou eu me levantar, para irmos até a garota. Eu não sei que droga eu tinha na cabeça naquele instante, mas simplesmente levantei e falei que iria com ela.

Ela não sabia nada sobre o estilo da garota e muito menos sobre meu gosto musical. Creio que nunca tenha ouvido música de verdade. Ela ainda estava me perguntando porque eu me vestia daquela forma. Depois que dei a definição bem clara de metaleiro para ela, ela disse que pensava que aquilo era uma piada, fiquei muito irritado com o que ela havia acabado de dizer.

Grace havia se oferecido para me ajudar ao máximo, ela disse que até mudaria seu estilo para tentarmos fazer o plano dar certo, e eu conseguir me dar bem com a garota da biblioteca. Não me importei se ela realmente fizesse isso, contanto que eu conseguisse ao menos ter assunto com aquela menina. Eu estava sob responsabilidade de fazer com que Grace, ficasse a caráter.

Eu estava mostrando a Grace como era meu mundo. Levei ela à uma loja de vinil, onde mostrei o que eu ouvia, ela se incomodou muito com o barulho pesado do gênero. Porém o dono da loja achou um disco mais apropriado a ela, um metal menos pesado e ela gostou.

–Quanto custa esse? — Ela estava muito interessada.

–Vou fazer esse de graça para você, me senti mal por você ter sido obrigada a ouvir aquele primeiro e odiado — Dizia o dono.

–Porque ela pode ganhar isso de graça? Eu nunca ganhei nada de graça aqui. Só porque ela usa essas roupas? — Eu estava boquiaberto, a garota nunca foi cliente como eu era daquele lugar.

–Vá se ferrar Rich — Agora sim Grace estava muito ofendida, nesse momento tive pena dela, e me arrependi de ter falado de suas roupas. Ela simplesmente saiu dali.

O dono da loja me passou um sermão, que ele chamava de conselho por eu ter feito aquilo à ela. Então saí da loja, e encontrei Grace sentada numa mesa ao ar livre, tomando um café.

–Você tem que ser mais legal comigo Rich, você me chamou de burra três vezes hoje e quero que pare — Ela estava chateada comigo, era perceptível.

Depois de termos uma breve discussão, ela defendeu o seu maldito ballet até o fim. Não mudaria minha opinião, ballet é coisa de perdedores.

Quando andei de caminhão pela cidade com Alo, ele veio me pressionar novamente dizendo que eu já havia adquirido experiência com garotas que Grace havia me ensinado, estava na hora de uma atitude ser tomada, para conquistar a garota da biblioteca.

Naquele dia fui a um pub mais tarde, e enquanto fitava um cartaz do Napalm Death em minhas mãos, Grace apareceu vestida completamente diferente do padrão. Ela estava a caráter, uma metaleira irreconhecível, mas não pude negar o quão atraente ela estava. Tentamos manter uma conversa indiretamente falando dos nossos amigos, mas ao tentar deixar transparecer o quanto Grace deixava suas amigas pisoteá-la, acabei ofendendo-a. Acho que foi bom em partes, já que Grace agora estava com uma personalidade mais vigorada, e tinha mais atitude. Ensinei tudo o que precisava a ela. Minha filosofia de vida é não deixar ninguém passar por cima de você, e consegui transmiti-la a Grace.

No outro dia de manhã, cheguei cedo a escola, e fui a biblioteca. Aquele era o momento, se não desse certo, nunca mais tentaria. Eu estava tão nervoso, precisava me manter consistente e conseguir ter um bom diálogo com ela.

–Olá! Sou Richard Hardbeck. Como vai? — Me apresentei a garota o mais formal possível, queria passar uma boa imagem de mim mesmo.

Ela não respondeu a minha pergunta, então comecei fazer outras. A garota simplesmente não me respondia, apenas me fitava com aqueles olhos profundos. O constrangimento começou a vir a tona, e eu não sabia mais o que dizer.

–Gostaria de sair para beber algo comigo? — Eu não sabia o que falava, estava prestes a ter um colapso nervoso se ela me ignorasse novamente.

–Não — Fui a única palavra que escutei sair de seus lábios até então, três letras, que acabou completamente com o meu humor.

Depois de ter me sentido um lixo total, fiz a merda de perguntar a garota o motivo pela qual ela não sairia comigo. Ela me ofendeu tanto, que eu mandava a garota se ferrar mentalmente um milhão de vezes, mas não tinha coragem de dizer aquilo em alto e bom som. Que tipo de pessoa eu era? Dando malditos conselhos a Grace de nunca deixar ninguém pisoteá-la, mas sendo pisoteado pela menina fútil da biblioteca, cujo a atração eu havia perdido há algumas horas atrás.

Eu havia perdido o controle, eu estava tão nervoso com aquela situação toda. Então quando Grace chegou me convidando para seu recital, eu a respondi com grosseria, e ela saiu chateada. O que eu estava fazendo? Ela só queria meu bem, e eu estava descontando toda a minha raiva da garota estranha, na garota legal. Então, Alo me levou para dentro da van, e ficou bravo comigo por tratar tão mal uma garota que realmente gostava da minha companhia. Mas ele simplesmente não entendia, que metaleiros como eu, não deixavam ninguém ordenar o que fazer.

Decidi que provaria a Alo que eu estava certo, então fui até a loja de vinis e comprei por quinhentas libras o disco de metal mais valioso da loja. Ao chegar em casa, aumentei o volume dos meus fones no máximo, e estava prestes a furar meu próprio tímpano se não abaixasse. Não deixei aquilo me impedir de ouvir, e sentir a emoção de escutar a música dos deuses. Mas é claro que foi besteira a minha, uma vez que fiquei surdo. Qualquer som externo era inaudível para mim. Eu simplesmente escutava um zumbido horrível o dia todo, e aquilo me tirava do sério. O diagnóstico do médico estava correto, surdez era uma coisa terrível. Ele se comunicava comigo através de um papel, e eu estava revoltado por ele me dizer que não havia nada a ser feito, apenas esperar a audição voltar.

O show do Napalm Death era naquela noite, no mesmo dia do recital de Grace, mas o dela era a tarde. Eu me sentia mal por ter agido de forma tão rude com ela. Resolvi aparecer e fazer meu esforço necessário para ficar assistindo o ballet. Eu devia muito a ela, uma vez que ela se sujeitou a aturar tudo o que não gostava, apenas para me ajudar. Assisti em uma espécie de arquibancada, todo o espetáculo, sem deixá-la me notar. Ela dançava delicadamente com seu parceiro, e mesmo sem som, o espetáculo visual era incrível. Ela era linda, eu estava emocionado de assisti-la dançando. Nunca achei que uma garota do estilo dela, me deixaria tão atraído.

Logo que ela saiu do palco e foi para fora, ela veio em minha direção e eu expliquei a ela, minha surdez.

–Eu não posso ouvi-la, e já fui ao médico. Mas achei sua dança realmente bonita — Consegui tomar coragem, e não encará-la no momento em que eu disse aquilo.

Ela me perguntou se eu não iria ao show do Napalm Death naquela noite, e eu expliquei que havia rasgado o ingresso por estar tão nervoso com a surdez. Para minha surpresa Grace tirou do seu casado, um par de ingressos. Ela me acompanhou ao show. E mesmo surdo, eu consegui me empolgar com ela na plateia do começo ao fim. No outro dia, recebi uma mensagem de texto de Grace, dizendo que havia sido a melhor noite de todas, e agradecendo pela companhia. Percebi que não estava mais surdo também. Eu cogitei responder convidando-a para sair, mais simplesmente não consegui, e apaguei a mensagem.

Depois de tomar uma ducha, notei que o creme havia acabado, e então chamei Kevin, mas ele não me respondeu. Percebi que ele estava no quintal, e desci até lá de toalha.

–Acabou o creme, então se você ou Anita tiverem... — Ele lançou um pote de creme em minha direção, e continuou lendo o seu jornal.

Percebi que necessitava falar com meu pai de um jeito ou de outro. Ele era um homem casado, então provavelmente tinha, ou teve, alguma habilidade para se dar bem com garotas.

–Posso te perguntar uma coisa? — Eu disse, timidamente, uma vez que não tínhamos tanta intimidade.

–Claro.

–Como você convidou minha mãe para sair? — Que vergonha, não acredito que eu havia mesmo feito essa pergunta.

–Escuta, se gosta de uma garota, tudo o que tem que fazer é perguntar. Foi o que fiz com a sua mãe — Esse era o segredo da coisa toda, apenas convida-la, sem complicações.

No dia seguinte, eu estava determinado em convidar Grace para sair de novo. Mas a primeira coisa que me vinha em mente, era me acertar com Alo. Eu deveria me desculpar, foi um babaca com ele. Ele nem me deixou começar, e já estava dizendo que tudo bem. Franky me disse onde Grace estava, e eu fui em direção ao jardim, ansioso para encontrá-la.

–Eu posso falar com você? — Eu perguntei a Grace.

–Ok, encontrarei Mini em breve, então você precisa ser rápido — Ela estava tão apressada, me senti um pouco mal por ela não ter me dado atenção suficiente, e eu não ter desenvolvido um assunto decente.

–Eu me diverti muito ontem a noite — Não havia assunto, e eu estava constrangido.

Ela me perguntou então, se eu havia recebido sua mensagem de texto, e eu disse que sim.

–As coisas ficaram próximas ontem a noite, não? — Ela lembrou da nossa diversão no show, e da maior afinidade que havíamos criado, expulsando barreiras que estavam antepostas antes.

Era tão difícil para mim, manter uma conversa com ela, esclarecendo meus sentimentos, e me sentindo menos tímido. Ela tinha facilidade nesse aspecto, ela era responsável por puxar assuntos, em situações constrangedoras como essa.

–Acho melhor que nada aconteça entre nós — Esse foi veredito, ela simplesmente achava que eu não tinha capacidade de desenvolver uma conversa com ela, que havia me ajudado tanto. Ela achava que eu era um menino qualquer, sem assunto, que fica enclausurado em seu próprio quarto ouvindo apenas o mesmo gênero de música.

Eu estava tão magoado, não esperava por isso, não mesmo. Achei que a partir daquele dia, eu e Grace pudéssemos manter um relacionamento agradável, e talvez nos tornássemos até namorados.

–Eu tenho que ir. Te vejo mais tarde? — Grace estava sendo chamada por Mini e sua amiga, e parecia que a maldita garota controlava ela.

Quando ela já estava se distanciando de mim, num momento oportuno ela se despediu. Mas ao invés de acenar com um tchau, ela preferiu fazer um ''chifrinho'' com a mão, e eu fiz o mesmo. Gostava daquela garota, não sabia explicar, mas eu gostava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.