Notas iniciais
Esse capítulo ficou bem grande, prometo que no próximo dou uma resumida. Tentem ler, porque ficou igual ao seriado. Espero que gostem, comentem por favor!! :)

Todas as manhãs eu fitava aquele teto, abria meus olhos e olhava somente para aquele velho teto. O barulho fastisioso do relógio contava os segundos em minha mente, até que realmente, o despertador anunciasse o tal maldito horário de levantar. Lá estava eu, colocando minhas roupas, vestindo uma calça muito máscula por sinal, encima do meu pequeno short, e uma blusa de mangas compridas xadrez por cima da minha larga regata branca. Nunca tive o tal hábito como a maioria das meninas da minha idade que moram em Bristol, de vestir roupas femininas e atraentes. Coloquei meus fones de ouvido em volta do pescoço, como sempre fazia e dei uma olhada no espelho antes de sair, tampando-o envergonhada de minha própria aparência. Peguei minha bolsa e desci as escadas. Lá estava um dos meus pais perguntando se eu estava pronta, e colocando os objetos da mudança na nossa nova casa. Desci mais alguns degraus e lá estava meu outro pai me dando o lanche. Sim, eu tenho dois pais. Sou adotada por um casal de homossexuais. Fui em direção a porta com uma cara nada agradável.


– Novo começo lembra? Apenas tente se entumar. — Os dois diziam na porta tentando me incentivar de alguma forma.



Fui andando pela calçada, torcendo para que tivesse um bom dia na droga da nova escola.



Quando parei na esquina coloquei minhas duas mãos uma ao lado da outra, e observei bem o mapa que tinha feito de caneta para que soubesse qual direção deveria tomar. Após andar algum caminho, parei num ponto de ônibus, onde tinha alguns garotos maldosos.



– Que merda é essa? É uma lésbica? — Tentei disfarçar lendo um livro.



Os garotos vieram em minha direção e pararam para me encarar frente à frente. Me disseram alguma coisa que não me importei em ouvir, até que jogaram meu livro no chão. Ao agachar para pegá-lo, empurrei propositalmente o garoto loiro maior que tentava ser um valentão ridiculo. Após ter sido humilhado pelos amigos, vi o tamanho do problema em que eu havia me metido e saí correndo. Os garotos foram atrás.



Não sabia qual caminho deveria tomar, e então avistei uma cadeira de rodas motorizada utilizada provavelmente por um idoso, encostada num canto da rua. Não pensei duas vezes antes de utilizar a tal cadeira motorizada como meio de fuga. Era rápida e iria me ajudar a pelo menos despistar aqueles garotos. Cruzei várias ruas e passei na frente de um caminhão, logo em seguida já estava entrando no pátio da escola, ainda sentada na cadeira.



–SAIAM DA FRENTE! — Eu dizia para todos os estudantes que apareciam no pátio, uma vez que não queria machucá-los.



Por pouco não atropelei uma garota loira e seu namorado, mas sim algumas bicicletas estacionadas num canto. Todos do campus riram de mim, principalmente a garota loira e seu grupo de amigos.



–Desculpa, eu realmente sinto muito, o freio não estava lá essas coisas. — Todos estavam me encarando naquele momento, eu estava totalmente constrangida.



Então naquele momento me dirigi para dentro da escola, certamente para falar com o homem responsável do local. Precisava dizer meu nome e sobrenome para que esse pudesse identificar a aluna novata. Ele me disse que minha primeira aula era de educação física, para minha infelicidade, além do mais não tinha uniforme algum para que eu pudesse praticar o esporte. Mas o homem tinha um maldito uniforme reserva, muito sujo por sinal.



Fui em direção ao vestiário para colocar a roupa, e no caminho dois garotos que o rosto me parecia familiar estavam me encarando, um ruivo e um de cabelo um pouco comprido com roupas de rockeiro. Eles estavam dirigindo o caminhão no momento em que eu passei na frente com a cadeira motorizada.Segui em frente e fui ao vestiário, onde todas as meninas me encararam e a loira que eu havia avistado no início da aula, ficou rindo das minhas roupas íntimas na minha frente. Pior momento da vida!!



Depois de me vestir, fui jogar hockey no gramado, e a loira não parava de dizer coisas ridiculas para mim. A loira estava dominando a pequena bola com o taco andando por todo o campo. Após todo mundo ver a demonstração de superioridade da garota, fui em direção a ela tentar tirar a bola do time dela com o meu taco. O que por sinal foi em vão, uma vez que tinha uma grande poça lamacenta na frente da menina e quando tentei puxar a bolinha com o taco, a loira tropeçou e caiu encima da lama. Oh céus, o que eu havia feito? Ela me puxou na lama junto a ela também e me ameaçou.



No almoço, os dois garotos do caminhão, vieram na minha mesa na qual eu estava apenas aproveitando a solidão. Perguntaram a mim qual era minha preocupação, e então falei da garota loira. Os garotos disseram que o nome dela era Mini. O ruivo se chamava Alo, e o rockeiro Rich. Eis então que naquele mesmo momento, aparece nada mais nada menos que Mini e seu grupo de garotas. Expulsaram os garotos dali e se sentaram na minha mesa, conversando de um jeito tão normal, que nem parecia que havíamos entrado num conflito há algumas horas antes.



–Sem ressentimentos, sou Mini — Dizia a garota se apresentando, e logo após pude ouvir um ''Sou Liv e eu sou Grace'' das outras meninas.



O mais inacreditável é que as garotas me convidaram para sair depois da escola, mas recusei imediatamente, não gostaria de andar com meninas que estavam me odiando do fundo do coração, há algum instante atrás. Porém não sei o que houve comigo, assim que acabou a aula, saí da escola, e vi o grupo das três garotas numa rua principal de Bristol. Resolvi falar com elas. Nós saímos depois disso e fomos a um shopping, onde me diverti com Grace e Liv, mas Mini parecia ter demonstrado algum ciúmes. Lá Mini me mostrou um vestido que parecia de alguma garota nada comportada, e me fez experimentar. Mini usava roupas bem femininas, o que não fazia parte de forma alguma, do meu padrão.



Depois de experimentar o vestido, Mini disse que daria uma festa no outro dia a noite e me convidou. Saímos do shopping e passamos em minha casa, onde elas se apresentaram ao meus pais. Num momento em que eu me descuidei, e saí da sala de estar, Mini vasculhou meu computador e conseguiu ver fotos de mim na minha antiga escola, sendo totalmente ridicularizada num perfil hackeado.



No dia seguinte na escola, todas minhas fotos estavam espalhadas em todo o corredor, onde os alunos riam e faziam piadas. Maldita Mini. Oh céus, eu estava tão envergonhada e aborrecida, por que minha vida era sempre assim?



Saí da escola e fui em direção a um lugar onde não havia ninguém, era disso que eu precisava, somente minha solidão e um cigarro para me consolar. Eu amava mais do que minha própria vida ficar sozinha. Quando um garoto estranho chegou.



–Saia por favor, quero ficar sozinha — Eu dizia em tom de choro



E o garoto não saiu, após eu repetir a frase no mínimo três vezes, o mesmo continuava insistindo. Ele chegou perto e disse que eu era linda, talvez isso tenha me consolado bastante. Tinha a impressão que ja tinha visto o tal garoto, seu nome era Matty talvez.



Pensei em tudo, decidi que iria naquela droga de festa, Grace havia me convencido. Quando cheguei a festa, Mini perguntou o que eu estava fazendo ali.



–Você me convidou Mini, então eu vim.



E ela imediatamente disse que estava desconvidando, era isso que eu queria, ferrar com essa festa totalmente, estava determinada a ficar. Apesar de todas as ofensas horríveis dela, eu continuei ali, e ainda respondi aos xingamentos.



–Vocês são incríveis, não merecem esse lugar — Disse a Grace e Liv.



Foi nesse momento então, que veio o choque, Mini disse que todas elas decidiram fazer a humilhação comigo na escola, e eu simplesmente não esperava que Grace e Liv também estavam nessa. Saí desconcertada da festa. Foi então, que Grace, Alo e Rich, me raptaram subitamente e me levaram no caminhão a algum lugar surpresa, pois não deixaram eu ver o destino. Era simplesmente uma piscina enorme dentro de um galpão. Todos nós bebemos bastante e entramos na água. Pelo menos eu pude esquecer da humilhação por algum momento.