Skia Project

3 Capítulo 2 -O campeão e O Choque


Notas iniciais
Bom, o que dizer sobre mim ,uma pessoa que promete postar o próximo capitulo na mesma semana que o primeiro e só aparece meses depois ? Sim,eu sou péssima,eu sei. Peço desculpa a quem ficou esperando(se tem alguém esperando).Ainda meio ocupada e desmotiva,mas essa semana ocorreu um evento que me incentivou e ca estou eu,postando o segundo capitulo. Enfim,espero que gostem. Recomendo a musica Hero ,de Regina Spektor e Afraid,do The neighbourhood,pra quem gosta de ouvir musica enquanto lê.Apenas uma indicação. É isso,boa leitura! P.S: Provavelmente estará com bastantes erros,embora eu tenha lido umas 3 vezes,mas sabe como é,é difícil olhar por outro angulo e meu beta sumiu hoje.

O coração de Heleanor batia tão rápido que ela podia ouvir. Sempre se considerou uma pessoa de estomago forte, afinal, já vira vários ferimentos, esmagamentos e coisas do gênero, no forte dos lenhadores. Porém, o estado atual de Tobias havia transportado-a a outra terra e fez com voltasse, desequilibrando — se. Seu pai estava jogado no chão, as roupas rasgadas, hematomas e feridas das mais variadas cores pelo corpo. Sangue saia de sua boca, enquanto o mesmo chorava e lutava para respirar. Estava sufocado.

Heleanor não costuma chamar Tobias de pai. Mas foi essa palavra, esse som agoniado e estridente, que saiu de boca ao ver o pai quase morto. É inevitável se conter, ou mesmo agir com racionalidade, quando vemos aqueles que amamos sofrer.

Tudo em seu corpo parecia estremecer. Já lhe corriam lagrimas pela face. Neste exato momento, ela sente uma mão tampando sua boca, em seguida a segurando firme com outro braço e a puxando. De súbito, sua primeira reação foi tentar gritar mais alto -o que foi extremamente inútil- e se balançar feito um gato maluco e escaldado, enquanto tentava encarar quem estava por trás daquilo. Nada disso adiantou claro. Heleanor Kinsllins era leve como uma pena, e seu agressor misterioso a levava mais afundo da floresta.

Seu choro de tristeza e insegurança se tornou em medo e desespero. ”Me solta!”, “Quem é você? Um sequestrador?”, “Porque está fazendo isso comigo?”, “Porque fez isso com meu pai?”. Esses pensamentos rodeavam em sua cabeça,quando, enfim, teve a brilhante idéia de morder a mão de seu suposto sequestrador.

O homem- bom, pela voz parecia ser um homem- uivou e praguejou-a. Heleanor rapidamente traçou sua rota de fuga e já tinha começado a correr, porém, ao encarar seu sequestrador, se deparou com Orlando.

–Nossa, precisava de tudo isso Heleanor? – Orlando fala baixo, quase num sussurro.

–Você está maluco? Por que fez isso? – Heleanor berrou, os olhos transbordando lagrimas. -Não podia dizer que era voc ... -Orlando põe a mão em sua boca, interrompendo — a e fazendo sinal para que falasse mais baixo.

–Xiu. Calma, por favor. Eu sei o que você acabou de passar, mas precisamos ficar quietos. -Orlando Del Mondo disse, em um tom preocupado, apreensivo e carinhoso, ainda com as mãos nos lábios da amiga. Seus olhos castanhos avermelhados a fitavam fixamente e a menina viu a sombra do medo nos olhos do amigo. –Os caras que fizeram isso com seu pai ainda estão aqui. Provavelmente estão indo para sua casa, procurando você para uma conversa... Não creio que seja amigável.

Heleanor ainda tremia, e seu choro recolhido lhe fazia soluçar. O amigo lhe abraçou forte. De primeiro, ela não lhe retribuiu, mas aos poucos foi abrindo seus braços e deixou-se reconfortar-se nos braços do amigo. Orlando suspirou:

–Minha mãe vai cuidar dele Hele,ele vai ficar bem,ok?

–Ele mal consegue respirar. -Heleanor respondeu, secando as lagrimas persistentes.

–Bom... Considerando a sura que ele levou, isso é normal... Ele vai ficar bem, você vai ver. –Ele secou outra lagrima que corria em sua face. — Eu prometo a você.

Heleanor assentiu, desacreditada na promessa do melhor amigo, e sentou-se no chão, aguardando o tempo necessário passar.Começou a refletir o que Michel faria.Seu irmão mais velho era muito amoroso,porém muito desconfiado.Ele observava a todos e tudo que fazia para todo mundo –menos para a família- era na filosofia: “A vida é troca” ou se preferir, “ É dando que se recebe.”Michel também acreditava em um ditado dos antigos,que dizia:“Mantenha os amigos pertos e os inimigos mais perto ainda”.Heleanor não sabia o que aquilo significava na época e não sabia-não sabe até hoje- da onde Michel tirava tantas referencias,porem descobriu com o tempo que seu irmão mais velho estava certo.

Ela observou Orlando enquanto picava pequenas plantas, se perguntando como o amigo sabia que ela estaria la.Será que ele participara de algo e só está ali para enganá-la,ou algo do gênero ? Não... Orlando não faria isso. Se existia uma pessoa –viva- em que a garota confiava, era ele e seu amigo sempre se mostrou muito leal.

– Acho que já podemos ir. -Orlando disse, despertando-a de seu longo devaneio. Ele a estendeu a mão e puxou a amiga, levantando-a. — Vamos até seu pai.

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Tobias gemeu todo o percurso. Balbuciou coisas que não faziam sentido, e em certo ponto da longa caminhada até a casa de Orlando, chamou pelo nome da mãe de Heleanor. Freya.Ha tempos a menina não escutava esse nome e, com isso, ativou, inconscientemente suas prematuras lembranças de infância.

Essas lembranças eram como leves pincelados em uma tela. Lembrou-se de uma tarde de verão em que o pai a jogava pra cima e a pegava. Ela pedia para o pai repetir, de novo e de novo, a cada vez em que ele executava essa ação. Sua mãe gargalhava graciosamente com tudo aquilo enquanto Michel fazia uma espécie de careta para aquela cena. Ciúmes, ela pensou.

Lembrou-se do Outono de outro ano, em que os três brincavam de corrida. Ela nas costas do pai e Michel como oponente da dupla pai e filha. Os dois arrancaram, rindo, e Heleanor se sacudia na corcunda do pai. Michel ganhou — até hoje ela não sabia ao certo se era porque Tobias deixou ou se isso já era a competitividade do irmão, já revelada na infância. — e ao chegar no ponto determinado como linha de chegada,se auto declarou com o melhor cavalheiro de Streinfool.Tobias fingiu estar triste com a vitoria do filho,fez uma careta de choro para Heleanor e a tirou das costas,em seguida.

–Parece que seu irmão ganhou a gente. -ele disse enquanto Michel fazia uma espécie de dança, deslizando para trás. -Eu não sei aonde esse garoto aprende essas coisas... Enfim, espero que não tenha ficado triste.

–Não papai, o senhor é o meu campeão. -Ela disse, o abraçando.

– E sempre serei. -Tobias diz, lhe respondendo seu abraço.

Heleanor sorriu com a singela, porém, no momento, sarcástica, lembrança. Seu pai não é seu cavalheiro desde que sua mãe morreu, e isso já faz muitas estações. Ele se esforçava, ao menos quando Michel estava vivo. Agora, depois dessa humilhação e de tudo que o pai já passará, ela se perguntava se ele iria, no mínimo, suportar a vida por ela.

Ele esta despedaçado. O Tobias, saudável e dos brilhantes olhos castanhos de sua memória, não existe mais.

Sandra, a mãe de Orlando, recebeu Heleanor e seu pai com estrema dedicação e gentileza. Nesse exato momento, ela limpava Tobias na mesa de jantar,com uma flanela com água morna.Heleanor,Orlando,Otto e Otavio –irmãos caçulas de seu amigo- estavam no quarto — onde todos da casa dormiam-,ouvindo os gemidos de Tobias.

Otavio, o mais novo, não tirava os olhos de Heleanor,enquanto a mesma tentava ignorá-lo ,observando a casa. A casa de seu melhor amigo conseguia ser pior do que a da mesma. Faltavam pedaços de lenha, portanto, era mais frio. Sem falar to detestável cheiro que exalava próximo dali. Heleanor pensa em tudo que a família Del Mondo passa, e, do mesmo jeito, continuam sendo pessoas gentis e bondosas. Sempre admirou Orlando por isso, mas nunca assumira.

Passos soam em direção ao quarto e as crianças ficam atentas.Era Sandra,limpando suas mãos em uma toalha,enquanto adentrava o local.

–Hele,querida,podemos conversar ? –ela diz apreensiva.

A garota se levanta estabanada e caminha para fora do quarto, em direção a mulher.

–O seu pai vai ficar bem,porém terá que ficar de repouso por alguns dias.-Sandra disse,ajeitando os cabelos bagunçados da menina,em seguida,lhe correndo delicadamente a mão pela bochecha.-Mas é importante que ele fique sem beber nesse período.Muito importante mesmo,minha cara.

–Sim, senhora... -ela já podia imaginar a dor de cabeça que isso iria lhe causar.

–E tem mais uma coisa... Eu adoraria ajudar você e seu pai até ele estar bom o suficiente, mas... -Sandra desvia o olhar, respira e continua – Raul acha que seu pai representa uma ameaça se permanecer aqui. Eu queria mesmo ajudar, mas não posso ir contra as ordens de meu marido.

Heleanor pisca os olhos em estado de choque, absorvendo as palavras proferidas pela alma mais bondosa que conhecerá em Streinfool.

–Entendo perfeitamente, senhora Del Mondo.

A mulher lhe da um beijo na testa, se virando em direção a bancada da cozinha logo depois. Ela pega uma sacola e entrega a Heleanor.

–Isso aqui vai ajudar seu pai. As plantas verdes escuras você deverá por na lenha para ferver e obrigá-lo a beber e a pasta amarelada e para passar nos ferimentos. -Ela estendeu os suprimentos à menina, que os pegou meio sem jeito. -Meu marido irá emprestar o carinho de mão a você para que possa levá-lo,você pode esperar aqui dentro se quiser enquanto colocamos ele no carinho...Sinto muito.

–Não sinta. Muito obrigada pela ajuda, senhora Del Mondo.

Heleanor saiu da casa, sem se despedir de Orlando, e aguardou Raul do lado de fora, pronta para partir. Já estava quase amanhecendo, e ela sabia que tinha um dia difícil pela frente.

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Orlando adormeceu,e logo assim que acordou,lembrou-se da amiga e de sua situação. Correu em direção à mesa de jantar, porém, ao chegar, não encontrou Tobias, nem Heleanor.

Em circunstâncias normais, ele já se preocupava com amiga, agora então, mais que nunca. Raramente via a amiga chorar, umas três vezes, no maximo.

Nunca a virá tão frágil e perdida quanto na noite anterior. Esperava encontrá-la na mesa, velando sobre seu pai, mas não encontrou nenhum dos dois. A confusão lhe chegou aos pensamentos antes dos ouvidos captarem o som da porta da frente da sua casa se abrindo.

Seu pai entrava em casa, as botas sujas de lama e poeira-Orlando,diferente de muitas pessoas,observa os sapatos de alguém assim que os vê.Os sapatos podem dizer muito sobre onde uma pessoa andou.

O cabelo curto grisalho que já começava a cair. A pele amarelada como a sua, porém, com grossas olheiras em baixo dos olhos. Desde que se entende por gente, Orlando via as olheiras nos olhos do pai. No entanto, elas pareciam mais grossas essa madrugada, e o olhar do mesmo, mais duro.

Raul olhou para o filho com seus duros olhos castanhos avermelhados e fechou a porta,retirando o casaco em seguida.

–Onde o senhor estava pai?- Orlando pergunta, tentando disfarçar o nervosismo em sua voz. -Onde está Heleanor e o pai?

Seu pai levou o casaco que estava na mão direita para a esquerda. Fez sinal para que se sentasse em uma cadeira e logo que Orlando se sentou, Raul se senta na cadeira da ponta, como um tradicional chefe de família.

–Filho... As coisas nunca foram fácies. Tanto agora, quanto como ha vinte anos ,como no tempo dos últimos antigos ou até mesmo antes deles.Algumas vezes na vida,um homem precisa fazer sacrifícios para proteger a si mesmo...-Raul fez uma pausa,fixando os olhos no do filho. –Ou proteger aqueles que amamos. Não existe desprazer pior do que falhar com um desses.

–Eu não entendo... O que isso tem a ver com a pergunta que lhe fiz? –Orlando diz um tanto revoltado. -Não seria mais fácil responder logo invés de ficar filosofando? Não sou mais criança.

–Você é. E sabe por que digo que é? Exatamente por essa postura que acabou de ter.-Raul responde,severo.-O que estou tentando te dizer,Orlando,é que as vezes temos que abrir mão de nossa bondade e honra para um bem maior.É o que eu e sua mãe fizemos,pensando em vocês ,nossos filhos.Pensando no bem estar da família.Os Kinsllins não podem ficar aqui conosco.Tobias representa ficar a mercê dos riscos...Não podemos ariscar.

–Tobias não nenhum ladrão. -Orlando rebateu o pai, levantando-se da cadeira. — Ele é apenas um bêbado e alem do mais, Heleanor não pode tomar conta dele sozinha. Mamãe pode ajudar, eu sei que pode. Porque vocês não fazem com eles o que fazem com toda porcaria dessa cidade?

–Ele é um devedor da coroa,Orlando.Sinto muito por sua amiga,sei que não tem culpa e é só uma desafortunada por carregar esse sobrenome infeliz,mas nós temos que cuidar do que é nosso.Cuidar de nos mesmos.E é exatamente isso que você vai fazer.

–Como assim? – Orlando pergunta,confuso e com receio.

–Você vai se afastar da garota Kinsllins.E se alguém de fora perguntar,você dirá que nunca se relacionou com ela ,nem com nenhum deles.

Notas finais
É isso ai,espero estar de volta com mais até semana que vem gh bgnhjhjjk espero mesmo... Bjs !
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.