Skater Boy
25 Eu ainda estou viva?
Notas iniciais
Dor. Agonia. Medo. Era isso que eu sentia. Eu estava tenho um sonho... Bem havia começado com um sonho, mas depois se transformou em um pesadelo, aqueles que você sonha que está caindo, morrendo e antes do impacto você acorda. Fui isso que aconteceu comigo. Só que quando abri os olhos tudo que vi foi uma claridade que feria meus olhos.
Senti um tubo no meu nariz, na minha veia e em diversos locais nada confortáveis, o soro, ao meu lado, pingava e escorria por outro tubo que entrava em meu braço... Como eu disse... Cheia de tubos. A minha visão estava se focalizando o máximo possível, mas como eu estava sem óculos ou lentes não via nada 100%.
Quatro vultos me rodeavam, eles não notaram que eu havia acordado e ainda conversavam baixo, consegui escutar algumas pequenas partes.
–Já faz um dia.... Quando ela vai acordar? –escutei uma voz de mulher, conhecia aquela foz, era muito familiar, mas o nome da dona, eu não me recordava, e então uma voz mais grossa e mais jovem interrompeu minhas tentativas de relembrar.
–Camile, ela precisa se recuperar, não importa o tempo que isso vá levar... –uma outra voz o interrompeu.
–Ela vai acordar? Isso é tudo minha culpa... Se eu não...
–Chega... Nem tudo é sua culpa! –disse a segunda voz novamente.
–Mas... Se eu não a tivesse levado lá... –insistiu a terceira voz.
–Chega... Ela acordou. –quatro cabeças apareceram no meu raio de visão, debruçados por cima de minha cama, vi uma cabeça com longos cabelos cacheados e loiros, Camile, Uma outra cabeça com cabelo loiro/arruivado, meu pai, uma outra cabeça com cabelo loiro, igual ao de Camile, e uma quarta e última cabeça com cabelos extremamente negros.
–Filha... Como você está se sentindo? –perguntou meu pai, passando a mão em meus cabelos. Ignorei sua pergunta.
–O que... O que, aconte... aconteceu? –minha voz parecia como a de um robô, rouca, e enferrujada, como se eu não falasse a quase uma semana, mas de acordo com eles, eu só estava desacordada a um dia.... Um dia?
–Você caiu... Escorregou e rolou penhasco abaixo, e bateu em uma arvore... está aqui a quase dois dias. –respondeu meu pai, sua voz agora estava fraca porém mais calma, ele suspirou.
–Gabriel? Pode ficar com ela um pouco? Camile e eu temos que ir para casa, tomar um banho, quando voltarmos você vai. Tudo bem? –disse ele e Gabriel confirmou com um aceno de cabeça. Meu pai me deu um beijo e Camile afagou meu cabelo e eles saíram. Gabriel deu a volta na minha cama, e ficou do outro lado, Enzo de um e ele de outro.
–Você está bem? –perguntou calmamente, concordei fracamente com a cabeça, eu estava com muita dor, e parecia que havia caído de um penhasco... Ah, espera, eu caí... Mas estava viva, no final das contas... Estava viva.
–Eu vou deixar a sós um pouco, já volto. –disse e seguiu para a porta. Enzo suspirou e olhou para mim.
–Estamos aqui novamente... –comentou ele, e era verdade, lembrei de quando nós estávamos no hospital, só que com os papeis invertidos.
–Só. Só em... Em lugares... Diferentes. –disse eu, falar estava muito difícil, e eu me cansava muito rapidamente. Isso era normal? Obvio que não.
–Schhh... Não fale, descanse. –disse ele e segurou a minha mão fortemente.
–você está horrível. –completou ele com um sorrisinho bobo. Tentei sorrir, mas acho que o que saiu foi uma careta de dor. Tentei falar, mas minha cabeça acabou tombando e eu apaguei.
***
Acordei novamente com uma enfermeira retirando os tubos de oxigênio de meu nariz, ainda bem, eles faziam cócegas. Meu pai e Gabriel estavam sentados nas cadeiras ao lado da minha cama, tentei me arrumar, para sentar, mas a dor invadiu meu corpo todo e gemi, em frustação. Meu pai e Gabriel vieram, um de cada lado da minha cama, e me ajudaram a me sentar.
Havia uma bandeja em cima da minha cama, com uma sopa e gelatina, essa não... Comida de hospital. Não!! Sentei com muita dificuldade e meu pai tentou me fazer comer.
–Não... comida de hospital, não! –eu devia estar parecendo uma criancinha, escutei a enfermeira que havia retirado meus tubos rir, sim, eu estava parecendo uma criancinha.
–Você precisa... Quer sair logo daqui? –ele nem precisou falar isso duas vezes, era obvio que eu queria sair, faltava uma semana para o baile e a formatura, e eu aqui no hospital, eu deveria estar fazendo compras com Anne, mesmo que eu odeie fazer comprar, mas... Era isso que eu deveria estar fazendo, e não estar aqui nesse hospital deprimente.
–Quando vou receber alta? – perguntei para a enfermeira antes dela sair.
–Desculpe, só o médico pode falar isso. –disse ela e sai, dois minutos depois o médico entrou pela porta com uma prancheta na mão. Ele era bem jovem, no máximo 28 anos, cabelos pretos e grandes olhos azuis, era bonito.
–Olá, senhorita... –ele consultou a minha fixa. –Mteus. Belo nome. Bom, como se sente? –perguntou, ele estava alegre, e isso me fez sentir com raiva, como alguém pode estar feliz enquanto eu estava aqui morrendo? Tudo bem... Acho que sou um pouco dramática as vezes.
–Corta o papo furado... Quando vou ter alta?
–Katherine! –repreendeu meu pai. –Desculpa doutor.
–Tudo bem... Vamos ver, eu vou te examinar e já te digo quando você pode sair, tudo bem? –concordei com a cabeça.
Ele fez eu respirar e inspirar várias vezes, escutou meu coração e fez outras diversas coisas diversas vezes, até que ele finalmente parou e escreveu alguma coisa na minha fixa.
–E então...? –perguntei impaciente.
–Katherine! –meu pai me repreendeu novamente e o médico riu.
–Okay mocinha, como você está muito impaciente, amanhã de manhã você já pode ir embora.
–Graças a Deus!
–Katherine! –Meu pai me repreendeu novamente.
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