Sk8er Boy
15 Óculos
Notas iniciais
Ao ouvir Elliott dizendo que me amava, ainda mais depois de termos transado, não acreditei em um primeiro momento. Mas ao olhar em seus olhos visualizei tanta paixão que seria injusto duvidar de seu amor. Era recíproco de minha parte, ainda que eu talvez não estivesse me sentindo pronto para admitir isso.
— Desde que te conheci, tentei não me apaixonar, mas foi tão difícil, Shake. – Sorri. Amava quando ele me chamava assim. – E eu só consigo pensar em te ter todos os dias.
— Eu também penso nisso, Elli. – Acabei sorrindo mais ainda. – Você só me pegou de surpresa.
— E te peguei de jeito também. – Escondi o rosto em seu peito, rindo sem parar. – Você ficou vermelhinho. Por isso que eu te amo.
— Elli... – Encarei-o. – Também amo você.
Seus olhos demonstravam certa surpresa, pois no mínimo ele não esperava que eu fosse dizer a ele que também o amava. No entanto, eu achava injusto esconder dele um sentimento como esse, ainda mais tendo em vista que ele deveria ser o primeiro a descobrir o que eu sentia.
E foi incrível, pois me senti muito mais leve após dizer aquelas poucas e tão significativas palavrinhas.
Elliott me puxou para tomarmos um banho e eu permanecia tímido. Não parecia que eu tinha feito tudo o que fiz com ele, nem que eu tinha literalmente me entregado a ele por completo. Óbvio que eu não me arrependia, mas isso não mudava o fato de que eu sou uma pessoa tímida e que vive envergonhada.
— Continuo te achando lindíssimo de bochechas vermelhas. – Elliott me disse, aumentando aquela maldita vergonha que tanto me assombrava.
Escondi meu rosto em seu peito, não aguentando a vontade e o beijando naquela região, subindo minha boca lentamente até seu pescoço e então o puxando para beijá-lo na boca. Seus olhos encontraram os meus durante o beijo e em seguida eu mantinha meus olhos fechados.
Quando separamos nossos lábios, permanecemos nos contemplando com o olhar, com as testas coladas e sorrisos brilhando em nossas bocas.
— Eu já disse que seus olhos são lindos?
— Muitas vezes. – Ri de uma forma extremamente envergonhada. – Eu já disse eu você é lindo?
— Will... – Ele quebrou nosso contato visual e eu apenas murmurei em concordância ao seu chamado. – Eu te machuquei? Eu me segurei muito para não ir rápido demais, é que eu sou meio bruto de vez em quando, entende?
— Ah, doeu um pouquinho. – Não consegui olhar em seus olhos para dizer aquilo. A vergonha que me atingiu simplesmente me deixou imóvel. – Mas ao mesmo tempo foi bom.
— Foi gostoso? – Por que ele precisava ter essa necessidade de querer saber tudo nos mínimos detalhes?
— S-sim...
— Quer fazer de novo?
— A-agora? – Ele sempre vai ter esse mesmo efeito sobre mim?
Será que sempre que falarmos sobre sexo irei agir desse jeito? Será que sempre que formos transar eu vou ficar envergonhado assim? Porque eu não faço de propósito, não queria ficar assim, queria mostrar a ele que a confiança que sinto perante ele é mais importante do que qualquer insegurança.
Mas como demonstrar isso? Eu não sei como mudar, não sei como agir diferente. Talvez um pouco de atitude seja o que precisamos.
Só sei dizer que, ainda nessa noite, fizemos amor novamente. Prefiro dizer que fizemos amor do que dizer que transamos, porque por algum motivo isso soa mais bonito ao dizer.
Na semana seguinte eu prometi que iria na ótica com Elliott, mas quando cheguei em gente de sua casa e o vi sentado sobre seu skate, senti vontade de ir embora.
— Se essa coisa for junto, pode esquecer da minha companhia. – Ele apenas riu e levantou, me beijando e subindo sobre o skate. – Elliott Lincoln, pode guardar esse troço.
— Will, para de bobagem. – Pediu-me, mas esqueceu do quão teimoso eu consigo ser quando quero. – Você nunca caiu de bicicleta? Parou de andar por se machucar? Você já até me mostrou que tem uma cicatriz de um tombo e ainda hoje anda de bike, então para com isso.
— Eu caí e isso me deixou uma cicatriz, eu não quase morri. – Rebati para ele, que revirou os olhos, desceu do skate e me abraçou. – Não tenta me convencer com um... abraço... – Não consegui completar minha frase, não quando senti seus lábios no meu pescoço e suas mãos apertando minha cintura.
— Se houver perigo, eu largo o skate. Vou andar na beirada da rua ou nas calçadas e vou te ouvir. Vou estar atentamente. – Ele pareceu parar para pensar e me encarou confuso. – Isso ‘tá certo?
— Quase. – Acabei sorrindo. – Você vai ficar ‘atento’.
— Isso aí mesmo. Que bom que tenho você para me corrigir. – E desatou a rir loucamente, me fazendo também rir.
O clima era sempre leve ao lado dele e isso era o que mais me agradava por ter sua companhia.
Fomos andando – eu fui andando e ele no skate – até a ótica onde ele tinha feito os seus óculos. Enquanto o meu tinha armação quadrada nas cores preta e branca, os de Elliott eram no estilo aviador e a armação era toda preta. Era a cara dele, isso eu definitivamente não podia negar.
Ao sairmos do local, ele colocou seus óculos e exclamou um “wow!”.
— Que foi? – Perguntei rindo, finalmente o observando com as lentes no rosto. – Você ficou muito... sexy... com esses óculos.
— Entrei em uma nova dimensão colocando esse negócio. – Seu tom era de brincadeira, me levando a rir. – Agora enxergo até a sua alma, Willzinho.
— Ah, não está mesmo botando meu apelido no diminutivo, não é? – Questionei sorridente e ele apenas assentiu, me puxando para mais perto. – Eu também sinto que entro em outra dimensão quando boto os óculos. Mas você vai se acostumar com o botar e tirar dele.
— ‘Tô sim botando em diminuído. – Seu jeito era único, definitivamente. – Falei errado de novo, não é?
— É... diminutivo, amor. – Corrigi-o amigavelmente e ele assentiu. – Não se preocupe, eu não me importo com isso.
— Vou precisar de muita ajuda para as provas finais. Você me ajuda? – Assenti, confirmando que o ajudaria. – ESPERA AÍ! – O encarei assustado com seu grito. – Você me chamou de “amor”.
— Ah, isso. – Sorri envergonhado. – Foi automático. Nem percebi.
— Mas eu percebi. E gostei muito. – Me puxou novamente para mais perto e me beijou. – Tu é o meu amorzão, sabia?
— E você é o meu.
De repente, meu celular começou a tocar, era o número da minha mãe, então prontamente atendi.
— Oi, mãe. – Disse tranquilo.
— Fala, sogra. – Quase estapeei meu namorado quando ele se meteu no telefone.
— Você é William Sebastian Mackenzie? – Gelei. Aquela voz não era a da minha mãe.
— Sou sim, por quê? O que aconteceu? Cadê a minha mãe? – Já estava desesperado e isso acabou alarmando Elliott também.
— Por favor, não se apavore, mas seus pais sofreram um acidente de carro e eles estão internados em estado grave no hospital do centro de Orlando. – Então era um médico que estava falando comigo? – Posso deixar seu nome na lista de visitas?
— S-sim...
— Certo. Quando chegar, por favor, peça para procurarem por mim. Meu nome é Anthony Nicolau. Tudo bem?
— S-sim, já estou indo...
Meu celular caiu no chão, assim como o meu corpo. Senti os braços de Elliott em minha volta, mas era como se minha visão tivesse ficado nublada e eu não fosse mais capaz de enxergar. Até ouvir era difícil. Não entendia o que estava acontecendo, não conseguia respirar direito.
Se eles chegassem a partir, era certo que eu iria junto.
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