Sixteen
24 Filha - capítulo 24
Notas iniciais
E um obrigada especial a Melinda Parish, que recomendou a história, obg linda ♥
Os dedos dele batiam constantemente no braço do sofá. Don remexia na mochila todo o tempo, esperando conseguir falar com ela uma última vez – pois as esperanças já eram quase nulas. Fin e Munch estavam conversando com o médico que a atendera quando chegaram, mas o moço não sabia explicar-lhes o estado dela naquele momento, e, por mais que quisesse, não podia. Mesmo que fossem os amigos mais chegados, ainda existia o sigilo médico-paciente, e, além do mais, ele não sabia o que acontecera com ela. O médico na frente do caso dela ainda não lhe contatara.
Quando pediram para que os meninos esvaziassem o quarto, Elliot negou repetidas vezes, dizendo-lhes que ele tinha o direito de estar ali, bem como tinha o direito de vê-la. Mas mesmo assim, eles o tiraram dali, juntamente com Don, sendo atirados na sala de espera. Elliot, estressado, socou a primeira pilastra à vista, destruindo ainda mais os nós dos dedos.
Fin segurou-o pelos ombros, acalmando-o com palavras confortantes. Elliot fungou, e, quando se deu por si, já estava abraçando o colega, chorando como um bebê. Elliot ouviu a voz da mãe de Olivia, discutindo com um dos seguranças. Levantou a cabeça e correu até ela, explicando ao policial que estavam todos juntos. O moço desconfiou, mas deixou Serena passar, juntamente com os pais de Elliot e com a irmãzinha dele, que ele puxou para si, levantando-a no ar, abraçando-a com toda a força que tinha.
– Você está bem? – ela perguntou, abraçando-o com toda a força que tinha no corpinho pequeno e magricela.
Elliot sentiu as lágrimas mornas transbordarem de seus olhos, assentindo, enquanto beijava as bochechas gorduchas da irmã. Logo, seus pais já estavam abraçando-o também, murmurando coisas sobre como estavam preocupados com ele, sobre como ele não tinha culpa ou coisas do tipo. Serena apoiou-se numa pilastra, amaldiçoando-se desde o dia em que bebera demais e não se tocara que Olivia não havia voltado para casa. Sentindo as lágrimas mornas quase transbordando de seus olhos, ela fechou os olhos com força, abraçando a si mesma.
Um médico chegou à recepção, olhando uma ficha apoiada em sua prancheta. Serena abriu os olhos, pondo-se de pé eretamente. Pelo menos uma vez na vida de sua filha, teria de fazer alguma coisa certa.
– Família Benson? – ele chamou.
Todos se apressaram ao redor do médico, mas ele perguntou quem era, realmente, da família. E foi aí que Serena se mostrou para ele. Ele explicou que, durante a primeira cirurgia, alguns médicos não haviam tirado toda a quantidade de toxina que havia no corpo da menina, e, por isso, ela teve que se submeter à outra cirurgia, e que, desta vez, haviam tirado toda a toxina, mas que a manteriam sob observação, só por precaução.
– Sim, obrigada, doutor. Mas, ela já pode receber visitas? – perguntou ela, estalando os dedos.
– Sim, ela está no quarto 6340, mas somente duas pessoas podem entrar a cada vez. – ele disse, voltando a caminhar pelos corredores.
°°
Toda a multidão encaminhava-se pelos corredores, procurando ansiosamente pelo quarto 6340, com os olhos apurados. Já haviam combinado a ordem. Primeiro iriam Fin e Munch, depois, Don e Elliot, depois, Bernardette, Joe e Cynthia. E, por último, Serena. Ela havia concordado com aquilo.
Fin e Munch sorriram para os outros, abrindo a porta do quarto dela. Olivia levantou a cabeça do travesseiro, sorrindo. Fin sorriu para ela, segurando uma de suas mãos. Munch fez o mesmo, o que fez com que ela sorrisse para cada um de uma vez.
– Como você está, Liv? – eles perguntaram, juntos.
– Minha cabeça lateja, e pelo menos agora posso falar. – ela sorriu – Apesar de saber que a minha voz está estranha.
Eles riram. Olivia deitou a cabeça no travesseiro, vendo como eles levantaram-se lentamente, soltando suas mãos.
– Aonde vão? – ela perguntou.
– Precisamos ir, tem mais gente querendo vir... – eles sorriram juntos.
Fin deu-lhe um beijo na testa, seguido por um na bochecha. Munch fez o mesmo, mas, no fim de tudo, dando-lhe um beijo nas mãos. Depois de irem, Olivia ainda recebeu a visita dos pais e da irmãzinha de Elliot, e, depois, do próprio Elliot.
– Oi... – ele sorriu, fechando a porta.
Olivia pôs-se numa posição mais apresentável para que ele pudesse vê-la direito. Beijou-lhe levemente os lábios, acariciando o rosto dela. Ela segurou no rosto dele, encostando suas testas, sorrindo para ele.
– Já pode falar? – ele perguntou, sorrindo para ela.
– Sim, apesar de achá-la estranha por agora. – ela sorriu.
°°
Já havia passado bastante tempo ao lado dela, até que Serena abriu a porta, pedindo-lhes licença. Olivia sorriu para a mãe, um pouco envergonhada quando Elliot depositou um beijo em suas bochechas, saindo do quarto para deixá-las a sós.
– Como você se sente, Olivia? – ela perguntou, acariciando o rosto machucado da filha.
– Me sinto como se um caminhão tivesse me atropelado, e depois eu tivesse sido jogada contra uma parede. – ela sussurrou – Me sinto quebrada...
Serena sorriu para a filha, acariciando os cabelos dela. Não se lembravam da última vez em que haviam tido um momento daqueles. Provavelmente, havia mais de dez anos. Olivia sorriu, olhando diretamente para a mãe.
– O que é aquele bilhete em cima da cômoda, Olivia? – Serena indagou, pondo-se de pé.
– Não sei. Ninguém quis pegá-lo para mim. – ela bufou – Você pode pegar?
Serena sorriu, assentindo. Pegou o papelzinho azulado dobrado em quatro, entregando-o nas mãos da menina, que tinha os olhos inchados por conta dos medicamentos. Ela se sentou no sofá de visitas, observando com afinco enquanto a filha abria o papel, enquanto ela o lia, e quando sua expressão facial ficou extremamente assustada e quando ela largou o papel. Espasmos tomaram conta do corpo dela, enquanto lágrimas escorriam pelo rosto cortado. Serena se pôs de pé rapidamente, pegando o papel com suas mãos, examinando a escrita corrida, examinando cada palavra como se suas vidas dependessem daquilo.
“Filha, espero que esteja se recuperando bem.
Como vai sua mãe? Como vai você?
Em breve, entrarei em contato.”
Serena largou o papel, assustada demais para falar qualquer coisa. Olivia olhou para ela com um olhar perdido, desesperado. O abraço que deram foi mais que o suficiente, há anos não conseguiam ter um momento tão feliz juntas, e, agora, vinha ele e destruía!
Olivia pediu a ela que fosse chamar Elliot, que os dois podiam ficar ali dentro, e foi o que ela fez. Em segundos, estavam os três abraçados. Serena pediu a Elliot que chamasse seu pai, e ele o fez, mesmo sem saber o porquê.
Tanto Olivia quanto Serena sabiam que, de agora em diante, precisariam de proteção, mesmo que isto significasse sair de New York.
Notas finais
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