Sistermatics
3 Bolsas, botas e batons
Notas iniciais
Annika e Edgar ficaram se encarando por mais alguns segundos. É impressionante como algumas coincidências na vida são extremamente bizarras. Para sua surpresa, Edgar pigarreou e estendeu a mão para ela.
— É um prazer conhecê-la, Annika. — Disse.
Annika hesitou. Não sabia o que fazer. Ela pensou em contar a verdade para Helia, que o noivo da mãe havia dado em cima dela na noite anterior. E se ele fizesse isso com mais garotas? Ela não suportava a ideia de sua mãe estar sendo traída. Por outro lado, Annika havia acabado de chegar em sua nova casa, entrando na vida deles. Ela era a intrusa naquele lugar; não Edgar. Não podia ir simplesmente chegando do nada e desestruturando aquela família.
Então, ela simplesmente estendeu a mão e apertou a de seu futuro padrasto.
— O prazer é meu. — Logo depois, voltou a se sentar enquanto um empregado servia o almoço de Edgar.
Britney continuava quieta, olhando para todo lugar exceto o rosto de Annika. Ela havia notado a hesitação da irmã, mas talvez fosse só o choque por descobrir que Helia estava se casando novamente.
— Annika, conte para nós como era a vida em Twinbrook. — Helia disse, olhando para a filha enquanto acabava de mastigar um pedaço de brócolis. — Tanto tempo afastada, precisamos saber mais sobre você, já que irá viver conosco de agora para frente.
Annika olhou para Britney e Edgar. Britney havia tirado seu iPhone do bolso e agora estava digitando alguma coisa nele. Edgar olhava diretamente para a cozinha, fingindo estar interessado com o que os empregados estavam fazendo. Ambos não pareciam muito interessados em saber como havia sido sua vida até chegar aqui. Mas não podia dizer não à mãe, que realmente parecia querer saber um pouco mais sobre a filha.
— Bom... — Ela começou. — Era uma vida... Comum. Como a de qualquer garota que morasse em Twinbrook.
— Depois preciso que me dê o número da sua antiga escola, preciso fechar sua matrícula lá e matricular você na escola da Britney, Smuggsworth.
— Escola Preparatória Smuggsworth. — Britney corrigiu, e depois se voltou para Annika. — É muito mais que uma escola, é um local que prepara você para ter sucesso no mercado de trabalho futuramente. Lá temos aulas de todo tipo, e as matérias são muito avançadas. Nem todos conseguem sobreviver.
— Tudo bem. Eu adoro um desafio! — Annika deu um breve sorriso. Britney a encarou, erguendo as sobrancelhas como se dissesse "É o que vamos ver", e logo depois voltou sua atenção para a tela de seu iPhone.
— Que bom que pensa assim, querida! — Helia sorriu amigavelmente. — Britney sempre teve notas exemplares, está entre as melhores da classe.
— "Entre as melhores" não, mãe. "A" melhor da sala. — Gabou-se Britney, corrigindo Helia novamente. — Sou a número um. Ano passado ganhei uma competição de conhecimento contra a escola Le Fromage, e eles eram invencíveis até então. — Ela lançou um olhar de superioridade para a irmã.
Annika tentou não se intimidar.
— Uau, impressionante. Você deve estudar muito!
— Pra falar a verdade, não. — Britney disse, ainda com o sorriso superior estampado em seu rosto. Annika percebeu que ela usava aparelho. — Além da escola, tenho alguns cursos particulares e também trabalho. Então não me sobra muito tempo. Por sorte, a minha inteligência é natural e eu também presto atenção em todas as aulas, o que facilita muito na hora das provas.
— Você trabalha? — Annika franziu as sobrancelhas, como se não tivesse escutado nada depois de “e também trabalho” . Britney era rica, por que precisaria trabalhar?
Britney deu uma risadinha esnobe.
— Eu sou modelo na agência Boulevard. Você é nova aqui, não deve conhecer.
— Pelo contrário, estive lá ontem mesmo. — Annika disse, um pouco orgulhosa por já conhecer algo sobre a nova cidade. Ela ouviu Edgar tossir. — Conheci Ivan McKinley, ele foi muito gentil. E perguntou se eu era filha de Helia, disse que nós duas éramos muito parecidas.
Britney deu uma risada que pareceu ligeiramente maldosa.
— Parece que ele precisa usar óculos.
— Disso eu não tenho dúvidas! — Annika riu também, mas Britney parou na mesma hora. Houve um pequeno silêncio, e então Britney se virou para Helia e disse:
— Mãe, pode me dar uma carona até a agência quando você voltar para o trabalho? Tenho uma prova de roupas hoje para o desfile do sábado que vem.
— Achei que não fosse participar de nenhum desfile até tirar o aparelho. — Helia disse.
Britney revirou os olhos, como se odiasse que Helia estivesse dizendo aquilo em voz alta.
— E não vou. — Ela disse. — Mas eu e a Helena Meyer temos as mesmas medidas e ela está viajando, então não pode experimentar as roupas. Por isso Daniel pediu que eu fosse.
— Daniel? — Annika perguntou.
Britney revirou os olhos.
— Daniel Harper é um dos donos da agência. Assim como Robert Hamilton, Cristina Angelue, Tracey McKinley, e Ivan McKinley, que você disse ter conhecido ontem.
— Não sabia que Ivan era casado. — Annika observou. Talvez passar a noite no apartamento de um homem casado não seria uma má ideia. E, por receio, ela acabou dormindo no quiosque de uma praia. "Maldita desconfiança", Annika pensou.
— Não é. Os dois são irmãos. — Britney fez uma pausa e depois riu de forma irônica. — Ivan, casado? Por favor! Que idiota iria querê-lo?
— Ele parece ser uma boa pessoa...
— Certo. — Britney revirou os olhos mais uma vez enquanto cessava a risada. — Case-se com ele, então.
Annika apenas revirou os olhos, não respondeu. Aquilo não precisava de uma resposta.
— E então mãe, você pode me dar uma carona? — Britney perguntou para Helia, que só observava tudo.
— Claro. — Helia respondeu, acabando de comer e limpando a boca com um guardanapo. — Tenho que passar por lá de qualquer jeito para ter uma conversa com Cristina sobre a matéria que estou fazendo da Boulevard. — Ela olhou para o relógio de cristal pendurado em cima do arco que levava para a cozinha. — Temos 30 minutos, vá se arrumar.
Ela se levantou da mesa juntamente á Britney. Antes de deixar a sala de jantar, perguntou:
— Annika, você gostaria de ir também? Assim não fica entediada em casa.
Britney parou de andar e olhou para Annika com os olhos arregalados. Como?
— Seria legal. — Annika disse. Ela não sabia se Edgar iria voltar para o trabalho na mesma hora, ou se ficaria em casa por mais um tempo. Caso a segunda opção fosse a correta, Annika certamente não queria estar lá com ele.
Helia sorriu.
— Tem uma escova de dentes reserva no meu banheiro. Sua roupa está linda assim. Norman fez uma ótima escolha, então não precisa se preocupar em trocá-la. Depois, quando eu sair do trabalho, vamos ao shopping comprar umas roupas novas para você. E, é claro, seu uniforme. Vou pedir sua transferência hoje mesmo, anote o número no meu iPhone que farei as ligações necessárias mais tarde. — Helia retirou um iPhone 7 do bolso de seu terninho e jogou-o para Annika, que o pegou na mesma hora. Era assustador que Helia não tivesse medo do iPhone cair e se quebrar.
Annika olhou para Edgar mais uma vez, que ainda terminava seu almoço, mas estava olhando para ela. Havia uma expressão nervosa e tensa em seu olhar. Ela sabia que teria que ter uma conversa com ele mais cedo ou mais tarde. E, francamente: quanto mais tarde, melhor.
Helia levou-a até seu banheiro e indicou a escova de dentes.
— Ainda não foi usada nenhuma vez, não se preocupe. — Garantiu.
Depois de escovar os dentes, Annika desceu a escada que levava á sala de estar e passou pela porta da frente, onde Helia esperava dentro do carro. Alguns segundos depois, Britney apareceu. Ela estava deslumbrante em uma camisa branca, levemente transparente e com bolinhas pretas, juntamente a um short curto e preto. Ela usava óculos escuros e sapatos pretos da Gucci e uma bolsa azul da Prada. De longe, parecia uma celebridade.
Annika abriu a porta do banco de trás do carro, ela não iria sentar-se na frente no lugar da irmã. Porém, Britney a impediu.
— Não se incomode. Eu não gosto de andar no banco da frente.
Annika deu de ombros e sentou-se no banco do passageiro na frente, enquanto Britney foi para o banco de trás, retirando o iPhone de sua bolsa e começando a digitar uma mensagem. Annika pegou o iPhone de Helia e digitou o número de sua antiga escola, e depois devolveu a ela. Helia agradeceu e ligou o rádio, estava tocando uma música que Annika não conhecia — apesar de que a voz se parecia com a de Beyoncé. Quebrando o silêncio, Annika se virou para o banco de trás.
— Por que você usa aparelho? — Ela perguntou para Britney. — Seus dentes parecem ótimos.
— Cristina disse que eu vou participar do catálogo de verão da Dolce & Gabanna daqui a três meses e ela quer que eu esteja perfeita. Percebeu uma falha nos meus dentes da frente e disse que eu teria que usar aparelho até lá. — Britney respondeu, não tirando os olhos da tela de seu iPhone. — Mas vai ser por pouco tempo e é por uma boa causa.
— Legal... — Annika respondeu, sem saber bem o que dizer. Britney aparentava ser o que podia-se chamar de "marionete da mídia": fazia mil e um sacrifícios para agradar os outros com sua aparência, mesmo que soubesse o quanto ela já era perfeita.
Britney não respondeu, apenas continuou a digitar. Annika se perguntava com quem Britney tanto falava.
Minutos depois, Helia estacionou o carro em frente á sede da agência Boulevard. As três desceram e entraram no saguão, indo até a mesa da recepcionista. Daniel Harper e Ivan McKinley conversavam com ela.
— Boa tarde, cavalheiros! — Helia cumprimentou-os.
— Helia, bom vê-la novamente! Acabamos de receber uma coleção incrível da Kate Spade para a matéria na Monopoly Magazine. São bolsas, botas, batons... As garotas ficarão incríveis! — Daniel disse, e se virou para Britney. — Prova de roupas, não é?
— Sim. — Britney respondeu.
— Estúdio 4, Natasha está esperando por você.
Britney se despediu da mãe e apenas acenou para Annika, e depois subiu as escadas para ir a seu destino.
Daniel olhou para Annika.
— E quem é ela?
— É Annika, filha da Helia. — Ivan respondeu e se voltou para Annika, sorrindo. — Fico feliz por ter conseguido encontrar sua mãe.
— Não foi nada fácil. — Annika riu discretamente, lembrando-se de tudo o que havia acontecido para que pudesse estar junto de sua mãe novamente. — Obrigada.
Como Annika já esperava — e agora ela nem estranhava mais -, Daniel olhou-a de cima a baixo, analisando seu perfil. De fato, ela era esbelta, razoavelmente alta e, principalmente, linda como a irmã.
— E então, podemos conversar sobre a matéria? — Helia disse, mudando de assunto.
— Discutiremos isso daqui a pouco, acabei de ter uma ideia fantástica! — Daniel exclamou. — Annika, você já pensou na possibilidade de se tornar modelo?
~
Depois de sair do curso de inglês avançado, Britney ligou para Edgar e pediu para que ele a levasse em casa. Helia provavelmente estaria muito ocupada se divertindo no shopping fazendo compras com Annika.
Depois que ela havia acabado a prova de roupas, teve que aguentar Helia e Annika rindo e conversando o tempo todo sobre como seria ótimo agora que Annika também trabalharia na Boulevard. Como Daniel Harper disse, a ideia de ter gêmeas fotografando e desfilando juntas era simplesmente o máximo, e sempre atraía o público com aquela frase de "Se um já é bom, imagina dois?". Mas a agência já tinha Bianca e Beatriz, duas garotas super lindas e que também eram gêmeas. Então, por que precisariam de Annika? Britney não era boa o suficiente para brilhar sem precisar de uma irmã? Ela não traria fãs para a Boulevard se estivesse sozinha? Pelo visto, do ponto de vista deles, a resposta era não.
O caminho todo para casa foi um completo silêncio — o que era estranho, pois Edgar e Britney conversavam muito e se deram bem desde o dia em que Helia o apresentou para Britney como "seu noivo e futuro padrasto da filha". Edgar era amigável, prestativo, não se importava de buscar Britney nos lugares quando a mãe estava ocupada, amava Helia e agia como um verdadeiro pai. Ao contrário de seu pai biológico, Marlon, que, desde o divórcio com Helia, nem se importou em ligar para Britney, ou mandar alguma notícia, agindo como se ela não existisse e voltando sua atenção totalmente para Annika. A doce e perfeitinha Annika Hanover.
Ao chegar em casa, bateu a porta do táxi de Edgar e nem se preocupou em se despedir ou agradecer a carona, como normalmente fazia. Ela entrou em casa com passos violentos, martelando o chão com vontade e não escondendo a raiva que estava sentindo por seu lugar estar sendo ameaçado.
— Boa noite, senhorita Britney! — Uma das faxineiras, Marilyn, a cumprimentou, como sempre fazia. Normalmente, Britney não dava papo para seus empregados, mas com Marilyn era diferente. Ela fazia as unhas de Britney quando sua manicure estava com os horários lotados, enquanto fofocavam e assistiam filmes juntas. Também era um ombro amigo quando Britney precisava desabafar, e a ajudava a estudar para as provas. Britney havia dito a Annika que ela mal precisava estudar, mas não era verdade. De fato, suas notas eram as mais altas da classe, mas ela as conseguia com muito esforço. Sempre estudava nas horas vagas e chegava a cancelar todos os cursos da tarde no dia anterior a uma prova importante, apesar de fazer questão que todos pensassem que ela mal tocava nos livros, e que sua inteligência era algo natural. Nem a própria mãe sabia a verdade, pois estava sempre muito ocupada com o trabalho o dia inteiro, e chegar tarde em casa era algo comum. Annika devia ser muito especial para fazer Helia cancelar todos os seus compromissos na Monopoly Magazine á noite e ir às compras com ela — coisa que Britney nunca conseguira.
Ela nem se deu ao trabalho de responder Marilyn, apesar de que sabia que a moça estranharia seu comportamento e depois a procuraria, preocupada, pedindo uma explicação. Mas Britney sabia que Marilyn, sem sombra de dúvidas, defenderia sua irmã. Diria que Annika não fez nada de mal para ser odiada de tal maneira, e viria com aquele discursinho patético sobre "Annika é nova e você deveria aceitá-la e fazê-la se sentir em casa". E Britney não estava nem um pouco afim de ouvir isso. Ela precisava conversar com alguém que entenderia seu lado, que ficaria do lado dela, e não de Annika. E já sabia exatamente quem procurar.
Britney subiu as escadas e foi direto para seu quarto. Bateu a porta, jogou a bolsa em uma poltrona no canto e ligou seu notebook. Em seguida, pegou seu iPhone e digitou uma mensagem para a única pessoa que a entenderia: Sua melhor amiga, Mia Hiltopper. Ou St. Claire. Ou Monroe, Britney nunca sabia como chamá-la. Mia tinha quatro sobrenomes: Gilbert, Hiltopper, Monroe e St. Claire. O único problema é que a amiga nunca se lembrava da ordem correta deles, e parecia que também nunca perguntava para os pais. E, mesmo que perguntasse, provavelmente já teria esquecido no dia seguinte e o mistério nunca seria esclarecido. Não que Mia fosse burra... Apenas a capacidade dela em compreender certos conceitos acessíveis a qualquer inteligência mediana eram subestimáveis.
Bom... Pelo menos foi o que disse sua professora de matemática no ano passado.
Mas Britney não ligava. Mia era linda, rica, gostava de moda e popular — exatamente igual a ela mesma. Além disso, a falta de inteligência a tornava um pouco influenciável, o que fazia com que Britney tivesse um certo controle sobre Mia, fazendo com que ela sempre ficasse do lado de Britney, e nunca contra ela.
Conecte-se no skype, agora! Preciso falar urgente com você! Britney digitou em seu iPhone e clicou em enviar.
Pouco mais de cinco minutos depois, as duas estavam conversando por face time. Britney desabafava e descarregava sua ira, enquanto Mia ouvia pacientemente. Ás vezes, Britney se perguntava se Mia realmente estava prestando atenção.
— Ela quer destruir a minha vida! — Britney gritava, andando de um lado para o outro com o notebook em cima de sua cama. — Quem ela pensa que é para chegar assim do nada e se intrometer nas nossas vidas? Annika até fez minha mãe cancelar todas as reuniões, edições e entrevistas da noite só pra ir ao shopping com ela! É inacreditável! E o pior é que ela se finge de boazinha. Eu odeio pessoas que se fingem de boazinhas para conseguirem a simpatia das pessoas, e assim elas conseguem tudo o que querem! Eu não sei com quem falar, parece que todo mundo tem mil e um motivos para falar bem dela e...
— Brit, posso te pedir uma coisa? — Mia perguntou interrompendo-a, com uma expressão preocupada.
Britney suspirou e deixou a raiva de lado por um momento. Ela colocou a mão em sua testa, para ver se estava suando.
— Claro, pode falar.
— Você poderia, por favor, parar de andar assim pelo quarto? — A expressão dela não parecia zangada, e sim melancólica. — Eu estou ficando tonta de tentar te seguir com os olhos. Você vai e volta, e depois vai de novo, e volta de nov...
— Já parei! Já parei! — Britney deitou de bruços em sua cama, fazendo com que o notebook ficasse diretamente de frente para ela.
Mia soltou um suspiro aliviado.
— Ufa! Ainda bem! Eu achei que estava a ponto de desmaiar!
Britney revirou os olhos e apenas ignorou.
— Enfim, eu ainda nem cheguei na pior parte! Ela vive tentando ser melhor do que eu. Pra você ter uma ideia, este é o primeiro... Digo, segundo dia dela em Starlight Shores e, além de conquistar a confiança de absolutamente todo mundo nessa cidade, foi convidada pelo próprio Daniel Harper para ser modelo da Boulevard. Dá pra acreditar em uma coisa dessas? Eu fiquei fazendo dieta por semanas, indo duas horas por dia na academia só pra ficar com um corpo perfeito e fazer um maldito teste de seleção pra entrar na agência, enquanto ela simplesmente é convidada sem ter que passar por nada, simplesmente pelo fato de ela ser minha irmã gêmea! Daniel disse que irmãs gêmeas dão muito ibope pra agência. Ele quis dizer o quê? Que eu não sou boa se ela não estiver ao meu lado?
— Puxa... Eu queria ser convidada pra entrar em uma agência de moda... Você é muito sortuda por estar em uma! — Mia disse, sorrindo.
Britney se irritou.
— Mia, você tem só 16 anos e, que eu saiba, não tem nenhum problema de audição. Eu tenho a mesma idade que você e minha fala ainda não apresenta problema nenhum. Então por que diabos você não está me ouvindo? — Perguntou.
— Eu estou te ouvindo, sua cretina! — Mia respondeu. — Só acho que... Sei lá. Você é Britney Hanover, e a Britney que eu conheço sempre está no topo.
Britney respirou fundo e pensou um pouco. Aquilo era mesmo verdade. Desde que entrou na escola, Britney nunca havia perdido para ninguém. Ela sempre estava por cima e ninguém ousava tirar sua popularidade. Mesmo que alguém tentasse, nunca obtinha sucesso. E não era sua irmã perfeita que conseguiria fazer aquilo. Apesar de ter se dado bem roubando a família e o emprego de Britney, Annika não conseguiria tirar seus amigos e fãs. Annika seria apenas uma novata na Escola Preparatória Smuggsworth. E Britney era a garota popular.
— Quer saber? Você tem razão. — Ela concordou. — Eu não vou deixá-la tirar a minha popularidade. Especialmente quando ainda tenho mais dois anos pela frente na escola. Não é muito tempo e ela vai precisar de muito esforço para roubar o meu título.
— É assim que se fala!
— Obrigada Mia. Você sempre diz a coisa certa!
— Eu sei disso. E algumas pessoas ainda me chamam de burra. Dá pra acreditar em uma coisa dessas? — Mia deu uma risada, como se aquela fosse a coisa mais estúpida do mundo. Britney apenas torceu o lábio.
— São um bando de invejosos. — Disse. — Vejo você amanhã na escola, e se Annika tentar alguma coisa, vamos tratar de colocá-la em seu devido lugar.
— Mal posso esperar! — Mia disse, batendo palminhas. — Beijinhos!
Mia desligou o face time, e Britney o fez logo em seguida. Ela deitou-se em sua cama e ficou pensando mais uma vez no que Mia havia dito a ela. Mesmo que fossem poucas palavras, eram sábias (e haviam vindo logo de Mia! Quem iria acreditar nisso?) e fizeram Britney refletir. Mia era bem tapada na maior parte do tempo, mas havia vezes em que ela conseguia dizer coisas inteligentes. Nesse momento, ela ouviu batidas na porta de seu quarto.
— Senhorita Britney? Há algo errado? — Ela ouviu Marilyn dizer.
Britney sentou-se em sua cama, suspirou e deu um sorriso vitorioso. E apenas disse, sem abrir a porta:
— Não mais. Estou melhor do que nunca.
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