Quem quebrou o silêncio foi Naruto, que pulou do sofá empolgado.

— EU VOU SER PAI DE NOVO, TTEBAYO!!

Hanabi correu para abraçar Hinata, com os olhos cheios de lágrimas e a felicidade estampada no olhar. Hiashi ainda estava parado, em estado de choque, mas via-se o esboço de um sorriso em seus lábios. Todos estavam felizes, até Natsu, que tinha se aproximado para abraçar Hinata.

Todos menos uma pessoa...


Boruto

Como assim grávida? Quer dizer que ela vai ter um bebê? MAS ELES NÃO PODEM FAZER ISSO COMIGO!! Vão me trocar por um bebê? ISSO É INJUSTO, TTEBASA!!

Eu continuei sentado, com uma expressão pensativa. Papai disse que eu fico parecendo o seu amigo, Sasuke, com essa carranca. Mas eu não ligo... Fui trocado.

Mamãe foi a única que percebeu o meu desconforto, e veio andando até mim, se sentando ao meu lado. Todos pararam e me olharam esperançosos. O que eles querem? Uma medalha? Ela vai ter um bebê, e daí? Meu bico se desfez quando a mamãe colocou o par de sapatinhos rosados em meu colo, e disse:

— Não gostou da notícia, meu amor? Você vai ganhar um irmãozinho, para brincar...

Disse a mamãe feliz, me abraçando. Eu não aguentei, e me desmanchei em lágrimas. Eles estavam tão felizes, mas eu não queria ser trocado. Eu queria chorar no colo da minha mãe, mas daqui a uns meses, nem isso eu vou poder fazer, porque esse bebê vai tomar o meu lugar. Todos estavam assustados, me encarando, e a mamãe estava perplexa. Não aguentando, eu disse, em meio ao choro:

— Eu não quero um irmãozinho, nem uma irmãzinha, nem um cachorrinho, nem nada... Vocês vão me trocar, vão amar mais ele, vão deixar de brincar comigo... Ele vai roubar meu lugar, e a atenção de vocês. EU NÃO QUERO!!

Disse, agora chorando alto, e começando a soluçar. Vi a expressão de surpresa no rosto da minha mãe, e me arrependi... Ela estava triste. Triste comigo.

Fui pego de surpresa quando o papai apareceu na minha frente, sério. Papai nunca ficava sério. Ele me pegou no colo, e mesmo comigo me debatendo, ele me levou para a sala, onde estávamos só nós dois. O papai se sentou na poltrona e me aninhou em seu colo, acariciando minha cabeça até que eu parasse de chorar. Me apertei em seu peito, o abraçando forte, com medo e ciúmes de ter de dividir a atenção de meus pais com aquele bebê. Quando parei de chorar, papai me fez olhar para ele, enquanto ele dizia:

— Boruto... Nós não vamos deixar de te amar nunca!! Você é o nosso primogênito, e foi a criança mais desejada desse mundo. Esse bebê pegou a todos nós de surpresa, mas é meu filho e é seu irmão. Você vai ser o mais velho, eu vou confiar em você para cuidar da mamãe quando eu estiver fora, e para cuidar do seu irmãozinho. A mamãe e o papai te amam muito, e moveríamos o céu e a terra por você, meu filho. E eu quero que você me ajude, e ame o seu irmão tanto quanto nós te amamos, porque vocês são nossas vidas... Vocês são a prova do nosso amor.

Disse meu papai sorrindo de um jeito que só ele sabia. Ele só sorria assim para mim!! Eu era o filho mais velho, e o papai estava contando comigo. Eu não ia deixar aquele irmãozinho tomar meu lugar no coração do papai...

— Tudo bem papai, eu entendo. Eu te amo!!

Disse abraçando ele bem forte, e vendo ele retribuir meu abraço, já com o sorriso bobo no rosto.

— Eu também te amo, filho...

E depois disso, ficamos sentados no sofá, com o papai me mimando até eu ir dormir.


No dia seguinte...

Acordei confuso, pois estava no meu quarto, com todos os meus brinquedos a minha volta. Acho que dormi no colo do papai, e depois viemos embora. Me levantei da cama um tanto sonolento, e fui até a janela, observando o dia lindo em que estava. Eu já tinha um plano para hoje, e já sabia a quem iria pedir conselhos!! Sai do quarto animado, ainda de pijama, e fui descendo as escadas, em direção a cozinha. Na metade do caminho, ouvi mamãe e papai conversando, mas não conseguia compreender suas palavras. Então, entrei correndo na cozinha.

— Bom dia mamãe, Bom dia papai!!

Disse entrando de uma vez na cozinha, assustando eles. Fui até o papai e dei um beijo em sua bochecha, recebendo um abraço de volta, e fiz o mesmo com a mamãe. A mamãe me olhava preocupada, e de repente, me lembrei de sua feição triste de ontem. Eu a magoei, e espero nunca mais ver aquela expressão novamente...

Fiquei parado na frente de minha mãe, com a cabeça baixa encarando meus pés, enquanto a vergonha era nítida em minha face. A abracei forte, e disse com um sussurro:

— Desculpa mamãe... Eu te deixei triste, e eu nunca quero te ver triste de novo!!

E escondi o rosto na curvatura de seu pescoço, esperando por uma bronca ou algo do tipo. Mas ela não brigou. Ela me pegou no colo e me deu um beijo na bochecha, me abraçando bem forte. Minha mãe é a mulher mais gentil do mundo!!

— Tudo bem, meu amor... Por enquanto, deixe este assunto para lá, está com fome?

Disse sorrindo, me colocando sentado na cadeira enquanto colocava na mesa a minha frente um prato com bolinhos de arroz. Minha mãe também é a melhor cozinheira do mundo!!

Tivemos um café da manhã agitado. Conversamos sobre várias coisas, rimos, e por um breve momento, eu esqueci do bebê. Após o café, subi para meu quarto para me trocar. O papai ia ao escritório do Hokage, e pedi que me levasse junto. Tinha alguns assuntos para resolver.

Após tomar banho, com a ajuda de minha mãe, e me trocar, desci as escadas empolgado, e papai já me esperava na porta.

Caminhamos pela vila, em direção ao prédio do Hokage, e por onde passávamos, éramos cumprimentados pelos moradores. Eles admiravam meu pai, e eu me orgulhava disso.

Chegando em frente ao prédio do Hokage, o papai entrou para resolver seus assuntos, e eu fui ao cemitério, que era do lado. A única pessoa que podia me ajudar agora, era obviamente o Tio Neji!!

Se aproximando do túmulo do Tio Neji, vi uma pessoa sentada lá, com ele. Ela tinha cabelos castanhos, e parecia triste...

— TIA TENTE!!

Gritei, pulando em seu colo. Ela se assustou, mas logo começou a rir e me girar no ar. A TenTen é minha madrinha, e uma das melhores amigas da minha mãe. Quando meu Tio Neji morreu, na Guerra, a TenTen era do Time dele, e eles tinham um sentimento especial um pelo outro. Por isso ela visita o túmulo dele quase todos os dias...

— O que faz aqui, loirinho?

Disse ela rindo, e bagunçando meus cabelos. Sorri também, mas logo me lembrei do motivo que tinha me levado até ali...

— Minha mãe está esperando um bebê. Vim pedir ajuda com o Tio Neji, porque não quero dividir minha mãe.

TenTen me encarou surpresa, e então eu me lembrei. A gravidez da mamãe ainda era um segredo, porque ainda era uma descoberta recente. Minha madrinha se ajoelhou, ficando do meu tamanho, e disse:

— Você pode sentir isso agora, afinal, é uma criança. Mas quando seu irmãozinho nascer, isso tudo vai mudar. Você vai vê-lo ali, impotente, tão pequeno e frágil... Você vai amá-lo, e vai querer protegê-lo. Porque vocês são irmãos, e esse é o laço de vocês.

Ela disse, sorrindo. Eu não conseguia imaginar isso, eu não conseguia imaginar um bebê. Vendo que eu não estava convencida, ela disse

— Não vê sua mãe e sua tia Hanabi? Elas são irmãs. Como acha que sua mãe ficou quando a Hanabi nasceu?? Por que não pergunta pra ela sobre? Quem sabe ela te ajuda a aceitar melhor a ideia do seu irmãozinho...

Antes que eu pudesse retrucar, papai me gritou, e isso me fez "acordar" dos meus pensamentos. Dei um beijo estalado na bochecha da minha madrinha, e corri até meu pai, segurando em sua mão e me balançando. De longe, meu pai acenou para a Tia TenTen, que também retribuiu com um aceno.

— O que veio fazer no escritório do Hokage, velhote?

— Não me chame assim, Boruto!! E eu tive que adiar um evento importante... Algo que sonho desde criança...

Fiquei alguns segundos sem entender. O que o Papai teve que adiar?

— Adiar o quê, papai? E por quê?

— Outro dia eu te conto, Boruto... Mas quero que saiba que você, sua mãe e esse bebê são as coisas mais importantes da minha vida, e são minhas prioridades no momento. Acho que ser Hokage pode esperar um pouco.

Ele disse com um sorriso largo, tão parecido com o meu. Eu demorei um pouco pra assimilar aquelas palavras, mas eu entendi tudo. O valor que minha família tinha para meu pai... Ele havia adiado seu sonho, por conta de uma criança que ainda não havia nascido. Pra mim, era inaceitável isso. Papai estava abrindo mão dos sonhos dele... Mas ao mesmo tempo, parecia bonito. Eu abriria mão dos meus sonhos pela mamãe. Isso era amor?