Sirius Black e Roxanne Malfoy
8 Não perturbe
Roxanne acordara ainda mais fechada àquela manhã. Mal respondera o cumprimento de Greengrass quando se encontraram na sala comunal antes de irem tomar café no Salão Principal.
— você está bem? – ele perguntou um pouco preocupado, sem entender por que ela parecia diferente.
— ótima, Greengrass – respondeu no tom frio de sempre. – Mas pelo visto você não está; ainda não começou a tagarelar sobre seu romance e nem nada.
Ele franziu as sobrancelhas.
— está normal… Quero dizer, Lara parece estar escondendo alguma coisa, mas…
— você tem se distanciado dela. Isso a preocupa.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— Ah… eu… Obrigado. Vou falar com ela mais tarde.
Roxanne apenas murmurou uma resposta curta e inaudível.
— então… – continuou Greengrass em um tom mais receoso. – Eu sei que você não gosta muito de presentes… mas se por um acaso alguém comprasse um para você…
— dê para outra pessoa. – ela respondeu interrompendo-o.
Ele bufou.
— tenho certeza que vai gostar.
— muita presunção de sua parte.
— discordo. Acho que seu problema com presentes é que não são úteis… – ele inclinou a cabeça reconsiderando algo. – E o fato de ter que agradecer depois, acho.
Ele estava certo.
— então não agradeça. Só use, se gostar.
Entraram no Salão Principal, que estava praticamente vazio. Com quatro pessoas na mesa da Grifinória e duas na Lufa-lufa.
Dumbledore não fez nenhum anúncio importante, apenas esperou os dois sonserinos sentarem-se a sua mesa e desejou a todos um bom dia, seguido de uma rima sem sentido como muitas vezes fazia.
Algumas poucas corujas entraram para as entregas matinais. Roxanne sempre recebia uma coruja com a edição nova do Profeta Diário, mas dessa vez mais uma de penas pretas brilhantes desceu na sua frente.
Roxanne pagou o jornal dispensando a coruja e se voltou para Ônix, que trazia um pequeno pacote e um envelope amarrados em suas garras.
— oi, Ônix. – disse Greengrass enquanto sua própria coruja ia embora e Roxanne pegava suas entregas. – Penas bonitas, hein?
A coruja piou e se aproximou dele, bicando carinhosamente sua mão. Ele riu.
— você é bem vaidoso, né? – ele olhou para Roxanne. – Sobre o que é?
Ela descascou o esmalte preto da unha, parecendo entediada com a carta que lia.
— aniversário de morte da minha tia.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— ah… eu sinto muito.
Ela revirou os olhos e dobrou a carta. A coruja alçou voo e se foi.
— não gostava dela – respondeu. – Ninguém gostava, era uma traidora de sangue.
— como ela morreu?
— foi assassinada.
— por quem?
— não sei. Não faz diferença.
Ele franziu as sobrancelhas.
— como assim? Ninguém se importou em investigar?
Ele desviou os olhos dos dela quando viu o quão irritados estavam.
— era uma traidora de sangue, Greengrass – disse ríspida. – Se investigassem seria para agradecer a pessoa. – ele abriu a boca mais uma vez, então ela o cortou: – Já chega!
As mesas ocupadas se encheram de comida, então ele começou a comer em silêncio, sequer olhando-a. Roxanne nunca comia mais que um pão e um copo de café, mas dessa vez apenas ficou girando a faca entre os dedos e vasculhando o salão com os olhos, a procura de algo que lhe chamasse atenção.
Dumbledore discutia algo com a prof.ª McGonagall, sua expressão parecia calma e bondosa, portanto nada realmente alarmante acontecera na guerra, e talvez não fosse o assunto também.
Entediante.
Ela então observou Sirius, conversando com os amigos com uma expressão maldosa no semblante, provavelmente zombando de alguém ou decidindo o que aprontaria futuramente com os amigos…
— ei, Roxanne – Greengrass a chamou, pela segunda vez, pelo que parecia. – Roxanne!
— que foi?
Ele a olhou preocupado.
— você cortou sua mão – ele apontou. – Está sangrando.
Ela olhou sem muita importância para o machucado na palma. Apenas deslizou o polegar por cima e pronunciou um feitiço para curá-lo. O corte se fechou em uma pequena cicatriz que logo desapareceu.
Ela voltou o olhar para Sirius, que dessa vez também a encarava. Ele sorriu.
— com licença. – disse a Greengrass e saiu do Salão.
*
Roxanne terminou sua poção pouco antes do horário do almoço. Quando o sinal tocou, viu os poucos alunos que tinham ficado se dirigindo para o Salão Principal, e ao invés de seguir na mesma direção, saiu do castelo para os jardins, onde ninguém iria por conta da neve e do tempo frio.
Era disso que ela gostava nas férias, ninguém a faria perder tempo conversando a toa. Ela poderia terminar seus livros, organizar seus pensamentos e concluir o que restava de seus trabalhos mais difíceis… Isso se a fome e o frio não a fizessem perder a concentração, mas ela duvidava que coisas tão simples a impedissem desse jeito.
Então, o tempo passou depressa e ela o aproveitou, até seu agradável silêncio ser interrompido por ninguém menos que Sirius Black e seu típico sorriso torto.
— e aí?
— o que você quer?
— vai morrer congelada se continuar aqui.
— então talvez eu não tenha que ouvir mais a sua voz.
Ele revirou os olhos e se sentou. Roxanne bufou.
— sou obrigada a admitir que Bellatrix estava certa: os hormônios realmente te afetam mais que a sensatez.
Sirius sorriu provocativo.
— ah, esteve falando de mim, é?
Roxanne rangeu os dentes.
— não pense que isso é bom.
Ele deu de ombros.
— bem, você pensar em mim já é um bom começo. Mesmo que esteja me arremessando facas.
— não seja tão otimista, Black.
— não te vi no almoço.
Ela cerrou os dentes.
— por que você está aqui? – perguntou aborrecida. – Esqueceu o que fiz ao seu amigo?
— minha memória teria que ser muito ruim para isso. – ele respondeu indiferente.
Ela o encarou e suspirou.
— ah, sim. – disse com um riso vazio. – Eu devia ter imaginado que ele contaria.
Sirius ponderou.
— devia – concordou. – Ele não aguentou ouvir ofensas contra você pelo que fez e te defendeu.
Ela o olhou de soslaio.
— provavelmente eram ofensas perfeitamente adequadas.
Ele não pareceu contente em continuar.
— não acho que todos os xingamentos que conheço se apliquem a você…
Ela o encarou semicerrando os olhos um pouco.
— suponho que conheça muitos.
Ele se encostou à árvore folgadamente.
— é, sinto muito.
Ela deu um riso um pouco menos frio.
— ah, imagino. – jogou os cabelos para trás e se levantou. Fez um gesto com a varinha e os materiais voltaram para sua bolsa. – Não morra congelado, Black.
— por quê?
— há muitos trabalhos para serem entregues ainda.
Ele riu.
— não é minha motivação, acredite. Mas se você me prometer um beijo…
— nunca prometeria algo tão estúpido.
Ele deu a ela um sorriso.
— te vejo mais tarde, então – ele disse e fechou os olhos, descansando.
Ela afastou o cabelo dos olhos e se foi.
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