Roxanne entrou na sala comunal e sentou em um dos sofás, pegando os livros para terminar os deveres deixados pelos professores ao longo do dia. Não demorou muito para Greengrass aparecer e agachar-se ao lado dela.

— Rô – começou ele, mas logo foi cortado:

— já mandei não me chamar assim. – disse ela sequer o olhando, pegando a pena e a molhando no tinteiro.

Greengrass inspirou fundo.

— okay, Srta. Malfoy – corrigiu forçando formalidade. – Preciso de um favor.

Roxanne o olhou.

— isso está se tornando muito freqüente.

Ele deu um sorriso contido.

— desculpa. Mas é que… você sabe…

Roxanne revirou os olhos.

— sei. Imagino que queira que eu fique de novo hoje.

— isso.

Roxanne suspirou.

— está bem.

Greengrass abriu um enorme sorriso.

— valeu, Rô. – viu a cara dela e ergueu os braços. – Foi mal. Tchau. Obrigado.

Roxanne viu que mais pessoas chegavam e resolveu ir estudar na biblioteca.

Como de costume, o lugar não estava lá muito cheio. Só as pessoas de sempre.

Roxanne sentou em uma das mesas mais afastadas e abriu seus livros. Continuou quieta estudando por um bom tempo, até ser incomodada por alguém que ela já estava farta de encontrar.

— não abra a boca para me incomodar, Black. – disse ela antes mesmo que ele sentasse e nem ao menos o olhando.

— e aí, Malfoy? – cumprimentou ele sorrindo.

— está me incomodando.

Ele sorriu mais.

— ora, talvez signifique algo meu efeito sobre você. – disse ele. – Você não se distrai muito fácil.

— o seu perfume me dá náuseas, apenas.

— se não gosta dele posso trocar.

— não se incomode, basta sair daqui e fica tudo resolvido.

— posso pensar no seu caso se repensar no encontro que pedi.

— não.

— que bom, adoro sua companhia.

Roxanne revirou os olhos e enfim o encarou.

— entenda, Black: eu o odeio, e tudo que quero é que você volte para qualquer atividade que você tenha que não seja me irritar. É tão difícil assim?

— claro, você fica muito bonita irritada.

Roxanne bufou e voltou-se para os livros.

— vamos Roxanne, me dê um bom motivo para você não sair comigo.

— porque eu não quero. – respondeu seca.

Sirius soltou uma risada curta.

— tá, mais de um motivo.

— me deixará em paz?

— se forem bons…

Roxanne sabia que provavelmente seria perda de tempo, mas respirou fundo e virou-se para ele.

— okay: Eu não quero sair com você. Você é da Grifinória. Eu não gosto de você. É um traidor de sangue. Pensar em encontros e essa baboseira toda de namoro me enoja. Não tenho tempo para você e sua tentativa de me conquistar apenas porque surgiu na sua cabeça essa vontade… É suficiente, se não se contenta com isso não tenho porque continuar.

— é lógico que não me contento! – disse Sirius. – Roxanne, me dê uma chance apenas. – insistiu.

— tenho que vigiar os corredores esta noite, além dos fatos que já citei que te desqualificam para um encontro.

— qual é! Greengrass também é monitor.

— ele vai estar ocupado.

— diga que você também estará.

— já falei que o encobriria. Jamais voltaria atrás, muito menos por você.

Sirius franziu as sobrancelhas.

— o encobriria?

— saia daqui, Black! – disse Roxanne com um tom um tanto urgente. Tinha um pequeno grupo entrando na biblioteca, incluindo as primas de Sirius.

Sirius a olhou com firmeza.

— o que você quer dizer com…

Roxanne puxou o colarinho da blusa dele e o puxou para si, selando seus lábios em um beijo simples e não muito longo. Afastou-o e falou inflexível:

— pronto, Black. Agora pode me deixar em paz. Fiquei com você, pode contar como uma de suas conquistas e não sei mais o quê. Vou sair daqui e não quero que sequer pense vir atrás.

Ela se levantou e foi para as estantes. Sirius finalmente viu os sonserinos e entendeu a urgência de Roxanne. Balançou a cabeça e foi até a mesa onde estavam seus melhores amigos e Lilian.

— Sirius… – começou Lilian. – Foi o ângulo ou ela te beijou?

— é… mais ou menos isso.

Depois ele explicou e olhou mais uma vez para a mesa de Roxanne. Ela tinha voltado a se sentar e agora estava rodeada pelos amigos da Sonserina.

— sabe, Roxanne – disse Bellatrix com um sorriso maldoso. – meu priminho parece interessado em você ultimamente.

Ela nem considerou que Daphne estava presente e ainda gostava de Sirius.

— e? – perguntou Roxanne indiferente.

Bellatrix pareceu desapontada.

— vamos, Roxanne, seu cérebro funciona melhor que isso.

— seja mais especifica, se puder.

— use disso. O cérebro de Sirius tem mais testosterona do que miolos.

Roxanne deu um sorriso frio.

— Bella, eu não vou ficar com seu primo. Nem dar atenção para ele. Pela minha simples recusa minha de me envolver com alguém e também pela inutilidade disso.

Bellatrix cerrou os punhos.

— Roxanne, é uma ótima oportunidade, basta…

basta Black estalar os dedos e várias garotas estarão aos pés dele. Não se engane, Bellatrix, ele não sente nada além de atração física por mim, e isso ele pode compensar muito facilmente.

Bellatrix não pareceu nem um pouco satisfeita com a resposta.

— e você não vai tentar? – perguntou com tom perigosamente calmo.

— não vou gastar saliva com ele, nem com você nessa discussão.

Bellatrix se levantou furiosa e saiu da biblioteca batendo os pés, seguida por Narcisa e Rodolphus.

Roxanne ignorou o olhar dos outros e se concentrou nos livros.

*

— Black, de novo aqui? – disse Roxanne estressada. – Quantos pontos vai perder até se cansar?

Sirius sorriu.

— diria que muitos, considerando o quanto resiste.

Ela o anotou e fez o pergaminho desaparecer.

— sabe que vai perder mais pontos se não for embora, não?

— claro, mas dessa vez não vou. Chame Slughorn se quiser.

Roxanne suspirou e sentou no nicho.

— estou cansada de você, sinceramente.

Sirius encostou-se à parede ao lado dela.

— se esforce um pouco mais, pode acabar gostando de mim.

— não gosto de nada em você, Black. Nem do jeito que me olha, nem como fala, nada.

Ele a olhou e sorriu.

— santa paciência que você tem então.

Roxanne revirou os olhos.

— com certeza.

— ao invés de você falar os motivos pelos quais não gosta de mim, que pelo jeito você tem muitos, fale por que não gosta do Ranhoso, não entendo isso.

— é arrogante demais para um mestiço.

— só isso?

— alguém que humilha um amigo para se safar não merece respeito, Black. Snape já fez isso diversas vezes, não tenho porque gostar dele.

— não achei que ligasse tanto para amizades.

— e não ligo. Apenas acho uma atitude como essa absurdamente ridícula.

— é, você está certa.

— eu sei. – olhou um pouco para ele. – Por que não gosta dele?

Sirius deu de ombros.

— para começar, nunca nos gostamos. Ele também é sonserino…

— eu também sou. – interrompeu ela. – E você não parece disposto a me evitar.

Sirius sorriu.

— primeiramente: eu não o evito. Depois, você é sexy, e acho que suas atitudes questionáveis fazem de você ainda mais atraente. Não faz ideia de como é difícil não gostar. E olha só, você fica linda corada.

— não estou corada, idiota!

Sirius riu.

— okay, Roxanne.

Ela se levantou irritada.

— saia daqui, Black!

— vai me beijar de novo?

— não!

— Roxanne? – alguém a chamou.

— Greengrass – murmurou ela. – Black, fique aqui.

Antes que ele protestasse, ela seguiu o corredor para encontrar o monitor.

— ah, oi – cumprimentou Greengrass com um sorriso confuso. – Você estava falando com alguém?

— não. – respondeu ela cruzando os braços. – Que está fazendo aqui?

Ele deu de ombros.

— ela não podia ficar muito mais, afinal também é monitora-chefe. Bem… obrigado.

— você já agradeceu. – disse ela olhando para trás por cima do ombro.

— é, eu sei. Mas foi por ficar hoje, agora é por guardar segredo, mesmo sendo… você sabe.

— também já agradeceu por isso, Greengrass.

Ele sorriu.

— tá. Quer que eu fique o resto da madrugada? Acho que seria estranho se eu aparecesse lá só agora.

— não creio que seria menos estranho no meu caso.

— então ficamos os dois? Podemos dividir os corredores, ou conversar também.

— fico com os corredores à direita.

Greengrass riu.

— okay.

Roxanne se afastou.

— você vai me explicar? – perguntou Sirius com uma sobrancelha arqueada.

— explicar o quê?

— sua conversa com Greengrass. Com quem ele foi se encontrar?

— não lhe devo satisfações, Black. Agora vá, já te suportei demais por um dia.

— se é uma monitora-chefe, temos quatro, menos você e Lilian… Aurora?

— isso não é da sua conta, Black.

— vai ao jogo da Corvinal?

— não.

— por quê?

— não tenho nada a ver com a Casa.

— e quando eu for jogar?

— continuarei não tendo nada a ver com a Casa.

— você pode torcer por mim.

Roxanne apertou os olhos.

— se vocês perderem, a Sonserina volta a concorrer. Por que eu torceria por você então?

— porque estou pedindo.

— não irei.

— pode pensar um pouco, ainda tem tempo.

— já disse que não vou.

— e eu já pedi que pensasse mais.

— por que não arranja uma garota que te queira para incomodar?

— quem precisa de amor quando tem tanto ódio? – replicou ele sorrindo e fazendo menção a tocar o rosto dela. Ela recuou. – Vê?

Roxanne revirou os olhos.

— você é muito idiota.

— e você frígida.

— vai ficar me enchendo a noite toda?

— o que você acha?

— que vai perder a Taça das Casas no ultimo ano.

— não tem muita importância.

— ótimo.