Sirenes do Armageddon

1 Nós somos a Universal, aham, somos sim...


Aquele dia estava a mesma merda. Acordei, fiz o que tinha que ser feito, tomi meu café e me arrumei. Aquele dia eu não peguei a Linha Amarela. Queria fazer um caminho bem longo até onde eu deveria ir, que era quase do outro lado de onde eu trabalhava. É, meus amigos... Eu, que trabalhava ali pelos lados do Recreio, Barra e São Conrado, me fodi bonito e fui jogado pra depois do elevado da Perimetral, um caralho de longe. Fiz todo aquele caminho com uma porrada de pen drives no porta mala e tudo organizado em estilo musical. Aquele dia eu tava querendo ficar bem relax, então coloquei um pen drive e deixei a música rolar e pra minha alegria, a diva Sarah Regina brindava meus ouvidos com o disco Felina. Chego ao tal lugar e logo recebo uma transmissão do meu Patrão pelo Nextel perguntando se estou armado.

— Armado pra que, porra?!

Pra que que eu abri a boca? Parece sacanagem comigo. Vejo um cara andando armado até os dentes com duas Berettas e uma espingarda calibre 12 dizendo que o armageddon começou e agora era cada um por si. Óbvio que eu pensei que o cara tava muito louco nas drogas e ele tinha cara de ser aqueles nóias que ficam no Centro do Rio roubando os outros. Mas o meu azar deu um "oi" quando eu vi quem era o cara. Era o traficante mais procurado do Rio, o Marcelo Carvalhaes "Vrum vrum". O cara me olhou como quem tivesse visto o fim do mundo.

— Ae, camarada. Não vai na direção da praia vermelha. O PAU TA QUEBRANDO MUITO FEIO!

Olhei ele com desconfiança, afinal, devia ta tão louco nas drogas que na certa o barato bateu e ele viu coisas. Mas o cara tava com uma ferida no pescoço e o meu cu não passou nem átomo quando ele me avançou com os olhos em lágrimas

— Atira! Pelo amor de Deus! Vá até a Rocinha e diz que o VrumVrum não conseguiu chegar a tempo...

— Ah, vai a merda, cara! Olha a distância que estamos da Rocinha!

— Atira! Eu fui mordido...

Antes que eu perguntasse "que porra é essa?!" o cara me deu uma mordida espetacular no braço. Nem pensei duas vezes. Só meti uma bala naquela testa e quando vi nos olhos dele, DEFINITIVAMENTE AQUELA MERDA TINHA VIRADO AQUELES DESGRAÇADOS QUE EU NUNCA ACHEI QUE EXISTISSEM! Óbvio que entrei meu carro. O maldito não pegou e eu já tava vociferando de ódio. Quando o carro pegou, eu vi de longe o que parecia uma passeata bem típica daqueles comunistinhas de federal. Alguns correram e olha, fariam inveja em muito maratonista. Foi aí que a ficha caiu de verdade.

EU ESTAVA NO MEIO DUMA PORRA DE APOCALIPSE ZUMBI EM PLENA ZONA SUL CARIOCA! Não pensei duas vezes e cartei o corpo dele, o colocando no porta mala. Eu tava tão apreensivo que nem sei como não me caguei. Entrei no carro e quando eu vi, estavam a quase 4 metros de mim. Meti o pé no acelerador e saí carregando todo mundo comigo. Parecia um enorme boliche. Eu a bola e eles os pinos. Mais ou menos a 10 metros do teleférico do Pão de açucar eu vejo aquele monte de gente parada e dou uma buzinada bem alta. Vocês devem ter notado que eu só me fodo, não é? Imagina MAIS DE 100 ZUMBIS CORRENDO NA SUA DIREÇÃO E MAIS AQUELES ESTUDANTES DO CAPIROTO CORRENDO NA MINHA DIREÇÃO. Eu peguei meu carro e saí de fininho. Quer dizer, de grossinho. Nunca vi tanto sangue, tripa e carne num lugar só. Nem filme B de terror tava tão assustador. Eu podia perder meu tempo e me arriscar, mas eu não tava afim de virar comida. Tudo que fiz foi pegar o caminho da Rocinha e rezar pra não me foder. Pra quem não sabe, eu estava no carro Chevrolet Cruze azul e bem, ENTRAR NA ROCINHA DE AZUL É PEDIR PRA MORRER. Enfim, foda-se. Eu sei que eu tava indo.

Notas finais
Será que o nosso querido amigo boca suja vai se salvar daquela mordida? Será que vão confiar nele?