Sirenas

3 Desobediência


Notas iniciais
Wow, hi! Aqui está o cap. 3, cupcakes! Boa leitura!

– Tereza – Sebastian chamou a moça após vestir suas calças e botas -, está terminantemente proibida de voltar a fazer as atividades de escrava.

– Não posso deixá-las, Sebastian. Aquelas mulheres são parte de mim agora, demos força uma à outra quando alguma delas voltava machucada, doente ou violentada pelos seus homens.

O homem seminu a observou protestar, mas ela não devia fazer isso. Ele dava a palavra final ali. Ela obteve muitos privilégios desde que Sebastian a tomara para si, mas ele jamais toleraria uma mulher contestando suas ordens.

Sem delicadeza alguma, ele subiu na cama, prendendo os pulsos de Tereza com uma mão só, a outra pousava firmemente no cabelo dela, fazendo com que ela o olhasse nos olhos:

– Proibida.

Temendo que sua garganta formasse um nó e ela derramasse alguma lágrima na frente dele, Tereza perguntou:

– E o que eu deveria fazer por aqui, se não ser escrava?

Sebastian pensou em alguma resposta plausível para aquela questão, mas nada coerente apareceu em sua mente, então ele simplesmente repetiu:

– Proibida. E não ouse contrariar minhas ordens, Tereza. Posso ter apresso por ti, mas não sou de todo bondoso. Não tenho pena em castigar ninguém. – terminando de falar, Sebastian vestiu sua camisa, ajeitando-a por dentro das calças e, encarando Tereza, pôs o cinto no cós em uma ameaça silenciosa.

Já havia se passado mais quinze dias desde que Tereza vira Margarida ser violentada pelo homem que depois ela descobriu ser Ricardo, um dos mestre costeiro.

Vez ou outra ela ia à cozinha ou às galerias a pedido de Sebastian, para verificar os suprimentos e se todos os canhões estavam recarregados com a quantidade adequada de pólvora.

– Tere*? – Conceição chamou ao vê-la passar pela acomodação que Tereza dormia.

A morena ficou estática, decidindo se correria o risco de ser pega conversando com as escravas ou apenas faria a inspeção apontada por Sebastian.

– Menina Tereza? – a mais velha chamou mais uma vez com a voz já embargada.

A morena se virou com os olhos banhados em lágrimas e acenou para a antiga companheira.

– O que houve? Por que não está mais entre nós? – Conceição tinha um esfregão em mãos.

– Não posso... não posso falar muito, Conchita*, Sebastian me proibiu de descer para voltar a ser escrava, me perdoe – Tereza sussurrava com medo, seus olhos não conseguiam mais suportar segurar as lágrimas.

Conceição se aproximou e abraçou a jovem. Ela tinha um cheiro desagradável e estava toda desarrumada. Alguns fios de cabelos eram brancos e ela não era tão meia-idade, devia ter seus trinta e poucos anos.

– Não sabe a falta que nos faz, chiquita*. Ferdinanda todos os dias pergunta por ti e por que não vem se juntar a nós de novo. Estamos tão cansadas, tão frágeis, mas não demonstramos aos brutamontes lá de cima, pelo menos tentamos. Catarina está tão doente, quase nas últimas. Quase todos os dias somos estupradas, a qualquer momento do dia, ontem mesmo Henriqueta e Martina foram abordadas perto da enfermaria. Martina, coitada, mal consegue andar. Outras duas assumiram as tarefas dela por hoje e talvez amanhã.

Tereza escutava tudo com a respiração ofegante. Como eles podiam fazer isso com elas, principalmente as mais novas? Elas eram tão inocentes e suas inocências foram tiradas sem pudor algum. O que elas haviam feito para merecerem ser a escória? Num ato súbito de raiva e coragem, Tereza se desvencilhou do abraço de Conceição e olhou bem nos olhos da mulher.

– Eu vou dar um jeito de sairmos daqui, Conchita. Vamos voltar a ser livres. Te lo juro por La Virgen.*

– Lo creo, chiquita.*

Ouviram alguns passos na escadaria perto delas e rapidamente limparam os rostos. Era o tal do Ricardo. Ele, assim como os outros tripulantes homens, foram avisados por Sebastian que Tereza não fazia mais parte do grupo de mulheres escravas e que se algum deles se atrevesse a encostar nela seriam jogados ao mar como alimentos aos monstros marinhos, mas as outras poderiam servir a quem bem entendesse.

– Que faz aqui, dona Tereza. O chefe não vai gostar do que eu contar. – o homem rechonchudo mostrou seu sorriso asqueroso para as duas mulheres.

– Não há nada aqui para ti aqui, Ricardo, estava apenas instruindo a Con... – achou que não seria bom dizer o nome da amiga — a escrava o que fazer aqui. Parece que o lugar não está sendo bem limpo. Alguém tem que tomar as rédeas, ou você quer mesmo morrer? – Tereza empinou o nariz e respondeu ao marujo. – Então é isso. E não tente me enganar, pois eu saberei. – por último, Tereza se dirigiu a Conceição, que mantinha a cabeça baixa, e rumou para o sopé da escada.

– Saia da minha frente.

Ricardo deu passagem a morena e mandou beijinhos asquerosos para a mulher com o esfregão na mão.

Notas finais
*Tere - Apelido de Tereza dado por Conceição; *Chiquita - Menina; *Conchita - Apelidado de Conceição dado por Tereza; *Te lo juro por La Virgen - Juro-te pela Virgem; *Lo creo, chiquita - Eu acredito, menina; O que acharam, cupcakes? Beijos e até o próximo cap.!