O veneno da cobra queimava Snape e seu sangue jorrava para fora do corpo.
Depois que Harry saiu para ver as memórias, a jovem Hermione voltou e se deparou com uma imagem horrível. Era possível ver a morte abraçando o velho professor de poções.
O desespero que atingiu Hermione era inumano, era como se... parte dela estivesse indo como ele.
Correu e se ajoelhou no sangue tentando estancar a ferida do pescoço.
Hermione não soube porque, nem como, mas de repente soube que tinha que cantar. E simplesmente cantou e chorou. Era uma melodia mórbida e cheia de tristeza. A jovem não foi capaz de ver que brilhava. Somente tempos depois Avanna lhe diria que ela havia usado um dom sireno, que havia acalmado a senhora morte, assim impedindo que Snape fosse levado.

Depois de um tempo percebeu que ele já não sangrava.
— Preciso te tirar daqui! — Disse chorando e pedindo a Morgana que ele sobrevivesse .
Madame Pomfrey corria como uma doida, mas parou ao ver o velho professor e a jovem.
— Salve-o. — Hermione sussurrou.
Pomfrey com a ajuda de elfos correram para mantê-lo vivo. Hermione queria ficar e entender porque sofria tanto vendo Snape daquela forma, mas havia uma guerra e ela era parte daquilo.
Quando Tom Riddle foi derrotado, havia felicidade misturada a dor e choro. Muitos haviam morrido, Hermione só esperava que Snape não estivesse na lista.
Quando voltou a enfermaria o viu deitado pálido e se aproximou.
— Não...não consigo cura-lo. — Pomfrey admitiu chorosa.
Hermione olhou a senhora sem acreditar.
"Eu preciso fazer algo. Você não vai morrer seu velho idiota!".
Pomfrey viu os olhos determinados da jovem antes que ela saísse correndo.
— Avanna! — Hermione berrou no meio de um corredor escuro e destruído. — Por favor!.
Demorou, mas a menina chegou ao Lago e colocando a mão dentro da agua gelada se concentrou na tia.
Finalmente a consciência das duas se conectaram.
"Hermione?" Avanna disse curiosa e meio irritada com a dor de cabeça que a conexão lhe causava.
"Por favor, por favor...me ajuda."
"O que..."
"Ele está morrendo, por favor!" Hermione berrou em pensamento.
"Acalme-se menina! Agora diga o que aconteceu"
Hermione resumiu a historia.
"Traga-o a mim. Estou na América Latina, na Amazônia."
"Mas...eu não consigo ir até ai"
"Vai conseguir, ou ele morre."
Avanna fechou a conexão daquela forma e Hermione correu de novo.
A menina não soube como, mas simplesmente aparatou e se viu na localização que a tia lhe passou. Logo Avanna apareceu e levantou Snape como se ele fosse uma pena e o carregou floresta adentro.
O trio entrou em uma cabana e o homem foi deitado em uma cama simples em um pequeno quarto.
— Eu disse para não amar menina.
Hermione encarou Avanna.
— Eu não...eu não...só não quero que ele morra.
— Seu lado sireno o escolheu, se ele morrer nunca mais irar amar. — Avanna disse e encarou o homem.
— Eu não... — Hermione tentou dizer, mas não conseguiu.
— Você não o escolheu, seu lado sireno sim.
— Podemos salva-lo? Madame Pomfrey só o estabilizou, mas...
Avanna suspirou e sussurrou um "Papai vai me matar!"
— Contarei um outro segredo sobre nossa espécie, ficamos presas ao amor, por isso evitamos amar.
— E como isso pode salva-lo? -Hermione berrou não querendo ouvir de amor.
— Irei ensinar você fazer uma ligação menina, mas se ele te dispensar após isso, pode não morrer como aconteceria com um sireno, mas...irá sofrer como nunca antes.
Hermione não entendia nada sobre sentimentos, e nem porque queria salva-lo, mas queria...e iria!
— Como faço isso?
Avanna revirou os olhos reprovando a escolha da jovem, mas se pôs a falar.



Sete dias depois...


Severus abriu os olhos com dificuldade, seu corpo inteiro doía, principalmente o pescoço.
Quando se acostumou com a claridade notou que estava em um quarto feito de madeira e que havia somente a cama onde estava e uma cadeira ao seu lado.
De repente para sua surpresa Granger apareceu no cômodo e quando o viu sorriu surpresa. Ela sussurrou algo que o mestre de poções não entendeu e se aproximou.
—Quer agua?
Snape tentou falar, mas não conseguiu, parecendo perceber a jovem saiu e logo retornou com uma jarra cheia e um copo, colocando o conteúdo no chão e o ajudou a tomar.
— Onde estou?
A menina se sentou na cadeira ao lado da cama.
— Amazônia.
Os olhos do homem saltaram de susto.
— O que? Como?
— Vamos com calma professor. Irei lhe explicar tudo, mas acho melhor o senhor tomar um banho e comer.
—Não eu...
— Vá tomar banho, depois da porta do lado direito. — Dito isso Hermione saiu.
Snape furioso se levantou, apesar da raiva não via muitas opções além de fazer o que lhe foi dito.
Saiu pela porta e viu uma outra cadeira onde havia peças de roupas, nada preto, mas melhor que nada. O "banheiro" estava do lado de fora da minúscula cabana, e o chuveiro era uma grande peça de madeira fazia.
"Eu devia ter morrido!" Pensou Snape diante da situação cômica.


Snape seguiu o cheiro e ao chegar na cozinha do local , que era onde tinha um sofá velho de dois lugares, quase teve um ataque.
— Vocês tem microondas, mas não um banheiro?
Hermione se virou e riu envergonhada.
— Eu também achei curioso, mas não me responderam quando perguntei.
Ela colocou em uma bancada que dividia o lugar entre sala e cozinha um desjejum básico, com um suco, torradas com geleia e um bolo que cheirava muito bem.
— Coma. — Disse gentil, mas meio desconfortável com a situação, não fazia a menor ideia de como contar.
Severus comeu pouco e rápido e logo encarou a moça de forma inquisitiva.
— Então? — Perguntou diante do silencio.
— Nagini te mordeu.
— Isso eu sei Granger, quero saber porque estou no Brasil e como sobrevivi.
— Madame Pomfrey conseguiu parar o sangramento, mas não te livrar do veneno que logo te mataria. Pedi ajuda a minha tia e por isso você está aqui. — Snape reparou que ela ocultava algo.
— E como exatamente sua tia me livrou do veneno da cobra? — Lá estava a expressão que usava em suas aulas.
— Ahn... um truque chamado de ligação.
— Ligação? E o que exatamente seria isso Granger?
— Ela compartilhou a vida com você Sr. educação. — Uma voz disse atrás de Snape.
Severus se virou e viu uma mulher de cabelos enrolados e revoltos, olhos verdes e um belo corpo moreno.
— E quem é você exatamente?
— Avanna Zafeu, tia de Hermione.
— Isso...isso é verdade Granger?
Hermione vermelha, mas corajosa como somente uma grifinoria sabe tudo seria assentiu e disse:
— Sim é verdade.
Snape ficou sem palavras, depois de um bom tempo em silêncio se levantou abrupto.
— Por que não me deixou morrer? Por que fez isso menina idiota? Eu devia ter morrido, eu...
— É um idiota mal agradecido Severus Snape. — Hermione berrou ainda mais alto e saiu.
— Uau você foi cruel. — Avanna disse e o encarou. — Se queria morrer o problema é seu, não precisava agir assim.
— E o que você tem a ver com isso?
Avanna riu.
— Nada sr.educação, mas Hermione sacrificou muito, seja grato e pelo menos a escute sem berrar.
Avanna saiu deixando Snape perdido em pensamentos e lamentos.


Hermione era uma sirena de pele azulada, seus cabelos triplicavam de tamanho, seus olhos se tornavam completamente brancos e seus dentes afiados. Avanna havia lhe explicado, que ela poderia se adaptar com qualquer agua e diferente da tia não dependeria de ficar submersa para sobreviver.
Avanna era uma sirena de poderes da espécie Pisinoe, o que significava que tinha capacidade para controlar mentes. E sua mãe foi uma Ligeia que tinha como capacidade um canto doce capaz de moldar emoções.
Já Hermione somente se transformava e tinha a ligação padrão com as outras sirenas, pois tinha sua parte humana/bruxa. Logo não teria uma evolução sirena.
A jovem ficou nadando e nadando na selva onde nenhum humano chegava ou via as sirenas. Até que já exausta decidiu voltar para a cabana.
Snape viu Hermione aparecer do meio de arvores, a jovem estava enrolada em uma tolha vermelha. Ao se ver sendo observada corou do mesmo tom daquilo que a cobria.
Apesar da situação Mione o olhou com raiva e passou sem nada dizer para se vestir.
— Granger! — Berrou o homem ainda na entrada do local.
Sentindo ela em suas costas o mestre disse:
— Fiz muitas coisas ruins, eu merecia a morte menina. Porque alguém faria uma tolice de se ligar a mim, eu não sei...mas obrigada!
Ficaram em silêncio por minutos.
— Também não sei porque faria uma idiotice dessas, mas fiz e não me arrependo, então não se arrependa de viver.
Snape ficou em choque com aquelas palavras , por isso nada mais disse.