Sinto Muito

1 Capítulo Único


Uma ioniana que não gritou e proferiu palavras amargas e recheadas de preconceito, algo que causou choque e o deixou parado que nem uma estatua gigante de mestiço.

A primeira vez que a viu foi quando estava rindo e ajudando a mãe dele, com as compras do para o mês da qual Sett que deveria estar ajudando e não uma... Pacata ioniana. Aquilo o ofendeu e o deixou intrigado, além de desconfiado do que a mesma planejava com tal gentileza. Mas ele não tinha tanto argumento quando passou a maior parte do dia no coliseu e se mantinha ausente em casa para levar do bom e do melhor para a mamis.

Ele atrapalhou o momento, sendo rude e desconfiado, desmanchando não apenas o sorriso daquela mulher como o da própria mãe, trazendo o olhar de decepção, aquele da qual fazia Sett pensar duas vezes na merda que cometeu e pedindo desculpas... Para a mãe. Sendo forçado a pedir desculpas a dama ali.

Não foi o melhor primeiro momento, mas do que adiantava, a mulher não saia de perto e com isso, ele saia mais cedo do coliseu apenas para ver se estava tudo bem, conhecendo e vendo de onde ela era, implicando com a mesma em pequenos detalhes, até mesmo na comida da qual ela ajudava com a mãe dele.

“Essa merda tá salgada”, Sett falava e deixava bem clara sua carreta.

“Então tempere você mesmo, caro lobinho”, ela replicava.

A mãe dele apenas sorria e censurava Sett com o olhar, sempre sendo o ponto de harmonia que não deixava ambos brigarem nem em frente a pequena casa como durante as refeições.

Solteira e órfã de pai, assim como Sett. Mas diferente dele, o pai da garota tinha morrido na invasão de Noxus, batalhando contra os invasores e destruidores. Isso não parecia afastar a mesma, com os boatos e provas das origens da mãe dele ou dele próprio, a ioniana ficava. E isso o irritava, mas o deleite de ver as mãos dela tremerem de raiva com as implicâncias era satisfatório. Falava do tamanho e a diferença, os petelecos não faziam parte, mas isso causava a distância dela por um bom tempo... Mas isso causava o estranhamento do menino lobo, não ouvir a voz dela, só que ele não pediria desculpas, não sentia nada para se desculpar.

A convivência dela já era algo comum, virou uma rotina, ir até a casa da mãe e vê-la, sendo essa a provocá-lo e fazendo Sett rir. E quando ele ria, ela também ficava menos chatinha quando mostrava humor... Ela se tornava algo além do que ele já conhecia, uma tranquilidade que vinha dela o irritava no inicio, mas ali... A tranquilidade o deixava mais contido. Havia paz.

Até os dias de caos chegarem... E por Sett estar na folga dele como chefe do coliseu, se deleitava insaciável com as mulheres de corpo volumoso, mas insaciável pelas mesmas não conseguirem dar um toque da qual ele ansiava. A calma que ele sentiu em todos os dias e semanas que passaram.

“Sett...?”

O choque foi o suficiente para afastar os corpos que o tocavam e ver o olhar dela. Arregalados pela surpresa de o ver ali.

“O que você está fazendo aqui?”, ele sussurrou e levantando, causando mais choque para ela ao ver que ele... Deveria estar nu.

Mas isso não pareceu incomodar já que a única coisa que ela fez foi deixar algo cair no chão e sair dali. A reação de Sett foi afastar ainda mais mãos de si e pegar uma roupa, vestindo e se sentindo como... Ele não sabia o que estava sentindo!

“Espera!”

E o que ela estava segurando e estava no chão... A receita mais tradicional da mãe dele... Ela veio corteja-lo...

Como ela sabia onde encontra-lo? Nem a mãe dele sabia que ele era o chefe de um coliseu!

Correndo para ver a mesma longe, sumindo da vista dele e a paz tinha dado lugar ao caos. Voltando para o reinando e ficando só na grande sala do coliseu.

Uma semana foi o suficiente para criar coragem e voltar para a casa da mãe e ver que a mesma estava só, perguntando a ausência da garota e se ele a tinha visto.

Ela sumiu... Mas ela voltaria, certo?

Se iludir e sempre voltar para casa da mãe para ver se a mesma aparecia, mas nunca a encontrando. A paz e harmonia o tinha deixado, sobrando a frustração de não ter percebido antes que ela era o que faltava para o saciar.

Mas o quão tarde tinha notado, tendo o arrependimento para ser maior quando as tropas já esquecidas voltaram e intimidaram os vilarejos, os noxianos voltando para reconquistar e caso tivesse a revolta e luta, haveria morte.

Não mais o líder e chefe do coliseu, temendo pela vida da mãe por ser uma vastaya clara de vista e correndo ao socorro da mesma, sentindo o desespero corroer cada parte de si e com o grito distante de sua mamis, mas com dois corpos mortos de noxianos na entrada de casa, mas com um da qual ele caiu de joelhos ao ver.

“Você vai ficar bem... Vai tudo ficar bem”, a mãe dele sussurrava, tentando reconfortar a garota em seus braços, “Sett... Minhas ervas, ela ainda está respirando...”

“Mãe...”

“Sett! Minhas ervas... Elas... Apenas pegue minhas ervas”, pedia.

Havia mais barulho de armaduras e espadas do lado de fora, mas ele apenas se apressou e obedeceu, usando o pano e pegando tudo que fosse verde para dar a sua mãe, a afastando com dificuldade do corpo com sangue e que respirava tão fracamente, a segurando em seus braços, fugindo de casa com a mesma e com sua mãe.

Foi um longo caminho, mas para sobreviver e vê-la abrir os olhos para ele foi com certeza a mais bela coisa da qual já viu.

“Eu sinto muito...”, ele sussurrou.

“Lágrimas, menino lobo...?”, ela falou em um fio de voz.

“Lobos não choram, menina teimosa”, respondeu, atraindo novamente aquela risada da qual temia não ouvir mais.

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