Época de Vestibular. Muitos estudando para conseguir se ingressar em uma faculdade ou em uma universidade. Momentos para que não somente relacionamentos, mas amizades sejam perdidadas. A vida social já não existe no vocabulário naqueles que estudam incansavelmente. Bom... Talvez eu esteja exagerando. Entretanto, é o que vejo acontecer e é o que está acontecendo comigo.

O ano mal começou e já estou tendo de estudar uma pilha de livros, fazer anotações em espaços pequenos, colar papéis em torno da parede de meu quarto... Faço isso para realizar o sonho de minha mãe. Me tornarei jornalista para seguir carreira do meu pai.

— Kim Seokjin! – Chamou-me a professora, batendo seu livro em minha carteira.

Dei um grande pulo de susto, estava quase dormindo sentado. Um tanto assustado, encarei a professora e notei que ela me fuzilava com aquelas suas órbes negras. Suspirei fundo e com apenas um indicar de dedo, me levantei e tive de ficar do lado de fora da sala segurando em minhas mãos dois baldes cheios de água.

E então, como uma serpente, silenciosa e ágil. Cheon Su-mi abre a porta de trás de sua turma, agachando-se ao entrar. Mordi o interior da bochecha, segurando o riso. Sabia muito bem aonde aquilo iria dar. Contei até cinco e então, escuto o berrar do professor com um coro de risadas abafadas ao fundo e mandou ela fazer o mesmo que eu.

Refletir do lado de fora da sala sobre seu erro enquanto segura dois baldes cheios de água.

Su-mi fez um muxoxo com a boca, revirando os olhos. Seus cabelos castanhos longos, estavam totalmente desgrenhados. Há uma folha presa sobre seu cabelo e ainda há um pequeno galho no topo do mesmo. Sua câmera de fotografia não sai de seu pescoço, aposto que ainda está com aquele bloquinho de notas para rabiscar algo. Sua bocehcha estava marcada de terra, uma de suas meias estava um pouco mais caída que a outra e novamente, mordi o interior da minha bocehcha para não rir.

De repente, ela virou o rosto e me encarou com suas órbes castanhas.

Senti as maçãs do meu rosto esquentar e sorri para disfarçar o constrangimento.

A vejo olhar para os lados, até começar caminhar em minha direção. Endireitei a postura e procurei olhar para frente. Sem saber o que exatamente dizer um para o outro, permanecemos em silêncio por alguns minutos. Os mais longos da minha vida.

— Então... – Começou ela. – Como estão o Sr. e a Sra. Kim? – Perguntou, uma tentativa de puxar assunto.

— Estão bem... E a Dona Jay?

— Está na mesma. – Respondeu, seca.

É sempre assim. Depedendo do dia, quando pergunto da mãe de Su-mi a mesma responde de maneira curta e grossa. Não que eu me incomode com isso, mas adoraria se ela me disse o que se passa nessa cabecinha. Faz cerca de duas semana que não conseguimos sustentar uma conversa com mais de vinte palavras. Nem mesmo por mensagens de texto.

As vezes me sinto um péssimo namorado. Em outros momentos penso que o problema não sou eu e até mesmo chego a pensar que não é nenhum e nem outro, apenas a vida querendo dizer que não dá mais para ficarmos juntos. Porém, não quero abrir mão do meu relacionamento com a Su-mi, tento encarar tudo isso como se fosse uma fase ruim para nós dois e que não devemos nos deixar abalar por isso. Eu a amo muito e quero fazê-la feliz...

— Irá sair hoje á tarde? – Desta vez, sou eu que início a conversa.

Vejamos, hoje é sexta-feira e aposto que ela irá encontra-se com seu pai mais tarde na velha lanchonete perto de sua casa. Eles fazem isso toda semana.

— Não sei, meu pai está ficando cada vez mais ocupado com o trabalho. Não quero que ele saia do trabalho e dirija desde lá até a lanchoente, leva cerca de uma hora. Quero que ele descanse. – Respondeu, ficando com a cabeça cabisbaixa.

Fiquei a encarando por alguns segundos. Respirei fundo e encostei levemente minha bochecha em sua cabeça.

— Converse com ele sobre isso e pergunte a opinião dele. Mesmo que ele esteja cansado, quem sabe não é você quem lhe dará forças a continuar?

Como você faz comigo... – Completei mentalmente.

— Irei pensar...

Os pais de Su-mi são divorciados e ela nunca demonstrou incomodo por isso, pelo contrário, quando seus pais se divorciaram, sentiu-se tão bem! Ela estava mais feliz, mais empolgada para tudo que a rodeava. Entretanto, de uns tempos para cá, sua expressão veio se tornando vazia, melancólica e toda vez que pergunto o que houve, ela apenas vira o rosto e diz seca um mero: não é nada.

O sinal soou nos assustando e Su-mi voltou rapidamente para em frente a sua turma. Os professores saíram e nos liberaram do castigo.

XXX

Eu devo ser uma péssima namorada. Eu vejo Jin se esforçar nos estudos, enquanto eu gasto meus dias tirando fotos e desenhando. Isso quando não estou em um péssimo humor e acabo dormindo por um dia inteiro. Eu o amo mais que tudo e não quero terminar com este relacionamento.

Sinto uma enorme falta das carícias dele e sinto-me mal por não conseguir dizer nada à ele. Porém, eu penso que se eu desabafar, estarei o incomodando com isso, já não lhe basta o pai que está doente e se eu vier com os meus problemas, será algo a mais para se preocupar e agora que está se esforçando para torna-se jonarlista... Argh! Não quero mais pensar, só quero que nosso relacionamento volte ao que era antes.

Nem me lembro mais a última vez que nos beijamos ou trocamos um... “Eu te amo” sincero.

Depois desta breve conversa que tivemos, sinto meu peito doer. Quero sair com o Jin e a mesmo tempo não quero.

O que eu devo fazer?

Penso comigo que estou fazendo uma tempestade em um copo d’água, mas infelizmente, este é o meu jeito de ser. O jeito orgulhoso e cabeça dura. Pelo Jin, guardarei meus desabafos para outro dia.

Notas finais
Então, o que acharam deste prólogo? Avisando que cada capítulo será narrado por um dos dois.

Bom, é só isso mesmo e até logo. Beijos da Okami e obrigada para quem leu. ;3