Sinta-me
1 O Primeiro Salvatore
Tenho estado estes último meses em uma casa de campo de uns familiares. Depois do acidente tentei me manter na cidade, mas precisava me afastar de lá. Achei que um tempo longe me faria melhor. Que talvez eu conseguisse achar uma maneira de lidar com o acontecido e assim voltar para cuidar da minha família, ou ao menos o que havia restado dela. Meu irmão caçula Jeremy e minha tia Jenna, a qual teria sido oferecida nossas guardas. Na verdade ela é a parente mais próxima de nós, irmã de minha mãe. Ela está fazendo o melhor que pode por nós. Sempre tão sozinha, penso ás vezes que ao entrarmos em sua vida podemos ter dado dinamismo a ela. Mas por outras vezes penso não ser esse dinamismo pelo qual ela esperava. Já que fomos praticamente despejados em sua casa.
Ter voltado a Mystic Falls não exatamente como imaginava que seria. Pensei que minhas energias estariam renovadas, mas estou do mesmo jeito de quando saí. Desanimada. Tive uma viagem longa, algumas horas na estrada, sem dormir. Então cheguei tomei meu um banho, e fui descansar. O dia amanheceu, e praticamente amanheci junto com ele, já que á tempos não consigo dormir tão bem. Logo pela manhã tia Jenna já prepara um enorme banquete, bom, mal estou me alimentado, e Jeremy já havia levantado e ido a escola mais cedo. Esqueci de mencionar que hoje era o primeiro dia letivo. E não estava nem um pouco empolgada em reencontrar todos os meus amigos. Na verdade nem queria ser vista na rua, sob aqueles olhares de pena de todos os moradores. Muitos que até hoje acreditam que eu sai da cidade para ir para alguma casa de reabilitação.
Jenna me ofereceu uma carona para ir á escola, porém recusei, primeiro por saber que dirigir era algo que ela detestava, segundo porque me prometi fazer algo durante todo os dias do ano. Visitar meus pais. Fazia tempo que não andava tão cedo por Mystic Falls. A última vez o céu estava em um tom de azul que parecia ter sido pincelado cada pedaço, as árvores floridas dando frutos, pássaros cantando, havia vida. Totalmente diferente de hoje, céu nublado, árvores secas, os pássaros entocados em seus ninhos. Bem típico outono. Mas preferir usar a definição de que o tempo estava daquela forma pois era o reflexo da minha alma, que estava exatamente igual aquele dia nublado, sem vida.
Ao chegar no túmulo dos meus pais, tive que conter as emoções. E bem não era nada fácil, porque ali pude perceber que nada havia mudado. Eu estava tão frágil quanto nos primeiros dias depois da tragédia. Bem, fiz uma promessa a mim mesma e irei cumpri-la rigorosamente. Então acostumem-se que virei aqui todos os dias como prometido para lhes deixar informado do que acontece na minha vida.
–Devo começar dizendo que hoje é o primeiro dia depois de tanto tempo afastada, e que não estou tão pronta para enfrentar tudo como pensei que estaria. Posso mentir para os outros em relação ao que sinto, posso sorrir e dizer que tudo está bem, mas não posso mentir para mim. Mas é isso que vou fazer hoje, sorrir e apenas fingir que está tudo bem. Penso que em algum momento as coisas realmente voltarão a ficar bem. Vocês sabem que eu não queria que isto acontecesse, sabem não sabem? Pergunto achando que terei uma responta, mas sei que não. Sinto as lágrimas caírem desenfreadas pelo meu rosto. Prometi que não iria chorar e não vou. Jeremy está com saudades também. Vou fazer de tudo para mantê-lo bem. Eu prometo. Agora preciso ir, antes que me atrase para meu primeiro dia letivo e desista de todo um ano. Amo vocês.
Tive a leve impressão de estar sendo observada, mas era só algo da minha cabeça. Ao sair esbarrei na minha melhor amiga, ou ex melhor amiga, pois havíamos perdido contato.
–Olá Bonnie. Disse a ela.
–Oi Elena, fiquei sabendo que você voltaria ontem, não fui a visitar porque também sabia que a última coisa da qual você iria precisar era de uma festa de boas vindas. Disse ela sorrindo para mim.
–Tudo bem Bon, como minha melhor amiga, mas uma vez você estava certa. Respondi a ela.
–E você como está? Me perguntou
–Bem, esse tempo fora me ajudou muito. Precisava ficar afastada. Respondi a ela pensativa.
–Exato. Precisava, passado. Agora o que você precisa é estar com seus amigos e se adaptar a sua nova vida. Todos estão aqui por você Elena, e sempre estaremos. Agora vamos antes que nos atrasemos. Bonnie me puxou pela mão e antes que pudesse respondê-la, senti um mal estar gigante quando ela me tocou, e percebi que ela também sentiu o mesmo. Mas fez como se nada houvesse acontecido. Então me lembrei que quando minha vida ainda era feliz, ela só falava de magia, e se alto dominava uma bruxa. Após o acontecido fiquei me perguntando o que ela havia aprontado durante esse tempo. Mas não tive coragem de ir tão longe e perguntar. Ao entrarmos no colégio estava indo em direção ao meu armário quando senti um abraço caloroso.
–Elena é tão bom tê-la de novo conosco. Nem via a hora de você voltar, tenho muitas novidades para te contar. Algumas talvez você não goste, mas espero que fique tudo bem. Mas depois falamos sobre isso. Fiquei sabendo que você voltou ontem, mas sabe como líder comunitária de Mystic Falls e presidente da comissão organizadora do colégio estou sem tempo algum. Bem, agora preciso ir tenho uma reunião para liderar e deixar meus aprendizes por dentro de todas as regras. Te amo Elena, beijo. Saiu tão rápido que mau tive tempo de falar algo. Caroline saiu cumprimentado e sorrindo para todos. Olhei para Bon e comentei:
–Vejo que as coisas andam as mesmas por aqui. Rimos e continuamos nosso trajeto.
Ao chegar ao meu armário tive uma lembrança de uma semana antes de meus pais falecerem. Pois tive que lembrar a série de números do meu armário. 0251, nunca ira me esquecer, nem depois de tantos traumas. Uma série que fiz meus amigos acreditarem que era aleatória. Mas não para mim. Numa noite de sábado havia saído com meu ex namorado, que sempre fora meu melhor amigo, que após o termino, acho que tinha passado a ser ex melhor amigo, pois Matt já não falava mais comigo. Estávamos discutindo em uma social de um de nossos amigos, quando decido deixá-lo lá e ir embora. Fui para rua ligar para minha mãe vir me buscar e já lhe deixei informada sobre o que tinha acabado de acontecer. Ao desligar o celular virei-me e levei um susto.
–Nossa, que susto você me deu. Você está ai a muito tempo? Perguntei.
–Desculpe pelo susto, não era minha intenção. Me aproximei pois você me lembrou alguém a quem estou procurando. Me respondeu o cara misterioso olhando diretamente para meus olhos, o que me incomodaria em qualquer outra situação, me deixaria desconfortável, mas não com ele.
–Então me desculpe, não era minha intenção confundir sua mente. Respondi a ele rindo.
–E você faz o que aqui sozinha a essas horas? Não tem medo que algo possa lhe acontecer? Me perguntou com um sorriso sarcástico no rosto. Sorriso que definitivamente poderia ver por horas sem me enjoar.
–É Mystic Falls, nada acontece por aqui. Inclusive já vou lhe avisando, se você está atrás de diversão veio para o lugar errado. Disse a ele mordendo a parte inferior do lábio e rindo.
–Acho que encontrei algo mais interessante este noite. Me falou abaixando a cabeça e deixando escapar um sorriso de canto. Tive vontade de beijá-lo no mesmo instante. Ele voltou a me olhar nos olhos, e era como se ele pudesse ler meus pensamentos. Fiquei um pouco sem graça por ter pensando aquilo. Vendo que fiquei sem jeito ele se aproximou, e passou a mão em minhas bochechas dizendo:
–Você está corada. Não precisa ter vergonha. Disse ele sorrindo. Não quis deixá-la sem graça. Nos encaramos por algum tempo, que até pensei que iria rolar um beijo. Mas ao ver um carro se aproximando voltou a me olhar nos olhos e disse:
–Você vai esquecer toda esta conversa. Vai esquecer que me conheceu. Vi que sua expressão mudou para algo que não pude decifrar naquele momento, mas acho que ele havia ficado triste ao me pedir aquilo. Sem entender o que estava acontecendo permaneci parada prestando atenção nele. E então ele continuou:
–Você vai ter uma vida feliz. Vai conhecer alguém que te ame. E vai viver momentos excitantes pelo qual você tanta espera. Mas antes de mais nada, qual seu nome? Disse ele
–Elena. Respondi.
–Adeus Elena. E em questão de segundos ele desapareceu. Até hoje não entendo o que ele tentou fazer me dizendo para esquecer aquilo. Como se ele pudesse apagar minhas lembranças. Voltei a tona quando senti meus livros caírem sobre mim. Nada havia mudado continuava a mesma Elena desorganizada de sempre. Antes que eu pudesse me abaixar, alguém me disse:
–Deixe-me que eu te ajudo. Então notei que estávamos praticamente nos beijando. Sua respiração era intensa. E ele era lindo. Porém nunca tinha o visto. Aluno novo. Antes que pudesse agradecer, vi que Bonnie já me observava algum tempo, então sorri sem ao menos olhar em seus olhos e saí. Ao chegar perto de Bonnie já começaram as avalanches de pergunta. E antes de mais nada disse que não havia acontecido nada demais. Ela riu e disse:
–Tanto faz vocês já estão destinados um para o outro. Não entendi o que ela quis dizer com aquilo, mas não fazia sentido então continuei andando.
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