Sinnerman - Os Irmãos Cullen - Vol. 1
19 Vingança
Notas iniciais
No capítulo anterior:
— Não, não brigamos muito. Amo muito o meu marido, é um homem de fibra e não há espaço para brigas tolas em nosso matrimônio, senhor quem quer que seja. — vociferou ela, não admitindo que falassem sobre seu marido. — Quem és tu? — indagou aterrorizada. O homem possuía ódio no olhar no momento em que ela falou sobre Edward. Porém não respondeu-a.
Não sabia quem ele era, todavia tinha certeza: Era ele. Ele queria vê-la morta.
***
Sinnerman simplesmente não encontrava sua esposa. Imaginou que tivesse ido aos seus aposentos descansar, ou até mesmo vomitar de enjoos. Entretanto uma vez que checara todos os quartos, inclusive os de banho e a biblioteca, ficara preocupado. Deus, o que tinham feito com ela? Sabia que ela estava chateada pela discussão duas semanas atrás, todavia não era do feitio da esposa este comportamento. Pela segunda vez naquele ano rezava desesperadamente para que ela estivesse bem.
Precisava de ajuda para procurá-la ou o culpado de levá-la se fosse o caso, porém não desejava alarmar os nobres que em seu castelo estavam.
— Quem és tu? — lady Cullen indagou pela terceira vez. O homem sorriu.
— Imagino que seu adorável marido não tenha falado sobre mim. Sou Jasper Hale, barão de Withlock. — o homem alto e loiro falou. Não era tão diferente do menino da pintura que Isabella tinha visto na biblicoteca.
— Por que desejas minha morte? — Isabella disse e instantaneamente pôs as mãos em seu ventre. Queria protegê-los de todo o mal. Chorou por dentro ao perceber que ele a mataria ali. A ela e aos seus filhos.
— Já que irá morrer logo, receio que posso contar a verdade. Estou aqui porque "Sinnerman", como o chamam, assassinou o amor da minha vida. Minha família sempre foi amiga dos Cullen e crescemos juntos. Alice não gostava do irmão, entretanto. — narrou ele, olhando para o nada como se estivesse em seu passado.
— Vós sois um idiota se pensa que Edward a matou. — vociferou ela para o homem. Um brilho pairou em seu olhar.
— Edward? Ele permite que o chame assim? — indagou com profunda inveja do amigo de infância.
— Claro que sim. Sou sua esposa. — afirmou ela com convicção, ainda segurando o ventre.
— Ele a jogou daquela janela! — o homem bradou descontrolado. Seus olhos beiravam à loucura. — Ele a jogou. Eu a amava. Éramos almas gêmeas e sabíamos desde o momento que pomos os olhos um no outro. Alice, minha querida Alice... — sussurrava ele o nome dela como se fosse uma oração. Isabella deu um passo para trás assustada. — Éramos todos crianças quando a conheci. Desde que nos vimos confiamos mutuamente um no outro. Após um bom tempo, ela confessou-me porque odiava o irmão mais novo. Dissera que seu pai, Edward Senior, os jogaram no imundo orfanato de St. Louis, apenas porque o menino parecia-se com a mãe. Desde então, Alice passou a odiá-lo. Desejava vê-lo morto. Ela não o amava. Ele tirara a vida da mãe e arruinara a dela. Sempre arquitetávamos como matá-lo. Eu até apreciava Edward, era um bom amigo. Porém eu a amava tanto e apenas queria vê-la feliz sem seu irmão idiota respirando. Sempre falhamos ao tentarmos assassiná-lo. Esme vivia agarrada ao garoto. Amava-o de coração. Sentia pena dele. Quando finalmente conseguimos um momento em que ele estivesse sem a presença dos pais e criados... Foi quando aconteceu a grande tragédia. — narrava ele, tremendo-se. — Ele tirou a vida de meu amor... — choramingou ele, aterrorizantemente desestabilizado. — E tu vais pagar. — cuspiu ele as palavras.
— Por favor, não... Estou grávida... Os meus filhos! — Isabella choramingou segurando-os protetoramente.
— Foda-se seus filhos de merda. Estarei fazendo ao nosso reino um favor, se nascessem como o pai.
— Não estaria não! Edward é um homem mil vezes melhor do que tu és! — bradou ela indo para cima dele.
— Não encoste em mim, sua rameira burra. — ele disse, apertando-a pelo pescoço. Ela queria gritar com toda a força de seu ser, porém estava sem respirar devido as grandes mãos que prendiam sua garganta. Isabella queria implorá-lo para parar, pelo bem de seus filhos que precisavam de ar. Ela tinha que lutar. Com as unhas, apertava o rosto do homem insano na sua frente com toda a força que tinha. Sentia suas unhas quebrarem. — Sou forte demais para você? — desafiou usando a linguagem informal como se falasse com uma rameira de algum prostíbulo. — Ele vai sentir a dor que eu senti quando matou minha Alice. É tudo que eu quero. Fique quieta e será mais fácil.
Tudo aconteceu rápido demais. Ele a empurrou da margem do solário, que era o cômodo mais alto do castelo. Isabella não morreria em vão. Colocou as mãos na túnica do homem e o fez cair junto a ela.
Edward não tinha escolha a não ser o solário. Foi até lá e não viu ninguém, até ouvir um forte baque. Sabia o que aquilo significava. Não, não, Deus, não. Algum corpo estatelara-se no chão frio afora do castelo... Não podia ser Isabella... Deus... Foi ali que percebeu que a amava. Sim. Amava a sua esposa com todo o seu ser. Nunca sentira dor maior do que aquela na sua vida. Nem seus anos de tortura comparavam-se aquilo. Santo pai, seus filhos! Morreram junto à ela!
Fazendo um esforço sobrehumano para se mover, Edward foi até a margem do solário. Assustou-se com a imagem ali. Não era possível. Ao contrário do que ele pensou — sua mulher desmembrada no chão do castelo e o sangue saindo de seu corpo — ela estava ali. Como ele estivera há alguns anos atrás quando matou sua irmã. Presa na haste de ferro com o vestido entrelaçado nela e sua mão, encarando-o com dois olhos marrons terrivelmente assustados. Nunca mais queria ver aquele medo no olhar maravilhoso que a esposa tinha. Não tinha cor e não falava.
Recuperando-se daquela cena mais do que intensa, ele a pegou pela mão e como se ela pesasse uma pena a trouxe de volta para o solário. Entretanto o mesmo ameaçava cair onde estavam. Correndo com ela nos braços foi para a parte interna do castelo, visto que o lugar que estavam antes era praticamente pendente no ar. Ali, com a esposa nos braços viva e respirando, ele assistia o solário caindo aos poucos, pedra por pedra, em cima da pessoa que estava lá em baixo. Ele não conseguira ver quem era, apenas que era um homem.
— Meu amor? — ele chamou desesperado. Ela sorriu abertamente. Era a primeira vez que ouvira tanto sentimento na voz que costumava ser sempre distante. — Eu te amo tanto... — sussurrou e a abraçou apertado contra si. — Perdoa-me, meu amor, por favor... Não saberia o que faria se não estivesse aqui. Perdoa-me, meu anjo. — ele implorava e soava como uma canção. Ela pôs o dedo indicador nos lábios trêmulos do seu esposo. — Conte-me o que aconteceu... Por que não falas comigo? Pedi perdão e... — ele parou quando ela afastou os cabelos do vão de suas clavículas.
O pescoço da esposa de Sinnerman estava fortemente marcado pelas mãos de Jasper Hale. Era circulado por uma grande marca de vermelho intenso. Edward arfou e quando a morena o olhou nos olhos percebeu que nunca o tinha visto com tanto ódio no olhar. Nem mesmo quando brigaram sobre os gêmeos.
— Quem. fez. isso. com. minha. mulher? — falava palavra por palavra, sentindo dificuldade ao se expressar de tanta fúria que sentia. Seria o seu suspeito?
A mulher fez sinal para que entrassem no castelo. Edward a carregou até os aposentos do castelão onde a deitou e pegou um cálice de água para ela que aceitou de bom grado.
— Emmett! — gritou, porém havia muito barulho no salão. — Bruce, Emmett. — bradou Edward pro cão-lobo que assentiu como se o entendesse e foi em direção ao homem que seu senhor procurava.
— Hey Bruce, — Emmett cumprimentou e o cachorro pôs se a latir. O homem já sabia que era chamado de seu dono.
— O que aconteceu? — ele perguntou exasperado.
— Primeiro, encerre o baile de forma sutil. Diga que a anfitriã passou mal devido a gravidez. Expulse um por um com a ajuda de Eleazar e em seguida volte aqui. — ordenou Sinnerman e o irmão assentiu.
Edward não conseguira pregar os olhos por um segundo durante a noite. A linda morena que descansava ao seu lado provavelmente só conseguiria falar amanhã. Ele simplesmente não conseguia esperar para saber quem era o culpado e por que a queria morta.
Deus, imaginava tantas mortes para aquele homem que infelizmente já falecera da queda do solário. Como queria ter chegado a tempo e o torturado como se fosse um animal. Era impossível dormir quando conjecturava mil mortes para aquele homem. Ódio. Era tudo o que sentia.
— Hmmm. — Isabella resmungou, acordando de seu sono. Graças a Deus, sua voz havia retornado!
— Isabella? — ele disse e ela o olhou sonolenta. — Por favor meu amor, conte-me tudo. — instantaneamente ela começou a chorar, acariciando o ventre. Soluçava sem parar e ele logo a amparou, deitando seu rosto molhado no peito nu e colocando a mão na barriga dela.
Como milagre, um dos bebês moveram-se ao sentir o toque do pai. Edward olhou o ventre maravilhado e Isabella, em meio aos soluços, sorria encantada. Seus bebês mexeram ao seu toque, Sinnerman pensou. Não havia nada melhor que isto.
— É a primeira vez? — ele disse e ela assentiu. — Devem ser saudáveis. É meio cedo para estes chutes.
— Pode ser a mãozinha. — ela disse.
Percebeu que concordava com a esposa. Nunca mais pediria o que havia exigido semanas atrás.
— Perdoe-me por ter ao menos pensado em fazê-la desistir deles. Estava com medo de perdê-la.
— Está tudo bem, marido. — ela suspirou. Algumas lágrimas ainda insistiam em cair. Se soubesse que ele a admitiria o amor e aceitaria aos filhos, estaria disposta a passar por tudo novamente.
— Agora conte-me tudo. — pediu apreensivo.
— O homem era Jasper Hale. — suspirou.
— O que...? Não é possível, era meu amigo de infância, sempre foi um homem quieto...
— Edward ele a amava. Amava a sua irmã impulsivamente. Jurou que tu tinhas empurrado-a. Queria que sentisse a dor que ele sentiu quando ela veio a falecer. Queria vingança. Implorei para que não o fizesse, pelos meus filhos, ele não deu-me ouvidos. Enforcou-me até eu não poder mais implorar... — Edward contraiu o maxilar. — E tentou jogar-me pelo solário abaixo. Eu não desejava que minha morte fosse em vão e o puxei. Meu vestido, todo cheio de tiras e enlaçado, ficou no ferro. Agarrei a haste com minha mão.
— Se eu não tivesse escutado o corpo dele no chão... — Edward não queria nem imaginar. Isabella, sem voz como estava, passaria a noite e até poderia morrer no frio ali. — Eu teria ido embora e cedo ou tarde tu irias cair...
— Sim. Seria terrível. Porém escutou o corpo dele e foi olhar. Salvou-me. É o destino. É a bênção de Deus. — ela disse beijando o peito do marido.
— Seriamente? — o marido perguntou genuinamente e ela assentiu.
— Edward... achas que foi minha culpa que ele morreu? — indagou ela e ele logo negou.
— Claramente não, Isabella, fez isso para salvar-se de um monstro que queria matá-la! — bradou.
— Foi a mesma coisa que fez anos atrás meu amor. Não matou a sua irmã. Jasper disse que ela sentia raiva de ti. Parecia a todos que era ciúmes do patriarca e da matriarca Cullen, porém não era. Era raiva por ter sido dada à adoção junto a ti. Raiva por uma coisa que seu pai fez.
— Isabella...
— Não a matou. Livre-se desta culpa. Aceite-me, aceite seus filhos. — implorou ela e ele abriu um sorriso que podia iluminar o mundo. Não era nem a quarta vez que via aquele sorriso.
— Já aceitei e peço perdão por não ter aceitado antes.
— Amo-te. — ela disse e o beijou, sentindo o calor e o cheiro maravilhoso que emanava dele.
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