Singularidade

4 Manual de Bolso da Magia


Um ano e nove meses se passaram e nenhum sinal do retorno de Lisa, Morfeu então se atentou aos movimentos de escrita e leitura diária de sua mãe e aos poucos aprendeu o significado de cada palavra. Aquele era um combate colossal finalmente vencido, o primeiro inimigo havia sido derrota

"Aguarde por mim porta maldita."

Decidiu então começar com o menor dos livros, Manual de Bolso da Magia de Astra Numenor.

—_____________________________________

Capítulo 1 — Sobre a magia

Magia é a imposição consciente da vontade sobre as leis universais. Ela foi dada pelo Primeiro aos Deuses que por sua vez passaram a diante a suas raças.

Ela é única mas suas manifestações são várias tal como suas implicações, potência e uso.

Dentre os usuários de magia podemos dividir em dois principais grupos:

Transformadores: Aqueles que usam a mana ao seu redor para manifestar eventos naturais ou não naturais.

Alocadores: Aqueles que usam a mana ao redor para manifestar mudanças em seus atributos físicos.

Observação: Magos de nível mestre podem compor ambos os grupos mas é estimado no momento atual que apenas um grupo pequeno mesmo dentre magos de nível mestre é capaz de tal façanha.

Um mago tem por natureza um elemento nativo, são eles:
Água, terra, fogo, ar e trovão.

Sendo terra e trovão elementos mais raros de serem encontrados.

É de conhecimento geral que a raça Elfica tem maior pré disposição ao elemento água e a raça das Bestas ao elemento fogo, enquanto Humanos e Anões possuem disposição variada entre elementos.

Isso se deve a natureza de sua própria espécie uma vez que as divindades Ugoth ( Elfica) e Mazaff ( Besta ) decidiram por adotar um elemento específico como sua marca segundo o mito.

Capítulo 2 — Dos magos

Magos em qualquer espécie são, a princípio, forças necessárias para o avanço tecnológico e militar. Sendo sua presença necessária para a descoberta dos fundamentos que regem o universo.

A idade média de despertar de um mago é entre doze e dezessete anos, havendo casos de despertar em idade mais jovem mas nunca em idade mais avançada.

Pesquisas do Instituto Unificado de Magia sugerem maior facilidade no despertar mediante a exposição de crianças a cristais reagentes, nao existem dados suficientes para a comprovação da teoria.

Aviso ao leitor: Todas as tentativas de transplante de mana a não-magos resultou em morte instantânea. Sendo considera uma prática proibida e criminosa segundo as determinações do Conselho do Império.

A fonte de magia de um mago provem da alta quantidade de partículas de mana presentes na atmosfera que é convertida em um órgão de mana que passa a compor seu corpo, comumente o coração, sendo chamado de coração de mana. Há casos em que o órgão de mana se forma também na região do plexo solar, sendo chamado de núcleo alternativo. Não há relatos da existência de dois órgãos de mana simultâneos.

A mana a princípio é distribuída de forma irregular pelos meridianos do corpo. Ela se forma primeiro no coração de mana e depois é empurrada para os meridianos, é comum que na primeira manifestação magos sintam imensa dor em todos os seus órgãos e respostas involuntárias do corpo como vômitos, sangramentos, paralisias temporárias, desmaios e em casos raros, coma.
O domínio do fluxo de mana através dos meridianos é atualmente o padrão de medida do nível de um mago, sendo considerados aqueles com o domínio da fluidez de um a três meridianos magos iniciantes, de quatro a sete magos intermediários, sete a dez magos avançados, dez a quinze magos mestres, quinze a vinte um magos celestiais.

Como as estatísticas são baixas tanto para o número de magos na população humana em geral (7%) quanto para níveis mais avançados, magos de nível intermediário recebem bonificação por parte do império e a cada novo meridiano recebem também títulos de honra e propostas para trabalhos diretos.

Capítulo 3 — Da disposição de elementos

É estipulado que dá distribuição geral de elementos entre os magos de todas as espécies existam: 35% de Fogo, 24% de Água, 21% de Ar, 10% Terra e 10% de Trovão.

Cabe aqui um adendo: Por natureza magos podem usar apenas UM elemento mas não são raros os casos do uso de dois. A partir de três esse número cai absurdamente e o uso de quatro ou mais é considerado uma genialidade pura.

Há também aqueles que fazem uso de feitiços de nível arcano como a utilização de efeitos a distância como telepatia e telecinese. Magos de nível arcano são considerados Anomalias e exercem altos cargos dentro de suas respectivas populações.

Dos feitiços arcanos já observados estão inclusos:

Magia remota: Manipulação de objetos a distância, visão remota, comunicação mental, ilusão e efeitos psíquicos diversos.

Magia fundamental: Manipulação em micro e macro escala das leis universais e fundamentais como alteração na natureza do objeto. Exemplo: Transformar água em gelo, areia em vidro e afins.

Magia Espiritual: Espíritos estão em grande escala na natureza mas são poucos os que se deixam observar e menos ainda aqueles que ensinam suas práticas a outras espécies. Em caso raros magos conseguem fazer contato com o reino espiritual e podem absorver sua essência única de mana. Há também casos em que o espírito forma um pacto hereditário dando livre acesso a magia Espiritual aos descendentes de determinado sujeito. Esse efeito só foi observado nos descendentes da família de Yazur, o primeiro Rei Elfico.
(Para maiores informações sobre o reinado de Yazur ler "Contos do Rei caído, também do mesmo autor").

Capítulo 4 — Do uso de feitiços e seus cuidados

A principal força por trás de um feitiço bem aplicado é a vontade, ela atua como principal motor na realização.
Desde que haja mana necessária dentro do núcleo um mago pode realizar quantos feitiços quiser mediante sua vontade.
Feitiços também podem ser interrompidos a vontade alheia for maior do que a do invocador, sendo essa uma das principais contra medidas em batalhas mágicas.
A lógica aplicada para realização de um feitiço é a utilização da vontade mais a visualização do efeito esperado dividido pela quantidade de mana.

V+V
M

Em casos de uso de varinhas, cetros ou pedras o cálculo deve ser realizado elevando as variáveis ao potencial mágico do objeto em questão e subtraindo as variáveis de ambiente e natureza do objeto. Esse assunto é abordado no Manual da Teoria Mágica.

A visualização para magos transformadores de nível iniciante deve ser realizada tendo em vista pouca potência de feitiço e manifestações geométricas simples como retas, círculos, quadrados e triângulos. É aconselhável que se comece com apenas um ponto.

Já para magos alocadores de nível iniciante é aconselhável a manifestação somente em partes separadas e controláveis do corpo como dedos e palma das mãos.

Tenho por obrigação advertir que a tentativa de utilizar feitiços superiores a quantidade de meridianos abertos pode levar a exaustão, doenças crônicas, coma e em casos mais graves a morte.

Fim.

—_____________________________________

Morfeu se sentiu feliz, feliz como nunca antes. Via ali uma oportunidade de ouro de se tornar um mago de verdade. Exceto por uma coisa: Doze anos é muito tempo, mal havia chegado nos três mas considerando que aquela era um vida inteiramente nova ele tinha uma expectativa grande pela frente ou pelo menos era isso que gostava de imaginar.
Pelo escrito no manual pular passos não facilitava nada, era como programar, querer invadir a Nasa a antes saber o que organização de computadores ou redes só te faz de alvo fácil para as mazelas da vida.
Naquela altura já era capaz de caminhar livremente e decidiu atazanar Diana em seu trabalho, agora que sabia que tanto o que a mãe como a tia eram nada mais justo do que usar a curiosidade infantil a seu favor.

— Mãe, você é uma anomalia? — questionou inocentemente

— Sim, sensorial de magia re... — Diana interrompeu sua frase assustada — Como é? Onde você viu isso?

— Vi num livro que a tia Lisa trouxe.

— Eu odeio aquela mulher... Mas onde você aprendeu a ler? Eu nem te ensinei!

— Eu fui lendo seus lábios. Enquanto você escreve mexe muito a boca mamãe, então só juntei as coisas.

— Meu filho é um monstrinho, tá fazendo jus ao nome do seu avô.

— Qual era o nome do vô?

— Morfeu.

— Oi.

— Não filho, o nome do seu avô era Morfeu. Eu te dei o mesmo nome.

— Ele deve estar muito feliz com isso mamãe. Mas você tá mandando de assunto.

— Já não basta você andar e falar tanto nessa idade. Sabia que isso não é normal?

— Não é bom que eu consiga falar com a senhora?

— Por favor Morfeu, não usa lógica comigo, você tem três anos e meio. Tá bom, eu te falo.

Diana pegou Morfeu no colo e seguiu em direção a maldita porta, aquele era o momento de vencer o segundo desafio hercúleo. Ao abrir a forte do luz do dia entrou nos olhos da criança e ele pode contemplar o quintal com um pequeno lago e diversas árvores. A casa tinha uma cerca de madeira de um metro em torno de todo o terreno que, a propósito, era bem grande.
Ela deixou o garoto no chão e se alongou, seu longo vestido branco se encontrava em perfeita harmonia com a natureza e naquele momento tal como nos outros se encontrava bela.

— Já que você leu sobre o básico eu vou te mostrar. Magia é vontade e sem querer me gabar eu tenho de sobra, sua mãe é uma anomalia de nível mestre.

— E a tia?

— A Lisa é uma anomalia intermediária. Por algum motivo só nós duas somos na família. Você tem alguns primos distantes mas nenhum deles era, seu avô também não mas, ele era um gênio penta elemental celestial. Eu nunca cheguei nem perto.

— Quantos elementos você controla mamãe?

— Água, fogo e ar.

"Nunca cheguei nem perto e domina três, ela tem um sério problema com autoestima. Quando a Lisa tava por perto ela se exibiu e quando ela tá comigo se diminui."

— Mamãe, a propósito, qual o nosso sobrenome?

— Nossa, eu nunca te contei. É Zikov. Você é Morfeu Zikov, da casa dos Zivok.

"Se isso fosse uma história eu diria que o autor é um preguiçoso que inventou qualquer coisa pra fechar buraco mas até que é um bom nome."

— Vou te mostrar na prática então. — Disse Diana — O princípio básico é moldar sua vontade e pra isso eu vou desejar que a água do rio saia e venha até mim. — A medida que ela pronunciava os eventos aconteciam — Depois eu vou moldar a água como eu quero e nesse caso é um círculo em volta do meu corpo e por fim ele vai ter a intensidade de movimento que eu quiser baseado na mana que eu tenho.

— Quanta mana você tem?

— Bastante.

O círculo de água em volta do corpo de Diana tomava velocidades cada vez mais absurdas chegando ao ponto de que Morfeu sabia que se chegasse perto seria partido em pedaços.

Depois de alguns segundos de intensa velocidade a água parou e se fragmentou em pequenas bolas de água flutuantes que viajaram por todo quintal até caírem subitamente no chão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.