Notas iniciais
Fala galerê! Como combinado, duas semanas. Apesar de poucas pessoas lendo, eu considero pacas. haha Enfim, boa leitura!

Meu corpo estava tenso e dolorido e minha mente estava pouco perturbada. Eu não faço ideia do que houve enquanto eu dançava no palco para as mulheres a minha frente naquela noite, pois Camila me mandou uma mensagem estranha perguntando o que tinha acontecido. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo quando liguei para ela, assim que me respondeu que precisávamos conversar.

— Juro pra você, Lauren. A mensagem veio do seu celular e eu fiquei preocupada! Nem lembrei que você iria se apresentar hoje, eu só fui pra praça! — Ela estava nervosa, eu conseguia sentir. Minha parte pela noite já estava acabando, então, pedi para Mani se apresentar antes de mim e hoje, quem seria o gran finale, era La Morgado.

— Tudo bem, Camila. Eu vou tentar descobrir se alguém mexeu no meu celular que estava no meu armário no camarim, mas provavelmente foi alguma piada muito sem graça de uma das meninas. — Fui checar o meu armário, porém, ao tentar ajoelhar, acabei me desiquilibrando do salto alto da bota e cai de joelhos. Bati a cabeça na porcaria da porta do armário de ferro e soltei um muxoxo baixo na ligação.

— Lauren...?! Tá tudo bem? — Respondi que sim com a voz rouca pela dor, e consegui ver que o cadeado do armário estava ao contrário do que tinha deixado. A risca vermelha que coloquei para identificá-lo estava na parte da frente, sendo que eu sempre o coloco para trás, exatamente para ninguém identificar isso. Bufei no telefone e Camila soltou uma risada. — Alguém mexeu nas suas coisas, né?!

— Nem me fala, Camz. Vou descobrir quem foi e esfolar a pessoa, juro. Imagina se alguma coisa acontecesse contigo?! — Sinceramente, não sei como, mas Camila conseguiu em menos de 3 dias, fazer com que eu me importe mais com ela do que com minha própria família, que já não se importa mais comigo também.

Cresci numa família grande e sem nenhuma harmonia, pois meu pai sempre bebia e chegava em casa muito bravo. Mamãe se cansou disso e quando dei por mim, ela tinha ido embora. Deixou 3 filhos para trás com um monstro como pai, que inclusive, descobri que não era realmente meu pai. Das crianças da casa, eu era a mais velha. Descobri sozinha, mexendo nas coisas da minha mãe, quando ela foi embora, que traía meu pai na época que ficou grávida de mim. Nas fotos, um homem extremamente branco de olhos verdes. Uma criança de 13 anos pode, com toda certeza, perceber que o pai que a criou, aquele que bebia de monte até fazer o nariz do próprio filho quebrar e tinha os olhos castanhos com a pele com sardas, não era seu pai. Não seu real pai.

E para uma criança de 13 anos, na época... agradeci por ter descoberto o fato.

— Ainda bem que nada aconteceu, Camz! Porque se tivesse acontecido... — Ainda estava quase espumando de raiva pelo fato da emboscada mas nada mais importava já que Camila estava bem e salva em casa.

— Na verdade, uma coisa aconteceu. Uma coisa magnífica! — Sua voz no telefone mudou de séria e madura para uma totalmente diferente do que já tinha ouvido dela. Estridente, alegre e até muito fofa. — Eu te contei tudo, mas quando eu estava desistindo e indo embora, escutei barulho de galhos e folhas se mexendo. E o que estava lá?!

— O que estava lá, criança?! — Eu ria pela voz dela estar dois tons acima do normal. Ela estava realmente feliz e imaginei sua feição enquanto me arrumava para arrasar no palco daqui uns minutos.

— Um cachorrinho, LoLo! Um cãozinho! — Escutei a risada escandalosa de Dinah perto do telefone e uma voz ainda mais feliz do que de Camila, provavelmente de sua irmã, Sofi. — Ele estava ferido, com um corte horrível na barriga e todo sujo de sangue e lama. Não consegui deixar o coitadinho lá, chorando...

— Já sei. Então pegou o coitadinho do cachorro machucado, levou ele até seu carro e dirigiu até uma clínica 24 horas, certo?! — Sua risada infantil no telefone confirmou meu pensamento. — Deixou ele lá?!

— Claro que não, Lauren! Ele precisa de um lar. — Quase borrei minha maquiagem de tanto rir, imaginando a expressão de raiva de Camila. Incrível como aquela magrela tomou todo meu pensamento. — Fiquei lá com ele até o médico liberar e depois comprei umas coisinhas pra ele. Dei o nome de Joker, porque ele sorri muito fofo. E já tomou todas as vacinas!

— Okay, entendi que vocês têm um novo integrante na família, mas... vai deixar ele sozinho o dia todo?! Ele é filhote?! — Ouvi seu suspiro e sua voz ficou ainda mais séria do que antes.

— Como não pensei nisso?! — Acho que nem estava falando para mim, e si para Dinah. Sua voz ainda estava muito alta e agora, parecia brigar consigo mesma. — Nós duas temos trabalho e faculdade e Sofi estuda o dia todo! Ele é pequeno e acabou de operar. O que vamos fazer?!

"Deixa de ser exagerada, Karla! Ele está com um curativo para não coçar mas isso nem foi uma cirurgia! É só deixarmos comida e água para ele o suficiente até chegarmos!"

Foi engraçado quando Dinah veio até mim, pedir um favor. Não havíamos sido apresentadas ainda, então eu não fazia ideia de como reagir, mas Normani piscou para mim. Os olhares entre elas eram engraçados e até um pouco indecente. Ally nos apresentou, dizendo que conheci DJ faz tempo, por amigas em comum. Assim que Dinah sorriu para Mani, sabia que aconteceria alguma coisa entre elas. Fiquei suspresa por Mani não tomar a iniciativa em pegar o número da loira, porque uma coisa que minha amiga não é, é boba. Quando quer algo, ela consegue. E acabou que nem precisou correr muito atrás...

— Eu nunca tive um cachorrinho. Se quiser deixá-lo comigo alguns dias, as meninas iriam babar nele nos ensaios... — Sua risada ecoou em meu ouvido, melhorando meu humor. O efeito que essa garota tinha no meu corpo, chegava a me assustar. Nunca, em toda minha vida, tinha gostado de alguém. Fiquei com rapazes e moças, quase todos os dias, quando comecei a trabalhar no clube, mas depois que virei uma das "estrelas" do show, ninguém tinha me surpreendido tanto quanto Camz.

— Não iria te atrapalhar?! — Sua voz era doce, como quem realmente quer aceitar a oferta. Admito que fiz a oferta mais para agradá-la, porém seria ótimo realmente ter contato com um animalzinho. Meu irmão mais novo era alérgico a qualquer tipo de pelo.

— Claro que não, "baby". — Usei o tom que Dinah e Mani usavam uma com a outra, tirando mais uma risada dela. — Aliás, seria mais uma desculpa para te ver mais vezes...

— Pensei que não precisava mais de desculpas... — Se ela queria fazer todos os pelos do meu corpo se arrepiarem com aquele tom de voz sexy, ela conseguiu.

— É sempre bom arrumar uma. — Eu ri para não parecer excitada pelo telefone.

— Okay! Que tal a gente falar mais nisso amanhã, quando a gente se encontrar?! — Camila é do tipo de pessoa não consegue esconder o que sente nem pelo tom de voz ao telefone e eu reparei nisso assim que a vi. Ela é sincera demais e eu gosto muito disso, pois nunca gostei das mentiras que meus pais contavam um para o outro.

— Fantástico, Mila. Agora tenho que ir, vou me apresentar para fechar a noite. Prometo te ligar assim que acabar. — Escutei sua risada debochada e me contagiei. Nos despedimos e eu entrei no palco, atrás das cortinas, com um sorriso. Ally fez sinal que iria começar, então joguei meu celular para o lado do palco que ficava o camarim e vi, antes de assumir a pose na cadeira, que acertei em cheio a bolsa de Normani. Nela eu confio minha vida.

'Com vocês, a nossa Rock Star, La Morgado!'

Ally sempre faz uma imitação de locutora de rádio quando vai apresentar uma banda super famosa. Eu sempre achei engraçado como as mulheres realmente param tudo para escutar o que Ally anuncia. E quando a plateia escuta meu nome artístico ou o nome de More Mani, realmente piram. Somos umas das mais velhas, por tempo de casa, no clube. Ganhamos mais, temos privilégios de dividir um camarim só nosso e claro, de fazer nossa própria performance.

Normani idolatra Beyoncé, então, sempre tem dançarinas atrás dela. Eu prefiro dançar sozinha, pois prefiro depender apenas da música, que também falha, ás vezes! Então, mesmo quando saímos na rua, mulheres nos reconhecem e nos cumprimentam, falando e falando sobre como dançamos e seduzimos.

Em uma ocasião, que faz Normani passar mal de tanto rir até hoje, bem no comecinho da minha performance, alguma das meninas esbarrou no notebook da mesa de Ally, e desconectou o cabo da música. Eu fiquei apavorada, e Allyson estava ainda mais, tentando achar o maldito cabo para conectar de novo. Num reflexo de não ferrar com toda a apresentação, comecei a cantar a música e bater os pés, para fazer um eco da batida. As bartenders começaram as palmas, que foram seguidas por todas as mulheres que assistiam ao show. Depois disso, ganhei um aumento e o camarim, para dividir com a Mani, pois sempre fomos muito próximas, desde que começamos juntas.

Ainda tem vezes em que estamos andando na rua e do nada, chega uma mulher mais velha pedindo uma foto e lembrando dessa ocasião, o que me deixa com vergonha e tira gargalhadas de Normani. Normalmente, quem entra no clube, não quer sair. E todas que já estavam antes no clube do que eu e Mani, gostam de nos lembrar do quanto amadurecemos. E realmente, viramos mulheres dentro daquele lugar, pois ambas temos personalidades diferentes do que mostramos no palco.

Algumas ocasiões são embaraçosas. Nada me deixa mais envergonhada do que alguma mulher bem mais velha que eu, ficar me agarrando e puxando para o seu próprio colo, o que geralmente acontece. Exatamente como agora, o que levava meu pensamento até Camila no mesmo instante.

Nunca me apaixonei. Não de verdade, de sentir borboletas no estômago e aquela quentura gostosa que atravessa o peito quando a pessoa te olha.

O mais próximo disso foi a vez que, ainda no ensino médio, fui numa apresentação gratuita que Cristina Aguilera fez no meu bairro. Consegui chegar próximo daquela deusa em forma de humana. Ela até acenou pra mim e eu fiquei pirada por 3 dias seguidos.

Mas com aquela magrela hispânica é diferente. Desde que coloquei meus olhos nela, na noite de seu aniversário, senti meu estômago revirar. Estava nervosa e me condenei por me sentir assim, logo de primeira. Não é fácil perceber que meu apelido de Green-Cold, nomeado no colegial, não servia mais para nada, já que aquela garota tinha acabado de derreter qualquer fragmento de gelo do meu corpo.

3 dias atrás, qualquer pessoa que chegasse em mim numa conotação sexual, eu não pensava duas vezes em pegar e depois jogar fora. Afinal, todos só queriam uma casquinha minha mesmo. Mas agora é diferente. Não quero mais ninguém perto do meu corpo e me tocando, que não seja Camila.

Não sei nada sobre ela, não sei como contar tudo sobre mim à ela. Mas eu a quero.

Medo de quebrar meu coração pela primeira vez? Tenho. Medo de fazer algo errado? Nem me fale.

Mas o que é a vida sem alguns riscos?!

Notas finais
Levem em consideração que eu super cumpro prazos, ok?! kkkk