Singelas Ameaças
12 Cobranças
Notas iniciais
Point of View – Lauren
— Lauren, é sério... — Ela estava a mais de meia hora tentando me fazer perceber que teria que ir para a faculdade. Naquele momento, eu mandei toda minha razão explodir e deixei meu desejo falar.
— Camila! — Parei de beijar seu pescoço, fazendo-a parar de suspirar e gemer baixinho para enfim, soltar o susto em meu rosto. — Desculpe... é que eu nunca me senti assim. Não quero ter que te deixar.
Sua risada ecoou novamente, fazendo-me perder as contas de quantas vezes isso aconteceu. Até porque, eu poderia ficar a noite toda ouvindo sua risada alta e vendo seus olhos fecharem enquanto sua cabeça pende para trás.
— Lolo... — Droga, nunca pensei que iria gostar tanto de um apelido meloso. — Eu sei que gosta de mim, baby. Mas tenho faculdade. E outra, se quiser manter um relacionamento comigo, terá que se despedir todos os dias de mim, afinal.
Naquele instante, assim que a frase "manter um relacionamento comigo" saiu daquela boca carnuda e vermelha, o mundo inteiro pareceu tremer sob minhas pernas, que formigaram e começaram e me irritar. Separei meu corpo do seu, sentindo calor e mesmo assim, eu tremi. Algumas palavras sensatas de meu vocabulário ficaram presas em minha garganta, fazendo com um nó se instalasse pouco acima de meu peito e minha barriga revirasse. Foi a primeira vez que senti as famosas "borboletas no estômago", porém, na verdade, as borboletas formavam-se em meu cérebro.
— Lauren?! — Senti o toque de seus dedos gelados em meu rosto, e reparei que não estava respirando. Soltei um suspiro fundo e não controlei nenhuma de minhas palavras.
— Eu te quero muito, Camila. Nunca quis nada como quero você. — Seu rosto se iluminou em um sorriso e juro que vi seus olhos castanhos brilharem como duas estrelas. Já havia reparado, claro, que Camila não é do tipo que fala demais, assim como eu também. Prefiro demonstrar o que sinto em gestos e ações, e sua ação demonstrou o quanto era importante para ela saber daquilo.
Encostou sua testa na minha, assoprou levemente meu lábio, me fazendo sorrir. Fechei os olhos e senti sua mãe fria percorrer minha nuca, fazendo carinho com as unhas. Um arrepio percorreu meu corpo completamente, fazendo com que me aproximasse mais do corpo quente dela.
— Suas mãos são frias, mas você é quente... — Soltou uma pequena risada e beijou a ponta do meu nariz. Já estava me acostumando com seus gestos e adorava como meu corpo reagia. Meu cérebro, coberto de borboletas bagunceiras, deixavam-me boba perante tamanha delicadeza de Camila.
— Lolo, agora eu realmente preciso ir... mas prometo que amanhã, se quiser, dou um pulo lá no clube, pra ver o ensaio uns minutinhos. — Gesto simples mas de uma grandeza sentimental enorme para mim. Ninguém, nunca, nem mesmo minha mãe quando eu era pequena, me disse tais palavras de conforto. Apenas por eu ser essa garota birrenta e mimada desde o momento que nasci.
— Se eu quiser?! Preciso ser mais clara do quanto te quero na minha medíocre vida? — Gargalhou novamente, fazendo-me pensar que eu realmente poderia gravar aquele som gostoso.
Apesar do tempo ter esfriado consideravelmente, estávamos ambas sem blusas. Apenas o calor dos nossos corpos e de um chocolate bem quente, servia para noite. Por mim, a noite inteira.
Depois que me despedi de Camila e consegui colocar em sua cabeça que eu não precisava de carona até em casa, juntei tudo que sobrou do nosso pequeno e inefável encontro e coloquei dentro da minha mochila. Já com a jaqueta, deixei meu celular no bolso de trás para, assim que Camila chegasse na faculdade, me avisasse que estava tudo bem. Caminhando lentamente para casa, aproveitando o leve vento que bagunçava meus fios compridos, percebi que um carro cinza encostou na guia levemente e estava, quase imperceptível, me seguindo. Apressei meus passos e virei a esquina, trombando com Dio.
— Caralho, Dionísio! Me deixa em paz! — E sem ter a chance de me soltar de seus braços magros, nem de socar seu rosto pálido, senti meu corpo ser prensado em outro corpo, junto com Dio. A mão forte colocou um pano em minha boca, que deduzi ser clorofórmio. Os gritos morreram em minha garganta e eu não tinha mais nenhum controle sobre meu corpo. Por mais que fizesse força para enxergar qual o local que eles estavam me arrastando, não consegui manter meus olhos abertos. A última coisa que lembro é a voz do Jared apenas me informando que "ninguém deve algo a ele e fica esperando que ele não cobre".
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Point of View – Camila
Na faculdade, não consegui concentração para nada. Lauren acabou de falar sobre seu passado ultra sombrio e ainda disse que sou a primeira pessoa que queria uma relacionamento. Sempre soube que isso iria acontecer comigo, que eu iria achar a pessoa certa pra mim, mas Lauren é mais do que certa. Ela é toda errada e seus erros a trouxeram a mim, fazendo adicionar mais certeza em minha vida. Certeza que a superação nunca é demais.
Parecia que ela já estava tentando concertar seu passado, pra ter um belo presente e um futuro garantido, superando tudo que já teve que enfrentar. E se ela quiser ajudar para isso, eu simplesmente iria dar apoio e o que ela mais precisa... alguém para ajudar a superar tudo aquilo.
Tinha em mente que seria difícil porém... Só de pensar num futuro com Lauren, valia a pena. Do que adiantaria ficar me remoendo por não saber mais sobre o passado de Lauren? Havia sido sincera comigo e aquilo foi um ponto positivo, pois agora sei, ou pelo menos tenho ideia, no que estou me metendo. Não conheço ela por inteiro, porém, descobri que nem mesmo meus próprios pais conhecia por inteiro...
Como não iria ter aula para Dinah hoje, que faz o mesmo curso que eu, porém, em turmas diferentes, resolvi que iria fazer a prova de Decoração e de lá, para o loft. Iriamos arrumar tudo antes de colocar algum panfleto em qualquer lugar, porque precisamos garantir que tudo fica mais fácil para administrar as contas de casa. Como Dinah sempre cuidou de seus vários irmãos e irmãs, ela sabe administrar muita coisa em pouco tempo, o que também facilita minha vida, pois já ficava louca só de pensar em fazer tudo isso sozinha. Dinah é, além de minha melhorar amiga, a chefe da minha casa!
Sofi sempre me deu trabalho em apenas uma coisa: independência. Ela é madura demais pra idade dela e, fica difícil tentar "criá-la" de acordo com que meus pais nos ensinaram, porém, ela já crescera o suficiente para ser uma jovem mulher decidida. Ela dava opinião em tudo e colaborava sempre que pedíamos, porém, quem mandava mesmo na casa era Dinah. Dinah fazia sempre as listas de comprar e comida e materiais para casa, até porque, se fosse por mim, viveríamos apenas de macarrão com queijo e bananas.
Depois de qualquer prova, tenho uma espécie de discussão comigo mesma. Sempre fico me perguntando se era realmente isso que queria e se estava fazendo certo. Faculdade de Designer de Interiores era, no mínimo, angustiante. Tudo que era pra ser simples, virava o complexo do difícil, mas sempre quis abrir minha própria "pequena" empresa com Dinah, que fazia o mesmo curso que eu. Com 16 anos, já escolhíamos o nome da nossa empresa: DiCa's Designer. Dinah sempre esteve comigo, e lá estava trancada no loft, tentando tirar tudo que era de meus pais.
Achamos alguns documentos de casos abertos que eles guardaram por anos. Nunca me interessei em advocacia porém, por conviver no meio de dois advogados bons, estava acostumada com algumas palavras. E várias delas me chamaram a atenção. Principalmente quando vi Jauregui numa das pastas.
— Jauregui? Não é sobrenome da Lauren? — Os pais de Dinah são corretores imobiliários, e como os meus pais, abriram o próprio consultório. Ninguém da família dela, até o presente momento, demonstrou aptidão para ser detetive mas Dinah chegava perto. Sua veia curiosa sempre falava mais alto e o que passava despercebido por mim, ela captava com facilidade.
— Dinah... muitas pessoas tem esse sobrenome. — Mesmo minha própria curiosidade estando aguçada, não faço nem ideia de quais os nomes dos pais da Lauren e se, por acaso, Lauren precisou de algum advogado.
— Ah, Camila, por favor! Me dá. — Pegando a pasta de minhas mãos trêmulas, abriu. Sorriu abertamente porém, em seguida, franziu a testa. — Essa a Lauren! Pequenininha...
Quando vi a pequena Lauren, com seu cabelo repartido ao meio e os olhos verdes mais claros que nunca, sorri junto ao sorriso da criança na foto. Mas depois veio a pergunta: Por que a pequena Lauren estaria no meio dos arquivos dos meus pais, com um "aberto" no caso dela?
— Dinah... acha que ela esqueceu de me falar alguma coisa? — Tudo, cada palavra que Lauren disse no nosso encontro, contei a Dinah. Ela e Normani também andaram conversando sobre o futuro de uma possível relação séria, mas Normani não mencionou nada obscuro em seu passado, pois de acordo com a mulata, estava apenas atrás do sonho de ser dançarina e fazia de tudo para ajudar a mãe que estava doente. Claro que, tanto na história de Lauren quanto de Mani, haviam algumas lacunas que precisavam de preenchimento, porém... precisávamos de tempo.
— Se ela esqueceu ou pretende te contar mais tarde, eu não sei. Só sei que, vamos tirar essas tralhas daqui, você tudo envolvido com o caso da Lauren e quando chegarmos em casa, tentamos pensar melhor nisso. Não é hora de se estressar com isso... — O problema era: Eu já estava uma pilha de nervos!
Guardei todas as pastas envolvidas do caso aberto dos Jauregui e as outras coisas dos meus pais, separamos em caixas para deixar no porão de casa, já que eu estava mexendo no sótão. Minha mãe coçava sempre que eu pensava nas pastas brancas com o sobrenome de Lauren, porém, como Dinah havia mostrado que seu lado curioso é, também, sensato, decidi manter a calma e quando tivesse tempo de noite, antes de dormir, olharia todas as pastas com cuidado.
E claro, preciso saber se Lauren sabe disso. Se ela, por acaso, souber e achar uma invasão de privacidade, eu entrego as pastas a ela e olhamos juntos. Caso ela não saiba... mais um motivo para dar uma olhada. E se algo perigoso pudesse acontecer com ela?
"Nova mensagem: Lauren? Já chegou em casa, baby?!"
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