Singelas Ameaças
19 A ameaça e o quase te amo
Notas iniciais
Point of View – Dinah
No telefone com Normani, trocando mensagens pelo celular com Ally, tentando fazer Sofi parar de escutar a conversa das duas e ainda fazendo carinho na barriga do Joker, tudo de uma vez. Claro que desisti de fazer Sofia ficar quieta afinal, fazia duas horas que Camila estava gritando com Lauren no quarto acima do meu.
— Eu não tô pra brincadeiras, Lauren! Isso é uma ameaça de morte, Lauren!
Quando ouvi a palavra morte, levantei da cama fazendo Joker pular para o chão. Disse para Mani que já ligava de volta, ouvindo seu suspiro triste e preocupado. Nem me dei o trabalho de levar meu celular, pois queria ser rápida. Sai do quarto como um furacão, subindo depressa as escadas, tentei abrir a porta do novo de Camila, ouvindo as vozes dentro do quarto sumirem, dando sequência a muito passos. Todos provavelmente de Camila.
— Quem não tá mais pra brincadeiras aqui, sou eu! Abram essa porra dessa porta, agora. Ou eu a coloco pra baixo! — No mesmo instante que terminei de falar, a porta abriu e mal tive tempo de fazer a pose "estou puta de raiva". Lauren me puxou pelo braço e enquanto eu sentava na cama de Camila, vi a mesma correndo para o banheiro. Vomitar de nervoso, certeza.
— Dinah, isso tudo ficou mais sério do que eu gostaria de admitir. Tente raciocinar com isso! — Jogando uma pasta preta em meu colo, começou a andar pelo quarto, passando as mãos pelo cabelo e provavelmente tentando não entrar no banheiro para socorrer Camila.
Na pasta, um choque. Todas as informações que estavam no dossiê que achamos dias atrás e todas completas! Havia até mais informações, fazendo meu cérebro embaralhar. Essa era a pasta que haviam jogado para Lauren na rua, quando fingiram tentar atropelar Camila. Obviamente notei a pasta na mão de Lauren quando elas voltaram para casa, com Camila trêmula e histérica.
— Lauren, se eles já têm essas informações... o que eles querem de você, afinal?!
— Exatamente, Dinah. — Camila havia saído do banheiro com os cabelos úmidos e mais pálida do que Lauren. — Não é óbvio?!
— Babe, não. Você precisa descansar um pouco... — Lauren apoiava o peso de Camila no próprio corpo, mesmo ainda não estando 100%. Acho que elas vão se casar em menos de dois anos.
— Ela sempre fica assim com muitas preocupações, Lauren. Ela só precisa de um remédio para enjoo e descansar, realmente. — Camila, sentou do meu lado na cama, descansando sua cabeça no meu ombro. Acariciava sua coxa, coberta pela calça, enquanto Lauren massageava seus ombros. — Mas ainda assim, Mila. Descansar, huh?
— Não, DJ. Você não entendeu... — Algumas lágrimas começaram a descer pelas bochechas pálidas de Camila e vi o desespero de Lauren crescer. Ela não estava desesperada pela situação, muito menos com a ameaça de morte que a pasta preta representava. Ela apenas não queria uma Camila histérica, descontrolada e chorando igual a um bebê... O que admito, era de partir o coração.
— Eles não querem as informações, Dinah. Eles querem a mim.
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Point of View – Camila
Não aguentei segurar o choro quando a frase que eu mais temia que fosse realmente verdade, saiu da boca de Lauren, com a voz trêmula. Agarrei o braço de Dinah como se fosse a maneira de me controlar enquanto sentia as mãos de ambas correndo pelas minhas costas.
Nunca lidei bem com a pressão. Fiquei inconsciente por uma noite toda quando meus pais morreram, apenas por pensar que não conseguiria cuidar de Sofia sozinha. E agora a garota que eu conheci não faz nem 2 meses e já amava como nunca havia amado, recebe uma ameaça de morte, deixando claro que eles não ligam para onde está ou quem está! Estão atrás dela, cercando-a para o abate!
— Camz, por favor. Se acalma... — Deixei com que ela me abraçasse, enquanto soltava o braço de Dinah para tentar sufocar o choro que teimava em sair alto de minha garganta. Ouvi o barulho da porta abrindo e fechando, sabendo que Dinah respeitava o momento que eu precisava ficar a sós com Lauren.
Todo meu desespero aumentou quando pensei que tivesse que escolher entre Lauren e minha família. Se ela continuasse ali, eles estavam cercando não só a Lauren como Sofi e Dinah. Se ela saísse para qualquer lugar, elas estariam seguras mas eu perderia a garota que fez com que eu entendi sobre o amor.
— Amor, olha pra mim. Se acalma. — Sentindo suas mãos puxarem meu corpo para ficar frente a frente com o seu, sua voz não estava mais trêmula e sim firme e aveludada. Olhei com vergonha para suas esmeraldas brilhantes enquanto ela secava minhas lágrimas com os dedos, passando suavemente suas mãos em meu rosto. — Detesto te ver assim.
Seu abraço me controlou a ponto de parar de soluçar. Descansando minha cabeça no seu ombro, aspirei seu perfume suave e doce que eu gostava tanto. Naquele mesmo dia, de manhã, havia ficado triste por pensar que logo ela voltaria para sua casa... Não conseguia imaginar meus dias sem tê-la ao meu lado, sempre que chegasse em casa. Imaginar que nunca mais a veria, era doloroso por demais!
— Promete que vai procurar segurança. Aquele chefe do esquadrão 42... Will. Ele parece disposto a ajudar. — Ela bufou, apertando mais o abraço. Suspirei, tendo a ciência de que Lauren conseguia ser mais cabeça dura do que minha irmã! — Por favor, Lauren. Por mim.
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Point of View – Lauren
Eu estou muito mais do que encrencada, estou muito fodida. Era apenas Camila me pedir daquele jeitinho manso dela que meu peito até doía. E se ela me pede chorando, não há mais nada a fazer do que dizer "sim".
— Prometo. Falo com ele amanhã, você precisa descansar. — Sentindo ela balançar a cabeça positivamente, ouvi passos rápido e pesados, como alguém pulando do outro lado da parede. Logo depois, a porta se abre com um barulho alto e vejo Sofi pelo canto do olho.
— Fala sério, vocês são do século passado?! Temos um notebook, quantos anos vocês têm? 90? — Eu gargalhei, soltando o corpo quente de Camila para assim, ver a pequena miniatura de Camz, com uma mão na maçaneta da porta, a outra na cintura e com a cabeça para frente, como se fosse algo óbvio.
— Tá bem, Sofi. Depois você me ajuda a fazer um boletim "online", ok?! — Fiz aspas com os dedos, fazendo ambas irmãs rirem. Sofi acenou com a cabeça e sai, sem fechar a porta. Quando eu ia falar para Camila que a irmã dela era realmente uma graça, aparece ela novamente, com uma barra de cereal na mão, andando rápido até Camila. — Não fique sem comer. Não posso ficar sem você, Mila.
Camila sorriu e puxou o braço de Sofi, abraçando o corpo magro de sua irmã. Peguei o celular de Camila, apertando o botão de câmera, tirando uma bela foto daquele belo momento. Eram fofas e meu carinho por ambas cresceu naquele instante.
— Que tal você e Dinah começarem enquanto eu faço Camila dormir? — Depois de se separar do abraço da irmã, Sofi sorriu para mim, acenando positivamente com a cabeça enquanto pegava uma mecha do meu cabelo.
— Sabe, eu gosto de você. Não entendo bem o que está passando mas... Lute. Por todas nós e para continuar aqui. — Meus olhos arregalaram e encheram d'água. Levantei da cama, puxando Sofi para um abraço apertado.
— Eu vou lutar, Sofi. — Minha voz estava embargada de choro e pigarreei para limpar a garganta, olhando para cima para tentar secar as malditas lágrimas que teimavam em surgir. — Vocês são... minha família também. Nunca tive uma mas defenderei a que faço parte com unhas e dentes, tá bem? Não vou deixar nada de ruim acontecer com vocês.
Senti a mão quente de Camila em minhas costas e não aguentei segurar o choro. Acariciei os cabelos macios e cheirosos de Sofi, sentindo suas pequenas mãos brincando com a minha camisa. Separei nossos corpos, não antes de perceber que Sofi não queria se separar e me apertou antes de largar os braços de minha cintura. Antes dela sair correndo, porta a fora, consegui ver seu rosto vermelho e o bico em seus lábios.
— Eu gosto da forma que vocês se tratam. Ela normalmente não demonstra fácil seus sentimentos... — Deixei meu corpo cair na cama novamente, sentindo os braços de Camila rodear minha cintura. — Viu como ela saiu chorando?! Nunca a vi tão sensível depois de nossos pais...
— Ela já teve perdas demais por alguns anos. Não vou perder vocês e certamente, vocês vão ter que me aturar por muito tempo!
Depois de Camila limpar as lágrimas teimosas, deitamos juntas na cama. Comendo a barra de cereal, passou uma perna por cima da minha, permitindo minha mão vagar por sua coxa coberta pela calça. Não havia malícia, não havia luxúria. Havia amor... e pela primeira vez na minha vida, eu tive vontade de dizer.
— Camz. — Terminando de mastigar, olhou-me com suas órbitas escuras e senti meu corpo estremecer por ansiedade. — Eu... Nunca vou deixar nada acontecer com vocês. Sabe por que?
— Hm? Por que você é demais?! — Sorri, observando o brilho em seus olhos mudando.
— Você me faz melhor. — Acariciei sua bochecha, mesmo sentindo uma pequena fisgada no ombro. — Mas eu realmente tenho que agradecer a Dinah, mais tarde? Devo muito à ela.
— Que? — O misto de surpresa e desentendimento em sua expressão me fez rir ainda mais. Mesmo nessa situação tensa e ruim, mesmo sabendo que daqui em diante tudo vai piorar e mesmo sabendo que precisarei fazer muita coisa que eu não queria, Camila me fazia rir.
— Porque ela me trouxe você, a melhor coisa que já me aconteceu. — E era por isso que eu a amava mas... Não diria isso, não agora. Talvez seja cedo demais.
— Boba! — Mordeu meu pescoço, me fazendo rir ainda mais. Abracei seu corpo e deixei que ela se ajeitasse por cima de mim, abraçando minha cintura enquanto meu braço era seu travesseiro. — Sabe, Lauren... — Olhou-me novamente, deixando seu queixo em meu peito. — Nunca senti nada igual ao que temos.
E sorrindo, vi seus olhos se fecharem lentamente. Antes de ressonar baixinho, suspirou meu nome. Meu coração nunca esteve tão aquecido de carinho e covardia ao mesmo tempo. Medo de perdê-la por causa injusta para ela e medo de não ser correspondida a esse ponto, pois nunca na vida tinha dito para alguém que amo... Não depois que minha mãe partiu.
Acho que afinal o amor é isso, a incerteza do futuro e a fé na felicidade. Temos que ter fé no que acreditamos... E eu confiava minha vida a Camila, pois a felicidade ela já me dava a cada minuto.
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