Notas iniciais
Para quem está acompanhando todos os acontecimentos dos últimos dias, sabe que não tá sendo fácil. Quando vi a notícia pensei que era uma sensacionalista assim como Lauren e a maconha mas... Não é. Infelizmente. Agora, não consigo raciocinar direito. Não sei das mentiras nem verdades que ronda nossas garotas mas, sei de uma coisa. Quero que todas elas fiquem bem e sejam livres de todas essas coisas ruins que infelizmente rondam todos os famosos. Espero que eu esteja do lado certo, do lado da Camila porque, pensem bem, todas as contas de todas as meninas, são manipuladas assim como elas são para parecerem que são as garotas perfeitas ou, no caso da Lauren, mesmo que eu não veja problema nenhum nela fumar ou beber, acredito que a visão de bad girl é mais lucrativa para a empresa Epic. Quero saber, desabafar e ouvir todos vocês. E espero que gostem do capítulo. Está chegando o fim da história, não o fim da banda. Fifth Harmony vive em nossos corações.

Point of View – Camila

Tudo o que conseguia compreender era o medo. Ally estava em choque para dizer qualquer palavra e apoiado nela, um homem jovem e loiro que eu sabia ser Dionísio. Eu sabia que algo havia dado errado e admito estar feliz por não ser minha Lolo machucada.

— O que houve, pelo amor de Deus?! — Entrei no elevador rapidamente, deixando que Dio apoiasse o peso do corpo também em meus ombros e com ajuda de Ally, que começava a chorar baixinho, levamos ele para fora do hotel enquanto os policiais não paravam de gritar e montar um esquema para invadir todo o local. Assim que alcançamos a calçada, alguns policiais e médicos ajudaram com o rapaz que estava praticamente inconsciente, apenas resmungando algumas palavras.

— Camila! O que houve? Esse é Dionísio Armong, o que ele...

— Eu não sei o que ele é, o que ele faz, se ele está do nosso lado ou se ele fodeu com tudo! Você não me explicou nada disso! — Não deixei que Senhor Hamilton terminasse de falar pois a raiva que sentia da situação inteira, assumiu o controle do meu corpo e da minha mente fazendo com que eu ignorasse completamente Allyson tentando puxar meu corpo enquanto eu batia no peito forte do policial a frente.

— Tenha calma, criança! Ele faz parte do plano, tá bem?! Eu expliquei por cima, eu sei mas era preciso, Camila. Só uma parte deu errado, ainda temos...

— Uma parte? Uma parte deu errado? Temos aqui um infiltrado baleado, quase morto e minha Lauren ainda esta lá com aquele animal!

— Camila! Cala a boca! — Bufei, virando meu corpo rapidamente fazendo com que eu batesse minha mão de leve no braço de Ally, que tentava me segurar. Ela ainda estava em choque porém agora parecia com raiva. — Era isso que eu tava tentando falar! Dionísio me disse antes de desmaiar que escondeu Lauren!

— Onde?

— Esse é o problema. Ele perdeu as forças antes de falar onde ela está escondida.

Apenas de imaginar Lauren escondida de um monstro que dizia ser seu próprio pai, sozinha, com medo e não podendo se comunicar, sem a segurança de pelo menos ter Dionísio para protegê-la, meu coração se desfez em vários pedaços. Virei novamente para o policial negro que já tentava contato com alguns outros policiais e passava a informação no rádio para "a rede", ciente de que todos teriam o cuidado de procurar Lauren.

— Você me garantiu que era seguro, Lauren. É melhor que saia ilesa para que eu tenha o prazer de bater em você, por Deus! — Não importava quem ouvisse, quem me olhasse ou quem pensasse qualquer coisa que fosse sobre mim. Eu queria Lauren segura, comigo, mais do que tudo no mundo agora e como um sinal de Deus, um dos muitos policiais falou no rádio: "Atento a rede, encontrei, encontrei! Repito, encontrei!". Senhor Hamilton exigiu que tomassem cuidado.

— É melhor trazer essa garota a salvo, Quebeck! Traga a garota!

***

Point of View – Lauren

Todos os acontecimentos das últimas duas horas eram demais para assimilar. O homem que dizia ser meu pai biológico era insano e agora, tudo o que conseguia compreender eram as vozes chamando meu nome. Aos poucos, enquanto os policiais me tiravam da estreita tubulação fechada, ainda no terraço, comecei a lembrar de tudo o que aconteceu em poucos minutos.

— Lauren Jauregui? Você está bem? — Balançando a cabeça positivamente, tive flashes de memórias. O que deixou "meu pai" tão nervoso a ponto de dar tudo errado foi exatamente isso, eu não chamá-lo de pai. Conforme apenas ele falava, vários e vários flashes de memórias também invadiam minha cabeça, fazendo-me associar todos os locais que já vi e não o reconheci. Tudo isso, todas as memórias juntaram-se ao fato da minha raiva por ser abandonada até pelos meus pais adotivos, o que me fez perceber que meu temperamento era realmente igual ao dele.

Explosivo. Bastou-lhe dizer "eu não sou sua, você não é meu pai" para que Mike perdesse a paciência e tirasse da cintura sua pistola de calibre 380, gritando comigo e apontando para todo canto até, acho que por instinto, Dionísio tentou me proteger enquanto eu tentava sair pela única porta do lugar, barrada por dois capangas. Há anos não escuto um tiro, a dor do ouvido parece ser na alma porém, foi bem no meu coração pois o tiro atingiu perto da costela de Dionísio que por apenas um momento, tropeçou para em seguida, sair correndo. Parecia não sentir dor, mesmo fazendo careta e vindo em minha direção, pegou meus braços com força enquanto me arrastava para o lado da porta, onde havia uma pequena abertura para as tubulações de ar dos quartos do hotel.

— Entra aí enquanto eu vou chamar ajuda. Se escutar passos, finge estar com dor, ele não viu que o tiro me atingiu. Eu juro que volto, Lauren! Eu juro.

E depois disso, lembro apenas de ter orado para que além de voltar com ajuda, fique bem. Não é qualquer um que toma um tiro por alguém, afinal.

— Lauren? Tá me ouvindo?

— Ah, sim! Desculpe, eu... Tô bem, só um pouco zonza pelo calor que estava ali dentro. — O policial que falava comigo era parecido com um dos amigos de Dio, parecia mesmo preocupado comigo. — O que aconteceu com o Mike?

— Não se preocupe com isso, Lauren. Preciso que fique atrás de mim e coloque isso, tá bem?

Um colete à prova de balas. Mas o que diabo aconteceria quando descesse para o hall, um tiroteio? O que estava acontecendo, afinal? Depois do tiro em Dio, não conseguia pensar em mais nada contudo, sabia que eles estavam seguindo ordens de alguém que tinha um plano, sem nem avisar. O problema é, o plano falhou depois de Dio levar um tiro? Ele estava ciente daquele plano? Será que Mike vai conseguir fugir para infernizar mais minha vida?

Eram tantas perguntas que não conseguia assimilar mais nada! Meu corpo estava totalmente em modo automático, apenas seguindo os policiais que me cercavam e minha mente, totalmente voltada para Camila. Eu sabia que ela estava preocupada e sabia que também não tinha nem noção do meu plano, muito menos do plano maior. Espero que nada mais saia errado e tive certeza, assim que vi os olhos de Camila brilhando por lágrimas, que de uma forma ou de outra, tudo ficaria bem.

— Lauren! Gracias a Dios! — Mal tinha saído do meio dos policiais e Camila abraçou forte meu corpo dolorido. — No hacer eso de nuevo, Lauren!

— Calma, Camz. Yo estoy bem, mi amor. Todo va a estar bien ahora.

Espero que isso realmente aconteça dessa vez.

***

Point of View – Dinah Jane

— Baby, tenta manter a calma, Sofi precisa de confiança, precisa saber que tudo dará certo.

— Como posso passar essa segurança se eu realmente não sei o que tá acontecendo?

Com Normani ao telefone, eu não conseguia parar em apenas um lugar. Estava andando pela sala enquanto escutava o barulho do chuveiro do hotel, Sofi estava no banho. No canto do quarto, Joker mordia e rosnava para uma bolinha laranja que compramos para entretê-lo, estava inquieto demais até para um pequeno filhote. Parece que não era somente eu que estava com uma sensação ruim sem Camila por perto.

— Quer que eu tente falar com meu pai?

— Não, baby. Vou tentar ligar pra Camila de novo.

— Tá bem, qualquer notícia me fala. Nem Ally me responde mais, tô ficando realmente preocupada com toda essa situação.

— Não fique, amor. Vou tentar dar um jeito e te retorno já já.

Despedindo de Mani ao telefone, andei até a sacada do quarto. Estava um tempo fechado, parecia que logo iria chover e isso só me fez lembrar de tudo o que aconteceu desde que apresentei Lauren para Camila. Era óbvio que ambas mereciam a felicidade de estarem juntas porém nem Lauren sabia com o que estava lidando e mesmo não sendo da verdadeira família de Camila, elas eram tudo o que eu sempre tive de verdade.

— Atenda, Chancho. Atende.

Caixa postal. Merda.

— Ela ainda não atende?

Virei meu corpo para o quarto, uma das mãos no peito. Suspirei forte, observando Sofi secar o cabelo numa toalha branca. Sofia claramente estava nervosa e ansiosa, assim como eu contudo, seu jeito de demonstrar era mais calmo. Corporalmente, exalava tensão e uma pequena ruga entre as sobrancelhas se fixava, deixando Sofi muito mais parecida com Camila do que realmente era. Sentimentalmente, ficava como a sensibilidade personificada. Já havia chorado, reparei nos olhos vermelhos e no nariz congestionado e, mesmo assim, com todos os sinais claros que estava preocupada com a irmã, não gostava de conversar sobre e precisava apenas de notícias.

— Não mas tenho certeza que está bem.

— Como pode ter tanta certeza, Dinah? Ela é louca pela Lauren, você viu. Kaki nunca deixaria algo acontecer com a Lauren e tenho medo disso.

Sem contato visual, voz baixa e fraca como se já houvesse desistido de notícias boas. Minha pequena princesa está sofrendo e eu não gostava nem um pouco de não poder fazer nada para ajudar. Suspirei e fechei a porta que dava para a sacada, deixando o ambiente do quarto pouco mais escuro. Joguei o celular na cama próxima a parede e andei até a cama em que Sofi estava, mexendo em sua pequena mala, tentando se distrair. Sentei na cama e percebi Sofi tomar fôlego ou, mais provavelmente, engolir o choro.

— Sofi, ela vai ficar bem. As duas vão ficar bem, você vai ver. Você confia em mim ou não?

Suspirando, acenou em concordância. Bati calmamente a mão sobre minha perna coberta por um jeans escuro e deixei que ela se aproximasse devagar, enlaçando meu pescoço, começando a chorar. Abracei sua cintura e puxei seu pequeno corpo para meu colo como sempre fazia quando ela chorava. Sofi era forte e muito mais destemida que Camila, que até evitava brigas com a irmã mais nova pois sabia que perderia numa discussão, Sofia estando certa ou não. Agora, sem a irmã, sabendo onde a mesma estava colocando-se em risco, sentia seu coração apertar e eu sabia disso pois sentia o mesmo. Nunca me imaginei sem minha melhor amiga.

— Vai ficar tudo bem, Sofi, você vai ver...

Minha fala morreu quando meu celular começou a tocar. Não um toque qualquer mas sim Wannabe, Spice Girls, essa música era nosso hino desde quando Camila e eu nos conhecemos quando éramos pequenas. Sofi praticamente pulou do meu colo e correu até a cama, atendendo a chamada.

— Kaki?

Seu olhar era desesperado e ela passou o celular para minhas mãos, começando a chorar baixinho. Levei o celular para perto da orelha, tentando falar porém, sem forças para emitir qualquer som.

— Dinah, tá ouvindo?

— Ally?

Notas finais
Me digam as suas lamúrias, seus desesperos, suas esperanças... me digam como acham que isso irá acabar porque eu não quero acreditar que terá um fim ruim. Quero minhas meninas livres, felizes e o mais importante, saudáveis. Não quero mais lembrar de como Lauren estava magoada e cansada naquele áudio. Não quero imaginar minha Camz embriagada de tristeza, trancada num quarto. Quero todas bem. Quero todas salvas. Quero todas livres.