Singelas Ameaças
24 Merda de plano!
Notas iniciais
Point of View – Allyson
Piscando para um dos policiais que anteriormente, ao início do plano, flertava comigo, sai como hóspede do hotel, quando vi Camila vindo em minha direção com a expressão fechada e raivosa, dei dois passos para trás e virei meu corpo, tendo o mesmo segurado por um rapaz jovem e forte, na qual esbarrei devido a pressa. Sorri em agradecimento e tentei apressar meus movimentos, sentindo duas mãos firmes fecharem em meu braço. Bufei, virando para Camila e observando alguns policiais olharem assustados para nós duas. Puxei seu corpo magro para um canto afastado do hotel e tenho certeza que minha linguagem corporal assustaria qualquer um que tentasse falar comigo no momento.
— Eu sei que está brava e sei que quer saber o que estou fazendo aqui e prometo que irei explicar, só não agora. Preciso que confie em mim! — Havia muito mais que raiva em seu olhar. Desespero talvez fosse a palavra certa.
— Está bem difícil confiar em qualquer um, quando todos me deixam praticamente cega! Não sei o que fazer! — Seu tom de voz era baixo mas totalmente irritado e com o pouco que conheço de Camila, diria que ela seria capaz de me bater ali mesmo. Suspirei e peguei em meu bolso o bilhete que Dio havia me mandado, assim que toda a operação começou.
— Aqui. Não leia isso até estar segura naquele furgão, entendeu? — Tentando pegar o bilhete de qualquer jeito da minha mão, bufava enquanto eu fazia força para manter o papel protegido. — Camila! Eu fui clara? Você entendeu?!
— Entendi, caralho! Me dá logo essa merda antes que alguém me tire daqui! — Não podia imaginar como estava sendo difícil para Camila toda aquela situação, nunca imaginei ela tão nervosa. Estiquei meus dedos, ainda mantendo contato visual. — Seja lá o que estiver fazendo, Allyson, é melhor que ajude Lauren. Você não me conhece o suficiente para saber do que eu sou capaz, tá bem? Espero ter sido clara também.
— Clara como água, Camila. — A tensão era palpável e meus músculos enrijeceram com aquele tom de voz. Sei que Camila era a garota perfeita para Laur e que a melhorava como pessoa mas preciso admitir que o medo instalou-se completamente em mim. Espero que o plano todo dê certo. — Mila, espera! — Assim que ela virou o corpo para sair do local escondido de onde estávamos, próximo à saída do hotel, segurei sua mão com muito mais delicadeza do que o momento permitia. — Tenha um pouco de fé, tá bem? Não nisso tudo mas em Lauren. Tenha fé no que ela é capaz porque mesmo não sendo novidade, ela é uma garota incrível.
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Point of View – Camila
— Ainda assim, ela não é imortal.
Puxando meu braço para fora da mão delicada de Ally, sai cautelosamente do hall do hotel, onde encontrei alguns policiais chocados com minha audácia. Assim que cheguei perto do furgão, atravessando a calçada, uma das policiais começou a gritar comigo e com outro rapaz que ajudava-me a subir no veículo. Ignorando a presença de todos no local que cochichavam e trabalhavam monitorando as câmeras de dentro e fora do prédio, abri o pequeno papel que estava amaçado devido a força que peguei das mãos de Ally.
"Eles sabem do plano dos Mike's e essa é a nossa vantagem. Quando eu chegar no QTH com Lima, tudo o que posso fazer é ajudar a QRA a ir para o Echo. Esteja lá ou nossa QRA estará sozinha à mercê do QRU."
O pai de Normani falava códigos como esse quando estávamos todas juntas. O medo instalou-se junto com a esperança de saber finalmente o plano, tanto da polícia quanto daqueles que tentavam machucar Lauren. Pigarrei, chamando a atenção de alguns policiais.
— Eu tenho aqui um bilhete de um infiltrado tanto na operação de vocês quanto na operação daqueles idiotas. Preciso que confiem em mim e me ajudem com isso. — Alguns bufaram, outros riram e a maioria deu as costas e continuou o monitoramento, fazendo com que minha paciência sumisse. — Tá, o que é QTH?
— Se acha que é uma informação relevante, apenas nos entregue. Caso contrário, fique quietinha e deixe os profissionais cuidarem disso, ok, Docinho?
— Seu merda. — Não dando ouvidos para aquele policial ignorante e sussurrando uma resposta à altura, peguei meu celular novamente e pesquisei na aba de procura. Google, a melhor ferramenta que já inventaram!
O código todo tinha um nome que, pensando melhor, se eu estivesse mais tranquila, talvez tivesse notado que todas as palavras em código, começavam com Q. O código dos profissionais da segurança, código Q.
QTH era lugar ou local. QRA era nome ou pessoa. QRU era problema ou suspeito. Agora os nomes mascaravam as situações, nomes próprios ou de lugares com a letra de início da palavra sendo o objetivo portanto no bilhete, pelo que entendi, Dionísio dizia a Ally que "Eles" sabiam do plano dos militares e era a vantagem que eles esperavam. Quando Dio chegasse com Lauren no local combinado, poderia apenas ajudá-la a ir para o, talvez, elevador. Fazia sentido pois ajudar Lauren a ir pelas escadas era totalmente loucura! Ally precisaria aguardar Lauren no elevador, uma vez que se deixasse Lolo sozinha, ela estaria à mercê do próprio pai.
Era insano porém tudo fazia sentido agora. Dionísio trabalhava com Michael Morgado porém estava a favor de Lauren! Só não sei o porquê...
Mandei uma mensagem explicando o que havia descoberto para Dinah, que prontamente respondeu: "Todos vocês enlouqueceram?! Lauren está sabendo disso? E se ela dificultar? E se a polícia dificultar? Deixem pelo menos o pai da Mani ciente, ele vai saber o que fazer!!!". Senhor Hamilton havia saído e não tinha voltado ainda e sem nenhuma outra opção, fiz contato com um dos policiais que estava guardando o furgão.
— Hey, Fox. — Pigarrei sutilmente para não demonstrar nervosismo enquanto observava o policial a frente, com uma arma grande em mãos. Em sua jaqueta cinza, N. Fox bordado em preto. — Pode me explicar por que isso está demorando tanto?
— É melhor ficar dentro do furgão, senhorita Cabello. Com as portas fechadas. Já foi muito Hamilton ter deixado você ficar, ok? — Balancei a cabeça em concordância, mostrando discretamente o bilhete a ele. — Senhorita, quem lhe entregou isso?
— Eu só preciso saber qual é o plano. Algo vai sair errado, tá bem? Preciso saber para raciocinar sobre isso e tentar ajudar! — Falava com um tom imperativo porém baixo, para apenas ele escutar. O policial tanto jovem pareceu pensar a respeito e, claramente estava em dúvida.
— Tá bem. Anota o número de telefone do Hamilton e exija isso. Se eu disser algo, nunca mais arrumo um emprego na guarda, entendeu?
— Entendi, Fox. Eu nem te conheço e nunca falei com você. Eram policiais demais para prestar atenção e, obviamente, estou nervosa e ansiosa, certo?
— Eu não sei do que está falando, senhorita Cabello.
Sorrimos cúmplices enquanto ele sussurrava o número de telefone do pai de Mani. Nem agradeci para o policial devido ao nervosismo e o mesmo apenas fechou a porta do furgão. Minhas mãos tremiam e sentia o suor em minha nuca, enquanto esperava ele atender. Assim que a voz grossa atendeu, minha voz morreu em minha garganta. Por uma das câmeras de segurança no furgão, vi Ally com uma roupa diferente e o cabelo preso, esperando perto do elevador. Era isso, estava na hora!
Enquanto abria a porta do furgão sozinha, explicava com o tom de voz baixo e apressado para o pai de Normani que disse que não havia falhas no plano. Bufei enquanto ouvia ele explicando tudo e desci do veículo rapidamente, desviando de um dos policiais que vinha em minha direção. Corri pela rua para a entrado do hotel, quando vi que os policiais à paisana estavam tirando as armas das calças e ternos enquanto corriam para dentro do hotel.
— Eu não faço ideia de onde você está mas eu estou em frente ao hotel e a merda do plano deu errado! Não venha me dizer agora que passaram mais de cinco vezes apenas hoje porque a ideia de esperar do lado de fora a reunião deles acabar é uma merda! Lauren está lá, sozinha e em perigo!
Gritei ao telefone e a voz grossa e forte de Hamilton calou-se. Desliguei a chamada e apressei ainda mais meus passos, correndo para onde os policiais iam com armas de fogo a frente porém estanquei no lugar assim que eles passaram o elevador em que Ally provavelmente já havia entrado. Por que passaram reto? Por que Ally precisou subir no elevador se ela ficaria esperando Lauren descer?
Desesperada, apertava freneticamente o botão do elevador, olhando para os lados enquanto escutava alguns gritos dos policiais que continuavam passando reto, quase me derrubando. Assim que as portas abriram, vi Ally completamente em choque, segurando um corpo pesado e imóvel, sujo de sangue.
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