Notas iniciais
Estamos chegando na parte gostosinha mas não se animem muito, vou logo avisando. Boa leitura!

Point of View – Sofia

— Ela vai ficar bem, Senhorita Cabello, foi mais o susto. Apesar de Sofia ser nova, ela demonstra uma maturidade incrível e seu psicológico está pouco abalado. Ela me disse do acidente de carro a alguns anos atrás... — Doutora Kim conversava com Mila, depois de ter ficado quase uma hora comigo, dentro da sala. Apesar de nenhum corte, consegui um hematoma perto do pescoço e um leve arranhão em meu dedo indicador.

Quando sai de casa, pensando em apenas olhar para os lados e tentar achar Lauren, não avisei ninguém. Assim que abri o portão, ouvi a voz de DJ gritar dentro de casa, dizendo para eu voltar porque era perigoso demais. Eu não tinha entendido o quão perigoso era e nem o porquê tudo aquilo estava acontecendo pois todas, simplesmente, escondiam tudo de mim, me deixando cega dentro daquela situação. Quando senti uma mão grande tapar minha boca, minha única reação foi tentar gritar e sair de dentro do braço forte que segurava minha cintura, puxando para dentro de um carro preto e pequeno. Relativamente pequeno para um sequestro, o que não impediu nenhum deles de me fazer inalar clorofórmio e tudo o que pude fazer, antes de apagar no banco frio de couro, foi ouvir o grito de Dinah, clamando meu nome.

Quando acordei, ainda estava no carro e fiz o possível para perceber tudo a minha volta. Um pouco tonta e sentindo dor de cabeça, olhei ao meu redor, reconhecendo a praça que costumava ir com minhas amigas antes da aula de ballet, que não era realmente longe de casa.

— Não toque na garota, ok?! Tudo o que tem que fazer e deixá-la escondida e quieta até Lauren encontrá-la. Ela rápida, não irá demorar a perceber com a ajudinha de Lily. — Ouvia a conversa que eles tinham dentro do carro. Ambos agora, nos bancos da frente do carro. O motorista tinha cabelos grisalhos e parecia muito mais velho do que o loiro, do qual estava sentado no banco do passageiro, me permitindo ver apenas suas orelhas.

— A princesinha acordou, Mike. — Pelo retrovisor, consegui ver os olhos escuros do loiro que estava à frente. O senhor virou o rosto, encarando meus olhos e sorrindo. Um sorriso gentil e que me fez pensar: Se esse senhor com boa aparência e sorriso gentil falasse comigo na rua, não iria desconfiar do que ele é capaz de fazer.

Amordaçar e ameaçar uma simples adolescente.

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Point of View – Camila

— Muito obrigada, novamente, Doutora Kim. — Esperei a pequena senhora asiática sair de vista para poder entrar, novamente, no quarto da clínica perto de casa, em que minha irmã estava sentada, encarando suas próprias mãos. Vê-la tão indefesa e perdida assim, me fez lembrar de alguns anos atrás, na época em que aconteceu o acidente que matou nossos pais e fiquei realmente surpresa por aquela época, lembrá-la agora, na conversa com a doutora Kim.

— Hey, pequena. — Despertando dos próprios pensamentos quando ouviu minha voz, encarou meus olhos, sorrindo. Não o sorriso de sempre, que fazia Dinah repetir o quão forte ela era por sempre demonstrar estar bem... Ali, naqueles olhos castanhos idênticos aos meus, percebi que ela não queria preocupações de ninguém sobre si, tentando ficar firme. — Como se sente?

— Mais calma. Acho que na hora que vocês me encontraram, eu só estava com medo de ficar ali sozinha e presa por muito tempo. Desculpe assustar vocês... — Eu ri levemente, enquanto sentava numa cadeira próxima da cama, pegando a mão gelada da minha irmã.

— Não precisa pedir desculpas! Se eu tivesse tido mais paciência em conversar e te ouvir, nada disso teria acontecido. — Ouvi batidas na porta, que estava aberta, observando o rosto de Lauren. Sofia suspirou e soltou uma leve risada, balançando a cabeça e fazendo com que o pensamento de que minha pequena irmã está muito maior do que eu havia notado, pairar sobre minha cabeça, enquanto via Lauren se aproximar da cama.

— Espero que esteja bem, Sofi. — Ambas sorriram e um calor preencheu meu coração, tendo a certeza de que logo, tudo ficaria bem. — Sabe, eu sei que você não faz nem ideia do porquê pegaram você e eu quero deixar claro uma coisa... — Acariciando os fios castanhos claros de Sofi, acompanhei uma lágrima que descia perdida para o queixo de Lauren e suspirei, levantando da cadeira, ficando de frente para ela. — Ninguém mais vai ameaçar vocês. Você não vai precisar passar por isso de novo, tá?!

— Eu sei que não, Lauren, eu sei. Seja lá o que quer que esteja acontecendo, será resolvido logo. Não é assim nos filmes?! — Soltamos uma leve risada e acariciei os cabelos de minha irmã, fazendo-a rir ainda mais e tentar pegar minha mão. Beijei sua cabeça e vi que os remédios que a doutora dera a Sofi, começavam a fazer efeito, deixando-a sonolenta e piscando muito mais demorado que o normal.

— Baby, eu vou falar novamente com os policiais e tentar reproduzir tudo que você me disse e, enquanto isso, porque não tenta dormir um pouco? Foi muita adrenalina por um dia só. — Sofi concordou com a cabeça, bocejando alto, fazendo Lauren soltar uma leve risada e dar um peteleco no pé de minha irmã, que riu e deitou na cama, virando seu corpo para o lado da parede.

— Camz. — Olhei atentamente para os olhos verdes de Lauren, que pareciam desesperados e sorri, passando os braços em volta do pescoço daquela que me olhava perdida e abracei seu corpo, deixando meu rosto perto do pescoço cheiroso dela. — Desculpa, eu...

— Shh, Lolo. Tá tudo bem, tá?! Agora tá tudo bem. — Senti o suspiro de Lauren em meu ombro e arrepiei, apertando seu corpo contra o meu.

— Não, Camz. Não tá nada bem.

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Point of View – Lauren

Ainda sentindo um leve desespero, separei nossos corpos e, suspirando, peguei em sua mão, levando-a para fora do quarto e fechando a porta do mesmo. Respirei fundo vendo que Camila encarava meus olhos, sem saber o que falar. Levei minhas mãos ao seu rosto e segurei atrás de sua orelha, olhando atentamente em seus olhos. Nenhum resquício de mágoa ou arrependimento, o que me deixava aliviada.

— Eu fiz aquilo de propósito. Queria vocês longe de mim porque pensei que longe, eles deixariam vocês em paz e... — Bufei quando Camila levou um dedo até meus lábios, fazendo-me ficar quieta. Abraçou meu corpo e deixei meus braços em volta de seu corpo, suspirando e rezando para que ela entenda tudo que estava prestes a acontecer. — Camila, a gente precisa...

— Não, Lauren. Você quer falar algo que eu já sei, Ally me explicou. Eu entendo que tenha feito por medo e só espero que não faça de novo porque... — Ela se afastou rapidamente de mim para abrir os braços e olhar ao redor, fazendo um novo suspiro escapar dos meus lábios. — Olha em volta? Não é sua culpa, não quero dizer isso. Só quero dizer que precisamos ficar juntas.

— Não, não! É exatamente isso, eu entendo. Nós precisamos ficar juntas mas eu não quero você em perigo! Os policiais vão ficar de prontidão na casa de vocês, conforme o plano e...

— Nossa casa.

Não ouvia mais nada ao redor e tudo o que meus olhos conseguiam focar era Camila. Minha respiração falha deixou claro minha angústia e senti meus olhos marejarem. Fechei os olhos, sentindo as mãos pequenas de Camila rodearem meu rosto e, em seguida, seus lábios quentes cobrindo os meus. Permiti deixar uma lágrima descer e ouvi o riso leve de Camila.

— Não faça mais nada estúpido, Lolo. Você precisa de mim e eu não consigo imaginar meus dias sem você... — Abri os olhos, encontrando Camila sorrindo levemente e, encarando os brilhantes olhos, abracei sua cintura. — Dinah concordou em você continuar em casa. Pelo menos até tudo isso acabar, ok?

Apesar da situação e apesar de saber que o mais seguro era deixar que me pegassem, o sorriso mais idiota que tinha, não saia dos meus lábios, fazendo até minhas bochechas doerem. Aquele sentimento quente percorreu todo meu corpo, fazendo um suspiro escapar.

— Camz. — Eu lutava contra as palavras que queriam pular de minha boca e ir direto para o peito de Camila mas toda a luta foi em vão. O sentimento venceu o medo. — Eu te amo.

Por alguns segundos, seu olhar ficou perdido. Seus olhos corriam pelo meu rosto e sua respiração ficou irregular, deixando-me apreensiva. Talvez fosse cedo. Talvez ela não me amasse ainda. Talvez fosse um erro. Talvez seria melhor segurar e deixar para outra hora, como fiz antes da nossa briga... Mas tudo valeu a pena quando seus lábios começaram a tremer. Vi várias emoções misturadas no oceano castanho e permiti deixar meu sorriso aparecer, acompanhando os lábios finos de Camila.

— Lauren... Lauren, eu... — Sorri ainda mais quando as palavras de Camila não queriam sair, mesmo seu sorriso deixando claro que estava feliz e querendo responder a altura. Balancei a cabeça, abraçando seu corpo novamente.

— Shh, Camila. Eu sei, eu sinto. — Uma lágrima rolou pela bochecha rosada de Camz, parando somente pelo meu dedo, que a recolheu. — Vamos dar um jeito porque eu realmente preciso de você.

— Psiu, Mila. — Viramos nossos rostos para o corredor, vendo Dinah, que tinha o rosto pouco inchado pelo choro. A cena do reencontro com Sofi voltou em minha cabeça, fazendo-me lembrar do quanto Dinah ficou desesperada por Sofi, pegando a pequena no colo e levando direto para o carro, enquanto Mani já falava com o pai pelo telefone. — A Doutora Kim disse já ter dado alta para a Sofi, podemos ir pra casa. Callum irá nos escoltar até lá.

Assentimos levemente, vendo DJ abaixar a cabeça e dar meia volta, indo para o balcão da recepção, pegar alguns documentos com a doutora. Segurei firmemente a mão de Camila, que suspirou, passando a mão pelo cabelo, balançando seus cachos escuros.

— Eu vou acompanhar Dinah e tentar explicar mais alguns detalhes para os policias. Mani disse que o pai dela quer conversar comigo, a sós. — Camila franziu a testa, deixando claro que o "a sós", não agradava nem um pouco. — Ele é de confiança, Camz. Tenha calma.

Ainda com a expressão desconfiada e bufando, abraçou minha cintura e cheirou meu pescoço, fazendo-me arrepiar. Beijei rapidamente sua testa e separei nossos corpos, indo atrás de Dinah. Virando rapidamente para checar Camila, sorri para o rebolado latino enquanto ela andava até o quarto de Sofi, provavelmente para acordar a irmã para irmos para casa.

Mesmo perante aquela situação de tensão e o clima estranho entre Dinah e o Senhor Hamilton, durante toda a conversa, eu estava feliz. Camila me amava e não precisava dizer isso para que eu saiba... Seus olhos me fizeram enxergar.

— E achei estranho Sofia mencionar o nome da mocinha que estava com vocês, a Lily. A conhecem bem? — Dinah negou pois nunca havia visto enquanto eu, dizia tudo o que sabia sobre a pequena que nos ajudara até então, o que me fez pensar: Como Sofi mencionou Lily na conversa? Será mesmo que era a Lily que estava conosco na hora e não outra ajudante "deles"?

— Tá bem, garotas. Eu vou acompanhar Normani para casa e aproveitar para ficar um pouco com ela... Vocês precisam de algo? Callum vai escoltar vocês para casa na viatura. — Balancei a cabeça e percebi a tensão de Dinah aumentar, enquanto suspirava mirando Mani. Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos, enquanto acompanhava seus olhos, queimando as costas do policial que passava o braço pelo ombro de Normani, absorta numa conversa com Ally.

— Calma, D. Vocês vão se ver amanhã, tá bem?! — Assentiu, suspirando e apertando minha mão.

Relembrei do quanto Dinah ficou emotiva quando contou de sua família, algumas semanas atrás. A família que a rejeitou apenas por ser quem era, apenas por amar "uma igual" e conhecendo melhor Dinah, sentia seu medo de ter que se separar da pessoa que gostava porém, conhecendo mais Normani, sabia que ela não deixaria ninguém, muito menos o pai que nem sempre ficava com ela, mandar em sua vida.

— Valeu, Laur. Vou esperar vocês no carro. E relaxa, o carro tá em frente a viatura. — Bufei e assenti sorrindo para a loira que passava calmamente pela porta transparente da clínica, indo para o carro. O medo do que eram capazes de fazer, me deixava apreensiva, mesmo com a segurança que a polícia nos deu. Fariam plantões perto da casa da Camila e Allyson, já que Senhor Hamilton provavelmente não deixaria Mani sozinha até tudo passar. Elas eram alvos para quem quer que seja, infernizando minha vida, já que são todas importantes para mim. E depois de ver como Sofi estava e tudo que ela contou aos policiais, tomei minha decisão!

Eu faria contato com Dionísio. Tentaria um acordo.

Notas finais
Então, vocês confiam no Dionísio o suficiente para saber que o acordo de Lauren será bem realizado?