Sing of the times
10 Nothing Breaks Like a Heart
Notas iniciais
Capítulo 11: Nothing Breaks Like a Heart
“This world can hurt you, it cuts you deep and leaves a scar... Things fall apart, but nothing breaks like a heart.”
O silêncio na suíte do The Savoy não era mais um campo de batalha, mas um cemitério de defesas caídas. Bella ainda estava encolhida no sofá, a manta cobrindo seus ombros, enquanto Edward permanecia sentado no chão, encostado na lateral do móvel. A luz da madrugada londrina, um cinza pálido e melancólico, começava a desenhar os contornos de seus rostos exaustos.
Bella estendeu a mão, os dedos trêmulos acariciando os cabelos acobreados dele.
— Você ainda me amaria se eu escolhesse ficar? — a pergunta dela foi um sussurro, quase um pedido de socorro.
Edward inclinou a cabeça em direção ao toque, fechando os olhos.
— Eu te amaria até me destruir completamente, Bella. Mas eu não sobreviveria a ver você murchar em uma vida que não te pertence mais.
Aquelas palavras foram o golpe final. Bella escorregou do sofá para o colo dele, escondendo o rosto em seu pescoço, soluçando silenciosamente. Edward a envolveu com força, beijando suas lágrimas, o calor de seus corpos colidindo em um desespero que não aceitava mais negações. A briga fora o veneno; aquele abraço era o único antídoto.
Edward a carregou para o quarto, mas não havia pressa, apenas uma fome ancestral. Ele a depositou na cama e, sob a luz fraca, começou a despir as camadas de seda e culpa. Quando seus corpos finalmente se encontraram, sem barreiras, o impacto foi quase religioso.
Edward desceu por seu corpo, seus lábios traçando um mapa de adoração. Ele a beijou com uma devoção que beirava a obsessão, explorando cada curva, cada cicatriz invisível dos anos de ausência. Quando ele se ajoelhou entre suas pernas, Bella arqueou as costas, os dedos enterrados nos lençóis. O prazer que ele proporcionava com a língua e os lábios era intenso, rítmico, focado inteiramente nela, fazendo-a gemer o nome dele como uma oração desesperada.
Bella o puxou para cima, suas mãos ágeis desfazendo a própria contenção dele. Ela o queria por inteiro. Com uma urgência que queimava, ela tomou a iniciativa, envolvendo-o com a boca em uma carícia profunda e possessiva que o fez soltar um rosnado baixo de prazer, as mãos dele apertando os ombros dela com uma força que implorava por controle.
Quando Edward finalmente entrou nela, a conexão foi devastadora. Não era apenas sexo; era uma costura carnal de dez anos de perda. Edward a possuía com uma intensidade febril, seus corpos suados deslizando um contra o outro enquanto ele a levava ao limite. Ele a virou, explorando cada ângulo, as mãos grandes moldando as curvas de Bella com uma luxúria que só o amor absoluto pode gerar.
Os gemidos eram abafados contra a pele um do outro, o ritmo tornando-se frenético, visceral. Cada estocada era um "eu te amo" que as palavras não conseguiam mais carregar. Eles atingiram o ápice juntos, um colapso de sentidos que os deixou trêmulos, agarrados um ao outro como se o mundo estivesse de fato acabando lá fora. E, naquele momento, nada mais importava: nem o anel na mesa, nem o oceano que os separava da realidade.
Do outro lado do mundo, no apartamento de Stefan, o clima era de luto antecipado. Damon estava sentado no balcão da cozinha, um copo de uísque intocado entre as mãos, os olhos fixos na cidade que nunca dorme.
— Eu sinto que estou perdendo ela, Stefan — Damon confessou, a voz desprovida de sua habitual confiança. — Ela nunca mentiu para mim. Nem sobre as pequenas coisas. E agora... quando eu olho para ela naquela tela, eu sinto que estou assistindo ela partir sem sair do lugar.
Stefan sentiu uma pontada de culpa o atingir. Ele olhou para o irmão, vendo a dignidade de um homem que fizera tudo certo sendo corroída pela dúvida.
— Damon, o Edward e a Bella têm uma história muito profunda. Mal resolvida — Stefan disse, escolhendo as palavras com uma precisão cirúrgica para não mentir, mas também não explodir a verdade antes da hora. — Eles abriram mão de muita coisa pela empresa e pelas famílias há dez anos. Londres provavelmente mexeu em feridas que nenhum de nós imaginava que ainda estivessem abertas. Não alimente monstros na sua cabeça antes de falar com ela pessoalmente.
Damon apenas assentiu, mas o vazio em seu olhar dizia que a semente da desconfiança já havia criado raízes profundas.
Assim que Damon saiu, Stefan reuniu Alice, Rosalie e Emmett na sala.
— O Damon sabe — Stefan disse, curto e grosso. — Ele pode não ter o nome do Edward na boca ainda, mas ele sente que ela não é mais dele.
Rosalie soltou um riso amargo, cruzando os braços.
— E ela não é. Provavelmente nunca foi. Mas o estrago que eles estão fazendo... vai sobrar para nós recolhermos os cacos.
Alice, pálida, pegou o celular. Ela não aguentava mais o peso do silêncio.
LONDRES
Bella estava na varanda da suíte, enrolada no roupão de Edward, observando o nascer do sol sobre o Tâmisa, quando o celular vibrou. ALICE.
Ela atendeu com o coração na mão.
— Oi, Alice...
— Você ainda ama o Damon, Bella? — a pergunta de Alice veio sem rodeios, carregada de uma tristeza que fez as pernas de Bella fraquejarem.
O silêncio de Bella foi a resposta mais barulhenta do mundo. Ela começou a chorar silenciosamente.
— Você sempre foi embora emocionalmente antes de ir embora fisicamente, Bells — Alice continuou, a voz embargada. — Eu vi o Edward morto por dentro por dez anos. Eu sei o que ele sente por você. Mas quando isso explodir... vai destruir a Lottie. Vai destruir o Damon. Você está pronta para carregar esses destroços?
— Eu não tive escolha, Alice — Bella soluçou. — Eu tentei fugir, mas ele é o meu norte. Eu sempre estive perdida sem ele.
— Só tome cuidado — Alice avisou. — Porque nada quebra como um coração que acreditava ter encontrado a paz.
Bella voltou para o quarto. Edward estava dormindo de bruços, a pele das costas marcada pelos arranhões dela, uma imagem de beleza e caos. Ela entrou na cama devagar, aninhando-se ao lado dele.
"Nenhuma coisa no mundo jamais me pertenceu tanto quanto esse homem", ela pensou, enquanto as palavras de Alice ainda queimavam em sua mente.
Sentindo o movimento, Edward, ainda em meio ao sono, esticou o braço e puxou-a pela cintura, encaixando-a perfeitamente contra o seu corpo. Foi um gesto puramente instintivo. Um gesto de quem reconhece sua casa mesmo com os olhos fechados.
Bella fechou os olhos, sentindo o calor dele. Ela já havia escolhido. O incêndio estava vindo, e ela estava pronta para queimar com ele.
A bolha de Londres estava se tornando espessa o suficiente para que Bella e Edward começassem a acreditar que poderiam simplesmente nunca mais sair dali. Nos dias que se seguiram, a urgência desesperada deu lugar a uma intimidade doméstica que era, de certa forma, muito mais perigosa.
Eles foram tomar café em uma cafeteria escondida em Marylebone, onde o cheiro de grãos torrados e o som de conversas em tons baixos os protegiam do resto do mundo. Edward lia o jornal enquanto Bella observava as pessoas passarem pela vitrine úmida. Ele estendeu a mão por cima da mesa, entrelaçando os dedos nos dela, e por um momento, não havia fusão de empresas, não havia traição. Havia apenas um homem e uma mulher que se conheciam em cada silêncio.
Mais tarde, caminharam como turistas anônimos pelo South Bank. Riam de piadas internas, Edward tirava fotos dela com o Big Ben ao fundo, e a risada de Bella, aquela risada solar que Nova York raramente ouvia, ecoava sob o céu cinzento.
— Você já ama ela — Bella sussurrou, a voz embargada, quando viu Edward sair de uma loja de brinquedos com uma sacola contendo um urso de pelúcia artesanal e um conjunto de aquarelas profissionais para Charlotte.
Edward parou, as bochechas levemente coradas, o que o tornava irritantemente humano.
— Eu acho que comecei a amar a Charlotte antes mesmo de conhecer o rosto dela — ele admitiu, olhando para a sacola. — Porque ela é metade sua. E a outra metade... eu vou passar o resto da vida tentando fazer com que ela me aceite.
Bella sentiu o coração comprimir. Edward não estava apenas tendo um caso; ele estava adotando a vida dela por inteiro.
À noite, o clima de domesticidade se transformou em algo mais denso sob o vapor do chuveiro. Eles entraram no banho juntos, a água quente batendo contra os azulejos de mármore. Edward a pressionou contra a parede fria, enquanto suas mãos percorriam o corpo de Bella com uma possessividade que a deixava sem fôlego.
O contraste entre a água quente e o toque firme dele era inebriante. Edward se ajoelhou, deixando a água escorrer por seus ombros enquanto usava a boca e as mãos para adorar Bella de uma forma que a fazia esquecer o próprio nome. Ele a explorou com uma lentidão torturante, seus dedos deslizando pela pele ensaboada, encontrando cada ponto de prazer com uma precisão que só anos de obsessão silenciosa poderiam ensinar.
Quando ele a levantou, as pernas de Bella se envolveram em sua cintura com uma urgência renovada. Edward a penetrou ali mesmo, sob o fluxo constante da água, um ritmo forte e profundo que ecoava pelo banheiro. Os gemidos dela se misturavam ao som do chuveiro, um clamor de entrega absoluta. Não era mais apenas sexo; era uma cerimônia de pertencimento. Edward a beijava com ferocidade, a língua reivindicando cada suspiro, enquanto a levava a um ápice que a fez tremer violentamente em seus braços. Eles terminaram abraçados, o calor da água lavando a culpa, mas não o desejo.
Enquanto isso, em Nova York, Damon Salvatore estava cercado por fantasmas. Ele estava sentado no escritório de casa, com o brilho frio do notebook iluminando seu rosto cansado. Ele havia encontrado uma foto em um portal financeiro britânico: uma cobertura da fusão.
Na imagem, Edward falava ao microfone, mas a câmera capturara Bella ao lado. Ela não olhava para o público. Ela olhava para Edward.
Damon ampliou a imagem. O olhar de Bella não era de uma sócia. Era o olhar de uma mulher que via o mundo inteiro resumido em um par de olhos verdes. Ele sentiu uma náusea física. O homem gentil que ele sempre fora estava morrendo, dando lugar a alguém que ele não reconhecia: um homem ferido que começava a contar os minutos entre as mensagens dela e a perceber que a voz de Bella, quando falava de Londres, tinha uma música que ele nunca conseguira compor.
LONDRES
De volta ao quarto, o clima mudou. Edward abriu uma garrafa de vinho e sentou-se na cama, mas seus olhos estavam sérios.
— Eu já olhei alguns apartamentos no Upper West Side, perto do Central Park — ele disse, com uma calma que assustou Bella. — Quero que a Charlotte tenha espaço. Já vi como funciona a transferência para a escola que ela frequenta. Vou assumir o divórcio publicamente, Bella. Não quero que você seja "a outra". Quero que o mundo saiba que eu finalmente recuperei o que é meu.
Bella sentiu um pânico súbito. A fantasia estava ganhando contornos de contratos e endereços.
— Edward, e se eu destruir todo mundo... se eu quebrar o coração do Damon e traumatizar minha filha, e mesmo assim a gente não funcionar? — ela perguntou, a voz trêmula.
Edward largou a taça e segurou o rosto dela com as duas mãos, os olhos verdes fixos nos dela com uma intensidade inabalável.
— Então a gente quebra junto, Bella. Mas desta vez, a gente quebra um nos braços do outro.
Eles se beijaram novamente, mas desta vez foi diferente. Foi lento, quase doméstico, como se estivessem selando um contrato de sangue. Eles fizeram amor mais uma vez, mas não havia a pressa do pecado, apenas a certeza da entrega.
Horas depois, Bella adormeceu exausta no peito de Edward. Ele, porém, continuou acordado, ouvindo o som da chuva de Londres contra o vidro. Ele pegou o celular discretamente.
Não abriu e-mails de trabalho. Abriu uma pasta de favoritos com anúncios de imóveis em Manhattan. Ele deslizou o dedo pelas fotos de uma cobertura com janelas do chão ao teto e vista para o parque.
Porque agora, no coração de Edward Cullen, o retorno para Nova York não era uma volta para casa. Era uma invasão. Ele estava levando Bella de volta, e ele não pretendia deixar nenhum sobrevivente emocional no caminho.
E Edward estava pronto para quebrar quantos corações fossem necessários para garantir que o dele nunca mais ficasse vazio.
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