Sing of the times
16 Favorite Crime
Notas iniciais
Capítulo 16
“All the things I did just so I could call you mine... All the things you did, well, I hope I was your favorite crime.”
(Favorite Crime — Olivia Rodrigo)
O silêncio na ala leste da mansão dos Hamptons era quebrado apenas pelo zumbido intermitente do gerador de emergência. Após presenciar o desabamento invisível de Damon no corredor, Stefan recuou, mas não subiu para o escritório. Seus passos o levaram de volta ao quarto de Charlotte. Ele abriu a porta sem bater, os olhos verdes carregados de uma urgência silenciosa que fez Bella levantar a cabeça do colchão no mesmo instante.
Stefan colocou o indicador sobre os lábios, pedindo silêncio absoluto. Ele fechou a porta atrás de si, trancando-a por dentro, e caminhou até a cama. Da jaqueta de couro, ele puxou um dispositivo via satélite — um aparelho robusto, modificado pela própria Salvatore Tech, operando em uma rede criptografada que contornava qualquer bloqueio de sinal que Damon tivesse imposto à propriedade.
— Stefan... — Bella sussurrou, a voz ainda embargada, os olhos fixos no aparelho.
— Não temos tempo, Bella. O Damon está perdendo o controle da realidade e a polícia do condado só vai intervir quando o dia amanhecer — Stefan falou baixo, os dedos ágeis digitando uma sequência de comandos na tela escura. — Ele acha que eu já fui embora, mas eu mudei o sinal do meu carro para parecer que saí do perímetro. O Edward está na rodovia litorânea. Ele está esperando por isso há horas.
A tela do aparelho piscou, dividindo-se em linhas de código antes de focar em uma transmissão de vídeo em tempo real. O rosto de Edward apareceu. Ele estava dentro de um dos SUVs blindados, as feições severas, os olhos verdes injetados de sangue e desespero. Quando ele viu a imagem de Bella — o lábio partido, as marcas roxas nos pulsos e a expressão esvaziada —, o maxilar de Edward se contraiu com tanta força que o som dos dentes estalando pareceu ecoar pela linha.
— Bella... — a voz de Edward veio em um sopro áspero, uma mistura de alívio e pura agonia física por estar tão perto, mas separado por um muro de vidro. — Meu Deus, Bella. O que ele fez com você?
Bella engoliu em seco, aproximando-se da tela, a mão trêmula tocando o vidro do aparelho como se tentasse alcançar a pele dele. Ela fora cúmplice de sua própria destruição ao tentar manter as aparências por tanto tempo, cruzando linhas perigosas apenas para que pudesse, um dia, ser dele por inteiro.
— Edward... a Charlotte está comigo. Ela está bem — Bella disse, forçando uma firmeza que não possuía. — Mas o Damon descobriu tudo. Ele não vai me deixar sair daqui. Ele está... ele está quebrado, Edward. Não é mais o homem que conhecemos.
— Eu estou chegando, Bells. Nós vamos derrubar aqueles portões assim que o sol nascer. O Charlie conseguiu a autorização estadual — Edward declarou, a determinação em sua voz misturando-se com um pânico latente. — Aguente firme. Não enfrente ele. Deixe que ele pense que venceu por mais algumas horas.
Stefan pegou o telefone de volta por um segundo, olhando para o irmão de criação.
— Edward, o plano precisa ser cirúrgico. A segurança da casa está armada. Eu vou deixar a porta de serviço da cozinha destrancada a partir das seis da manhã. Vocês entram por lá antes que a patrulha externa faça a ronda de troca de turno. Tirem a Bella e a menina pela floresta dos fundos. Eu dou cobertura de dentro.
— Estaremos lá às seis em ponto, Stefan. Proteja as duas — Edward respondeu, e a imagem foi cortada, deixando o quarto novamente submerso na penumbra cinzenta da madrugada.
Às seis horas da manhã, a névoa dos Hamptons estava tão densa que reduzia a visibilidade a menos de três metros. Os três SUVs pretos avançaram pela estrada de terra com os faróis apagados. O portão principal foi violado sem alarde pela equipe de Jasper, que neutralizou os dois seguranças da guarita usando táticas de contenção não fatais.
Edward correu pelo gramado úmido, seguido de perto por Charlie Swan e Emmett. A adrenalina corria por suas veias como fogo líquido. Ele empurrou a porta de serviço da cozinha, encontrando-a exatamente como Stefan prometera: destrancada.
A casa estava imersa em um silêncio sepulcral. Não havia o som do gerador, que havia esgotado o combustível nos primeiros minutos da manhã.
— Bella! — Edward chamou, quebrando o protocolo de silêncio, subindo os degraus de madeira de três em três, a pistola empunhada em sua mão direita.
Eles invadiram a ala leste. Ao abrirem a porta do quarto de Charlotte, encontraram Stefan sentado na borda da cama. Ele segurava a menina de quatro anos nos braços, envolvendo-a em um cobertor grosso. Charlotte chorava baixinho, o rosto escondido no ombro do tio.
Mas Bella não estava lá.
— Onde ela está, Stefan?! — Edward gritou, avançando para o meio do quarto, os olhos varrendo o espaço vazio, o coração batendo contra as costelas em um ritmo ensandecido.
Stefan levantou a cabeça, o rosto pálido, os olhos cheios de uma culpa devastadora. Ele estendeu a mão esquerda, entregando um pedaço de papel de linho timbrado que encontrara sobre a mesa do escritório de Damon minutos antes de os Cullen entrarem.
— Ele a levou, Edward... Ele usou a passagem do subsolo que dá acesso à garagem privada antes das cinco da manhã. Eu não ouvi o carro sair por causa do barulho da tempestade — Stefan explicou, a voz falhando.
Charlie Swan aproximou-se, arrancando o papel da mão de Stefan. Seus olhos de policial experiente leram as linhas escritas com a caligrafia perfeitamente alinhada e firme de Damon Salvatore, uma caligrafia que exalava a lucidez distorcida de quem já tomara a decisão final.
"Stefan,
Você achou que eu não veria a transmissão criptografada? Você achou que eu não saberia que o meu próprio irmão me venderia para os Cullen? Eu passei dez anos protegendo este nome e esta família. Eu não vou passar o resto dos meus dias sendo arrastado por tribunais de divórcio, assistindo à imprensa destruir o império que eu construí, e vendo a minha esposa sorrir para o Edward Cullen nos jornais de Nova York.
A igreja nos uniu sob uma promessa, Stefan. E eu sou um homem de palavra. Será até que a morte nos separe. Se ela não pode ser minha nesta vida, ela não será de mais ninguém. Nós vamos morrer juntos. Cuide da Charlotte. Ela é a única coisa pura que restou disso tudo.
— Damon."
Edward soltou um rugido de pura agonia, golpeando a parede de gesso com o punho até que seus nós dos dedos sangrassem.
— Ele vai matá-la... O desgraçado vai matá-la!
— Nós temos que rastreá-lo agora! — Charlie gritou, o instinto de pai e policial assumindo o controle sobre o pânico. — Stefan, as câmeras! Os radares da empresa! Alguma coisa tem que nos dar a direção daquele carro!
Stefan correu para o escritório, jogando o cobertor sobre Charlotte, que foi prontamente acolhida por Emmett. Ele ligou o notebook de segurança que operava com a bateria reserva do sistema via satélite da Salvatore Tech. Seus dedos voavam sobre o teclado, invadindo os servidores privados de monitoramento global da empresa.
— O carro que ele usou é o Aston Martin blindado. O sistema de navegação de fábrica foi desligado manualmente por ele — Stefan dizia, os dentes cravados no lábio inferior enquanto as linhas de código subiam pela tela. — Mas o Damon esqueceu de uma coisa... o celular corporativo dele tem um chip de geolocalização secundário embutido na placa-mãe para proteção contra sequestros industriais. O sinal está ativo.
— Onde, Stefan?! Onde ele está?! — Edward exigia, inclinando-se sobre a mesa, a respiração cortante.
A tela piscou, mostrando o mapa do estado de Nova York. Um ponto vermelho intermitente subia em direção ao norte, contornando a costa leste da ilha, avançando para além das estradas principais, adentrando uma região de penhascos isolados e florestas de pinheiros conhecida pela população local como Montauk, mas que os pescadores antigos apelidaram de "O Fim do Mundo".
— Ele está indo para o farol desativado no topo do penhasco de Montauk — Stefan declarou, olhando para Edward com um terror absoluto. — O penhasco tem uma queda livre de mais de oitenta metros direto para as rochas pontiagudas do Atlântico. Se ele jogar o carro de lá... não haverá sobreviventes.
— Vamos! — Charlie Swan comandou, correndo em direção à escada.
O trajeto até Montauk transformou-se em uma corrida contra o próprio relógio do destino. Edward dirigia o primeiro SUV, cortando as curvas da rodovia litorânea a mais de cento e sessenta quilômetros por hora, os pneus blindados cantando contra o asfalto molhado pela garoa persistente. Ao seu lado, Jasper monitorava o ponto vermelho na tela do celular corporativo, que parecia se mover com uma velocidade constante, implacável, em direção ao precipício.
Tudo o que Damon fizera, cada manipulação, cada crime corporativo, cada ato de violência psicológica, fora motivado por uma obsessão tão profunda que ele preferia destruir o objeto de seu amor a aceitar a derrota. Ele criara o crime perfeito, e agora exigia o sacrifício final.
O ponto vermelho no mapa parou de se mover.
— A localização fixou, Edward! — Jasper anunciou, a voz tensa. — O sinal parou exatamente no ponto mais alto do penhasco de Montauk. No mirante antigo.
O SUV de Edward rompeu a última barreira de pinheiros, entrando na clareira de cascalho que dava acesso ao topo do precipício. A tempestade litorânea havia retornado com força total, o vento uivando como um animal ferido entre as rochas, e uma neblina espessa, cinzenta e opaca reduzia a visibilidade a quase nada.
O carro de Damon apareceu no centro da clareira.
O Aston Martin cinza-chumbo estava abandonado. A porta do motorista e a porta do passageiro estavam escancaradas, balançando violentamente sob o impacto das rajadas de vento. Os faróis dianteiros continuavam acesos, cortando a névoa com dois feixes de luz branca e fantasmagórica que iluminavam as gotas de chuva em suspensão. O rádio do painel ainda funcionava, emitindo um chiado estático misturado ao som do motor que morria lentamente por falta de aceleração.
Edward freou o SUV, abrindo a porta antes mesmo que o veículo parasse completamente. Ele desceu para a lama, a pistola em punho, os olhos verdes varrendo o cenário desolado.
— BELLA! — o grito dele foi engolido pelo som das ondas do oceano quebrando dezenas de metros abaixo, contra a base de pedra do penhasco.
Charlie, Stefan e Jasper desceram logo atrás, as armas empunhadas, cobrindo os flancos do carro abandonado. Mas não havia ninguém dentro do veículo. No banco do passageiro, havia apenas alguns fios de cabelo castanho presos ao encosto de cabeça e o celular corporativo de Damon, jogado no chão do carro, com a tela de vidro completamente estilhaçada por um pisão deliberado.
Stefan apontou a lanterna tática para o chão de terra batida e lama ao lado da porta do passageiro.
— Edward... olhe aqui — a voz de Stefan saiu trêmula, o feixe de luz revelando a verdade aterrorizante.
Na lama escura da clareira, as marcas eram claras demais para serem ignoradas. Havia pegadas profundas, arrastadas. Duas pessoas. Uma marca de sapato masculino de sola de couro cara e, ao lado dela, as marcas desordenadas e fracas de pés descalços ou calçados com sapatilhas leves, indicando que uma mulher havia sido conduzida ou arrastada em direção à borda do precipício.
As pegadas seguiam em uma linha reta, firme, sumindo no meio da neblina espessa na direção exata do precipício onde a terra terminava e o vazio começava.
Edward correu na direção das marcas, parando a centímetros do limite do penhasco, onde a grama dava lugar à queda livre de oitenta metros para o Atlântico revolto. A neblina bloqueava qualquer visão do que estava abaixo ou à frente. Não havia sinais de Damon. Não havia sinais de Bella. Apenas o vento cortante, o cheiro de sal e a escuridão do mar que engolia tudo.
Damon cumprira a promessa da carta? Bella ainda estava viva, lutando contra ele na escuridão da névoa, ou os dois já haviam dado o passo definitivo para além do limite do mundo?
Edward permaneceu à beira do abismo, o rosto banhado pela chuva, os olhos fixos no vazio cinzento, enquanto o silêncio da dúvida desabava sobre a noite dos Hamptons como o maior gancho de suas vidas.
Edward permaneceu à beira do abismo, o rosto banhado pela chuva, os olhos fixos no vazio cinzento, enquanto o silêncio da dúvida desabava sobre a noite de Montauk como um manto asfixiante. Foi nesse exato segundo de paralisação que o vento mudou de direção, trazendo do meio da névoa densa o eco ensurdecedor de um barulho de tiro alto, cujo estampido ricocheteou contra as paredes de pedra do precipício. E, logo em seguida, rasgando o barulho da tempestade, veio um grito desesperado de Bella, um som agudo, dilacerante e cheio de agonia que cortou o ar antes de ser abruptamente engolido pelo estrondo das ondas lá embaixo, deixando o gancho final pairando no vazio.
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