Notas iniciais
Essa fanfic foi inspirada em um momento do episódio 143 (o antepenúltimo) que mostra que Julian Solo e Sorento de Sirene agora tinham uma parceria e sairiam juntos pelo mundo para que Sorento tocasse flauta para consolar crianças carentes.

Espero que gostem.

Era para ser uma madrugada tranquila acompanhada de uma boa noite de sono para Sorento, ex-general marina e que nos últimos tempos andava viajando o mundo todo ao lado de Julian Solo, para poder tocar sua flauta para crianças carentes de diversos países. Sorento estava deitado em uma grande cama, num dos inúmeros quartos da luxuosa mansão da família Solo. Ele não conseguia dormir de jeito nenhum, pois diversos pensamentos transcorriam em sua mente.

Ele não parava de pensar em Julian Solo, ou “senhor Julian” como costumava se referir a ele. Depois que havia deixado a vida de general marina, havia sido acolhido pela família Solo a pedido de Julian. O motivo inicial era que Sorento auxiliasse Julian em suas ideias filantrópicas, e permitindo assim promover a carreira de Sorento como músico.

Mas não era totalmente nisso que ele estava pensando, e sim em algo que mexia com sua cabeça e o deixava confuso: seus sentimentos por Julian Solo. Sim, Sorento estava se apaixonando por Julian, o herdeiro da família Solo e antigo corpo de Poseidon. Certa vez ele quis devotar sua vida à Poseidon, acreditando que ele poderia criar um mundo novo. Mas o fato é que ele estava se sentindo muito mais devoto de Julian Solo do que jamais seria de Poseidon. Havia agora uma mistura de admiração imensa, gratidão, e sobre tudo, amor.

- Julian... – sussurrou para si mesmo, enquanto olhava a Lua pela janela. – O que me faz sentir essas coisas tão estranhas ?

De repente, começou a lembrar de alguns momentos dos dois juntos.

“Juntos, nós faremos uma revolução no meio filantrópico. E eu serei o maior negociador do ramo marítimo e você o maior músico do mundo”. Essas foram as palavras de Julian, ao firmarem parceria.

“Por favor, não seja tão formal, Sorento! Pode me chamar apenas de Julian quando estivermos a sós.”, disse há alguns dias, quando o chamou de “senhor Julian” num momento em que os dois estavam sozinhos.

“É como se tudo o que há de negativo desaparecesse quando ouço você tocando a sua flauta.”

“Você não é meu empregado, é meu melhor amigo.”

Todas essas coisas o deixavam confuso. Como poderia estar se apaixonando por Julian ?! Julian era o herdeiro de uma fortuna bilionária, e ele era apenas um pobre flautista autodidata que havia dado sorte na vida. Ele sabia que se contasse a Julian sobre seus sentimentos, jamais seria a mesma coisa. A amizade deles entraria em risco e Julian poderia até cortar quaisquer relações com ele. Seria o fim para Sorento. Como poderia viver sem Julian ?

De repente, tomou um impulso e resolveu pôr em prática a sua ideia. Acendeu a luz do quarto, pegou sua flauta, e começou a tentar compor uma nova melodia. As paredes eram à prova de som, então poderia tocar a noite toda sem acordar nenhum empregado ou membro da família Solo.

Passou a noite inteira em claro tentando compor uma melodia romântica que pudesse expressar sem palavras todos os seus sentimentos, e que pudesse conter toda a essência de sua paixão. Passou não só a noite em claro, mas também resolveu passar o outro dia inteiro praticando, escrevendo e, em alguns momentos, pensar um pouco mais em Julian, o que na verdade ele fazia até mesmo enquanto compunha. Durante todo o dia as únicas refeições que fez foram o café da manhã e a janta. Ambas feitas no quarto, e não com a família Solo, como costumava ser. Só saiu do seu quarto uma vez para se despedir dos pais de Julian, que iam fazer uma viagem de negócios.

- Até logo, senhor e senhora Solo. – disse Sorento, terminando de colocar as malas no porta-malas do carro.

Os pais de Julian elogiaram Sorento por ter ajudado com as malas, e se foram logo em seguida.

- Não quer ficar um pouco fora daquele quarto ? Você nem saiu dele a manhã inteira. – comentou Julian.

- Não. Desculpe, mas eu tenho um trabalho muito importante para terminar.

- Eu entendo. Sinta-se à vontade.

Julian retornou ao quarto. Já havia terminado a melodia, mas ela tinha que ficar perfeita e continuou a treinar. Era um desafio e tanto compor uma música expressando tudo o que havia em seu coração em menos de 24 horas. Porém, ele havia conseguido. Finalmente estava com a canção composta e memorizada. Seria capaz de tocá-la até de trás pra frente se quisesse. Resolveu então dormir, pois foi muito desgastante passar tanto tempo acordado. Ainda era cedo, mas a falta de um bom sono falou mais alto e o obrigou a ir dormir.

***

Sorento acordou bem mais cedo que o normal. Tomou um bom banho para matar o tempo e foi tomar café.

- Olha quem finalmente saiu do quarto!

Sorento desviou os olhos do suco e olhou para seu amado. Era maravilhoso ver logo pela manhã aquele semblante quase angelical, sem deixar de ter uma postura bem masculina. Aqueles cabelos longos e sedosos de um azul tão delicado o encantavam, estava com vontade de afagar aqueles cabelos.

- Bom dia, Julian.

- Fico feliz que não me chame mais de “senhor Julian”. – disse ele, sentando-se enquanto punha no pescoço um babador para adultos.

Fizeram a refeição praticamente sem dizer uma palavra sequer. Perto do final, Sorento quebrou o silêncio.

- Você dispensou os empregados hoje ?

- Sim, não preciso deles por enquanto.

Privacidade era tudo o que Sorento queria.

- Julian, eu quero te mostrar a nova música que compus.

- Nova música ?! – Julian levantou espantado. – Ah, então era nisso que você estava trabalhando tanto. Estou ansioso pra ver como ficou!

Era até difícil de acreditar que um homem tão sério e formal poderia ficar tão alegre longe de empregados e pessoas burguesas. Os dois estavam mesmo ficando íntimos.

Ambos foram escovar os dentes e em seguida se reuniram na sala. Julian se sentou no sofá com as pernas cruzadas. Sorento se pôs cerca de dois metros de distância dele, levando a flauta na altura do queixo.

- Chama-se “Sinfonia do Amor”.

- Hum... gostei do nome. Vamos lá, quero ver o que tem para mostrar.

Sorento levou a flauta para os lábios, fechou os olhos, e começou a soprar. Pensava em Julian enquanto tocava. Seus dedos eram movidos pela sua emoção, pela sua alma, se deixou levar enquanto tocava. Sentia quase como se seu fôlego não viesse dos pulmões, e sim do coração. Tocava com maestria aquela música tão bonita e suave, que dificilmente seria superada por qualquer outra no mundo. Nos momentos finais, não conseguiu conter lágrimas que vieram aos seus olhos fechados, e que teimaram em cair no finalzinho, com um sopro longo, suave e romântico, finalizou a execução daquela obra-prima.

Sorento limpou as lágrimas e olhou para Julian.

- Puxa vida! – disse Julian, derramando lágrimas. – Essa foi a coisa mais bonita que já presenciei na minha vida toda! Eu podia sentir a Sinfonia do Amor no meu coração. Era como se ela tivesse a letra mais romântica do mundo mesmo sem palavras. – limpou as lágrimas. – Excelente trabalho, Sorento!

- Obrigado, Julian. Sua opinião é muito importante pra mim. Sem você, eu não teria conseguido compor.

- Como assim ? Você a compôs sozinho.

- Mas eu a compus pensando na pessoa mais importante do mundo pra mim. A pessoa que permitiu que meu coração amolecesse o suficiente para despejar toda a carga emocional contida nele em uma música.

- Que pessoa de sorte! – disse ele, levantando-se. – E quem é ?

- Você.

Notas finais
Eu sei que sinfonia é quando tem vários instrumentos, mas o Sorento chamava aquela música da flauta que podia matar pessoas de "Sinfonia Final da Morte", então achei que o nome "Sinfonia do Amor" combinaria.