Sinfonia do Amor
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O beijo foi totalmente inesperado. Ele durou por vários segundos. Sorento não entendeu nada, mas durante aqueles bons segundos, nem fez questão de entender e se deixou levar pela sensação, saboreando aquele beijo profundo. Mas após alguns segundos, o beijo foi desfeito.
– S-senhor Julian! – disse Sorento, recuperando o fôlego e a razão. – Mas o que v... – foi interrompido pelo dedo indicador de Julian, que pousou em seus lábios.
– Se me chamar de “senhor” de novo, ponho você na rua! – disse ele, agressivamente, mas dando um sorriso maroto logo em seguida.
– Julian, você também tem algum sentimento por mim ?!
– Sim, Sorento. Eu tentei negar isso, mas não consigo mais.
– Mas há alguns minutos você falou como se...
– Não importa o que eu disse antes! – pousou as mãos nas bochechas de Sorento. – O importante é o que estou dizendo agora. Ou melhor, fazendo agora!
Roubou-lhe outro beijo. Dessa vez, as bochechas de Sorento avermelharam-se. Pela primeira vez, Sorento não se sentia como um verdadeiro homem, mas como uma pessoa feliz acima de tudo. Apesar disso, desfez o beijo.
– Mas, Julian... O que seus pais dirão se descobrirem ?
– Não me interessa o que eles irão me dizer. Por hora, só quero ouvir o que meu coração tem a dizer.
Agora, os dois se abraçaram ao mesmo tempo e começaram a se beijar apaixonadamente, começando a se mover para um lado e, quando deram por si, já estavam caídos na cama.
***
Uma hora depois, aquela cama estava manchada com o suor de ambos. A respiração deles ainda estava ofegante.
– J...Ju...Julian... – dizia Sorento, com dificuldade, devido à respiração ainda ofegante.
Julian ajeitou a cabeça de Sorento em seu colo, coberto pela beirada de um cobertor de tecido fino. Julian afagava os cabelos do homem com a cabeça repousada em seu colo, olhando seus olhos. Sorento também o olhava e começou a passar lentamente as mãos pelos adoráveis cabelos azuis de Julian. Sorento via-o como um deus grego agora, mais até do que se ainda estivesse possuído por Poseidon. Com seus rostos em posições contrárias, beijaram-se novamente.
Depois do beijo, Julian deitou na cama ao lado de Sorento. Mais do que nunca, os dois se comportaram mesmo como um casal.
– Sorento, pode me fazer um pequeno favor ?
– O que quiser, Julian.
– Pode tocar a Sinfonia do Amor mais uma vez ? Eu preciso ouvi-la sabendo que foi feita para mim.
Num movimento rápido, Sorento virou-se e pegou a flauta no criado-mudo. Ficou em cima de Julian e se ajoelhou, deixando seu corpo acima da região abaixo da cintura dele. Agora poderia tocar, pois sua respiração já não estava mais tão ofegante.
Tocou mais uma vez aquela música, agora olhando profundamente nos olhos de Julian enquanto tocava. Sentia como se estivesse explorando todo um universo dentro daqueles olhos, sendo guiado pelo som que tocava. Julian deleitava-se na melodia como se estivesse sob efeito alucinógeno de alguma coisa, chamada amor. Nas notas finais, Sorento baixava cada vez mais seu rosto, se aproximando mais do rosto do seu amado. Na última nota, deu o sopro mais longo de sua vida, quase junto ao rosto dele. Beijou-lhe os lábios quando mal havia terminado de soprar a última nota. Abraçaram-se e se beijaram um pouco mais.
Novamente, ficaram deitados um do lado do outro, juntinhos. O que estavam fazendo poderia ser um pecado. Talvez até fossem punidos pelos deuses um dia. Era pecado amar tanto outra pessoa ?
– Te amo, Sorento.
– Te amo, Julian.
Abraçaram-se novamente, sentindo como se seus cosmos estivessem se tornando um só, e que assim poderia ser para toda a eternidade.
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