Sine Cordi

27 Capítulo 27 - כז


Notas iniciais
Momentos flashback no capítulo. Outra vez... Fonte em itálico = passado. Okay? Então, sigamos pois... ;P

Trame, planeje, calcule, postule o quanto quiser. Sempre existirão surpresas à sua frente. Conte com isso!”

– Henry Miller -

Mathews quase teve uma síncope e, em murmúrios que somente ele era capaz de ouvir, usou de palavras nada cavalheirescas para elogiar a advogada. Afinal, ela acabou de demonstrar para o júri, o juiz Walker e toda a assistência que não era preciso ser um expert em náutica para saber fazer e usar um nó de correr.

Raul Steven Street ficou contrariado. E expôs tal fato de maneira pouco gentil ao questionar:

"Como foi falhar desse jeito? Eu pensei que fosse mais competente!".

O advogado procurou apaziguar o homem, porém escutou o juiz a lhe chamar a atenção:

"Sr. Mathews, controle o seu cliente por gentileza!".

Assentiu, mas foi impedido pelo réu, a perguntar muito aborrecido:

"Pretende chamar mais algum policial idiota para que a Dra. Fabray lhe ponha no chinelo?".

O Walker ouviu e, paciente, pediu outra vez que o Mathews controlasse o cliente.

Para Raul era como se as palavras do juiz significassem nada:

"Você garantiu que o caso era fácil e que tudo seria resolvido logo, pois as provas da investigação eram circunstanciais".

O mau humor do cliente era altamente enervante para o Mathews, que argumentou:

"Sr. Raul, nada aconteceu ainda. Estamos no início do julgamento. Por favor, fique calmo!".

O magistrado deu mais uma olhada para o jovem defensor, que escreveu numa folha de papel "fique tranquilo" e o entregou ao cliente, que leu, amassou e deu um sorriso de asco. Encarou Quinn, que lhe transmitiu, ainda que não o fitasse, assustadora indiferença. Atalhou, para desespero do Mathews:

"Aquela mulher... Por que permitiu que ela participasse do julgamento? Está claro e óbvio que, apesar de nomeada como auxiliar da promotoria, é ela que está a conduzir toda a acusação".

Walker outra vez se manifestou, desta vez, com a paciência a escoar:

"Sr. Mathews, se eu continuar a ouvir a voz do seu cliente mandarei que o retirem deste salão!".

O jovem concordou e, desta vez, até mesmo o réu compreendeu que o magistrado não estava a brincar.

O advogado de defesa chamou o próximo a testemunhar:

"A defesa chama o Sr. Robert W. Wood!".

O homem, de cerca de quarenta e cinco anos, cabelos castanhos aloirados e muito bem arrumados, pele bronzeada, olhos azuis esverdeados, terno bem cortado e, certamente, feito sob medida, com uns dois quilos acima do peso, porém alto, o que lhe conferia elegância, caminhou até o local em que testemunharia e fez o juramento, sentou-se imediatamente após, atento.

A Fabray apenas observava os comportamentos.

Mathews cumprimentou o viúvo e externou seus mais profundos sentimentos pela perda sofrida pelo homem, que apenas assentiu em mudo agradecimento. O defensor do Street iniciou a sabatina, gentil:

"Sr. Wood, o senhor é um homem bem apessoado e eu posso ver, como muitos aqui no tribunal, que está bronzeado e não parece um bronzeamento artificial. O senhor frequenta algum clube?".

Robert foi sincero na resposta:

"Sim. O Clube Náutico na Califórnia".

"Oh! Que interessante!", exclamou o advogado com um sorriso de contentamento. E Robert, seco, atalhou:

"Realmente...".

O rapaz continuou com o sorriso e questionou, simpático:

"E como o senhor adquiriu tal bronzeado?".

Quinn estreitou o olhar, incrédula e, pela quarta vez, protestou e justificou:

"Irrelevante. O Sr. Wood já disse que é sócio do Clube Náutico! Acho que ficou subentendido, desde o início deste caso, que ele, provavelmente, costuma velejar".

O juiz suspirou e acatou, outra vez, a oposição da advogada. Virou-se para o outro e aconselhou:

"Dr. Mathews, vá direto ao ponto".

O homem assentiu, sem o sorriso na face. Voltou a atenção para o depoente, que olhava para a Fabray e percebeu o motivo pelo qual era chamada de "Rainha de Gelo": enquanto parecia distraída ou mesmo escrevia algo na pequena agenda com a capa de couro, a atenção estava completamente voltada ao julgamento. Perguntou-se a razão pela qual o advogado de Raul ainda não percebera tal dado.

"Sr. Wood...” – saiu do transe quando percebeu que se distraíra além do normal. Desculpou-se e reteve toda a atenção no advogado, que indagou, sem sorrir e a sentir um incômodo suor brotar na testa:

"O senhor possui algum barco?".

Assentiu e verbalizou, calmo:

“Sim. Quatro iates e duas lanchas, que usamos...", estancou ao lembrar que a esposa não estava mais perto dele e, após respirar fundo, prosseguiu, "usávamos para pesca recreativa".

Insensível, o advogado de Street seguiu:

"Por que parou a resposta e depois continuou?".

O Wood foi polido:

"Bom, Sr. advogado, se não percebeu, eu estava a utilizar o verbo 'usar' no tempo presente e, neste momento, ele não cabe, haja vista que a minha esposa está morta!".

O Mathews aquiesceu, porém precisou continuar com o trabalho para o qual foi contratado. Assim, questionou:

"Eu posso concluir que o senhor sabe como fazer um nó de correr, certo?".

O empresário assentiu e complementou, grave, "só para anzóis".

O advogado concordou, satisfeito, e voltou a falar:

"Imagino o choque que tomou ao descobrir que a sua 'amada' esposa foi morta justamente por uma corda de embarcação e com um nó de correr".

O viúvo retorquiu, a antipatizar com o Mathews:

"Fosse qual fosse o tipo de morte que sofresse a minha esposa, eu estaria da mesma forma: chocado. Porém, eu penso que ficaria mais chocado se o assassino usasse linha de náilon".

A refutação do Wood deixou Anthony atordoado e levou os presentes a se manifestarem, simpáticos ao depoente.

O juiz pediu ordem e que Robert se limitasse a responder somente o que lhe fosse perguntado pelos advogados. O empresário atalhou, consciente:

"Foi o que eu fiz, meritíssimo".

Anthony, recuperado, voltou à carga:

"Quando sua esposa foi morta, o senhor estava em São Francisco?".

A resposta positiva foi dada com sinceridade e segurança de quem nada deve. O advogado deu uns passos pelo espaço e se virou de maneira teatral para o depoente e lançou a questão:

"Poderia nos dizer o que foi fazer lá?".

A resposta não tardou:

"Claro. Eu fui comprar um iate. O 'Rainha das Águas!".

O Mathews avançou:

"Gosta de colecionar barcos e iates?".

Robert assentiu, sincero:

"Tenho uma paixão especial".

O advogado do Street:

"Poderia dizer o valor da compra do 'Rainha das Águas'?".

Neste momento, Quinn falou algo no ouvido do promotor, que logo se ergueu e protestou, a justificar:

“Qual a pertinência da pergunta do senhor advogado de defesa?".

O magistrado olhou para o Mathews e como este não justificou, o juiz acatou o pedido do representante do Estado.

Cinco pontos para Quinn Fabray!

O rapaz respirou fundo mais uma vez, contou até dez e voltou a indagar:

"Sr. Wood, pode nos falar um pouco sobre a sua relação com a sua esposa? O Sr. Street foi o único caso extraconjugal dela? Como se sentiu ao saber que ela tinha um amante? Quando descobriu tal fato?".

O empresário sorriu por pura incredulidade.

"Linda e eu sempre tivemos um casamento baseado no amor e na confiança. Ela foi, sem nenhuma dúvida, o grande amor da minha vida...".

"Mas... Parece que ela não correspondeu às suas expectativas", o Mathews observou.

E a ex-fotógrafa protestou, a justificar:

"O Sr. Advogado está a conjecturar! Pediu para o Sr. Wood responder e está a tirar conclusões que cabem somente aos membros do júri".

Uma descoberta nova:

Foi a primeira vez que Anthony sentiu vontade de esganar uma pessoa. Porém, mais uma vez, soube que Quinn não errou ao intervir. E escutou resignado, pela sexta vez, o magistrado acatar ao protesto. Aceitou e se refez.

Robert fitou outra vez a advogada: ela realmente dava a impressão de estar desligada do que acontecia ao redor. Entretanto, quando menos esperavam, ela golpeava com mira perfeita e implacável. Voltou a olhar para o advogado a sua frente. Pensou: este começou a roer um osso bem duro!

"Sr. Wood, poderia, por favor, continuar a falar um pouco mais de sua esposa?", pediu e cuidou de justificar, antes que a Fabray interrompesse, "meritíssimo, eu desejo que o júri e os demais saibam um pouco mais do caráter da...".

E foi o Dr. Walker a corta-lo:

"O senhor já explicou a sua intenção, doutor".

O empresário recomeçou, paciente:

"Como eu disse, Linda foi... Não! Linda ainda é o amor da minha vida. Éramos um só", sorriu com tristeza, "tivemos um filho, Andrew, que morreu de leucemia aos dois anos de idade. Ficamos arrasados, mas ela... Ela perdeu uma parte muito grande, uma enorme ferida que não cicatrizou mais. Entrou em profunda depressão! Eu tentei convence-la a termos outro filho, porém ficou tão frágil que o medo de perder mais um a acovardou. Fizemos terapia... E, um dia, em São Francisco, ela parou para olhar o mar. E sorriu pela primeira vez depois da morte do nosso filho. Foi quando eu tive a ideia de comprar o nosso primeiro iate. Velejar foi a melhor terapia para ela. Pescávamos e devolvíamos os peixes ao mar. Ela se divertiu muito naqueles momentos. Então passei a comprar outras embarcações. Em Hamptons temos o iate em que ela foi morta e uma lancha. Ela sempre teve a última palavra na escolha da lancha ou iate que eu comprei...", findou, a tentar disfarçar a emoção.

"Lamento que ela não tenha feito a mesma coisa dessa vez", o Mathews foi sincero, e para a surpresa de todos o Wood atalhou:

"É claro que teve! Há quatro semanas viajamos juntos para São Francisco para que ela pudesse escolher entre o 'Rainha das Águas' e o outro iate que reservei. A escolha foi dela!".

Anthony caminhou teatralmente pelo espaço a parecer pensativo. Então, estancou e se virou para encarar o depoente. Andou até onde estava sentado e exprimiu:

"Eu imagino a sua decepção, Sr. Wood. Tanto amor, tanta dedicação... Foi um choque imenso saber que ela tinha um amante?".

O empresário correu os olhos, incrédulos, do jovem defensor para Raul e do Raul para o defensor. E respondeu:

"Nunca! De maneira nenhuma!".

O rapaz observou:

"Parece que o senhor é a exceção à regra!", e caminhou em direção ao lugar em que sentava. Porém, parou e se voltou a perguntar, direto e assertivo:

"Mandou matar sua esposa após descobrir que ela traiu todo o amor que lhe deu com outro homem?".

Robert, se possível ainda mais incrédulo, retorquiu:

"Não! E, se eu fizesse tal coisa, por que mataria só a minha esposa e deixaria o Raul vivo? Isto seria estúpido demais! E, além disso, o Raul não foi amante de Linda. Os dois eram namorados! E, como a Dra. Fabray disse no início, ela tinha a intenção de terminar a relação!".

Ouviu-se um coro surpreso a pronunciar "Ooooh!". A surpresa só não alcançou Quinn.

Rachel percebeu.

Virou-se discretamente para Santana e questionou, estupefata:

"Por que tive a clara impressão de que a Quinnie não ficou abismada?".

A latina respondeu, contida:

"Por que ela já sabia".

A cantora ficou a fitar a morena ainda sem digerir a informação. Santana percebeu e reforçou, segura:

"Ela nunca deixou passar uma só informação sobre quem ela já teve, tem ou terá de provar a culpa ou a inocência. Q é meticulosa ao extremo. Ela estuda tudo com afinco, a fim de ficar preparada para qualquer fato inesperado. Ela não Entendeu?".

A judia assentiu e se voltou para frente. Mirou a mulher que sempre amou e, num momento de total estupidez, traiu. E pensou em como foi possível ela ter mudado tanto. E voltou há seis anos, quando ainda namoravam...

Estava sentada na poltrona da elegante sala, distraída com o estudo das falas de sua personagem, Ephalba, em Wicked. No dia anterior conheceu o elenco. Seu par seria o competente e talentoso Jesse St. James. A empatia entre os dois foi imediata.

Sentiu uma mão lhe cobrir os olhos e outra a lhe segurar a cabeça, a submetê-la gentilmente para o lado, expondo-lhe o pescoço. E um delicioso arrepio a tomou quando lábios entreabertos roçaram e beijaram toda a sua extensão. Ouviu o sussurrar da voz um pouco nasalizada no ouvido, sensual:

"Estou com uma fome enorme da linda e apetitosa Srta. Berry", e, sem soltar a morena, Quinn colocou-lhe o rosto na posição perfeita para lhe assaltar a boca de jeito delicado e apaixonado.

A cantora não resistiu. Deixou-se ao desejo da namorada, que pediu passagem para a língua explorar a boca de lábios carnudos. E esta foi concedida. E, tão logo sentiu que Quinn a estava a tomar por inteira, Rachel gemeu sem forças ao sentir a excitação e o desejo arrebatarem-na em questão de segundos. Quando deu por si, a loira já estava ajoelhada entre suas longas e bem torneadas pernas, segurando-a pelo pescoço a fim de não deixa-la quebrar o beijo. A outra mão desceu pelo colo em toque sutil e provocante. Alcançou um dos seios e o apertou gentilmente, a tirar mais um gemido da judia e que foi abafado pelo beijo. A atriz abriu ainda mais as pernas e puxou a namorada até sentir-lhe o corpo bem colado ao seu. Quinn subiu a saia curta que ela vestia e passeou as mãos pelas pernas.

"Bebê, assim... Assim é covardia...", gemeu.

A fotógrafa protestou, sem sossegar as mãos e retorquiu, apaixonada e excitada:

"Eu preciso... Eu preciso de você, Rach! Todos os... Os dias, todas... As horas... Eu sempre preciso de você, meu amor! Para sempre!".

A morena tirou a blusa Baby Look da namorada e desceu os lábios sobre o pescoço da loira, a lhe arrancar um murmúrio rouco de prazer.

"Eu a amo tanto, minha pequena", confessou outra vez mais e, soube, nunca se cansaria de proferir tais palavras. Puxou a cantora com delicadeza e a deixou sobre o tapete da sala. Colocou-se sobre ela e quatro mãos começaram a missão de livrar as duas das vestes. Precisavam estar pele a pele, sexo a sexo, lábios em peles, mãos a explorar corpo de uma e de outra, bocas e línguas em reconhecimento mútuos.

"Faça-me sua, Quinn! Já", ordenou a cantora a mexer os quadris em desesperado desejo de ter a namorada dentro de si. E, para mostrar o que tanto queria, desceu a mão até o ventre da fotógrafa e a fustigou, fazendo-a gemer alto e penetrá-la. A cantora arfou de prazer. E continuou a tocar a namorada, que volvia devagar e ritmadamente o quadril.

"Q... Você é sen... Sensual demais!", concluiu com dificuldade. Sentir a fotógrafa se mover e o sexo sob seus dedos estavam a deixar a judia cada vez mais acesa. Além disso, Quinn sabia a maneira certa de estoca-la. E era cruel. Quando percebia que a morena estava a chegar ao clímax, parava os movimentos dentro dela, a deixa-la louca de vontade.

"Não faz... Assim, meu... Amor!".

O brilho do amor e desejo dançavam nos olhos verdes escuros de excitação. Voltou a entrar e sair da pequena e a beijou apaixonada e profundamente. Bastaram apenas mais três movimentos dentro dela e a sentiu perder a noção de tudo num prazer forte que a arrebatou, a estremecer todo o corpo pequeno sob o seu. Ao ver e sentir o quanto Rachel se derramava de satisfação, alcançou o ápice também e gemeu dentro dos lábios carnudos que, ante o gozo, parecia querer engoli-la literalmente.

Relaxaram.

A atriz gemeu perto do ouvido de Quinn, ainda a recuperar o ritmo da respiração:

"Como?... Diga-me! Como consegue... Consegue me enlouquecer tanto, baby? Eu nunca, ouviu?... Eu nunca... Nunca tive tanto prazer assim antes, meu amor!".

A fotógrafa sorriu e respondeu, sincera, voz baixa, quase um sussurro:

"Eu a adoro tanto que, acho, transmito todo o meu querer por você desse jeito. Eu amo demais você, Rachel Berry, que não sei como poderia ser feliz sem que estivesse ao meu lado. É só amor! Nada mais!".

A cantora a apertou mais contra si, emocionada.

"Eu queria que você me amasse tanto quanto eu a amo, baby", Quinn confessou.

Rachel sorriu, surpresa.

"E... E quem di-disse que eu não a amo, Q?".

A loira sorriu também e retorquiu, segura, "o tom inseguro da sua voz".

A morena segurou a face da outra entre as mãos e a fez encara-la. Assegurou, grave:

"Eu amo você! O que quer que eu faça para lhe provar isso?".

A fotógrafa baixou os olhos e respirou fundo. Logo, mirou a mulher sob si e falou, sem meias palavras:

"Case-se comigo, Rachel Barbra Berry! Case-se comigo e me faça a pessoa mais feliz do mundo!".

Seria mentira negar que a judia ficou surpresa e deu um sorriso incrédulo. Havia escutado bem?

"Quinn, vo-você es-está a falar sé-sério? Isso foi tão i-inesperado!".

"Inesperado?!... Estamos juntas desde o ano passado! Eu só desejo viver a minha vida ao seu lado, até o fim! E eu... Eu pensei que você também quisesse...".

Rachel Berry emudeceu. Nunca pensou em tal possibilidade! Casar com Quinn Fabray!...

"Deus, Q! Isso é tão... Tão...", não encontrava a palavra certa que pudesse expressar o que sentia.

A fotógrafa cuidou de falar, a disfarçar a decepção na voz e no olhar, "talvez você ache cedo demais... Eu não quero que se sinta pressionada. Eu só... Só precisava que soubesse o quanto a quero ao meu lado. Mas, não se sinta obrigada a...".

"Sim, meu amor! Eu quero me casar com você! Eu a amo. Acredite!", atalhou com um enorme e sincero sorriso na face. Quinn piscou algumas vezes, a dar a impressão de que não ouvira direito. Até que um enorme sorriso de emocionada alegria espalhou-se pelo belo rosto.

Rachel a tomou num beijo apaixonado e pediu, rouca, "faça-me sua mais outra vez, meu amor! Eu a desejo tanto! Faça-me desmontar de prazer por você e em você!".

A loira não hesitou e as carícias delicadas recomeçaram, temperadas pelo beijo faminto das duas...

"A maior parte dos homens é como a pedra de ímã. Tem

um lado que atrai e outro que repele."

– Voltaire -

A cantora voltou à realidade ao ouvir o juiz pedir ordem no tribunal. O Mathews ficou atordoado com a revelação do Sr. Wood e pediu um minuto ao Walker para falar com o cliente. O homem assentiu e o rapaz caminhou até o Street e, à boca pequena, questionou:

"Que história é essa de namorados? Pode explicar? Por que não me contou este detalhe? Como posso defendê-lo se não for sincero comigo?".

O réu cuidou de desmentir o que foi falado, raivoso:

"Não percebeu que ele está a mentir para se livrar de uma possível acusação?".

O advogado meneou a cabeça, contrariado.

"E por que ele iria mandar assassinar apenas a esposa e você sairia ileso? Diga-me", exigiu.

Raul o encarou com os olhos a arderem como se tivesse sofrido uma injúria antes de cuspir a resposta:

"Porque talvez eu não estivesse no iate na hora em que o crime se deu! Falamos sobre isso!".

Anthony respirou fundo.

"Não me convenceu, Sr. Street!", avisou.

O cliente deu de ombros e, antes que o advogado pudesse inquiri-lo outra vez, o juiz Walker perguntou se o jovem precisaria de um breve recesso a fim de conversar com o Sr. Raul. Mathews mirou o magistrado e, depois, o réu:

"Eu precisarei, Sr. Raul Steven Street?".

O empresário negou com um pequeno gesto de cabeça e o jovem agradeceu ao Dr. Walker e declinou da sugestão. Voltou ao Robert e indagou, curioso:

"O senhor quis dizer que, durante todos estes anos em que o meu cliente e a sua falecida esposa se relacionaram sempre esteve a par de tudo?".

O viúvo assentiu:

"Eu e Linda tínhamos um casamento 'aberto', porém nunca deixamos de nos amar. Ela passava algum tempo com Raul e o restante comigo".

O advogado deu um sorriso cheio de dúvidas. Pareceu-lhe tão sem nexo as declarações do Wood...

"Senhor, como pode dividir a mulher que afirmou ser o seu grande amor com outro? Isso não lhe parece estranho?".

Quinn se ergueu:

"O Sr. Mathews poderia, por gentileza, descrever 'estranho'? Eu pensei que o Sr. Mathews soubesse muito bem que muitos casais têm este tipo de relação”.

O juiz não soube se concordava ou não com o argumento da promotoria. Porém, sem nenhum contra-argumento da defesa,concordou com a loira e, vendo-se sem alternativa, o defensor de Raul S. Street avisou que não tinha mais perguntas. O juiz se voltou para a advogada, numa pergunta silenciosa e ela assentiu e se ergueu.

"Sr. Wood, minhas sinceras condolências", falou, a caminhar calmamente até o viúvo. Este assentiu e agradeceu pela gentileza da bela advogada. Ela estancou de modo que pudesse olhar a testemunha, o júri, os presentes e o juiz.

Rachel reconheceu aquela forma de se posicionar. Era típica dos atores. A advogada poderia ser vista por todas as pessoas...

"Tudo perfeitamente estudado...", falou para si mesma, a sorrir com a astúcia da ex-namorada.

A "Rainha de Gelo" imprimiu um tom simpático à voz e exprimiu:

"O senhor disse que há três anos a Sra. Wood se relacionava com o Sr. Street".

O empresário não titubeou na resposta:

"Exato. Há três anos".

A loira prosseguiu, tranquila:

"E há quanto tempo o senhor conhece o réu?".

O homem também retorquiu sem dúvidas:

"Também há três anos, desde que a minha esposa o conheceu".

A Fabray indagou, com logicidade:

"Então eu e os demais presentes neste tribunal poderemos concluir que era de seu conhecimento o relacionamento de sua finada esposa com o réu desde o início".

O viúvo assentiu e respondeu positivamente, monossilábico.

Quinn não estancou, atenciosa:

"Perdoe-me pelo tom da pergunta: o senhor e a sua esposa tinham uma vida sexual ativa?".

O Mathews protestou a questionar "qual a relevância da pergunta?".

Quinn se virou para o magistrado e respondeu com voz tranquila e no tom perfeito para todos a ouvirem:

"O objetivo da pergunta é dar a conhecer ao júri e todos os demais se o casamento do senhor e da senhora Wood era estável e seguro".

O Walker concordou com ela e indeferiu a declaração de desacordo do advogado de defesa. A Fabray sorriu discreta em agradecimento ao juiz e se voltou para a testemunha:

"Importa-se em responder, Sr. Wood?".

Ele meneou a cabeça em concordância:

"Nosso casamento era, dentro do possível, perfeito. Apesar de Linda e Raul namorarem, ela e eu passávamos noventa por cento de nosso tempo juntos. E, sim, a chama da nossa paixão não se esvaiu como na maioria dos casamentos. Linda tinha uma sensualidade discreta, uma feminilidade atroz, a beleza quase imaculada pelo tempo, era ativa, vivaz... Era difícil não deseja-la. Era difícil não ama-la”.

A elegante e bela loira assentiu e voltou a indagar, segura sobre o que falava:

"Quantas vezes o réu lhe pediu que se divorciasse de Linda para que pudesse desposa-la?".

Robert ficou surpreso com a questão, porém expressou, com olhar admirado:

"Cerca de uma dúzia de vezes".

"Seria correto deduzir que ele, O Sr. Street, não se conformava com o fato de dividir a Sra. Wood nem mesmo com você, o marido dela".

Outra vez o Mathews se manifestou, porém o magistrado atalhou:

"Não, doutor! Eu quero ouvir a resposta do Sr. Wood".

O Anthony sentou, atordoado. E, claro, irritado com o fato de o cliente não lhe contar estes pormenores.

O depoente ficou impressionado com a sagacidade da conhecida "Rainha de Gelo" e respondeu, sério:

"Raul amava Linda e eu nunca duvidei disso. Infelizmente, ele esqueceu de uma regra básica neste tipo de relação e que, tanto eu quanto a minha esposa, estabelecemos: ainda que nos relacionássemos com outras pessoas, o nosso amor e casamento eram ponto pacífico. Nunca houve dúvida a este respeito. Porém, o Raul se enamorou de minha mulher e se tornou possessivo e ciumento. E tal fato fez com que ela desejasse o término da relação. Até porque ela nunca deixou de me amar, assim como eu a ela".

Quinn agradeceu e liberou o empresário. Ele, ainda impressionado com o talento e desembaraço da advogada, sorriu e foi autorizado a voltar ao lugar que antes ocupava.

Mathews olhou de soslaio para o cliente e murmurou, visivelmente aborrecido:

"Então Robert W. Wood é corno?".

Raul ficou quieto. O advogado pensou seriamente em abandonar o caso. Tinha um cliente FDP e uma advogada brilhante a auxiliar a promotoria. Sentiu-se completamente f****o! E era mister encontrar uma maneira de reverter a situação... Mas, com a Fabray...

Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota.”

– Napoleão Bonaparte -

CONTINUA

Notas finais
Então, até o 28... Aguardo algum feedback. Ainda que mínimo. Preciso saber o que pensam sobre a trama até agora. Estou a editar e cortar algumas partes a fim de dar mais movimento à trama. Gostaria de saber se está a funcionar. Claro, ainda há mais por vir. Enfim, obrigada pela gentileza de ler Sine Cordi. Abraço afetuoso. - Cal. *-*