Sine Cordi

12 Capítulo 12 - יב


Notas iniciais
Perdoem-me pela ausência. Espero que a leitura deste capítulo dure até o sábado, quando pretendo postar o próximo. Ok? ;)

"Quem um dia irá dizer que existe razão

nas coisas feitas pelo coração?

E quem irá dizer que não existe razão?"

– Renato Russo -

Alex olhou, tomada de encantamento único, a mulher loira adormecida em decúbito dorsal na cama com lençóis emaranhados, com a delicada colcha a lhe cobrir o corpo quente e nú. A respiração profunda e cadenciada. Os lábios rosados semiabertos. Os cabelos espalhados sobre a fronha do travesseiro. Era linda! Uma deusa caída, uma rainha sem coração e sua, completamente! Amava tudo nela e dela: a casmurrice, o verbo afiado, a elegância natural, o orgulho desdenhoso, a gargalhada infantil em contraste com a mulher que exalava uma indiscreta e inconsciente sensualidade, os olhos que iam do verde musgo ao claro e ao âmbar. Os orbes eram a revelação da alma de Quinn Fabray, ora escura, ora clara, ora completamente dourada como o reflexo da luz do astro rei. Nunca viu outros mais belos e indisciplinados! Aquela mulher entregue a Morfeu era, apesar de tudo, a mais frágil que conheceu. As dores que a encouraçaram eram as mesmas que a deixavam sem o raciocínio claro e a mercê dos cuidados alheios. O espírito abatido pela luta travada contra si mesmo todos os dias, há muitos dias. A alma ferida. A entrega quase doentia ao trabalho para tentar enganar a dor e o desespero do vazio total que a tomavam egoístas e ditatoriais. Quinn era refém de si mesma e do oco emocional que era o seu par constante.

Alex sorriu. E o sorriso era ilegível. Não era alegre. Não era triste. Era um sorriso qualquer coisa. Um sorriso resultado de amar e ser completamente encantada por Quinn Fabray. Sua Quinn Fabray! A advogada poderia repetir e repetir incansável que não conseguiu e não conseguiria ser de pessoa nenhuma. Não importava! Alex a tinha. E ainda que a advogada negasse verbalmente, o corpo dizia outra coisa. O corpo de Quinn ansiava pelo contato com o corpo da editora de moda. Era um corpo traidor, revelador de que, apesar do vazio emocional, sua dona ainda necessitava de amor e carinho. E que sabia dar amor e carinho. Mas, o temor da loira a fazia querer fugir da intimidade. A queria fazer se olvidar de amar e ser amada.

A morena se sentiu uma mulher de sorte. Uma das mulheres mais belas e desejadas de Nova York fazia amor com ela! Dava-se para ela e a tomava deliciosamente. "Quinn, Quinn! Eu a amo tanto, tanto!", murmurou. E, delicada, deu um beijo suave nos lábios entreabertos da namorada. Afastou-se e adorou aquele rosto bem talhado e de harmonia que beirava a perfeição. Tão bela e tão cheia de dores! Tão sua e tão só! A encarnação da dicotomia! Era, por isso mesmo, uma deusa caída; uma deusa que escolheu abdicar da divindade e viver entre os homens. Uma deusa fria, capaz de congelar só com um olhar; uma deusa quente, capaz de fazer a quem se entregava a ela alcançar as estrelas de tanto prazer. Sua deusa! Forte, frágil, boa, má, séria, debochada, respeitosa, cínica, de palavras doces e ocres. E, talvez, não sabia explicar, era por isso tudo que a amava tanto! Todas aquelas características em oposição uma a outra faziam de Quinn Fabray um ser único e muito, muito interessante! Um espécime raro. Muito raro mesmo! E sua! Completa e somente sua! Suspirou. Precisava ir e deixá-la. Esta era a sua "receita" para tê-la. Deixá-la respirar, dar-lhe a falsa impressão de que não havia compromisso entre elas. Sabia que Quinn era muito inteligente, mas quando o assunto era amor, a advogada era um oceano de confusão. E era amparada nesta confusão que Alex a tinha. E Quinn não lutava contra. Não mais.

"Há uma luz do sol a cada temporal."

– Ditado Popular -

Rachel caminhou do teatro para casa, haja vista que o prédio onde morava ficava estrategicamente perto da Broadway. Tinha o coração apertado e as palavras de Blaine a lhe martelarem na cabeça sem parar, como se fosse um vinil arranhado a tocar numa radiola. Perguntou-se várias e várias vezes se era digna de tanto cuidado das pessoas que lhe rodeavam em relação a ex-namorada. Por que temiam tanto a aproximação entre elas? O fato de Quinn ficar fria e indiferente não era o bastante para tanta preocupação. Este "resguardar" era tão estranho! Ou será que... Estavam a resguardar, na verdade, Quinn? Era a explicação mais lógica! Afinal, a "vilã" traidora não era a advogada e, sim, Rachel Berry, ela mesma! Talvez por este motivo teve a nítida impressão de que lhe escondiam algo em relação à loira! Isso fazia sentido! Porém, havia aí o fator tempo. Quanto tempo ela levou para se recuperar da traição sofrida? Talvez mais que o normal. E, então, os que as conheceram e conheciam temiam por Quinn.

Lágrimas de dor e decepção lhe alcançaram os olhos e se esforçou para que o pranto não a tomasse na rua movimentada. Em casa sim. Ali não! Expor-se de tal maneira não fazia parte de seus planos para esta manhã. Na verdade, quase início da tarde... Mas, que diferença isso fazia? O inaceitável seria um choro convulsivo em plena avenida. Não, não e não! Não era assim, frágil, que conseguiria alcançar Quinn e reconquistar o amor que ela lhe devotou no passado e, acreditava, ainda estava nela, em estado latente. A loira passava a imagem de ser uma pessoa forte. E os fortes raramente se unem aos fracos. Desse modo, Rachel Barbra Berry seria a própria encarnação da força que Nova York já teve. E, em meio à força, as lágrimas não teriam frente. Isso era certo. A necessidade de possuir Quinn era muito maior que qualquer outra coisa! Muito maior mesmo! Uma enormidade! E era amparada nesta gigantesca vontade que alcançaria o que lhe atestavam ser inalcançável!

Chegou à cobertura que habitava e encontrou Jesse. Ele era a imagem da preocupação e, assim que pôs os olhos sobre ela, correu e a tomou num abraço forte e protetor. Beijou-lhe várias vezes a cabeça e exclamou num quase desespero "Deus, Rach-Rach! Desse jeito você acabará por matar-me!". Ela o mirou confusa e, antes que pudesse expressar qualquer palavra, o homem a tomou num beijo que derramava o desejo de ter certeza de que a esposa estava mesmo diante dele e com ele. A cantora não se negou ao cônjuge. Ao contrário, beijou-o também, envolvendo-lhe o pescoço com os braços.

Maria os mirou. E, apesar da confusão em que se pegou, nada comentou. Sorriu, na verdade. E pensou que os dois não deveriam levar adiante a ideia de se divorciarem, pois, diante da cena, teve absoluta certeza de que eles ainda eram apaixonados um pelo outro.

Afastaram-se quando o ar se fez necessário e se olharam confusos. Jesse a puxou para o quarto que dividiram e, lá, à porta fechada, verbalizou ainda ofegante que "eu estava preocupado com você, Star! O que aconteceu? Cheguei e não a encontrei e Maria disse que você não parecia muito bem. O que houve?". A preocupação dele era genuína e Rachel sorriu-lhe. Afagou o rosto daquele homem que amava ainda e respondeu, com um perceptível tom de desencanto na voz, "eu fui até o teatro encontrar com Blaine". Jesse ficou confuso. "Foi ver como estão as montagens dos cenários? Foi o que eu entendi?". A mulher negou com um balanço negativo da cabeça e, antes de qualquer indagação do marido, explanou que "fui em busca de informações sobre Quinn". O cantor sentiu uma preocupação que não conseguiu explicar a si mesmo. "E?", foi a pergunta que expressou com o máximo de calma. A atriz se afastou dele e, com um meneio negativo, retorquiu "foi como tentar destrancar mais uma porta sem que a chave, apesar de entrar na fechadura, girasse para destravá-la e abrir. Um fiasco com ameaça de eu ser muito humilhada por meu objeto de desejo. Blaine foi apenas mais um a proteger Quinn do meu suposto mau-caratismo", a voz levou em si um claro entristecer. Jesse aproximou-se outra vez e a abraçou, a levá-la até a cama que dividiram até alguns dias atrás, onde a fez sentar. Colocou-se ao lado dela e a puxou, gentil, para si. Ela se deixou levar. Precisava de Jesse! Ele, mais que qualquer outra pessoa, sabia como lhe aconselhar de forma analítica. "Eu não sei porquê estão a agir dessa forma comigo, Jess! Eu já reconheci minha falta, porém parecem não acreditar em mim e no meu amor por Quinn", desabafou. Demonstrou cansaço e o homem sentiu tal peculiaridade pouco comum na esposa e se preocupou mais. Atalhou: “você tem certeza de que realmente estão a proteger a Quinn? Pelo que sei, Star, em conversas com Blaine e Kurt, é que Santana, Britt, Russel e todos os demais têm a intenção de proteger você dela, não o contrário como está a dizer".

Rachel, até então de cabeça baixa, voltou o olhar para o marido. Questionou, confusa, "então... por quê? Eu não compreendo! Eu sei da frialdade de Quinn, mas esta característica dela não é motivo para tanto cuidado! Eu sou uma mulher adulta! E bem consciente do que fiz e do que desejo fazer! Sei que ela tentará me manter à distância e que poderá ser grosseira, cínica, maledicente... Jesse, eu tenho plena consciência disso! Por que não me dão passagem até ela?". O homem suspirou profundamente antes de responder que "talvez realmente haja algo mais com Quinn, como todos não se cansam de falar. E, talvez não queiram que sofra", ele foi direto. A cantora deu uma risada debochada e inquiriu "o que de pior pode haver nela que eu ainda não vi e senti? Ela finge que não me conhece, foi de uma grosseria dantesca comigo no Tavern ao falar com o homem que a acompanhava a meu respeito e na minha frente, debochou só em me olhar! Eu, realmente, não estou a entender tanta preocupação", desabafou. Jesse a ouviu em silêncio absoluto. E ela completou que "ainda por cima ela tem uma 'relação' sem definição de nome com uma tal de Alex, editora de moda de uma revista".

Jesse franziu o cenho. "Alex? Ela é editora de qual revista?", questionou, curioso. Rachel deu de ombros e respondeu a contra gosto "não me recordo bem... Mas... Acho que é 'Models', não estou bem certa. Por quê?". Ficou curiosa ao perceber um sorriso a se abrir na face do marido, que cuidou de justificar "eu sei quem é! Na verdade, nós nos conhecemos há anos! O nome dela é Alex Bishop e, creia-me Star, ela é uma mulher maravilhosa! Simpática, bem humorada, elegante, educadíssima, uma dama!". A boca de Rachel só não foi ao chão porque a mandíbula estava bem presa. Afinal, depois de tudo o que escutou de Blaine, ainda ouviu o marido praticamente endeusar a tal Alex! "Estou muito bem amparada", pensou, a menear a cabeça, incrédula. "O que mais faltava saber para que o seu dia fosse ainda pior? Certamente haveria mais! Afinal, 'um desastre raramente vem sozinho'..."avaliou com os seus botões.

"Star?", Jesse percebeu que a cantora estava pouco satisfeita. Isso sempre ocorria quando ela silenciava, o que não era normal. "Eu falei algo de errado?", questionou o homem. Ela o mirou. Havia-lhe na face perceptível irritação. Entrementes, respirou fundo e soltou o ar bem devagar, antes de verbalizar "este mundo é mesmo pequeno! Então a minha 'rival' é cheia de predicados! Essa informação não poderia ser melhor, Jesse!". O St. James percebeu o quanto o comentário feito a respeito de Alex Bishop serviu para aborrecer ainda mais a estrela. Achou uma grande bobagem da parte da ex, pois pensava que, antes de julgar alguém, era mister conhecê-la. "Rach-Rach, por favor não me diga que está chateada porque conheço a Alex?!"; a morena soltou o ar que inconscientemente prendeu e respondeu com voz calma que "eu não sei, Jess! De verdade, eu não sei!". O homem a apertou nos braços e atalhou que "você deveria conhecê-la primeiro. Ela é uma pessoa rara! Se você deixar momentaneamente de lado o fato que é ela a dona do gélido coração de Quinn e iniciar um pequeno colóquio, verá o quão boa ela é. E, se analisarmos bem, para conseguir penetrar na 'fortaleza Fabray', a pessoa tem que ser realmente muito especial!". Rachel não discordou. E o homem estalou os dedos da mão direita e falou, aos sorrisos, "Star, acabei de ter uma epifania!. A atriz se colocou ainda mais atenta. Sabia que o marido, quando falava de tal maneira, tivera uma ideia. Ele prosseguiu, quase eufórico, "e se eu apresentasse você para Alex? Pense comigo: você quer reconquistar a Fabray, mas já percebeu o quão difícil poderá ser. Alex Bishop tem uma inominável relação com ela e, logo, mais acesso à pessoa dela do que qualquer outro mortal. Se você conquistar a amizade e confiança da minha querida amiga, poderá, também, ter mais acesso à rainha de gelo! O que achou da ideia?".

Os olhos dela aumentaram de tamanho, acompanhados de um meneio negativo e quase inconsciente. Retorquiu, séria e um tanto chocada, "Jesse! Não! Isso... É inescrupuloso demais! Eu estaria a ser mau-caráter e falsa!", exclamou. O ator negou com um gesto de cabeça e argumentou que "não necessariamente. Veja só, amor: você fará amizade com Alex através de mim. Nenhum de seus amigos sabem que eu a conheço. Um encontro casual poderia acontecer a qualquer hora! Tenho certeza que ela vai ficar encantada com você. Então, digamos, um dia desses ela resolve lhe convidar para almoçar ou jantar ou, mesmo, tomar um café com ela e a 'namorada' ou 'amiga', seja lá a forma como ela fale da Fabray, você aceitará a gentileza dela e pronto! Estará em contato com a Quinn! E, ainda que a advogada conte para ela sobre o passado de vocês, se ela já não souber, pelo que conheço de Alex, não se importará. Exceto, óbvio, se a loira gelada puser algum tipo de empecilho. O que, realmente, eu não acredito que acontecerá. E mais: se Quinn a trata da maneira como me descreveu é sinal de que ainda há nela amor por você. E, na tentativa de afogar este sentimento, ela age de maneira hostil com você. Mas, se você se tornar amiga do 'enrolo' amoroso dela, tenho dúvidas de que ela tente afasta-la de Alex. Até porque minha amiga editora de moda não é o tipo de pessoa que se deixa ser manobrada. E, baby, o que você tem até agora em relação à Fabray? Nada! Então, o que perderá se nada tem? Pense a respeito e, quando estiver com a cabeça menos atribulada, dê-me um parecer", finalizou. Deu um selinho delicado nos lábios de Rachel e a colocou deitada na cama, a tirar-lhe os sapatos.

"Descanse, meu amor. Relaxe e, quando se sentir pronta para pensar na proposta que lhe fiz, medite com muita calma, pese os prós e os contras e me responda. Neste momento, apenas descanse e se desfaça de tudo o que escutou de Blaine, Santana... Só o seu querer é importante. Entendeu? Só o seu querer e de mais pessoa alguma", findou e caminhou para a porta de saída do recinto. Ouviu um "eu amo você" da esposa e sorriu, a responder que também a amava, muito.

"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."

– Clarice Lispector -

Quinn despertou completamente atordoada. Coçou os olhos ainda pesados. Precisava de um café forte. Ao sentar na cama, percebeu-se nua. Passou os dedos nas têmporas a fim de voltar à realidade. Cobriu-se ao escutar três batidas conhecidas na porta. Viu a face de Holmes, que pediu licença e adentrou ao recinto.

"Como se sente?" — inquiriu o cuidador. E, pela expressão da advogada, soube que ela ainda não pousara na Terra. Informou:

"A Srta. Bishop esteve aqui. Chegou ontem às vinte e três horas e dormiu com a doutora. Ao amanhecer, passaram algum tempo juntas e..."

Ela o cortou ao perguntar as horas. O homem soube de imediato que a informação a deixaria irritada. Porém, não mentiu ao responder "treze horas e quinze minutos". Quinn pensou que não ouvira direito. "Pode repetir? Estou ainda lenta". O homem sorriu e repetiu a hora. A advogada quase caiu para trás. "Tudo isso? Por que não me acordou, Holmes?"; o cuidador tinha a resposta, e não se fez de rogado, "a Srta. Bishop achou por bem lhe deixar a descansar por mais tempo". Quinn meneou a cabeça e bufou "aquela desajuizada! Como se deixou convencer por ela? Sabe muito bem que, por ela, eu não faria nada, além de descansar. Estou com um caso complicado nas mãos e aquela biruta vem até a minha casa e faz o que acha certo! E, pior, o meu homem de confiança dá ouvidos para ela?!". Ele não se abalou e retorquiu que "a doutora sabe muito bem o quanto a Srta. Bishop pode ser convincente". A loira não respondeu. Antes de se erguer da cama, ouviu, "seus medicamentos a aguardam sobre a bandeja de brunch. Não se demore no banho. Precisa se alimentar para estar em condições de estudar o caso". Perguntou-se por quê o empregado lhe informava o óbvio. Meneou a cabeça e, enrolada na delicada colcha, ergueu-se e caminhou para o banheiro. Precisava de um banho urgentemente. O cheiro de Alex estava espalhado por todo o corpo. E, embora o olor fosse agradável, o do sexo se misturou. E Quinn não se agradava muito.

O banho não foi demorado. Precisava repor o tempo gasto com a satisfação dos desejos da carne. E aquela Salomé disfarçada de editora de moda sabia como despertar na advogada a libido de um jeito que a deixava com o raciocínio lógico completamente enevoado. Ela lhe acendia os instintos com maestria.

Chegou à sala de refeições vestida em pijama e um penhoir que o cobria, amarrado gentilmente na cintura. Sentou e se serviu de café puro, mamão e uma fatia de bolo integral de banana. Bebeu um gole do líquido negro, a fim de afastar a moleza que a tomou após a maratona com Alex. Usou os analgésicos e a Risperidona. Só esperava não sentir sono. Entrementes, caso acontecesse, usaria comprimidos à base de cafeína, além de tomar café só para garantir que ficaria "ligada". Comeu sem pressa, a pensar no que estudara até o momento sobre o processo. Desligou-se da realidade. E assim ficou até Holmes se aproximar com o telefone e lhe avisar que o Sr. Ewing estava na linha. Quinn mirou o homem, confusa. "Quem?"; o homem sorriu, conhecedor das "viagens" da advogada. "O Sr. Ewing, que trabalha para a senhorita sempre que está para aceitar ou não um caso. É a partir dos relatórios dele que costuma se decidir. Lembrou-se?"

Ela meio que sacudiu a cabeça para o cérebro "pegar no tranco". E, após alguns segundos, sorriu e exclamou "oh, sim! Leo!" e pegou o aparelho da mão do cuidador, levantou-se e caminhou para o escritório, a levar apenas a xícara de café como companhia. Questionou, tão logo adentrou ao recinto, "tem boas notícias para mim, Leo?", e sentou à escrivaninha a escutá-lo e fazer algumas perguntas e considerações. Sorriu. O detetive estava a realizar um trabalho excepcional. E adorava escutá-lo. As informações detalhadas, os questionamentos feitos respondidos... "Perfeito, Leo! O que seria de mim sem você?", indagou jocosa e deu uma gargalhada com a resposta que ouviu. E quis saber quando teria o dossier que o detetive preparava, a fim de estudá-lo bem e antes de decidir se ajudaria ou não a promotoria. O homem respondeu que poderiam se encontrar no café perto do Central Park, um lugar que a advogada adorava ir. Marcaram de tomar o café da manhã lá e o detetive, que já tinha parte do seu trabalho feito, levaria o dossier. Ainda havia dados a faltar, porém era só uma questão de mais um tempo, curto, para estar com tudo em mãos. A advogada ficou satisfeita. Wilhelm foi bem mais rápido dessa vez!

Após ter o colóquio com o policial, a loira ligou o computador e pegou das anotações e observações que fizera no dia anterior. Releu o que reuniu e se voltou para o PC, abriu uma das pastas em "meus documentos" e foi, com o mouse, até um arquivo específico e o abriu. Quase inconscientemente, pegou uma de suas cigarrilhas e acendeu. Tragou e soltou a fumaça pela boca. Chamou a empregada e, assim que a mulher se posicionou em frente à escrivaninha, a advogada lhe pediu mais café. A mulher cuidou de ir preparar. Pelo jeito, a patroa passaria bastante tempo a trabalhar!

Às oito horas em ponto, Quinn comprou o New York Post e adentrou ao café que tinha um ambiente estilo bistrô parisiense. Sentou-se à mesa que lhe era cativa, pediu uma grande xícara de café, abriu o jornal para passar os olhos até Wilhelm chegar. E viu na página de fofocas sobre o meio artístico o assunto referente ao divórcio de Rachel Berry e Jesse St. James. Meneou a cabeça e comentou para si mesma "as pessoas nunca sabem o que realmente desejam..." e se pôs a ler a matéria. Riu consigo mesma e, outra vez, comentou com incredulidade que "e os dois ainda se amam! Então porquê se divorciam?" — inquiriu-se. Ainda lia a matéria quando ouviu a porta ser aberta e uma voz de mulher, uma de homem e outra de criança. Entretanto, concentradas na matéria, não fez caso. A garçonete serviu-lhe o café e a advogada murmurou um agradecimento sem tirar os olhos do jornal.

"Quinn Fabray?", ela ergueu os olhos do periódico para o dono da voz. Encarou o homem que lhe sorria. Não reagiu. Ele então expressou, diante da imobilidade dela, "Jesse St. James! Lembra-se de mim?".

"Sei quem é você", respondeu direta.

Nem todas as respostas cabem num adulto.

– Arnaldo Antunes -

CONTINUA.

Notas finais
Até agora é isso! Mas, haverá muito mais nos capítulos vindouros. Abraço afetuoso. - Cal.*-*