Sine Cordi

95 CAPÍTulo 95 - צה


Notas iniciais
Para quem gosta de SC: obrigada pela paciência comigo e a demora em postar e responder os reviews. E espero que o capítulo esteja a gosto. Façam suas observações se desejarem. Porém, não se sintam obrigadas a comentar. ;)

Que as palavras que falo

Não sejam ouvidas como prece,

Nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas como a única coisa

Que resta a um homem inundado de sentimentos”.

— Metade (Oswaldo Montenegro) -

Rachel deu três batidas na porta do escritório, ainda que esta estivesse aberta, para se fazer anunciar e entrou, parando a alguns passos da loira. Observou a esposa.

A advogada manejava a máquina de café, preparando o líquido para ela e Rachel.

“Espero que o meu café não a desagrade…”, comentou, lutando desesperadamente para não parecer demasiado fria ou distante com a esposa e nem muito afetada pela presença dela. Era uma droga ter que se policiar… Era uma droga não entender o que estava lhe acontecendo em relação à cantora. Essa atração por ela… O desejo de tê-la apesar de não se recordar de como foi suas vidas antes de perder a memória… Antes de tentar se matar por ela…

“Está tudo bem…”, a judia comentou e respirou fundo, lembrando que ali foi o cenário onde Quinn, ou M… Já não fazia ideia, apavorou-a para fazê-la se casar. Não era necessário tanto esforço ou esquema. Mas Quinn (e menos ainda M) não confiava nela… Um quadro que a deixava ainda insegura, porque percebeu, após o beijo, que a ex-fotógrafa se afastou, evitando-a.

“Você disse que falaríamos sobre um jantar…”, Rachel não conseguiu conter a curiosidade.

Quinn, que estava de costas para a cantora, porque ainda mexia na máquina de café, embora esta já estivesse a ponto de começar a prepará-lo, deu uma rápida olhada para a morena e se voltou para frente. Por que se sentia tão… Tão desconcertada perto de Rachel? Por que olhar para ela fazia com que seu desejo normalmente adormecido aflorasse?

“Um jantar…”, disse e, como pessoa civilizada e muito segura de si mesma, empertigou-se para Rachel e com as mãos cruzadas nas costas, caminhou até ela, porém mantendo uma distância que considerava segura para seu próprio discernimento, e encaminhou a morena até a escrivaninha, fazendo-a sentar na poltrona que ficava de frente para a dela, do outro lado.

“Eu preciso colocá-la a par do que pretendo fazer… Na verdade, já deveria ter feito isso”, comentou e foi até a máquina, observando-a em seu labor de preparar o café, cujo aroma tomava conta do recinto.

A judia a observou. Quinn parecia distraída com a cafeteira.

“Jantar?”, a cantora voltou a indagar e Quinn levantou o indicador, pedindo que ela aguardasse. A judia, às vezes, sentia o ímpeto de dar umas sacudidelas na esposa para ela deixar de ser tão mascarada.

Quinn pegou uma das bandejas que ficavam naquele armário em específico, xícaras, serviu dois cafés pequenos e acrescentou colheres, açúcar e adoçante ao tabuleiro de prata e caminhou até a escrivaninha, onde dispôs a bandeja e entregou uma das xícaras para a esposa, que a tomou com certo espanto. A loira, então, sentou-se na cadeira do outro lado da escrivaninha. Deu um gole longo no líquido forte e puro, tomando metade do conteúdo da xícara e, após depositá-la na mesa, falou com os olhos presos no de Rachel:

“Eu achei que seria conveniente, e de bom tom, juntar as nossas famílias e oficializar diante de todos que somos um casamento”, pegou a xícara e terminou com o líquido.

Rachel parou com a sua a meio caminho dos lábios e franziu o cenho. Quinn queria oferecer um jantar para apresentá-la oficialmente como esposa? Não sabia se ficava feliz ou desconfiada.

“Eu acho que as pessoas de nosso círculo já sabem que estamos casadas…”, observou em tom intrigado.

Quinn sorriu e assentiu em concordância.

“Eu tenho conhecimento de que as pessoas que nos cercam, inclusive os seus empresários…”.

“Kurt e Blaine”, Rachel enfatizou o nome deles de maneira corajosa, para que Quinn não os tratasse como se significassem nada.

A loira deu um pequeno aceno com a cabeça:

“Exato: Kurt e Blaine. Mas eu quero…”, a loira respirou fundo e falou, tentando não parecer muito afetuosa sobre o tema, “eu quero, Rachel, que as pessoas saibam que… Que eu aprecio a sua presença em minha vida… Apesar de eu ser distante e todas essas coisas que eu…”, pensou sobre o assunto e decidiu, “que eu tentarei evitar… quero dizer: evitar ser distante”.

A cantora sorriu derramando amor e Quinn percebeu e se ajeitou na cadeira, tentando não sorrir diante da beleza que Rachel emanava. Principalmente quando sorria.

“E o seu filho, Spencer, é um menino…”, por que era tão difícil falar sobre determinados sentimentos para a morena? Prosseguiu:

“Ele é uma criança agradável”, decidiu encurtar o elogio.

“Obrigada, Quinn. Eu me sinto feliz em ouvir você”, a morena não deixou de adorar o comentário atabalhoado da esposa.

A advogada prosseguiu:

“Por isso, apesar de todas essas coisas, Rach, eu pensei sobre o jantar… Eu…”, olhou de um lado para o outro e, por fim, para a esposa, “o que você acha?”, indagou sem saber a razão. Ela sempre tomou as decisões sobre as coisas ao redor. Porém, com Rachel… Não poderia deixá-la ignorar o jantar. Okay! Mas, perguntar em como ela opinava ou que ela achava… Desde quando, Quinn Fabray?

Rachel tomou um tempo analisando, o que causou desconforto na loira. Mas o sentimento não durou muito quando a morena disse:

“Eu realmente me sinto lisonjeada com esse cuidado de sua parte, Quinn. E me sentirei realmente feliz em compartilhar esse momento com as nossas famílias e… Amigos?”, indagou um pouco sem saber do plano geral da loira.

“Sim… Amigos… Você tem total liberdade de convidar quem desejar até nossa… casa”, olhou para a morena e achou por bem avisar: “pode ser que… Que eu não fique consciente todo o jantar… Você sabe…”, suspirou, “M e Lucy não têm hora pra dar as caras e eu ainda não consegui, realmente, me libertar delas…”. Ou não queria? Afinal, elas eram um escudo de segurança… Isso já era muito claro.

Rachel tomou coragem e segurou as mãos da loira, que estavam cruzadas sobre a escrivaninha, entre as suas e Quinn sentiu que o seu coração de gelo derretia um pouquinho mais. O que Rachel estava lhe fazendo?

“Quinn, eu acho que poderei manejar a situação… Apenas relaxe”, avisou, segura de suas palavras.

A loira não conseguiu desviar os olhos da face morena e, ainda que lutasse, perdeu a batalha quando seus olhos escorregaram até os lábios carnudos da cantora e apenas desejou que seus olhos não estivessem claros, para que Rachel não visse como suas pupilas, com certeza, dilatavam. Baixou os olhos e olhou para as mãos morenas que cobriam as suas e, embora desejasse retribuir aquele afeto, entrelaçando seus dedos com os de Rachel, devagar foi afastando as mãos e Rachel logo retirou as suas e se desculpou.

Quinn a fitou. Merda! Havia magoado Rachel! Estava se sentindo culpada…

“Por quê, Quinn Fabray?”, fez a pergunta em voz alta e a judia a fitou com confusão.

“Quinn, está tudo bem?”, indagou preocupada.

O olhar verde-escuro, parecendo negro por causa da pupila dilatada, voltou-se para a face judia e a ex-fotógrafa respondeu:

“É só um pouco de confusão da minha parte, Rachel. Não precisa se pre… o… cu… par”, as imagens dela e da esposa novamente lhe invadiram a mente e respirou fundo. Era tão… Prazeroso o que aquelas imagens soltas dela e Rachel se tocando e beijando lhe causavam e… E queria tanto prová-la e…

Piscou algumas vezes, sacudiu a cabeça e prosseguiu:

“Eu ficarei bem e… Dê-me um tempo para que eu possa me reorganizar… Sobre nós”, esclareceu e Rachel assentiu, percebendo que Quinn cada vez se mostrava mais atabalhoada diante dela.

A reunião (como Quinn nomeou a conversação íntima, porque foi a forma de manter um distanciamento emocional muito capenga de Rachel) sobre o jantar prosseguiu por mais uma hora e, apesar da secura da loira em algumas horas, ela e Rachel passaram um tempo agradável. Principalmente quando a loira se perdia em claro encantamento confuso diante de Rachel e sua alegre beleza.

£ £ £

“Jantar com ‘Ice’ Quinn…”, Kurt mirou a judia com desconfiança, “porque ela quer tornar público e oficial que vocês são um casal”.

Rachel assentiu um pouco contrariada pelo contratenor parecer pouco confortável com a ideia de jantar com Quinn. Entretanto, o homem de olhos azuis ergueu uma sobrancelha e assentiu reflexivo, antes de contestar:

“Acho que aquela loira maluca está realmente interessada em fazer as coisas direito…”, o olhar azul mirou o castanho, “mas sempre tenha um pé atrás com ela”, informou.

“Kurt, Quinn não é maluca”, Rachel reclamou e o empresário assentiu:

“Bipolar soa melhor?”, os olhos azuis brilharam um tanto brincalhões.

“Ok”, ele concordou, “vamos dar uma chance para Quinn…”, e após, muito curioso e esperto, quis saber, “Judy já sabe do casamento?”.

Rachel respondeu que sim.

“E Russel? E Frannie? Você sabe que eles pensam que serão os donos de tudo o que Quinn deixar”, avaliou.

Diante da convivência com a loira e conhecendo-a e às personalidades que a tomavam, respondeu, ainda que soubesse que tudo seria deixado para ela:

“não acredito que eles tenham essa ilusão”.

“Espero que Quinn não faça Russel enfartar em pleno jantar”, Kurt pensou em voz alta e os olhos de Rachel esbugalharam.

“Você realmente acha que ela seria capaz de… De provocar o pai? Nós conversamos e ela pareceu… Sincera e, para dizer a verdade, ela foi sincera. A menos que…”, pensou em M e soube que, talvez, a persona mais disparatada da esposa pudesse dar o ar da graça.

“A menos que?”, o homem quis saber e Rachel sorriu, dando pouca importância ao fato e respondeu:

“a menos que pra ela realmente lhe importe uma merda o que Russel ou outra pessoa pense”, Rachel não contaria das outras personas de sua esposa por nada nesse mundo.

Kurt assentiu. Até aí, isto era bem a cara da Fabray rainha de gelo.

“Acho seu argumento apaixonado, porém muito maduro senhora Fabray, até convincente. Mas, se o Russel fizer algum comentário porque alguma coisa não entrou bem pela garganta dele, creia-me: ele irá se manifestar e Quinn vai comê-lo cru, sem dispensar o vinho do jantar. Essa é ela desde o acidente”.

Rachel já havia pensado nessa possibilidade. Russel seria devastado por M… Ou…

“Quinn o enfrentaria?”, indagou para Kurt, embora já soubesse a resposta, enquanto o homem a olhava com um sorriso divertido, tipo: espero ficar distante apenas observando o drama.

“Se Quinn o enfrentaria? Essa é uma pergunta redundante, Rach. Como eu disse, desde o acidente que ela passou a ter uma aversão perceptível por ele. Ele só está lá na Fabray&Advogados como ‘The Boss’ porque a loira má ainda não decidiu mandá-lo às favas”, atestou.

Rachel fechou a cara e avisou, em tom claramente aborrecido:

“Kurt, veja bem: se não parar de chamar Quinn de loira má ou qualquer outro adjetivo pouco simpático, eu não terei pena em fazê-la castigá-lo por isso. E você sabe que em menos de dois minutos ela lhe despedaçará. Então, pare com isso ou não lhe defenderei se ela começar a lhe fazer bully durante o jantar”.

O contra tenor ajeitou o topete e suspirou, antes de concordar com a judia. Nunca que entraria numa discussão com a versão pós acidente de humor piorado de Quinn bitch líder de torcida. Já passara por isso no passado e não foi nada agradável. Ela sabia como atingir as pessoas de maneira cirúrgica.

“Ok, Rach! Mas, por favor, entenda as minhas limitações quanto a ela. Porém, saiba que serei um gentleman. Não estragarei o seu jantar”.

A judia sorriu. Era bom saber que Kurt estava disposto a fazer essa concessão por ela. E, quem sabe, ele poderia ver que Quinn, apesar de o jeito pouco afetivo, estava procurando melhorar.

§§§

A Dra. Parker fitou Quinn com acuidade antes de indagar:

“Por que acha importante oficializar diante de seus amigos e familiares um casamento que todos sabem que aconteceu?”.

A advogada mirou a médica em clara confusão. Deveria haver alguma razão especial além de demonstrar às pessoas importantes para Rachel que a respeitava e que, apesar de como fez as coisas, estava disposta a ser uma pessoa melhor com ela… Uma… Esposa?

“Uma esposa diante dos olhos alheios, mas apenas uma roommate na realidade”, a doutora espetou. “As esposas de Rachel são suas outras personas”.

Quinn meneou a cabeça, sentindo como esta lhe parecia sair do ar. Era claro que sabia que suas outras personalidades tinham mais intimidade, no sentido amplo da palavra, com a cantora e atriz do que ela mesma. Porém, estava tentando entender o que lhe acontecia e o fato de tê-la beijado a deixou confusa e as recordações picadas de elas se tocando intimamente era muito para assimilar.

“Um momento”, Eleanor a fez parar de falar e questionou, com o cenho franzido, “você beijou Rachel? E está tendo lembranças de que fizeram amor?”.

“O beijo… O beijo foi porque…”, remexeu-se incomodada no sofá, “porque eu… Eu…”, e Quinn simplesmente apagou e Lucy tomou o lugar dela e cumprimentou a médica com um sorriso quase infantil e os olhos, de verde-escuro, mudaram para um verde clarinho, com pequenos toques de dourado e ela respondeu ao questionamento da médica:

“Sim. Quinn beijou Rach. Mas ela ainda não assimilou com clareza que está enamorada dela. E não espere que eu ou M desapareçamos tão cedo, doutora Parker, porque somos nós que mantemos a Quinn nos trilhos. Mas ela acabará por ceder, talvez ainda não ao reconhecimento da paixão, mas cederá ao desejo certamente. Este está cada dia mais forte e perto de explodir”, sorriu. E antes que a médica dissesse qualquer coisa, continuou: “por isso eu e M nos casamos com Rachel. Quinn nunca amou Alex, porque nós não conseguimos deixar de amar a Rach. Fizemos o certo, ainda que eu pense que M foi meio dura com a Alex ao revelar sobre o casamento. Mas, veja bem, ela tinha essa coisa de querer nos dominar; de afirmar que seríamos dela quando sempre fomos de Rachel”.

A psiquiatra nunca teve essa revelação tão clara da parte de uma das personalidades da advogada.

“E você e M pretendem deixar Quinn consciente de que ama Rachel, apesar de todo o acontecido?”.

A loirinha abaixou a cabeça e deu um suspiro melancólico, triste e, sem erguer os olhos, falou num tom de voz quase inaudível:

“Rachel nos magoou profundamente. Ela quebrou nossa confiança e nosso coração… Mas M ajeitou as coisas e ela fará de tudo para que Rachel não nos machuque nunca mais… Porque nós ainda a amamos”, ergueu os olhos para a mulher que a mirava com surpresa e seguiu, “o amor que sentimos por Rachel é muito forte e nós não conseguimos arrancá-lo fora. Eu não sabia da traição até M me deixar saber… E eu acordei com muita dor no meu coração, porque Rachel nos magoou muito… Há vezes que eu ainda acordo com essa dor, mas depois ela passa e Quinn fica melhor. Só M que é incapaz de se deixar vencer. Ela é a mais forte de nós três. Ela é dura e desconfiada porque deseja nos resguardar de qualquer decepção que Rachel possa nos causar… Então ela mantém vigilância constante sobre nossa esposa. Mas apenas para nos resguardar… Ela não o faz por ser má. Ela só é cuidadosa”.

“E Quinn?”, a médica voltou a indagar.

“Quinn ficará bem, porque nós estaremos com ela. Nós a protegeremos”.

“Mas Rachel a ama de verdade… Ela não aceitaria conviver com uma pessoa fora do eixo como Quinn se não a amasse”, a doutora retorquiu.

“Sim… Eu acho que ela nos ama”, Lucy sorriu com docilidade, “ela é a única, depois de nossa mãe, a nos distinguir. Nem M, que é tão parecida com Quinn, consegue confundi-la. Talvez isso seja a prova de que há uma ligação entre nós e Rach muito forte! Alex não sabia quando não era Quinn que falava com ela ou fazia sexo. Mas Rach… Ela nos conhece… Porém, o fato de nos conhecer não significa necessariamente amor… Embora eu seja mais crédula do que M ou mesmo Quinn. E é graças a minha credulidade no arrependimento de Rach que Quinn está se deixando ser menos dura com ela e permitindo que o sentimento aflore”.

“Então, por isso que Quinn oferecerá o jantar. Porque está enamorada de Rachel, porém ainda não se deu conta?”.

Lucy assentiu.

Eleanor prosseguiu:

“Quinn é inteligente… E você disse que ela está desejando Rachel porque você está permitindo… Por que ela ainda não reconhece que está se apaixonando?”, a médica até sabia a resposta, mas queria ouvi-la de Lucy Quinn.

“Autoproteção. Nós cuidamos para que ela não se deixe à mercê desse sentimento chamado amor. Ele é muito forte e Quinn precisará lidar com ele parcimoniosamente. Ela cederá ao desejo, mas o amor… Ainda não está preparada. Entretanto, ela já está muito desconfiada. Só não ligou os pontos porque, depois do que Rachel nos fez e do acidente, ela se tornou incapaz de desenvolver amor por quem quer que seja. Ela ficou fria, objetiva e distante. Então é como aprender sobre algo que ela não sabe o que é de fato. Mas ela gosta de ter Rachel por perto. Gosta de acordar aconchegada ao corpo dela e luta com muito afinco para não se entregar ao desejo que sente”.

“Você e M já pensaram que Rachel pode se cansar de não receber o amor que tem demonstrado a Quinn e deixá-la?”, a pergunta era pertinente.

Lucy assentiu. Ela e M sabiam disso. Portanto, estavam deixando que Quinn começasse a desejar a esposa. E logo não seria nenhuma delas a fazer amor ou beijar Rachel. Seria a própria Quinn. Rachel não partiria quando Quinn demonstrasse que a queria.

A médica estava pronta para fazer mais uma pergunta, entretanto a advogada retornou e, meio atontada, passou a mão pela testa e fitou a médica.

“Eu… Perdi o tempo…”, justificou e Eleanor contou que Lucy apareceu e que a conversa com ela, apesar de breve, foi muito esclarecedora. E, diante do silêncio atordoado de Quinn, a médica aconselhou:

“Não lute tanto se estiver desejando Rachel como mulher. Vocês estão casadas, Quinn. Não há nada de errado ou ruim nisso. Beijá-la ou fazer amor com ela não fará de você uma mulher fraca. Tenho certeza de que você estará bem resguardada de qualquer coisa que se aproxime à fraqueza. Não seja tão dura consigo mesma”.

A advogada franziu o cenho. Por que Eleanor estava lhe dizendo isso? O que Lucy havia dito?

“Ela só me disse que você deseja Rachel, mas está lutando contra isso. E garantiu que ela e M estarão sempre perto para que você não seja machucada. Você está protegida, Quinn. Acredite no que lhe digo”.

§§§

Os dias que transcorreram antes da reunião familiar não deixou de ser uma diversão e até mesmo um prazer para Rachel. Seus pais confirmaram presença, assim com Judy e Frannie e marido e filhos; Kurt e Blaine; Santana e Brittany e, claro, Russel que até então estava em total ignorância sobre o fato de a filha estar casada com a cantora. E ele não se importou e nem desconfiou da razão pelo qual os Berry estariam presentes no tal jantar. Estava era muito curioso. Quinn, desde o acidente, nunca abriu seu penthouse para nada e ninguém, à exceção de Santana, algumas vezes Mary e, claro, para a namorada, ou amante, ou seja lá o que Alex Bishop fosse na vida de sua filha caçula. Mas… O que Rachel Berry e os pais dela tinham a ver com este jantar?

Santana o observou durante os dias antes da pequena recepção que a loira ofereceria e o homem parecia tranquilo. Ela não sabia se o avisava sobre o casamento para que ele não fosse pego de surpresa ou se calava. E como sempre confiava muito nas opiniões de sua esposa Britt, conversou com ela, que respondeu de forma sincera e sem nenhuma malícia, como lhe era de hábito:

“Sant, meu amor, eu não acho que Russel esteja, realmente, preocupado pelo que acontece com a Q. Nós sabemos que a ele importa estar no comando da Fabray&Advogados. O resto é bônus, seja bom ou ruim… É melhor deixar por conta de Q”, sorriu e enlaçou os braços ao redor do pescoço moreno e procurou os lábios carnudos da esposa, que nunca e em momento algum perdia a oportunidade e o prazer de ter a loira de olhos azuis nua sobre a cama, fazendo-lhe amor com um cuidado que destoava da conhecida personalidade geniosa da latina.

Os convidados estavam espalhados pelo salão do penthouse de Quinn, em conversações brandas, porém com um pouco de suspense pelo que poderia acontecer durante o petit comité, haja vista que a loira era imprevisível.

Dios! Tengo casi certeza que la señora de hielo va a salir com la suya”, Santana mastigou, enquanto tomava um gole do fino champanhe que era servido na pequena recepção.

“Eu achei muito fofo a Quinn querer mostrar pra gente que está muito a fim de Rachel”, Brittany comentou, observando o casal que conversava com os Berry e Judy.

“Quinn está a fim do hobbit?”, a latina riu, achando sua esposa muito ingênua.

A loira deu um beijinho na face da esposa e falou, voltando a observar como Quinn se perdia algumas vezes em Rachel, como se estivesse presa num encantamento mágico:

“É só observar como Q só falta babar por Rach”, sorriu.

Santana franziu o cenho e fez o que a loira lhe disse e passou a olhar o casal. E foi num momento de pura distração da loira que a morena percebeu: Quinn olhava para Rachel como se a desejasse… Como se estivesse…

Oh, puta la madre!”, xingou, dando-se conta de que a mulher sem coração parecia abobada por Rachel.

Não. Abobada era pouco. Quinn Fabray parecia apaixonada por Rachel Barbra Berry.

Porque metade de mim é o que ouço

Mas a outra metade é o que calo”.

— Metade (Oswaldo Montenegro) -

CONTINUA...

Notas finais
Espero por vocês no cap. 96. Bjs especiais a todos que ainda acompanham a fic e que a recomendaram. Muito obrigada! — Cal. *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.