Sine Cordi

63 CAPÍTULO 63 - סג


Notas iniciais
Oi. Para as meninas que eu ainda não respondi aos reviews: prometo fazê-lo em breve. Estou meio dodói, então pode ser que eu demore um pouco a atualizar. Só peço que sejam pacientes. Tentarei não demorar a postar.

Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.”

– Caio Fernando Abreu -

Rachel pegou a xícara com o chá e tomou um grande gole sob o olhar atento da ex-namorada. As mãos estavam trêmulas.

Olhou-a. Por quanto tempo ela esteve tramando?

O assalto que resultou na morte de Jesse… Quinn estava envolvida?

“Diga-me que não o matou”, quase suplicou.

Os olhos verdes atracaram sobre ela.

“Eu não o matei”, garantiu, “mas foi providencial”, analisou.

“E como sabe da foto?”.

Quinn suspirou.

“Eu sou uma advogada de renome, Rachel. Conheço muita gente… Gente boa e gente não tão boa. Eu tenho contatos dentro da polícia… Então, organizar uma pequena situação em que você possa ser apontada como uma das mandantes da morte do seu marido, ou ex-marido – você decide – não é tão difícil”.

“E por que eu quereria o Jesse morto se estávamos divorciados? Ele já havia saído de casa. Eu era livre para fazer o que quisesse”, argumentou, a fim de quebrar o planejamento da advogada.

“Certo…”, Quinn concordou com ela, “você tem um bom argumento, Srta. Berry”, sorriu, adorando o fato de a morena não se dobrar. Adorava desafios… E Rachel estava se mostrando uma agradável surpresa! Achou que ela abriria a boca e cairia em prantos, em murmúrios lamentosos de “perdão, Quinnie! Perdão, Quinnie!”… Mas, não! A baixinha era valente. Mesmo acossada como estava. Aliás, pessoas acossadas costumam surpreender. Nunca se sabe como reagirão. Como a Rachel agora… A reação dela era uma deliciosa aventura para a advogada. Mas Quinn Fabray não jogava para perder…

“Porém…”, sorriu, “há fotos de você e Jesse e, dependendo de como a primeira impressão possa soar para a polícia, parece que o seu ex-marido a estava perseguindo por, provavelmente, não aceitar que você colocasse, tão rapidamente, um outro homem no lugar dele pois, apesar do divórcio, vocês continuaram, aos olhos alheios, casados”, deliciou-se ao ver como a cantora respirava profundamente. Ela parecia um animal encurralado…

Continuou:

“Então, da noite para o dia, você o colocou para fora de casa… O coitado teve que pedir abrigo na casa do Hummel e do borboleta. Tudo porque você se apaixonou pelo motorista… E Jesse até teve esperanças de reconquistá-la, pois estava se mudando para o mesmo prédio em que você mora! Isso dará um prato cheio para a imprensa, Rachel Berry! Já imaginou a cara dos seus pais? Por mais que eles acreditem em você, creia-me, sempre haverá uma pequena, porém incômoda, sombra de dúvida… E Spencer… Tadinho! Sem pai e com a mãe presa, porque ela encomendou a morte do coitado do ex-marido! E o que será da vida de seu querido e bondoso Marco? Um assassino…”, sussurrou a última parte.

“O Kurt sabe que eu pedi para o Jesse sair de casa por sua causa”, falou, quase adorando jogar por terra os truques aloucados da ex-namorada.

“Bom, Rach-Rach, neste caso, nós poderemos ter duas versões do mesmo fato. Uma, a verdadeira. A segunda, a que, talvez, Jesse estivesse incomodado com o par de chifres e, envergonhado, e, para não precisar se expôr para o porcelana (apesar da amizade), achou melhor me culpar. Sabe como é… Há um passado mal resolvido entre nós duas. Ele sempre pode ser usado para justificar suas atitudes. E, claro, sempre lembraremos que o Kurt é seu amigo e do Jesse. Ele, independente de qualquer coisa, sempre deporá a seu favor…”, sorriu.

“Quinn! Isso é doente!”, exclamou, apavorada.

“Deixe-me corrigi-la: isso não é doente. É o resultado de muito trabalho e algumas noites em claro, mesmo com a maldita dor de cabeça. Sabe como eu batizei a minha dor de cabeça? Rachel Berry! Hoje eu entendo… Você é a causadora de todos os meus transtornos! Eu acho que você soube se vingar de mim muito bem, Rachel. Eu nunca pensei que uns banhos de slushies no colégio fossem fazer de você uma mulher tão vingativa”, analisou, “e eu sou a criatura sem sentimentos da história!”, debochou. E ficou séria:

“Você foi curiosa com o amor que eu senti por você. Você só ficou comigo porque, provavelmente, deveria ser divertido pensar que a temida capitã das cheerleaders, uma das pontas do Unholy Trinity, estava de quatro por você. Então, por que não curtir um pouquinho essa oportunidade? Mas eu não estava apenas de quatro, Rachel. Eu realmente amei você, embora isso pareça meio irreal agora”.

Rachel Berry piscou algumas vezes.

Deus! Ela estava realmente consternada e atordoada.

Quinn era de uma criatividade tão cruel e precisa…

Não conteve uma lágrima que rolou pela face. Mordeu o lábio inferior.

Mirou a mulher que ainda, apesar de tudo, amava. O monstro Quinn Fabray!

“Eu sou responsável por isso, Quinn”, conseguiu falar, “sou responsável pela pessoa que você se tornou”.

“Não tome os créditos para você, Berry”, avisou, “eu sou resultado de más escolhas! Más escolhas no amor e más escolhas na minha vida. Engravidei aos dezesseis! Isso não foi uma boa escolha. Depois, dei a minha filha. Também não foi uma boa escolha. E dei a minha filha para Shelby Corcoran, que é a sua mãe biológica. Outro grande erro! E então me apaixonei por você! Até aí, ok. Mas eu tinha que cometer o erro primário de lhe falar sobre os meus sentimentos. E depois, eu fui bastante idiota para acreditar que você poderia me amar. A única coisa boa que aconteceu foi eu ter esquecido essas coisas! Eu investiguei toda a minha vida, Rachel. Eu só não sabia que havia tentando me matar por sua causa. Até aquele dia no café…”, lembrou. “Eu lhe disse que o que você fez não fazia diferença para mim… E que eu não tinha o que perdoar… Mas, depois, após lembrar direitinho de como você foi baixa, eu mudei de ideia. Você merecia um bom castigo… E aqui estamos!”, ergueu as mãos, demonstrando a cena. Relaxou os braços sobre os da cadeira e estudou as reações da cantora.

Rachel achou que precisava de mais chá calmante.Tomou todo o conteúdo da xícara e pediu:

“Pode me servir?”, esticou a xícara para a advogada, um pouco trêmula.

“Nervosa, Rach-Rach?”, pegou recipiente e se virou para o carrinho, onde as bebidas e lanches para o chá estavam dispostos.

Colocou mais chá, com cuidado, e açúcar.

Devolveu a xícara para a atriz, que a tomou com um pequeno agradecimento.

“Eu acho que… Que não entendi”, falou.

“Não?”, Quinn ficou surpresa.

“Quero dizer…”, respirou fundo, “você tem essas fotos e uma história que criou. E daí? Pretende me colocar na cadeia? Não será tão fácil”, analisou.

A advogada inclinou o rosto e mirou a atriz com atenção.

“O medo lhe cai bem, Rach-Rach”, comentou.

A judia se remexeu inquieta na cadeira.

Por mais que argumentasse, não fazia ideia de até onde as palavras da ex-namorada seriam levadas a cabo.

“Eu contratei o Mathews e ele lhe defenderá!”, comunicou.

Rachel se engasgou com o chá e teve uma séria crise de tosse.

A contragosto, a advogada se ergueu e foi até ela e lhe deu pequenos tapas nas costas e lhe ergueu os braços, sustentando-os no alto.

“Respire com calma, Rachel! Você é uma cantora! Sabe como fazer isso corretamente”, sentenciou, aborrecida.

“Você fez o quê?”, olhou para a loira, incrédula.

“Eu contratei o Mathews para a Fabray&Advogados. Ele poderá lhe defender…”, repetiu a informação e caminhou para a cadeira em que estava antes e se sentou, verificando se a cantora estava bem fisicamente. Não queria que ela morresse no meio da conversa!

Rachel balançou a cabeça, como se desejasse que os pensamentos voltassem para o lugar.

“Espera! Isso é loucura, Quinn! Você me ameaça com uma hipotética prisão e pensa em contratar um advogado? Não era para eu ser condenada?”, questionou.

“Condenada a prisão, sim. Condenada a morte, não. Estamos no Estado de Nova Iorque, Rachel. Aqui há pena de morte. Eu não quero que você morra”, pegou as fotos e as organizou, guardando-as na pasta.

Rachel não sabia o que dizer.

Na verdade, ela não sabia bem como as coisas chegaram a este ponto. Estava tudo bem. Ela e Quinn se reaproximaram… E o Jesse morreu. E agora, estava de frente para a ex-namorada, a quem pretendia reconquistar, mas ela a recebeu com uma promessa de prisão… Sem pena de morte! Realmente, Quinn era uma pessoa que pensava em tudo! Até no advogado!

Riria… Era engraçado! Exceto pelo fato da loira aventar contratar o Mathews. Se Quinn lhe informou sobre isso, era porque tinha certeza de que ela, Rachel, seria acusada…

“Eu não acho que sobreviverei…”, murmurou, sentindo a cor lhe fugir.

“É claro que sobreviverá”, afirmou, como se as ameaças lançadas contra a cantora fossem pétalas de rosas.

Rachel respirou fundo e fechou os olhos.

O coração era um tambor descontrolado, acelerado e em descompasso agitado dentro do peito.

Olhou a advogada.

“Então, eu vou presa… E o que mais?”

“Perpétua com direito a condicional em trinta anos”, sorriu. “Você nunca mais será lembrada como a estrela da Broadway ou do cinema. Será lembrada como a mulher que mandou matar o próprio marido. Haverá uma mancha na sua biografia. Uma mancha escura e feia”, explicou.

“Você está, mesmo, falando sério…”, comentou, escaneando a face da loira, a fim de encontrar algum resquício de que ela estava blefando.

Mas não encontrou.

Quinn não estava brincando ali. Ela estava se vingando. Tinha um plano arquitetado…

Engoliu em seco.

“Eu não sei o que dizer, Quinn… Eu não sei…”.

“Você pode sair daqui e contar para os seus pais. Talvez, quando for presa, eles acreditem e tentem provar que eu criei toda esta trama e você foi vítima inocente”, sugeriu. “Também pode tentar contar esta história para a Santana ou a Britt…”, sorriu. “A grande pergunta, Berry, será: até onde eles lhe darão crédito? Você talvez não seja capaz de encomendar a morte do seu ex-marido, mas será envolvida na investigação e terá que passar pelo julgamento, como testemunha. Eu penso: se você defender o seu motorista, parecerá que realmente mandou encomendar a alma do finado St. James diante do júri e da sociedade? E, se ficar contra ele, haverá a possibilidade de que, com um pouco de conversa e um acordo favorável, o seu motorista divida a culpa pela morte do St. James com você? Sabe, eu sempre posso tentar desdobrar o caso e fazer você, de alguma maneira, parecer culpada. Entendeu, Rachel? Você é culpada! E só eu posso mantê-la fora da prisão, com a sua imagem de viúva triste imaculada”, sorriu.

“E quando você fará essa investigação e prisão acontecerem?”, perguntou, ainda com a esperança de que a loira apenas estivesse lhe pregando uma peça.

“Wilhelm só espera um telefonema meu”, avisou.

A cantora piscou.

Wilhelm? O homem do restaurante? O que se parecia com o Leonardo DiCaprio?

“Ele é detetive da polícia de Nova Iorque, lembra? E é ótimo no que faz. Sabe, ele será o responsável por investigar esse crime”, riu e perguntou, “quais serão as suas chances de sair ilesa disso, Rach-Rach?”.

Neste exato instante, Rachel percebeu que Quinn tinha um plano muito bem montado. Ela parecia preparada para qualquer imprevisto. E ainda havia o detetive… Cristo! Ele e Quinn eram tão chegados! E ele…

“Que tipo de policial concorda em participar de um jogo assim?”, inquiriu, num tom de aborrecimento que surpreendeu a própria Berry.

“Um policial amigo que adora ternos Armani, jeans Kalvin Klein, camisas Lacoste, sapatos italianos e outras coisas que o dinheiro pode oferecer… Em particular, o meu dinheiro”, respondeu, prática.

“Então, após um mês de falecimento, a polícia encontrará pistas que levarão Marco preso como assassino de Jesse… E ele será apresentado à imprensa como meu amante. E eu, de uma forma ou de outra, estarei envolvida no suposto crime”, falou, a fim de saber se entendeu bem.

Parecia derrotada.

A advogada assentiu, com os olhos pregados nela.

Pensou: se Rachel Berry soubesse o que lhe aconteceria, teria se deitado com St. James?

Resolveu perguntar.

“Se alguém lhe dissesse que teria que pagar um pequeno tributo, como ser acusada de mandar matar o seu marido, no futuro, teria se deitado com o morto?”, foi fria, porém incomodada com a figura da mulher a frente. Se pudesse pulverizá-la… Mas ela não sofreria o bastante… Então, se Rachel não era capaz de deixá-la em paz, daria a ela muito do que ela queria, com um pouco de dor! Provavelmente, ela só precisava sentir dor. Da mesma maneira que ela, Quinn, sentia as suas malditas dores. Ela infligiria todas as possíveis a Rachel Berry. Ela viveria o seu inferno particular… Um inferno que tinha bem preparado para ela.

Rachel puxou o ar para os pulmões.

Mordeu o lábio, mas não impediu que lágrimas lhe escapassem.

O que responderia para Quinn?

Ela já estava tão quebrada e remendada de maneira torta!

“Quinn…”, meneou a cabeça, “eu amo você e amei o Jesse e…”.

“Por favor, Berry: sem rodeios ou desculpas. Eu não vou me importar se você disser que sim, dormiria com ele. E vou achar engraçado se você renegar o seu amado. Diante do medo tudo é possível… E você parece com medo agora”, avaliou.

“Eu estou assustada com tudo isso, Quinn! Com tudo o que você me falou…”, soluçou, entre as lágrimas.

A advogada a observou.

Rachel parecia, realmente, apavorada.

Com tanto medo, ela, certamente, renegaria Jesse.

“Você não me respondeu, Rach-Rach. Se soubesse que o dia de hoje aconteceria, teria ido para a cama com o St. James?”.

A judia meneou a cabeça.

Estava a ponto de sentir que a cabeça explodiria! Como analisaria se dormiria com Jesse ou não? Se trairia Quinn… Não! Não trairia Quinn! Porque amava Quinn! Com toda aquela loucura dela e com todo o pavor que sentia no momento, ainda a amava.

Respondeu:

“Não! Eu não dormiria!”.

A advogada resfolegou.

Rachel renegou o marido!

Riu.

Gargalhou.

“Você é tão óbvia!”, exclamou e aplaudiu. “Eu acho que o St. James virou no túmulo neste momento”, anunciou, divertida.

A judia se encolheu na cadeira.

Todos os avisos que escutou até ali, a respeito de Quinn e de sua alma fria e seu peito sem coração, pipocaram na cabeça…

Kurt e Blaine se entreolharam e o rapaz de olhos azuis argumentou, preocupado, “Rach, esqueça a Quinn! Ela não é mais a mesma há anos! Você só irá se machucar se tentar se reaproximar! Não há nada nela que se possa dizer ‘oh, isto é bom’, porque a mulher que você amou e deixou está morta e enterrada! Por favor, confie em mim quando lhe digo isso! É para o seu bem”.

Blaine balançou a cabeça negativamente. “Está equivocada, Rach-Rach! Você poderá ser clara com ela. Não haverá necessidade de jogos ou artifícios para demonstrar seus sentimentos. Apenas esteja preparada para a possível negativa que ela lhe atirará na face sem a menor piedade!”.

A cantora emudeceu, assustada. E o empresário concluiu:

Eu gostaria muito que você não passasse por tal situação vexatória. Mas Se é de sua vontade! Vá em frente! E mantenha Jesse por perto”.

Ela não entendeu o conselho e o empresário concluiu:

Você precisará dos ombros dele para chorar depois de tudo”.

A atriz ficou confusa. Não entendeu o porquê da fala da advogada. Do quê, afinal, ela estava a falar?

“Sant, do que está falando?”.

A morena mais alta deu um suspiro de cansaço e verbalizou: “por favor, Rachel! Eu já não aguento mais falar sobre o assunto ‘Quinn Fabray’! Apenas siga o meu conselho, ok? Esqueça a Fabray! Isso não é só um conselho, é um aviso!”.

A latina riu e respondeu:

Como sempre ‘a rainha do drama’! Por favor, Barbra, caia na real! Inverta os papéis e me diga qual seria a sua reação se a traída fosse você. Como reagiria? Seria tão benevolente a ponto de perdoar a sua namorada que tanto amou e a flagrou na cama com o colega de trabalho?”.

Suspirou e secou as lágrimas.

Com mãos trêmulas, levou a xícara aos lábios e tomou um grande gole do chá.

Quinn estava lhe dando o troco. Claro, com alguns juros altos.

Analisando (sem saber como) a situação, pensou que a Quinn do colegial também era muita dada a devolver desaforos na mesma moeda, e também acrescidos de juros altíssimos. Não era à toa que, quando ela adentrava aos corredores do McKinley, com aquele uniforme lindo de capitã das famosas Cheerleaders (o único grupo realmente campeão naquela escola, além – óbvio – do Clube do Coral, quando ganharam as Nacionais), os alunos praticamente se atiravam contra os armários. Era como a imagem de (Deus nos perdoe) Moisés abrindo o Mar Vermelho para que o povo judeu o atravessasse. Era incrível! Era aterrador! E era terrivelmente sexy! Mas, naquela época, ela não ameaçava com a prisão. Ela até poderia querer manchar a sua reputação, mas nunca tentaria sujar a sua imagem de mãe diante de seu filho inocente acusando-a de planejar a morte do pai dele. Ela até tinha as suas fiéis escudeiras para lhe assegurarem a retaguarda, mas nunca um policial corrupto com as provas do crime nas mãos para forjar um assassinato mentiroso.

Naquela época, Quinn era muito mais amena.

Mirou-a.

Os olhos verdes estavam cravados nela, atentos, vivos, espectantes.

Ela esperava por alguma coisa.

Ela esperava que se rendesse? Era isso?

Analisou suas possibilidades.

Mas, com tanta coisa passeando ao léu pela cabeça neste momento, não conseguia olhar a situação sob outra perspectiva e, quem sabe, analisá-la quase tão analiticamente quanto Quinn o fazia.

Sentiu-se perdida.

Estava perdida!

Quinn negociaria?

E se negociasse, qual seria a sua moeda de troca? Não tinha coisa alguma que interessasse a Quinn…

Nada que ela pudesse valorizar, como o amor que sentia e como estava disposta a mergulhar na loucura dela, só para tê-la ao lado.

Não! Poderia oferecer o seu maior tesouro, que Quinn não o tomaria. Ela não desejava isso. Ela não ligava…

“Os meus pais cuidarão de Spencer…”, comentou, sem saber o porquê.

Quinn elevou a sobrancelha e pareceu pensar nas palavras dela. Atestou:

“Não. Eu acho que não”.

Então, o torpor inicial desapareceu e as lágrimas foram tragadas como se Quinn lhe tivesse atirado um balde de água fria.

“Como assim, ‘eu acho que não’?”, a voz saiu num falsete perfeito.

Quinn bebericou do café e, tranquila (uma postura natural para um chá entre amigas) respondeu:

“Não acho que será necessário que o seu filho fique com os seus pais”.

“Se eu vou para a prisão, para quem eu deixarei a guarda do meu filho? Para você?”, a pergunta escorreu incrédula.

A loira pareceu ponderar sobre a ideia.

Rachel se sentiu retesar na cadeira.

Quinn riu. Gargalhou e meneou a cabeça. Rachel tinha cada ideia! Para que iria querer a guarda daquela mistura genética de Jesse St. James com ela? Tudo bem que poderia usá-lo contra ela, mas não afastaria os dois…

“Rachel, você está drogada? O que eu faria com o seu filho?”, perguntou, sem o humor anterior que a fez rir da questão.

A cantora soltou o ar. Um alívio no peito a tomou. Sentiu como se uma pequena descarga de endorfina lhe atingisse. Relaxou.

“Eu estou disposta, óbvio, a negociar a sua liberdade. Na verdade, Rach-Rach, todo este circo que me dei ao trabalho de armar foi para chegar a este pequeno objetivo. Claro, o resultado eu não poderei lhe dizer. Se eu me ativer à Probabilidade, eu tenho cinquenta por cento de chances de você aceitar o acordo e cinquenta por cento de chances que não o aceite. Esta ‘escolha de Minerva’ entrego em suas mãos. Não posso decidir o seu futuro e o do seu filho por você. Posso lhe oferecer opções, mas a escolha… Esta é sua”, informou.

Rachel se endireitou na cadeira, alerta.

“Está dizendo que tem uma outra proposta para mim, além da prisão?”.

A loira sorriu como se a judia fosse ingênua. Explicou:

“Na verdade, Rach-Rach, tecnicamente, você sairá de uma prisão e entrará em outra”.

A morena piscou.

Do que Quinn estava falando exatamente? A sua moeda de troca era a própria “liberdade”?

“Pode explicar, por favor?”.

A advogada sorriu com satisfação. A curiosidade de Rachel era inabalável!

“Eu tenho um contrato, Rachel. Uma proposta. Se aceitá-la, saiba que, ainda que esteja longe dos meus olhos, saberei cada passo seu. Saberei o que comeu, que programa assistiu na TV, que música cantarolou ao léu, qual sabonete usou no banho, qual o seu itinerário diário, com quem falou, quantas respiradas deu no dia… Saberei tudo, Rachel. E, se você escorregar, sair da linha, eu não lhe darei uma segunda chance. Eu enviarei você para o xilindró mais próximo. E talvez enfie o seu filho num colégio interno do outro lado do mundo”.

A cantora resfolegou.

Meneou a cabeça, tentando interiorizar todas as ameaças que a ex-namorada lhe lançou de uma só vez.

Respirou uma, duas, três vezes e ergueu os olhos para ela.

“Okay, Quinn. Estou ouvindo”, avisou.

Avisou porque achou importante que a advogada soubesse que estava atenta ao que ela lhe diria. E, claro, porque tinha a nítida impressão que não poderia dizer não à proposta. Quinn foi muito atenta em construir todo um plano para deixá-la entre a cruz e a espada. Explicando em termos literais: ou ela ajoelhava e rezava, ou pegava a espada e ia à luta. E, certamente, a opção de Quinn seria a espada. Estavam indo para um campo de batalhas. Sabia disso. Só não sabia como a ex-namorada lhe faria este convite…

“Você assinará um contrato…”, pareceu difícil para a loira verbalizar aquilo.

Não seria mais fácil mandar a Berry embora?, ponderou.

Mirou-a.

Rachel estava muito assustada, porém, preparada para escutar o que viria.

“Diga-me, Rach-Rach, por que não seguiu com a sua vida? Por que não me deixou em paz?”

A judia a encarou. E martelou:

“Porque eu amo você, Quinn!”.

A advogada assentiu.

“Quinn?”, a morena pensou que a loira sentiu dor. “Você está bem?”, a voz saiu preocupada.

A advogada a fitou e assentiu.

Olhou para a pasta e pegou uns papéis. Mirou-os com inquietação.

“Eu quero, Rachel, em troca de sua liberdade, que assine um contrato…”, limpou a garganta e esfregou a fronte.

Rachel franziu o cenho.

“Eu quero que assine um contrato de casamento. Neste contrato estão escritas todas as efetivas mudanças que acontecerão na sua vida, a partir de minhas ordens, porque eu quero o controle total de tudo o que você tem, Rachel. Desde a poeira na sola do seu sapato até o que você tiver de mais precioso”.

Rachel estancou.

Os olhos presos na ex-namorada.

Quinn a mirava com tranquilidade.

Ela queria o quê?

Riu.

“Acho que aceito uma dose de uísque agora, Quinn. Puro!”, avisou.

A amizade é muito mais trágica que o amor. Dura mais”.

– Oscar Wilde–

CONTINUA.

Notas finais
As meninas que ainda leem SC: beijinhos e obrigada! Até. - Cal. *-*