Sine Cordi

36 CAPÍTULO 36 - לו


Notas iniciais
Apertem os cintos, por gentileza...

As verdades podem ser nuas – mas as mentiras precisam estar vestidas.

– Textos Judaicos -

Quinn murmurou, tentando acalmar a cantora:

“Eles não lhe contaram mesmo… Por quê?”.

Rachel respirava com dificuldade. Muita coisa passava por sua cabeça: todas as tentativas que fizeram para mante-la longe de Quinn, a maneira indiferente como esta lhe tratou até então, a desconfiança de Jesse sobre haver algo escondido sobre a ex fotógrafa… Tudo ia e vinha em turbilhão.

“Beba um pouco mais de chá, Rachel… Eu vou chamar Holmes para nos ajudar. Se eu soubesse que você não sabia, eu não lhe diria. Eu só quis que você entendesse o motivo pelo qual eu sou tão desprovida de consideração. Eu só fiquei assim, entendeu? Isto nada tem a ver com você ou com o que tivemos no passado. E, de verdade, eu não considerei que isto fosse lhe atingir tanto”.

“Eu… Eu vou…”, a atriz se ergueu e, sem saber como, encontrou o caminho do banheiro, onde se fechou e entrou em uma das cabines. Ajoelhou-se ao lado de uma das privadas e vomitou.

Vomitou por toda a mentira que Kurt lhe disse.

Vomitou pela omissão de Santana e Britt.

Vomitou por se sentir mal com tudo.

Vomitou por saber que a mulher que amava não se lembrava dela.

E por Quinn não se lembrar mais dela, também pranteou.

Sentiu uma mão a acariciar-lhe as costas e outra segurar-lhe os cabelos para que não sujassem com tudo o que punha para fora.

“Por favor…”, tentou afastar a ex namorada de toda a sua sujeira.

“Eu não vou deixa-la sozinha! Fui eu que causei isso. Deus! Se eu soubesse…”, falou, arrependida.

A cantora negou com a cabeça e riu-se, antes de desdenhar:

“A única pessoa que não se lembra de mim foi a única a ser sincera comigo… Não se arrependa por isso, Quinn.”.

A advogada a ajudou a se erguer. Levou-a até a pia e a ajudou a se recompor.

“Creio que você deve ir para casa… Não está bem para voltar ao fórum. Julgamentos são cansativos…”, observou.

Rachel foi se refazendo aos poucos e pediu, num fio de voz:

“Eu posso, pelo menos, terminar o chá? Eu acho que preciso…”.

Quinn concordou e, após a cantora estar refeita, embora com a pele fria e muito pálida, voltaram para a mesa.

Sentaram uma ao lado da outra.

“Quer que eu peça outra xícara?”, ofereceu a ex cheerleader.

“Não… Eu vou… Eu ficarei bem”, atestou, a beber um gole do líquido.

A advogada pegou a própria xícara, com café, e bebeu.

“Quando aconteceu?”.

Quinn a mirou.

“Aconteceu o quê? O acidente? Eu nunca me lembro do dia exato…”, sorriu, apaziguadora.

“Eu lhe telefonei por dias inteiros… Eu achei que você não queria me atender…”.

A advogada franziu o cenho antes de retorquir, tentando colocar um pouco de humor na conversação:

“Não me lembro de ter recebido alguma chamada de sua parte…”.

Rachel pensou sobre a resposta que ouviu. Ela não se lembrava de nenhuma chamada. Por quê? Por que se acidentou após o flagrante da traição? Ou por que se acidentou depois e não era, de qualquer forma, capaz de recordar?

“Como não se lembra de quando se acidentou?”, murmurou.

“Não sei…”, falou no mesmo tom, “foi um período muito confuso. Eu não lembro com clareza do tempo em que fiquei hospitalizada. A única coisa que eu, realmente sei, é que precisei reaprender algumas coisas básicas como andar, falar, comer… Era excruciante… E a maldita dor de cabeça sempre presente”.

Então a preocupação de Santana e Russel Fabray em relação a “enxaqueca” de Quinn fez sentido.

“Eles estão preocupados com você…”, verbalizou, sem ao menos pensar.

“Eles?”.

“Seu pai e a Sant… Falaram sobre sua dor de cabeça…”.

Quinn riu antes de ser ácida:

“Eles não se preocupam comigo; preocupam-se com o fato de eu não conseguir levar o julgamento até o final”.

Rachel realmente se horrorizou ante o comentário. Santana não era interesseira…

“Não julgue a Sant…”, pediu.

A advogada riu e comentou:

“Você foi, realmente, capaz de me trair? Parece difícil acreditar. Está a defender a Santana, que não lhe contou o que aconteceu comigo”.

Rachel já não era capaz de emitir qualquer tipo de juízo de valor. Na verdade, sentia-se paralisada. Não sabia o que dizer ou pensar. Estava que era uma confusão só!

“Você quase morreu…”, comentou como se tivesse certeza da resposta.

Quinn foi desinteressada ao retorquir…

“Suponho que sim. Mas isso já foi há muito tempo. Não vale a pena ser lembrado… Eu só fiquei curiosa porque, se toda a gente que me conheceu sabia do acidente e do resultado deste sobre o meu corpo e a minha mente, você agia como se ignorasse o fato… Mas eu achei que fosse só uma característica sua…”.

“Você me tratou como se sempre soubesse o que eu lhe fiz…”, insistiu a morena.

A advogada repetiu o motivo:

“Eu ficava profundamente aborrecida com a sua abordagem. Era cansativa e sem razão”.

“O que você disse no restaurante…”, recordou com clareza…

“Ok! Já foi o bastante, Britt-Britt! Eu e o Sr. Ewing II temos que ir”, a advogada interpelou. Porém, o homem olhou dela para Rachel e ergueu as sobrancelhas numa pergunta muda.

“Oh! Claro! Perdoe-me!”, sorriu com desfaçatez, “esta é a famosíssima cantora, atriz e outras coisas mais Rachel Berry.”

O homem tomou da mão da artista da mesma forma que fez com Santana e Brittany e, após o leve roçar de lábios, confessou encantado:

“Sou descaradamente e inegável fã da senhorita! Fui a todos os seus musicais e devo dizer que há muito não havia uma atriz tão completa como você!”.

Rachel só não corou porque já estava acostumada a ouvir tais palavras há muito tempo, exceto o que o homem lhe disse após, que a surpreendeu…

“Lamento pelo seu casamento. A Senhorita e o Sr. St. James formavam um belo casal! Na verdade, se me permite, uma bela família com o seu pequeno menino.”

“Oh!”, sorriu comovida, “obrigada, Sr. Ewing! É muito gentil da sua parte”.

“Não é gentileza. É a verdade”, afirmou o acompanhante da loira.

Ela, por sua vez, tinha na face um ar de troça difícil de não perceber.

“Oh, Leo! Que lindo! Eu não sabia que você era assim tão galante! Mas, deixe eu lhe avisar duas coisas antes de qualquer coisa”, a Fabray era puro descaramento, “ela ‘ainda’ está casada e é uma atriz! Você nunca saberá quando ela estiver a representar ou não. Então, cuidado! Você pode ter surpresas muito, muito desagradáveis meu querido! Entretanto, saiba que se quiser fazer a corte a Srta. Berry eu o apoiarei. Acho mesmo que você precisa de uma companheira!”.

Quinn ergueu e soltou os ombros antes de confessar, sincera:

“Eu não simpatizei com você, Rachel. Só isso! Depois, com tudo o que você me contou a cada vez que me abordou, não foi muito difícil ligar os pontos… E, de qualquer maneira, eu não sou uma pessoa muito sociável e simpática”.

A cantora ingeriu um gole maior do chá e respirou fundo.

“Por que acha que a Sant e o Kurt não me contaram sobre o que aconteceu você?”.

A advogada não respondeu. Mas aconselhou:

“Acho melhor esquecermos esta história, Rachel…”, olhou para o relógio de pulso, “precisarei voltar em breve para o fórum. Pedirei que Holmes a deixe em sua casa. Seu marido está lá para lhe acolher?”.

“Ex-marido”, corrigiu.

“O que Deus une, Rachel, o homem não separa”, retorquiu.

A judia se sentiu ainda mais atordoada. Além do esquecimento de Quinn, teria que lidar com suas crenças arraigadas?…

“Por favor, isso não…”, pediu.

“Isso o quê?”.

“Essa frase tão ortodoxa… Eu me divorciei e ponto!”.

A advogada preferiu não incrementar o que poderia se tornar um enfadonho debate em que nenhuma das duas seria beneficiada.

“Sente-se melhor?”, perguntou, ainda a perceber que a cor ainda não retornara à face da cantora.

“Eu preciso falar com a Santana… E também com o Kurt! Por que eles não me disseram que você…”.

Quinn a cortou:

“Ok, Rachel! Esqueça isso! Talvez pensaram que eu nunca tocaria no assunto ou que, talvez, eu a convidasse para um almoço. Não faça disso um cavalo de batalha”.

Mas Rachel não queria brigar. Ela só queria entender…

A advogada quase podia ver as engrenagens do cérebro da cantora a funcionar, na tentativa de encontrar uma razão consistente para lhe ocultarem o infeliz acidente.

Então, uma dura conclusão se acercou e fez morada no coração de Rachel Berry: não contaram porque, certamente, o acidente deve ter ocorrido logo após Quinn encontra-la com Jesse. Era a única e mais lógica explicação.

Não achou que fosse possível se sentir pior do que já se sentia. Mas, ali estava! A culpa a tomou com violento impacto.

Tornou os olhos para a advogada e encontrou os olhos verdes sobre si. Mas não encontrou neles um pouquinho sequer de afeto. Apenas alguma coisa que não conseguiu definir como preocupação ou culpa… Não soube, não era capaz – neste então – de saber. Só de uma coisa tinha certeza: estava a sentir dor.

“Por que você se acidentou?”, as palavras escorreram-lhe por entre os lábios, temerosas pela resposta que os ouvidos receberiam…

A advogada franziu o cenho e sorriu confusa.

“Por que eu me acidentei? Não sei…”, e foi maliciosa, “mas se pararmos para observar o verbo ‘acidentou’, resvalaremos no substantivo acidente, que – acredito – significa algo que acontece sem uma intenção aparente, um acontecimento fortuito; um desastre! Uma brincadeira do destino? Quem sabe?”, sorriu, agora, com doçura quase infantil, “deixe de se preocupar com isso. Não vai mudar coisa alguma. Você se remoer por achar que o meu acidente tem a ver com a sua traição não mudará em nada o que aconteceu. Entendeu, Rachel?”.

A cantora desviou os olhos rasos d'água e meneou a cabeça em negativa enquanto repetia, a parecer desatinada para Quinn:

“Foi depois… Foi depois… Foi logo depois que você saiu… Foi depois que você me flagrou com ele… Foi depois, Quinn! Eu sei que foi depois…”.

A advogada, atordoada, a envolveu num abraço, a fim de abafar os soluços desenfreados que se apoderaram da pequena mulher e atravancar-lhe o corpo para conter as sacudidas pela violência do choro. Murmurou, preocupada:

“Santo Deus, mulher! Você vai me fazer ser presa por tentativa de assassinato se continuar desse jeito…”.

Então Rachel desatou a gargalhar enquanto chorava e Quinn viu que, no caso da mulher que amparava, o melhor era ficar de boca fechada. Ela choraria de uma forma ou de outra… Mesmo rindo. Seria por isso que era chamada pela mídia de “Drama Queen”?

“Provavelmente…”, sussurrou para si mesma, ainda a conter a judia num abraço firme, sacudindo-a vez ou outra, a fim de nina-la, sem qualquer noção de como abrandar o caudaloso rio de lágrimas que ela gostaria de saber de onde brotava para ir até lá e fechar a torneira.

“Rachel, por favor, se acalme!… Eu não morri! Eu estou bem aqui!…”, murmurou e sentiu os braços da pequena enlaçarem sua cintura com força, como se precisasse ter certeza de que ela realmente estava ali.

“Por que, mesmo, eu fui falar isso?”, questionou.

“Eu sinto muito…”, Rachel se afastou, envergonhada.

Quinn a mirou em expectativa.

A cantora afastou os braços que a envolveram, virou-se de costas para ela e fez menção de se levantar. Mas Quinn Fabray não permitiria…

“Nem pense em sair daqui neste estado”, avisou, puxando-a de volta para o abraço e apertando-a, a fim de que não lhe escapasse.

“Quinn, eu estou bem…”, murmurou Rachel.

“Não. Você ainda não está bem. E eu não vou deixa-la aqui sozinha. Eu vou leva-la para a sua casa e depois, sim, voltarei para o julgamento…”.

“Não… Você é da promotoria…”, Rachel não sabia porque estava a debater com a mulher que a amarrava presa ao corpo, reacendendo-lhe sensações há muito adormecidas e reforçando-as a cada roçar dos corpos e das mãos de Quinn sujeitando-a. Pensou que morreria a qualquer hora, porque não conseguia respirar. Não havia espaço. Literalmente!

“Quinn…”, sussurrou.

“Sim, Rachel”, atendeu, com voz reconfortante.

“Eu preciso respirar…”.

A advogada a encarou com óbvia surpresa.

“Eu não posso respirar por você, Rachel”, avisou, imperativa.

A judia achou a resposta da ex namorada de uma inesperada reação quase abarcada pela lógica e frieza, que se calou.

Ali estava… A Quinn Fabray que Santana lhe apontava sempre que podia e ela não conseguia ver. A mulher fria que analisava tudo quase cartesianamente. Alguém amarrado a padrões e rituais que não se dobrava nem pelo fio da espada. Esta era ela! Um breve lampejo da mulher que teria que conquistar para ter Quinn de volta!

Mas, a questão era: como desperta-la? Como fazer com que viesse à tona? Como faria a mulher sem coração que habitava Quinn Fabray se mostrar por mais tempo que permitia a boa educação e os princípios básicos da civilidade? Como despertaria aquele que, para ela, era “o animal mais belo sobre a face da terra”?

“Quinn…”, murmurou, cuidadosa, “eu sei que você não pode respirar por mim. Mas o seu abraço está forte demais… Você está quase quebrando as minhas costelas”, avisou.

A advogada a afastou e mirou.

“Eu não percebi… Eu só queria que você parasse de soluçar…”.

“Tentando me matar?”, brincou.

Quinn considerou a pergunta e, para a cantora lhe pareceu ver um ínfimo brilho de divertimento infantil nos olhos verdes…

“Sem nenhuma chance! A não ser que eu fosse a minha própria advogada”.

Rachel riu de verdade. Este ego não pareceu ficar no esquecimento.

“Tão Quinn Fabray!”, exclamou.

E a exclamação fez a advogada estancar e mira-la com frivolidade.

“Como?”, perguntou, curiosa, “Como eu posso ser tão Quinn Fabray se eu não sou mais que alguém de quem as pessoas têm medo porque tem comportamento psicopata?”.

A pergunta atarantou a cantora. Do que ela, Quinn, estava falando?

“O quê?”, conseguiu proferir, espantada.

Quinn suspirou e sem desviar o olhar do de Rachel perguntou, com muita tranquilidade:

“Santana e Kurt nunca lhe avisaram para ficar longe de mim?”.

Rachel não respondeu, porém ponderou sobre a questão e a advogada, perspicaz, afirmou:

“É claro que eles avisaram! É de praxe. Principalmente se você já me conheceu antes… Eles pensam que eu sou algum tipo de ‘coisa’ que pode machucar. Mas”, sorriu, “o engraçado é que eles têm razão, Rachel! Eu intoxico as pessoas! Eu fustigo, provoco, debocho e… E eu realmente gosto disso! Veja o julgamento! Em menos de meio dia eu consegui ser xingada pelo réu e todo o tribunal ouviu! Era tudo o que eu estava buscando. E, se você acha que eu parei, está enganada! Se eu não fizer Raul Steven Street ter um ataque de fúria dentro daquele tribunal e ir direto para trás das grades, eu troco o meu nome!”.

Rachel balançou a cabeça em negação.

“Este é o seu trabalho, Quinn! E os advogados não têm boa fama mesmo… Isso não faz você diferente de ninguém”.

A advogada piscou algumas vezes. Por que Rachel era tão simplista?

“Acredita que todos têm um pouco de psicopata dentro de si?”, indagou.

Rachel suspirou. Ela não sabia! Talvez…

“Vivemos como nossos antepassados, Quinn. Só que, em vez de lutarmos numa selva verde, lutamos numa selva de pedra… Não acredito que a seleção natural tenha estancado só porque Darwin morreu! Talvez você só seja um pouquinho mais… Primitiva? Pode ser… Mas, até então, eu ainda não enxerguei o seu defeito…”.

“Obrigada, Rachel!”, sorriu.

A cantora se sentia um verdadeiro trapo, mas estar perto da advogada lhe dava a força necessária para conseguir aproveitar cada instante que estava a viver.

“Você poderia, por favor, me abraçar um pouco mais…”, pediu, “sem, no entanto, tentar quebrar as minhas costelas?”.

A advogada foi pega de surpresa e perguntou, preocupada:

“Você está bem? Vai ter outra daquelas crises?”.

“Não acho que consiga… Estou cansada demais por agora”, confessou.

Quinn olhou o relógio.

“Ok. Você tem cinco minutos, Rachel”, abriu os braços.

A cantora mergulhou neles e descansou a cabeça no ombro da ex-namorada e sentiu o cheiro do perfume inebriante dela.

“Em você eu encontro descanso, Quinn… Eu tenho vivido cansada há muito tempo…”.

“Eu…”, a advogada limpou a garganta, a fim de não soar fria, “sinto muito”.

“Eu sei que não sente, Quinn. Mas, eu não me importo…”.

A mulher loira não retorquiu. Por alguma razão, somente naquele momento, controlou a incrível vontade de ter a última e cruel palavra.

Não cobre todas as explicações da vida. Deixe que ela faça, também, as suas surpresas… O tempo vai lhe explicando pelo caminho.”

– Carlos Vitor dos Santos Mailart.'. -

Quinn voltou para o fórum e deixou Rachel com o motorista desta, Marco. A atriz até tentou voltar para o julgamento, mas, ponderou, estava tão à borda de emoções que, provavelmente, não aguentaria um confronto com Santana. Não neste momento. Ainda não estava bem. Saber que Quinn sofreu um acidente após a traição e…

“Ela não se lembra de mim…”, murmurou e riu sozinha, incrédula diante do capricho do destino.

Ao adentrar ao apartamento, encontrou Jesse abatido. Ele só não estava pior que ela…

Star?”, caminhou até ela e a abraçou ao ve-la tão debilitada, “o que aconteceu?”.

Ela se acomodou ao peito dele e se estreitou. Precisava de amparo.

“Eu almocei com a Quinn…”.

Os olhos claros dele quase pularam das órbitas e ele a afastou para mira-la.

“Você o quê?”

“Ela não foi cruel…”, sussurrou, voltando para o abraço dele.

“Não foi? Ela não foi cruel…”, repetiu, aturdido.

Rachel franziu o cenho e, dessa vez, ela se afastou e o encarou.

“Por que está tão perplexo?”.

Ele respirou fundo, nervoso. Era péssimo para esconder coisas dela. Rachel parecia que lhe enxergava a alma.

“O que aconteceu? Spencer?”, olhou ao redor a procura do filho.

“Ele está bem… Está com Maria… Eu só não sei como…”.

“Jesse, se o meu filho está bem, eu ficarei ótima! Depois da conversa que eu tive com a Quinn hoje…”.

“Conversa!?”

“É… Foi tão horrível, Jesse!”, queixou-se, colando o rosto no peito do homem, cansada.

Ele a envolveu delicadamente.

“E sobre o que conversaram?”.

“Sobre tudo! Sobre o que aconteceu após nós dois sermos…”.

Ele, de novo, afastou-a e a segurou pelos ombros, fitando-a.

“Ela lhe contou… Tudo?”.

“Ela perdeu a memória…”, murmurou, um tanto incoerente.

“Rachel! E você está… Assim? Só isso? Nenhum ataque de nervos?”.

“Acredite, Jesse: eu já tive a minha cota por hoje”, exclamou.

“Até que você reagiu bem!”.

“Eu não reagi bem, Jesse”, discordou.

“Bom, para quem acabou de saber que Quinn Fabray tentou se matar, até que você está bem!”.

Um gongo soou neste momento nos ouvidos de Rachel e ela não ouviu o que o ex-marido proferiu.

“Quinn o quê?”.

“Tentou se matar… Ela enfiou o carro embaixo de uma jamanta e… Oh, merda!”.

Rachel desmaiou.

Este detalhe, Jesse se deu conta, a loira não poderia ter revelado.

Ela não lembrava…

Nenhuma mentira chega a envelhecer no tempo.”

– Sófocles -

CONTINUA.

Notas finais
Okay... Até! ;P