Sine Cordi
43 CAPÍTULO 43 - םג
Notas iniciais
“Eu estou cantando na chuva
Apenas cantando na chuva
Que sensação gloriosa
Eu estou feliz de novo
Eu estou sorrindo nas nuvens
Lá em cima é tão escuro
Eu estou cantando, cantando na chuva
Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva
Sob o meu guarda-chuva”.
– The Glee Cast in The Singing in The Rain – Umbrella–
“Culpa?”, conseguiu inquirir com espanto.
A advogada apenas a mirava. Nenhuma palavra. Apenas os olhos verdes a observar com o necessário distanciamento para entender os porquês que dançavam em sua cabeça.
“Quinn, eu fiquei longe e… E eu e você tivemos uma história juntas…”.
“Sim…”, concordou, “e daí?”, perguntou.
Rachel sentiu a cabeça girar.
Ainda não estava pronta…
O que diria para Quinn?
Por que ela tinha que ser tão intensa com as coisas?
Lembrou quando Santana falou sobre Beth e o quanto deu trabalho faze-la não ir atrás de Shelby… Este era um destes momentos?
Por Deus!
“Quinn, você não se lembra…”, iniciou.
“Isso eu sei”, atestou a fim de não alongar o tempo que, soube, a morena a pouco de um desmaio tentava ganhar.
“Eu… Eu traí…”, sussurrou.
Os olhos verdes escrutinaram-lhe a face.
Rachel parecia ter saído de uma maratona de filmes de terror. Os olhos arregalados se destacavam na cara abatida.
“Traiu…”, repetiu num tom neutro.
A judia assentiu, ainda que não se desse conta do motivo.
“Certo…”, Quinn sorriu apenas com os olhos e suspirou. Continuou:
“Nós estávamos juntas quando conheceu o seu marido…”, concluiu o que, notou em conversas anteriores, era a verdade.
Rachel balançou a cabeça em confirmação pela segunda vez.
“E, após tanto tempo, sente-se culpada?!”, o tom incrédulo foi um balde de gelo na face de Rachel.
Ela despertou!
O que diria? Não? Eu só estou culpada porque, logo em seguida, você tentou se matar?
Não agora!
Não neste momento!
Limitou-se a menear a cabeça.
A parte engraçada na pressão do momento era a que Quinn não acreditava na cantora…
“Por que eu ainda acho que você está mentindo?”.
A saliva cresceu na garganta da morena pálida e engolir foi difícil e muito dolorido.
“Quinn…”.
“Eu sei que, talvez, depois de algum tempo, reencontrar-me possa ter despertado alguns sentimentos mal resolvidos, mas não acredita que eu estou bem para você se sentir assim, ainda, como se a traição tivesse ocorrido ontem?”, questionou, leve.
A lógica da advogada e a maneira desprovida de qualquer tipo de sentimento negativo pegou a cantora desprevenida. Ela não esperava por isso…
Era uma explicação ótima se fosse capaz de enganar a própria consciência.
Mas não tão simples…
“Você tem razão, Quinn”, murmurou, “mas eu não sei se ainda consigo digerir tudo… E… Cristo! Você perdeu a memória!”.
A loira assentiu e riu:
“Que bom! Já pensou se eu me lembrasse e fosse o tipo de namorada amargurada e vingativa?”.
Rachel piscou algumas vezes.
Quinn realmente falou que o acidente foi bom?
“Quinn, isso não é engraçado!”.
Ela não sabia se concordava…
“Bom… Se eu estivesse no seu lugar, eu pararia de sofrer. O que há para ser perdoado? Não há crime sem arma!”.
A questão de Rachel era justamente essa: ela tinha a arma.
“Não é tão simples…”, meneou a cabeça e deu um longo suspiro, a fim de desafogar o peito.
“Por quê?”, a loira ainda tentava interiorizar a razão da culpa patente na cantora.
“Porque eu me lembro, Quinn! Eu me olho no espelho todos os dias!”, contra-argumentou.
A advogada franziu o cenho. Analisou a resposta e retorquiu:
“Isso é muito estranho, Rachel! Você se culpa por ter me traído… Culpa-se a ponto de adoecer e, no entanto, mora com o seu ex-marido! Para onde vai a sua culpa nessa hora?”.
Rachel Barbra Berry emudeceu.
Um feito, se analisarmos o seu histórico de pessoa falante.
Mas, sim!
Ela emudeceu.
Porque a Quinn pensava muito com a razão. E este pensar desmontava algumas desculpas que as pessoas se “autoimpunham”.
Este era o caso em que Rachel Barbra Berry se encaixava com perfeição.
“Eu… Spencer precisa do pai…”, fraquejou, ainda atordoada.
Quinn balançou a cabeça em negativa e sorriu com… Divertimento?
“Rachel!”, suspirou, “quantas crianças crescem em lares de pais separados e se tornam adultos centrados, bem resolvidos? Posso lhe garantir que há estudos que comprovam a minha tese”.
O mundo meio capenga de Rachel Barbra Berry sofreu um abalo sísmico de grau nove na Escala Richter.
“O quê?”, pensou que seus sentidos estavam falhando de vez agora.
“O que eu lhe disse! Vivemos em um mundo em que um número cada vez maior de crianças são filhos de pais separados. Ok… Essas crianças podem sofrer de Alienação Parental, mas você e o Jesse tem uma relação amigável e afável… Certo?”.
A mandíbula de Rachel Berry relaxou de espanto!
“Quinn… Eu… As coisas não… Elas não são simples assim…”.
“Você e o seu ex-marido ainda matem relações sexuais?”, perguntou com a tranquilidade de quem conversava sobre o tempo.
Rachel recebeu a pergunta com a tonteira que uma tijolada bem dada no meio do crânio pode causar.
Quinn a observou no silêncio.
“Você vai desmaiar?”, perguntou, surpresa.
Rachel não tinha muita certeza…
“Eu… Quinn!?…”, murmurou como se, realmente, estivesse a ter uma síncope.
“Eu vou chamar a Maria”, decidiu, erguendo-se e estancando, a olhar de um lado para o outro, tentando lembrar para que lado a mulher seguiu. Não conhecia a merda do apartamento!
Rachel, que a mirava, perdeu-se. Deu-se conta, ainda que em meio a uma realidade desfocada, de que a mulher de pé, naquela sala que frequentou muitas vezes, no apartamento que conhecia como as palmas das próprias mãos, parou porque não sabia para onde se dirigir. Estava perdida! Quinn Fabray estava perdida no meio da sala do apartamento em que praticamente morou!
“Deus!…”.
Rompeu-se.
As lágrimas contidas diante da visita inesperada saíram. E em quantidade que causava espanto.
Quinn se espantou.
“Rachel?”, e se voltou, sentando ao lado da atriz, puxando-a para um abraço de proteção assustada, porque aquele foi o ato mais coerente a fazer naquele momento. Porque Rachel Berry lhe pareceu tão pequena e frágil que achou que – sabia que era impossível – ela se quebraria em pequenos pedaços. Em pedaços que poderiam não ser juntados outra vez…
“Rachel!…”, apertou-a mais e impediu que a pequena tremesse em seus braços, “você está muito quente…”, constatou.
Olhou para os lados, tentando saber para onde Maria havia ido… O apartamento era grande…
“Rachel, diga-me: para onde Maria foi? Você sabe?”, tentou, a mirar os olhos castanhos que desconheceram aqueles verdes que lhe fitavam.
“Copa…”, murmurou e conseguiu erguer a mão destra do abraço e levá-la até a face pálida de Quinn Fabray, acarinhando-a.
“Eu vou chamá-la…”, a advogada informou.
Mas Rachel Barbra Berry balançou a cabeça em negativa e se aferrou ao corpo dela.
“Rachel, você pode passar mal! Por favor, eu só quero ajudar…”, falou, sem saber como tocar os braços que lhe envolviam o tronco como raízes de uma trepadeira gigante.
“Rachel, apenas me diga para que lado a copa fica…”, murmurou.
A judia negou com a cabeça.
Quinn franziu o cenho.
“Não?”, indagou.
De novo, a cantora negou com a cabeça. A face escondida entre os seios da ex-namorada…
Um lugar aconchegante na verdade…
“E o que você quer que eu faça?”, perguntou, a esfregar as costas da menor a fim de acalmá-la.
“Nada… Só me abrace… Por favor…”, sussurrou entre os soluços, um pouco mais calmos.
“Certo…”, Quinn aquiesceu e a enlaçou com os braços e a aconchegou ao corpo, de maneira que ficasse confortável e quente.
“Assim está bom?”, perguntou, insegura.
“Esta situação é meio estranha…”, confessou em voz baixa, mas audível para a pequena em seus braços.
Rachel soluçou alto.
“Desculpa, Rachel! Eu não quis parecer grosseira… Mas é estranho eu aqui, com você no meu colo… E assim, frágil…”, achou importante esclarecer.
Rachel soluçou outra vez…
“Cristo, diga-me que isso não pode piorar…”, murmurou.
Rachel soluçou…
“Eu acho que isto foi um ‘sim’ da parte de Deus para mim…”, suspirou.
Rachel soluçou…
“Deus, mulher! Se você sofresse um acidente como o meu não sobreviveria. É frágil demais…”, informou.
E sentiu a cantora socá-la sem forças nas costas.
“Está me agredindo? Rachel!…”, ficou incrédula.
Rachel levantou o rosto e a mirou. E ela chorava. Mas também ria.
“Eu acho que você está tendo, ou muito perto de ter um ataque histérico! Eu vou gritar pela sua empregada!”.
Gritou.
Maria apareceu. Rápida e assustada.
“Ela está entrando em colapso!”, a advogada avisou, surpresa.
Rachel não sabia.
Ela realmente não fazia a menor ideia do que estava lhe acontecendo naquele momento. Ela só achava tudo muito confuso, dicotômico e engraçado e, ao mesmo tempo, triste demais! Então, ela só deixou acontecer o que o seu cérebro que se desconectou e reconectou algumas vezes de maneira equivocada mandou: rir. E chorar.
Então ela apenas riu e chorou. Qual era o problema em fazer as duas coisas? Desde quando rir e chorar junto se tornou algo proibido e raro? Era raro? Dane-se! Precisava rir e chorar! Isso sabia! O resto… Havia um resto? Um resto…
Resto de quê?
Oh! Uma mulher!
Sim! Uma linda mulher!
Aquela mulher!
Deus! Ela era a mulher!
Que olhos eram aqueles? E os cabelos? E os braços e o corpo bem-feito? Quantas vezes o Criador deixou aquela mulher passar na sessão de beleza antes de ser concebida? Porque ela era tão linda!
A serpente de Santana Lopez…
Sim! Ela era perfeita!
Então, essa mulher perdeu a memória!
E, em contrapartida da perda de memória, parece que ela veio compensada (ou recompensada? Recompensada… Recompensada é mais forte)… Ela veio recompensada com uma expressão piscando em neon no meio da testa. Perdoem o vocabulário, mas ela veio com um grande “foda-se” no meio da testa, para quem quisesse ver, e falou algumas verdades que ela, Rachel Berry, não estava preparada para escutar.
Deu pane!
O cérebro, abarrotado de emoções, deu curto! Então, chorar e rir ficou compatível! Chorar e rir de sabe-se lá o que ficou permitido! Então, por que não?
“Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva
(Apenas cantando na chuva)
Sob o meu guarda-chuva
(Que sensação gloriosa)
(E eu estou feliz de novo)
Sob o meu guarda-chuva
(Tão escuro lá em cima)
Sob o meu guarda-chuva
(Cantando na chuva)”.
– The Glee Cast in The Singing in The Rain – Umbrella–
Quinn começou a despertar por causa do desagradável som de vozes exaltadas.
Vozes exaltadas?
Abriu os olhos.
Vozes exaltadas…
Suspirou.
Por que as pessoas tinham que gritar?
Por que estavam gritando?
Estava confusa… Muito confusa.
Então, não reagiu quando Santana Lopez adentrou ao seu quarto, seguida por uma Alex apavorada e um pouco… Descabelada?, e um Holmes sem saber como conter a mulher sem ser acusado de agressão, e subiu-lhe por cima do corpo, montando-a. Segurou-a pelos ombros e a ergueu.
“Se você chegar perto dela de novo, eu juro que vou matar você!”, ameaçou, feroz.
Quinn não respondeu.
“Você está me ouvindo? Fique longe de Rachel Berry! Você é venenosa! Você adoece as pessoas!”, gritou.
Não apenas gritou.
Sacudiu o corpo da mulher que, percebeu, parecia que ainda não havia despertado, apesar dos olhos abertos.
Olhos abertos e vazios…
“Merda, Quinn!”, reclamou Santana, sem sair da posição em que se colocou e ainda sob os olhares de Alex Bishop e Holmes.
“Diz que entendeu o que eu lhe falei!”, ordenou, ainda a segurar a mulher, mas só que – agora – ela já não tinha o olhar feroz. Os olhos mudaram radicalmente de enraivecidos para decepcionados.
“Qual é a graça de fazer ameaças para alguém que ainda não acordou? Merda!”, reclamou.
Quinn piscou algumas vezes.
Murmurou:
“Vocês ouviram os gritos também?”.
Santana a soltou, meneou a cabeça e, ainda sobre a loira, cruzou os braços sob os seios e a encarou. Depois encarou Holmes e perguntou:
“Quanto tempo até pegar? Ou vou ter que sacudir para ver se algum fio desencapado dá um curto e ela volte ao normal?”.
“Por Deus, senhorita!”, Holmes se horrorizou.
“Santana, você pode, por favor, sair de cima da minha namorada?”, Alex achou que a latina estava confortável demais sobre Quinn.
Mas, não era da natureza de Santana Lopez, uma mulher conhecida pelo sangue caliente, que provinha de Lima Heights Adjacent, acostumada a cosas malas, dar ouvidos para ordens ou pedidos que não lhe convinham.
“Fabray, está acordada?”, perguntou, começando a se impacientar.
Quinn franziu o cenho.
“Santana?”.
“Viva! Descobriu o óbvio! Palmas!”, sorriu com escárnio.
“Senhorita…”, Holmes só desejava que ela não tripudiasse tanto sobre a fragilidade de Quinn.
“Ela sabe se defender”, avisou a morena sangue quente, calando o cuidador. “É só esperar as conexões certas serem feitas…”, murmurou para todos e sorriu outra vez.
A loira olhou ao redor.
A loira estacionou os olhos sobre a mulher sobre si.
A loira pensou que havia algo naquele quadro que estava destoando…
Devagar, após um suspiro, sentou e, por isso, ela e Santana ficaram muito próximas.
Diante daquele olhar quase âmbar de tão claro e zombeteiro da loira, Santana pensou que, às vezes, escutar os outros poderia ser favorável…
Holmes limpou a garganta e os olhos correram de Alex para qualquer outra parte, menos no casal sobre a cama. Achou que fechar os olhos seria uma boa ideia.
Alex apenas esperou.
Sabia o que viria.
Conhecia Quinn.
Também conhecia Santana.
Então…
“Bom dia, Dra. Lopez”, sorriu, estudando a situação curiosa em que se encontrava com a amiga do colegial.
“Fabray, eu não estou aqui para brincadeiras…”.
A loira franziu o cenho…
“Tem certeza?”.
“Eu só vim lhe avisar para ficar longe da Rachel”, falou em tom pouco ameaçador. Os braços ainda cruzados.
Quinn sorriu a assentiu, olhando outra vez para a posição em que estavam.
“E precisava subir em cima de mim?”, perguntou com curiosidade.
A latina pensou se deveria externalizar sua pequena irritação de alguma maneira… Em Quinn.
“Eu vim para lhe esganar, mas como os seus fusíveis demoraram para pegar, a irritação esmoreceu”, falou.
“Ah!…”, a sobrancelha direita da loira subiu.
Santana não gostava muito quando isso acontecia.
Os olhos se encontraram e a latina se negou a fugir do deboche dos verdes.
“Entendi… Passou a vontade de me esganar, mas não passou a vontade de ficar em cima de mim…”.
“Eu estou começando a me irritar com você outra vez”, avisou, séria.
“Eu sei que está”, Quinn foi sincera, “aí é que está a graça, Dra. Lopez”.
“Dios! Quinn, você tem noção do que fez a Rachel?”, perguntou, tentando não explodir.
“Eu fiz alguma coisa?”, perguntou confusa, “eu fui conversar com ela, mas ela não estava bem quando cheguei… Ela já estava mal”, foi assertiva.
Santana maneou a cabeça. Sabia que ela estava certa. A conversa que teve com Rachel a desestabilizou… Mas, por que Quinn tinha que procurá-la?
“O que você foi fazer na casa dela?”, arguiu.
“Ela está bem? Eu saí após a chegada do médico…”, explicou, “a situação me pareceu desconfortável”.
“Quinn, preste atenção”, pediu com uma gentileza que a Fabray sabia que não era genuína, “fique longe dela! Entendeu?”.
Quinn riu. Achou engraçado…
“Por quê?”.
Esta era uma pergunta válida. E Santana sabia disso. E não adiantaria dar qualquer resposta para Quinn. Ela destrincharia a questão e criaria uma enorme argumento de prós e contras que pudesse derrubar suas proposições. E isso poderia demandar um tempo…
“Ela e você foram muito apaixonadas…”, achou melhor falar quase tudo…
“E ela errou com você, Quinnie”, suspirou. E agradeceu a Deus por aquela criatura que desejava ameaçar lhe enlaçou a cintura e a estreitou contra si de maneira provocativa, porque teria um motivo para lutar contra a decepção de não ter a coragem necessária para dizer o quanto a relação delas foi trágica, apesar de bela, e o quanto causou danos nela.
“Vocês romperam e…”.
Quinn arrastou o nariz pelo pescoço de Santana e adorou o cheiro. Gemeu de satisfação.
Santana descruzou os braços e apoiou cada uma das mãos nos ombros da loira e a afastou com força.
Quinn caiu deitada.
“Violenta…”, murmurou.
“Vai para o inferno, Fabray”, falou, saindo de cima dela.
“Vai não…”, pediu, sorrindo.
A latina suspirou e voltou a pedir:
“Fique longe de Rachel”.
“Por quê?”, a loira sentou na cama e mirou a mulher, “você pode me dar uma razão?”.
“Você tem namorada! Respeite-a”, falou.
“O quê?”, riu, “acha que eu estou interessada sexualmente em Rachel? Ela tem pernas bem longas e bonitas, mas eu ainda não a vi como uma possível conquista amorosa”, avaliou.
“Quinn, menos”, Alex pediu.
Os olhos da loira escaparam até os azuis da amante.
“Eu não fiz mal para a Rachel”, atestou e se voltou para Santana, “então, Dra. Lopez, se você realmente quiser muito subir em mim ou coisa parecida, desde que não haja violência física, pode vir sem precisar inventar subterfúgios”, avisou.
“Longe dela, Fabray!”, a latina ameaçou mais uma vez.
“Não”, foi a resposta direta de advogada. “Inclusive”, continuou, “tentarei entrar em contato com Maria para saber se ela tem alguma informação sobre a Rachel”.
Santana Lopez e Holmes pensaram que não escutaram direito.
“Você vai falar com quem?”, a latina resolveu averiguar.
“Com Maria…”, sorriu, divertida, “acredita que eu lembro dela?”.
Santana Lopez caminhou até a cama e sentou na beirada. O cenho franzido.
“Você se lembrou da Maria, Quinnie?”.
A loira se sentiu incomodada com o olhar da outra.
“Lembrei…”, suspirou. “mas não é caso para festa, Santana! Eu só me lembrei dela, mas não fazia ideia de onde a conheci… Então, pare de alimentar esperanças…”, riu, “eu sou o seu caso perdido”.
A Lopez não se moveu. Ainda mirava aquele rosto. E percebeu que, se não olhasse dentro dos olhos de Quinn, enxergaria a garota que conheceu no colegial… Uma garota que até debochava, mas que conseguia chorar e saber que magoou o outro. Era só não olhar nos olhos dela… Ela ficaria segura, com sua Quinnie, desde que não olhasse nos olhos verdes… Nos olhos vazios…
Mas, não era de sua natureza fugir. Então, ergueu o olhar negro para os frios esverdeados:
“É… Não há esperança para você…”, lamentou e se levantou.
Santana Lopez saiu da casa de Quinn Fabray naquela manhã um pouco mais certa de que sua amiga não voltaria à tona…
“Já se afogou há muito”, murmurou para si mesma, aborrecida por ser tão sensível a Quinn Fabray.
Alex suspirou a fitar a namorada.
“Eu posso, por favor, Holmes, conversar com a sua patroa um pouco?”, perguntou por mera convenção.
O homem assentiu e se retirou com um pedido de licença.
A jornalista caminhou até Quinn e sentou na cama, ao lado dela, onde minutos antes Santana Lopez esteve.
“Quinn, diga-me: o que você quer, mesmo, com Rachel Berry? Você já sabe que ela lhe traiu… Ainda não saciou sua curiosidade?”.
A advogada mordeu os lábios pensativa. Falou:
“Eu renho quase certeza de que há algo mais… Ela se sente culpada por coisas que passaram há muito tempo!”.
Alex olhou-a com afeto. Acariciou a face bela.
“Talvez, Quinn, seja o bastante. Não acha? Talvez Rachel não consiga lidar com a culpa… Ou o arrependimento”, pensou.
A loira recostou o corpo na cabeceira da cama.
“Culpa…”, murmurou e, após pensar, murmurou, “ela fala de uma maneira que parece que o meu acidente está diretamente ligado à traição dela…”.
Um silêncio pesado caiu sobre o quarto.
Quinn piscou algumas vezes.
Os olhos encontraram os de Alex.
Sorriu.
O sorriso virou riso.
O riso se transformou em gargalhadas.
“Foi isso!”, bateu palmas e riu mais.
Alexandra Bishop não sabia se era possível se sentir mais triste.
“Eu me acidentei porque eu soube que ela me traiu! Deus! Isso é tão…”, estava em êxtase, “óbvio! Toda aquela culpa… Aqueles pedidos de perdão! Tudo faz sentido! Por que eu demorei tanto para entender?”.
Alex discordava.
Achou que Quinn conectou as coisas rápido demais.
A questão que a preocupava: quanto mais ela seria capaz de conectar?
“Está chovendo, chovendo
(Eu estou cantando na chuva)
Oh, Baby, está chovendo, chovendo
(Eu estou apenas cantando na chuva)
Oh, garota, venha comigo
(Que sensação gloriosa)
Venha para mim
(Eu estou feliz outra vez)
E chove, chove
(Eu estou rindo nas nuvens)
Oh, garota, está chovendo, chovendo
(Tão escuro lá em cima)
Oh, garota, venha comigo (Sol do meu coração)
Eu estou pronto para amar”.
– The Glee Cast in The Singing in The Rain – Umbrella–
CONTINUA.
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