Notas iniciais
Perdoem-me pela demora... Enfim, problemas técnicos e temporais me obrigaram a estar ausente. Espero que isso não torne a acontecer. Obrigada por ainda acompanharem a fic. Cal. *-*

"A meta final de qualquer pesquisa

não é a objetividade, mas a verdade."

– Helene Dustsch -

"Há algo de muito estranho no comportamento de Kurt, Blaine, Santana e Brittany em relação à Quinn", atalhou Jesse, grave. Rachel o fitou e retorquiu que "talvez seja mesmo só proteção!". O homem a mirou e riu. Após, questionou "acredita mesmo nisso, Star?". Ela não sabia no que colocar sua fé. "Talvez... Jess, eu estou tão confusa quanto você! Eu não sei no que pensar!"; ele a segurou pelas mãos. Há pouco chegaram ao apartamento em que viviam. "Você foi até ela a fim de conversarem sobre o passado que procura por perdão. Embora eu não concordasse com o momento, não me interpus. Qual foi a reação dela às suas palavras", desejou saber o artista para, ao menos, entender o comportamento das pessoas que compartilharam do pretérito das duas mulheres. Rachel, no momento, queria esquecer o que aconteceu, ainda que achasse pertinente a observação do ex-marido e agora, mais do que nunca, companheiro. "Jesse, eu ainda não digeri direito o que ouvi de Quinn. Apesar de ainda a amar e querer muito, ela conseguiu me deixar fora de órbita. O cinismo dela, a frialdade... Às vezes penso que Kurt e Santana têm razão sobre eu manter uma distância segura". A dubiedade da cantora desconcertou o St. James. Afinal, o que queria a mulher?; "Rach-Rach, você decidiu se afastar de Quinn? Desistiu de tentar recuperar o amor de vocês?". Ela sorriu, incrédula. "Desistir de algo que eu ainda não revi? De um amor que parece que só existiu para mim? É muito para a minha cabeça! E a maneira como Quinn foi grosseira... Nem na escola ela agiu de tal maneira como hoje; nunca me disse palavras tão baixas, ainda que demonstrasse ser, para quem visse ao longe, a criatura mais inócua do mundo", desabafou, porém o homem lhe informou, surpreendendo-a, "engano seu, amor! Kurt percebeu o exato momento em que o verbo afiado da Fabray lhe atingiu em cheio. Por que acha que Alex se desculpou pelo que nem escutou a amante falar?"; a atriz franziu o cenho. No momento em que se sentou ao lado dos amigos, não se deu conta de tal fato! Meneou a cabeça, claramente surpresa. "Eu... Eu não tomei consciência disso... Tomei?", a confusão se fez máscara patente na face da judia. "Não,", Jesse informou, "e perguntou para Alex como ela conseguiu 'entrar no coração' da Fabray. Lembra-se da resposta dela?"; a pequena se recordou e o ex-marido atalhou, "por isso eu estou deveras curioso para saber o que motiva o Kurt, o Blaine, Santana, Britt e não sei mais quem a fazerem tanta questão de lhe manter distante da 'Ice Quinn'...", "ora, Jess! Para isso não precisa ser muito inteligente!", cortou-o, "ela não me suporta, não me quer por perto! Nunca me perdoou e, às vezes acho, nunca me perdoará um dia". "Talvez...", ele aquiesceu, "porém, baby, isso não muda a maneira 'monstruosa' como a descrevem. Eu cheguei a conclusão que não apenas Kurt e Blaine, mas Santana e, talvez, Brittany, vêem Quinn Fabray como algum tipo de sociopata. Observe! E, então, diga-me se estou muito equivocado", desafiou. A cantora se quedou quieta. Não sabia, ainda, no que pensar. Havia um emaranhado de coisas e sentimentos atados em poderosos nós em sua caixa craniana, a lhe tomar boa parte de sua massa cinzenta. Um grande torvelinho de contradições. Tanto que se viu, pela primeira vez, incapaz de pensar sobre tal questão ou qualquer coisa que incluísse o nome e a pessoa de Lucy Quinn Fabray. Precisava colocar o juízo no lugar para, então, analisar com a devida calma e atenção tudo o que viu e ouviu quando no café, com a ex-namorada.

"E se me achar esquisita, respeite também.

Até eu fui obrigada a me respeitar."

– Clarice Lispector -

Quinn passou resto do dia no escritório, a se dedicar ao cuidadoso, meticuloso e extenuante estudo dos autos do processo em que ajudaria a promotoria. Não atendeu Holmes, não comeu. Estava sem fome e abatida com o que aconteceu no café e na discussão com Alex. Com dor de cabeça, abusou dos opióides para controlar o incômodo intracraniano e do álcool no rubro vinho. E, apesar de toda a perigosa mistura, com o humor elevado e um conforto maravilhoso, a mente, ainda que meio nebulosa, não foi empecilho para o exame que fez no processo. E no sentido oposto da clareza intelectual, conseguiu ter vários insights sobre o que poderia e queria que fosse feito para tentar reverter a situação na qual se encontrava a representante legal do Estado contra o Sr. Street e o assassinato da Sra. Wood. Por fim, por volta das vinte e três horas, ela literalmente apagou sobre as anotações que fez no caderninho com capa de couro e os autos do processo.

Holmes, à meia-noite, junto com a governanta, bateu à porta do escritório e não ouviu resposta. Olhou para a companheira de trabalho com expressão contrariada e constatou, conhecedor da mulher para quem se dedicava, que "apagou por completo... Vou precisar da chave mestra. Continue a bater na porta. Pode ser que ela recobre a consciência", pediu e saiu apressado, enquanto a serviçal batia insistentemente à entrada de onde se encontrava a patroa. Reconheceu a preocupação do cuidador: a advogada, apesar do comportamento frio e duro, era, na verdade, frágil e, mais de uma vez, foi socorrida pelo homem, inconsciente por causa da estranha e inexplicável dor de cabeça que era o seu calcanhar de Aquiles. Certamente, ele era conhecedor da causa de tal mal, entretanto, havia um certo mistério que envolvia a razão real de tais crises. Tão logo Holmes voltou com a chave, ouviram o destrancar da porta, que foi escancarada e revelou uma Quinn Fabray de cenho franzido e voz sonolenta a questionar "vocês têm a pretensão de pôr o prédio abaixo ou estão a estagiar para trabalharem na área de construção civil, especialmente no setor de demolição de imóveis na base da pancada? Porquê, se for isso, os dois estão de parabéns!"; o homem, sério, retorquiu "ficamos preocupados. Eu a chamei várias vezes e não obtive resposta. Bati à porta e a senhorita não deu sinal de estar a ouvir. O que queria que eu fizesse? Ficou muito claro, mais cedo, que não estava bem. E se trancou aqui e, pelo que posso notar, abusou do vinho e, conhecendo-a, afirmo que também abusou dos analgésicos, pois estava claro que sentia muita dor de cabeça". A advogada deu um sorriso sarcástico e comentou "parabéns, Holmes! Você está melhor a cada dia que passa! Estou estupefata! Agora, por gentileza, eu preciso de um banho morno e de uma xícara de café forte. Faremos assim: vocês cuidarão do café e eu do banho. Ok?"; o casal de cuidadores assentiu e caminhou para a cozinha, enquanto a "patroa" foi para a suíte que ocupava e, ainda lenta, despiu-se, prendeu os longos cabelos e se colocou sob o chuveiro. Após dez minutos, saiu enrolada num felpudo roupão e encontrou o mulato a espera-la com uma bandeja sobre a mão esquerda onde descansava a xícara de café sobre o pires. O cheiro do líquido negro e quente invadiu o ambiente. Quinn soltou os cabelos, que caíram em cascata sobre os ombros e costas. Pegou do recipiente na bandeja e deu um pequeno gole, a soltar um pequeno gemido de satisfação. Holmes ficou calado e ela, após sentar na beira da cama, comentou "não precisa ficar carrancudo, Sr. Holmes. Eu só preciso que esta inoportuna dor me dê um pouco mais de trégua. Prometo que o meu humor irá melhorar após isso"; o cuidador observou, sério, "tal alívio só será possível se a doutora não abusar do álcool. Algo que não lhe é novidade". Quinn suspirou. Sentia-se tão cansada... Se ele soubesse o quanto! Entretanto, esta era uma compreensão difícil de as pessoas terem. Eram tão limitadas quanto ao mal que abatia-lhe o corpo, a alma e a mente que o melhor que poderia fazer e fazia era se calar e se tornar cada vez mais reclusa e só. Estava exausta de ser apontada como a "Rainha de Gelo", a mulher sem coração e sem alma. Riu para si mesma. Como podiam lhe conferir tantos adjetivos negativos se nem a conheciam mais, não se esforçavam para tal? Ficou tão absorta em pensamentos que não ouviu o homem chama-la. De acordo com a Dra. Parker, não era bom quando a advogada se desligava da realidade e se fechava em si mesma. Por isso, ele insistia em trazê-la de volta. E, como chama-la pelo nome não estava a surtir o efeito desejado, passou a estalar os dedos rente aos ouvidos dela. Como resultado, a mulher passou a voltar ao "mundo consciente". Olhou para Holmes e questionou, séria, "o que foi?"; ele tratou de responder "a doutora fugiu da realidade". Quinn riu. E atalhou, divertida, "eu não 'fugi da realidade', querido! Eu só estava a pensar. E, 's'il vous plaît', pare de dar ouvidos a tudo o que Eleanor diz. Nem tudo corresponde à verdade. Entendeu?"; o empregado assentiu, porém continuaria a fazer o que os médicos lhe ordenaram. Sabia que a advogada tentaria lhe confundir, mas tinha a real noção de seu dever e da situação que envolvia a patroa. Então, era ponto pacífico que não a obedeceria neste item. Gostasse ela ou não.

"A vida é puro ruído entre

dois silêncios insondáveis"

– Isabel Allende -

Jesse estava na grande sala de visitas do imenso apartamento da ex-esposa. Seu pensamento estava, ainda, no que aconteceu mais cedo no café do Central Park entre Rachel e Quinn e dos conselhos e palavras pouco positivos exprimidas por Kurt e Blaine. E do pedido de desculpas por parte de Alex, que pareceu desconhecer o romance entre Rachel e a advogada. Indagou-se "como e porquê" a editora de moda desconhecia tal fato. Afinal, ela, no momento, era a namorada da ex-fotógrafa! Como era possível ignorar tal fato? Por que Quinn ou outra pessoa, como Santana ou, mesmo, Kurt não contou do envolvimento das duas mulheres? O que havia de "errado" nesta história que lhe estava a fustigar? Porquê, sem dúvida, havia alguma coisa! Disto estava certo! Muito certo mesmo! E iria descobrir o motivo! Esta passou a ser uma questão de honra para si, pois envolvia a felicidade de sua querida e amada Rachel. E faria o possível para vê-la feliz.

A cantora apareceu na sala, o sono presente na face quase infantil. "Jess, por que ainda está acordado? Você nunca foi insone... O que houve", questionou, a voz rouca. Ele foi tirado dos pensamentos e a fitou. E a achou linda. Sorriu e respondeu que estava tudo bem. Ela meneou a cabeça, incrédula. "Você sempre foi péssimo mentiroso! Embora seja um ator extraordinário. Porém, quando estamos juntos, você não consegue me enganar!", brincou. O ator sorriu. Rachel estava coberta de razão. Porém, não queria falar de tal assunto neste momento. Ergueu-se e caminhou devagar até ela e lhe beijou os cabelos sedosos e cheirosos. "Venha. Vou lhe colocar na cama", pegou-a pela mãe pequena e delicada. A atriz se deixou levar, mas questionou, esperta, "o que aconteceu? Eu o conheço muito bem. Algo o incomoda. E eu não gosto nada quando...", bocejou, "isso acontece. Vai ou não me dizer o que há de errado?"; ele sorriu e, já no quarto, empurrou-a delicadamente para a cama e, enquanto a ajeitava e, depois, cobria, retorquiu "amanhã, baby! Vamos descansar. Amanhã você me perguntará e eu lhe responderei com prazer. Concorda?". Ela cerrou os olhos chocolate e concordou. Jesse a osculou na fronte, desejou boa noite e se retirou, a caminho do próprio quarto.

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À uma hora e meia da madrugada, Alex adentrou ao "palácio" de Quinn e indagou a Holmes, preocupada, "como ela está?"; o cuidador foi sincero ao falar "ela proibiu a sua entrada aqui". A morena sorriu e comentou que "isso eu já sei. Diga-me algo que eu não saiba". Holmes então contou tudo o que se passou e a editora de moda ficou preocupada. Avisou "vou passar a noite aqui. E, Holmes, por favor, confie em mim. Não tentarei nada. Só desejo ficar perto dela e cuida-la. Sei que você o faz muito bem, mas sei dos seus limites como não poder dividir a cama com ela"; o cuidador assentiu e apenas observou, sério, "ela desejará o meu fígado cru no desjejum. Mas, este é um risco que correrei, pois sei o quanto a ama". A mulher sorriu e, agradecida, encaminhou-se para o quarto da advogada.

Quinn dormia em decúbito dorsal, pesadamente, com o felpudo roupão que era a única coisa a lhe cobrir a nudez. Por cima do corpo, a lhe proteger do frio, uma manta não muito pesada, haja vista que o sistema de calefação do prédio era muito bom. Alex se despiu e ficou apenas de langerie. Deitou-se ao lado da namorada e percebeu, por uma discreta abertura no roupão da advogada, que ela — certamente — estava nua por sob a felpuda vestimenta. Tal constatação fez com que seu ventre se contraísse, deixando-a lubrificada. Sussurrou "maldito corpo traidor!" e se aproximou da loira, a colar-se a ela. Entretanto, Quinn não se mexeu. Estava num sono tão profundo que, não fosse o discreto subir e descer do abdome, poder-se-ía pensar que a advogada não estava mais no mundo dos viventes. Chamou-a, pois sabia que a namorada ficava mais indefesa quando adormecida e costumava responder às perguntas que lhe eram feitas. Porém, a loira não deu sinal de consciência. A morena insistiu e, dessa vez, sacudiu-a pelos ombros. E, com muita dificuldade e esforço, conseguiu fazer a outra abrir mal e parcamente os olhos verdes que estavam escuros e a piscar. A expressão de confusão era um traço forte. "Quinn, meu amor, você está a me ouvir", indagou muito preocupada. "Dei... Deixe-me dormir", pediu em voz baixa e arrastada. Entrementes, a editora de moda não tinha a pretensão de ouvir e, muito menos, obedecer a namorada. Insistiu, curiosa e teimosa, "por que você e a Srta. Berry discutiram? Sobre o que falaram?". A advogada emudeceu e a jornalista percebeu que ela estava adormecida. Disse um impropério qualquer e voltou a sacoleja-la. "Quinnie, fale comigo!", insistiu. O que ouviu foi um gemido preguiçoso e, teimosa, a jornalista deu leves tapinhas na face da advogada, que murmurou algo ininteligível e não fez menção em abrir os olhos. "Quinn, minha vida, fale comigo, por favor!", implorou. E afastou a manta de sobre a loira e literalmente a montou, a se colocar sobre o ventre dela e, com mais liberdade de movimento, sacudiu-a energicamente. E só então a Fabray abriu os olhos a piscar, ainda mais confusa. "Quinnie, fale comigo!", insistiu a morena no extremo da teimosia. A advogada fitou-a como se nunca a tivesse visto na vida. E, muito atordoada, tentou saber onde estava. Não conseguiu reconhecer o próprio quarto.

"Quinn, ouça-me" — a editora sabia exatamente o que estava a acontecer com a namorada — "você está no seu quarto, em seu apartamento..."; a advogada tinha o olhar perdido e confuso. "Quinn, olhe para mim", exigiu a segurar a face bem feita da namorada, "eu sou a Alex! Somos namoradas! Recorda-se?". A loira tentou afastar as mãos que a tocavam e soltou, sem a mínima coerência, "eu não sei nada!... Eu pedi nada... Vá embora! Eu... Eu... Eu não sei... Eu não pedi por isso... Eu só quis... Eu só quis..."; a morena tomou-lhe a boca em um beijo completamente possessivo e apaixonado, pois quando a namorada se mostrava tão confusa, despertava-lhe o desejo de maneira quase que completamente sem freios e coerência. Desejava tomar a amante quase que desesperadamente. Entrementes, a advogada, ainda sem posse da realidade, tentou se desvencilhar dos lábios que arrebatavam os seus e das mãos que procuravam imobilizar-lhe. Lutou contra. E implorou, longe de parecer a tão decantada "Rainha de Gelo", "pare... Por favor..."; a editora estancou diante da voz rouca e frágil, diante da mulher mais doce e sem defesas que encontrou na vida. "Quinnie, quem sou eu", indagou, a fim de uma resposta minimamente consciente, "diga, meu amor: quem sou eu?", insistiu. A advogada a fitou com muito esforço para manter os olhos abertos e respondeu com outra pergunta: "eu... Eu posso dormir... Um pouco? Estou... Estou muito cansada..."; Alex acarinhou-lhe as madeixas loiras e a osculou na fronte, nariz, maçãs do rosto e lábios, a tentar tirar destes o maior proveito possível e, após ajeitar o corpo sobre o da amante, murmurou que "sim, Quinn! Você pode..." e desistiu de pelejar contra alguém que mal sabia onde estava. Relaxou. E as duas adormeceram juntas em corpo, alma e compreensão por parte de uma Alex Bishop completamente inebriada de enamoramento e amor.

"Senhor, as tristezas não foram

feitas para as bestas, mas para os homens;

mas se os homens as sentirem demasiado

tornam-se bestas."

– Cervantes in D. Quixote -

CONTINUA.

Notas finais
Ei! Eu previ o futuro! Rachel + Jesse no final de Glee. Ok... Mas na nossa fic, ele não ficará com ela! o/