Sinceridades com Olivia - 2º Temporada!
4 Um Novo Integrante
Notas iniciais
Estava abraçando o corpo quente de Simon enquanto minhas lágrimas escorriam sem parar. Quem quer que passasse pela praça naquela hora devia achar a cena estranha, dois jovens se abraçando e chorando aos prantos. Ficamos aproximadamente cinco minutos assim até ele separar nosso abraço e me encarar com os olhos vermelhos.
– Meu deus, eu não acredito que é mesmo você!
Não disse nenhuma palavra, apenas desferi o maior tapa que ja dei na vida em sua cara. Ele me encarou assustado enquanto passava a mão pela bochecha. Entre lágrimas eu dizia:
– Você sabe o quanto eu chorei?? Você sabe o quanto me fez sofrer seu idiota?? ACHEI QUE ESTIVESSE MORTO! Eu te odeio! Te odeio! — Eu dizia enquanto esbofeteava seu peito.
– Ow, Ai ! Ai! Calma! Isso ta doendo! — Ele dizia tentando se defender.
– Cala boca, você disse que eu poderia te bater se você quebrasse a promessa! — Eu falei , lembrando do que disse anos atrás. Simon apenas deixou ser atingidos por meus socos fracos.
–... Desculpe. — Ele disse. Olhei para cima para encarar seu rosto.
–... Você ficou bem alto,... Desde quando usa óculos? — Eu disse, reparando na diferença de sua versão atual para a mais nova.
– Você está falando de mim?? E você!? O que fez com o seu cabelo?? Ficou muito f*d*! — Ele dizia sorrindo enquanto passava a mão pela minha franja azulada.
– Para! Vai bagunçar ele todo! — Eu disse enquanto Simon passava a mão pelos meus cabelos, com a intenção de realmente bagunça-los.
– Sinceramente! Não esperava que fosse estar tão bonita! Assim não é justo!
– Alguns tem mais sorte que outros não é mesmo? — Eu disse, olhando sarcasticamente e provocativa para Simon.
– Aow! Essa doeu aqui dentro! — Ele dizia enquanto colocava a mão sob o coração como se fosse apunhalado ali. Nós dois rimos.
Ainda era muito estranho ve-lo ali, rindo e brincando ao meu lado. Tinha a sensação que iria acordar a qualquer hora, como se tudo tivesse sido só um sonho. Eu sentia vontade de chorar cada vez que via seu rosto animado.
– Está ficando tarde,... E ainda não comi nada! Vamos numa lanchonete aqui perto, aí podemos conversar melhor.
Assenti e o acompanhei até o destino, não prestei muita atenção no caminho até lá, estava ocupada demais encarando o rosto do meu melhor amigo o qual achei que havia perdido anos atrás.
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Sentados do lado de fora de uma doceteria, dividiamos um donut gordo e recheado. Passamos horas conversando, ele me contou sobre tudo o que aconteceu depois que eu fui embora, já não aguentava mais chorar então segurei diversas vezes para não morrer desidratada.
Falei sobre tudo que aconteceu com a minha vida nesses ultimos anos, e ele fez o mesmo. Eu me assustei quando soube de sua coma e de sua amnesia. Ele não lembrava de mim, a alguns meses atrás ele não fazia ideia de que eu existia. Esse pensamento me deixou assustada.
– O que foi? — Ele perguntou ao ver meu rosto.
– Ah, não é nada...Essa parada toda de amnésia...O fato de você não ter lembrado de mim por todo esse tempo é um pouco assustador... — Eu dizia um pouco hesitante enquanto sentia seu olhar sobre mim.
– Olivia, — Ele virou meu rosto, obrigando-me a olhar para ele. Ele apontava para a própria cabeça. — Minha cabeça pode ter esquecido, mas meu coração não. — Ele agora apontava para o peito. — Todo dia, eu acordava sentindo que algo estava faltando, era torturante. Nunca ter certeza de nada, ter medo de ter esquecido algo importante, medo de nunca mais poder voltar ao normal. Até mesmo agora, eu me sinto inseguro sobre minha vida...Eu posso... estar deixando algo passar...
''Ah...'' eu pensei ''Não era só eu quem estava sofrendo''
Eu acariciei sua cabeça, como o mesmo fazia comigo na infância.
– Está tudo bem agora. — Eu sorri levemente, e ele me acompanhou.
– Então... Parece que você fez alguns amigos aqui. — Ele mudou de assunto, me olhando enquanto dava outra mordida em seu doce.
– Nem me fale, minha vida anda uma bagunça desde que nos conhecemos!
– Me fale sobre eles! — Simon pedia sorrindo.
– Bom... A primeira que eu conheci foi Lucy... Ela é muito bonita e completamente fora da linha! Ela sempre faz a gente se meter em problemas! Wendy veio logo depois,... ela era tímida e quase não falava com ninguém. Mas agora ela está tão solta que eu quase não a reconheço. — Ele continuava me olhando, prestando atenção. — Bom... Ai depois veio Lyon. No inicio as pessoas achavam que ele era um tipo de ''bad boy'' por causa de suas roupas, mas ele mais parece um cachorrinho manso. Ele é sempre muito gentil com todo mundo... Não guarda rancor...e está sempre me protegendo...
Simon continuava me encarando.
– Aah, não esperava que até você já tivesse um namorado. É, a vida está sendo bem dura comigo... — Ele disse engolindo o ultimo pedaço do donut e suspirando.
– N-NÃO É BEM ASSIM! E-LE não é..... meu namorado... — Eu disse um pouco envergonhada. Digo, ele me beijou, mas não é como se estivessemos num relacionamento, certo? Aquilo foi só uma brincadeira de dia dos namorados... certo?
– De qualquer forma, como vai seu irmão? — Ele se ajeitou voltou a me olhar.
– Ah, David vai bem, eu e ele estamos morando ''sozinhos'' agora — eu falei fazendo aspas com os dedos. Expliquei a situação para ele, Simon olhou o celular e em seguida disse:
– Hum.. ele não vai ficar preocupado se ver que você está fora tão tarde assim? Conhecendo ele do jeito que eu conheço.. Haha
– O que? Não está tão... JÁ PASSOU DA MEIA-NOITE?? — Eu levantei apressada. — Nã-não sabia que tinhamos ficado tanto tempo conversando.
– Visto que tinhamos muito o que falar Haha. — Eu peguei o braço dele e o arrastei comigo para rua.
– David vai me matar , meu deus.
– Eu te acompanho até em casa! — Simon disse, apressando o passo para me acompanhar.
Seguimos o rumo das casas, andando pelas ruas escuras da madrugada. Simon estava olhando pro céu enquanto andava e parecia sorrir. Passei por lugares que já estava acostumada a ver, mas Simon olhava para tudo como algo novo. Não demorou muito para chegarmos em casa.
Parei em frente a porta, quando ia tocar na maçaneta, a porta abriu de repente.
– VOCÊ SABE QUE HORAS SÃO?? — David gritava apontando para mim.
– C-como você sabia que eu estava aqui? — Eu perguntei assustada.
– Eu SENTI. — Ele disse simplesmente. Ele passou a olhar para Simon, e depois para mim. — Olivia, quem é esse? Seus olhos estão vermelhos!! Você andou CHORANDO??
Ele lançou uma cachoeira de perguntas, parecia estar falando com a minha mãe, não com meu irmão apenas dois anos mais velho que eu. Quando ia abrir a boca para falar algo, Simon interrompeu.
– Você não mudou nada, David. — Simon sorria.
– Como você..? — David pareceu confuso, mas depois os olhos dele se arregalaram. Eles decidiam entre olhar para mim ou para Simon. Eu apenas acenei com a cabeça, confirmando seus pensamentos.
David sorriu e abraçou ao Simon e a mim enquanto ria, e nós fomos contagiados por ele.
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Foi uma noite agitada para mim. David convidou Simon para dormir lá em casa, devido ao horário. Mas meu irmão também pediu para saber o lado da historia dele, o que levou tempo.
Na manhã seguinte acordei cheia de olheiras, sem saber se eram de lágrimas ou de pouco sono. Acordei como normalmente e fiz minha rotina.
Desci as escadas e encontrei Simon sentado no sofá.
– Bom dia! — Ele sorriu olhando para mim. Suspirei pesadamente, deixando todo o ar do meu corpo sair de uma só vez, junto ao alívio. — Que foi?
– Nada... eu só,... Tinha medo de descer e não ver ninguém aqui... — Disse fazendo uma pausa. — Como se fosse tudo um sonho.
O sorriso dele diminuiu por um segundo, mas voltou a brilhar segundos depois.
– Bem, querendo ou não, isso não é um sonho. — Eu sorri levemente.
– Hey, você não conhece a cidade muito bem né? Quer que eu te mostre ela um pouco?
– Hum? Mas você não tem aula agora? — Simon perguntou. Eu olhei para os dois lados, procurando algum sinal de meu irmão. Ele ainda estava lá em cima.
Virei para Simon e pus o dedo indicativo sob o lábio.
– Shhhhhh....– Sinalizei para fazer silencio. Antes que Simon pudesse entender, peguei sua mão e o arrastei.
– ... Ah, Olivia, o que você quer comer no café ? — David disse enquanto descia as escadas. — Pergunte para Simon tamb....ém....
Ele terminou de falar, mas não havia ninguém na sala. Eu já estava correndo pela rua acompanhada de Simon.
– Sinceramente, não lembro de você ser tão rebelde assim, Olivia! — Ele dizia rindo.
– Quem mandou ficar sem me ver todos esses anos? Você não sabe nada sobre mim. — Disse empinando o rosto para cima, metida. Ele riu.
– Hahaha Então deixe-me descobrir mais sobre essa ''nova Olivia'' dos cabelos azuis.
Assim fugimos, correndo e rindo, querendo conhecer mais ainda um ao outro, como se fosse a primeira vez mas também como se nunca tivessemos estado separados.
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A garota de cabelos negros compridos suspirava, ajeitando os óculos rosas sob os olhos.
– Ahnn... Olivia não veio hoje.
– Será que ela está bem? — Wendy perguntava, um pouco preocupada. — Ela pegou um resfriado ou algo assim? Ela falou com você, Lyon?
– Nem uma palavra, ela pode ter tido problemas com o trêm. Soube que hoje teve problemas nas estações... — O garoto de olhos verdes dizia, incerto.
O grupo de três estavam na sala de aula. Lucy e Wendy sentavam-se em seus devidos lugares, Lyon, que não fazia parte dessa turma, estava em pé ao lado delas enquanto conversavam.
– Mas ela podia ter vindo de ônibus. — Lucy disse, fazendo bico.
– ... Pra falar a verdade, eu não vi David também. — Lyon disse , com a mão no queixo. — Somos da mesma classe, mas ele não estava lá.
Apesar dos barulhos de falatórios na sala de aula que aguardava o final do intervalo, foi possivel ouvir barulhos de passos correndo. Um menino suado e ofegante apareceu na porta da sala de aula.
– Oh, falando no diabo... — Lucy disse, se referindo à David que chegou no momento em que seu nome foi mencionado.
– Ah...Ah.... Olivia... Ah... Ela está.. aqui? — O garoto dizia, entre ofêgos.
– Hum? Não, não está... Achei que você soubesse disso... — Lyon respondeu.
– Ah.. Ahhhrrgg... Eu SABIA... Inacreditável.. — Ele começava a tentar recuperar o fôlego. — Eu sei que foi algo incrível mas... Não é motivo dela faltar aula pra fugir com ele! — O garoto dizia para si mesmo, pensando alto, bagunçando os próprios cabelos com as mãos.
– Faltar aula? — Wendy perguntou.
– Fugir?? — Lucy seguiu.
– ''Ele''? — porsseguiu Lyon, franzindo o cenho.
– É uma ... longa história. — Ele disse, fazendo sinal de que explicaria tudo depois. — Mas por enquanto, vamos dar um descanso para ela dessa vez. Acho que ela merece um pouco disso.
Os grupo não entendeu direito a fala de David, mas eles aceitaram como um ''está tudo bem'' e voltaram a seus devidos lugares (e classe de aula).
O garoto com a lateral raspada estava sentado com a mão sustentando o rosto na mesa, olhando para a janela, querendo entender melhor o que teria acontecido.
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Sentados numa doceria na esquina de uma rua com nome esquecido, Olivia e Simon dividiam um café com leite como café da manhã (não tinham dinheiro suficiente para dois, já que sairam da casa às pressas sem levar quase nada).
– Tem certeza que está tudo bem em faltar a aula assim? Não vai estar encrencada? — Ele dizia, tomando um gole da xícara com o líquido morno.
– Nah, eu vou para a escola TODO DIA, nunca falto, acho que posso deixar de ir pelo menos uma vez. — Eu disse, dando de ombros. — De qualquer forma, aonde você está ficando?
– Você quer dizer, tipo, me hospedando? Estou dividindo a casa com um primo meu.
– Oh, não o conheço eu acho. Aonde é a casa?
– .....
–.....?
–... Na verdade , eu não sei....
–... Hã?
– Naquela hora que a gente se encontrou no parque foi porque eu estava perdido e não sabia qual caminho seguir... — Ele ajeitou os óculos com um sorriso amarelo no rosto, envergonhado.
– Pffffffftt!!- Eu segurei o riso, mas logo o deixei escapar. — HAHAHAHA Simon! Você não mudou nada! HAHAHA
– Haha Eu sei — Ele passava a mão no pescoço sem-graça. — Ah, melhor pedirmos a conta.
– É estranho falar em pedir a conta quando só pedimos um café com leite para duas pessoas. — Eu ri.
– É verdade. — Simon sorriu e chamou uma garçonete.
Ela se aproximou com desgosto na voz.
– Affe, de tantas pessoas, logo você por aqui? — Olhei para a garçonete que mascava um chiclete, olhando pra mim com a cara brava e as sombrancelhas erguidas.

– A-Alex?? — Encarei a modelo mirin que me trouxe alguns problemas a um tempo atrás. — O que faz aqui??
– Deveria perguntar o mesmo, mas não é como se eu me importasse com a sua vida. — Ela disse sem rodeios. — Estou trabalhando aqui se você não notou, gracinha. — Alex falou apontando para o uniforme como se fosse óbvio.
– Ah... Mas você não trabalha como modelo?
– É uma coisa que só aparece de vez enquando, não é todo dia que pedem para você posar. Tenho que fazer algo nesse tempo. — Ela parou e olhou para Simon que parecia confuso com a estranha à sua frente. Ela torceu a sombrancelha e virou para mim em seguida. — Você é rápida nesse tipo de coisa, hein. Uma hora está com um, outra hora com outro.
– N-NÃO É BEM ASSIM.... — Eu disse, com as bochechas queimando e entendo o que ela quis dizer. — Ele é um amigo que não vejo à muito tempo.
– Você não precisa se explicar, não é da minha conta nem interesse. — Ela suspirou. — Não é como se fossemos amigas.
–... Certo. — Eu disse.
–... De qualquer forma.. — Simon disse, aparecendo pela primeira vez na conversa. — Pedimos um café com leite, vamos te pagar. — Ele falou , pondo a mão no bolso.
– Não precisa, podem ficar. — Ela disse.
– Ham? Mas... — Eu comecei.
– Não precisam pagar, só vão embora logo. — Alex interrompeu, com seu jeito indelicado.
– Ok... — Nós nos levantamos, no momento em que saiamos, ela disse:
– Na proxima vez vocês irão pagar! — E virou de volta para o estabelecimento.
– Proxima vez...? — Era impressão minha ou ela estava convidando a gente à voltar?
Caminhamos lentamente, olhando para o céu da manhã.
– Então... quem era aquela garota mesmo? — Simon perguntou.
– Ah, ela é a Alex... Ela é, digamos... Alguém que me deu trabalho recentemente. — Eu disse exasperada.
– Vocês pareciam amigas. — Ele disse, piscando.
– Hã? Você por acaso viu o que aconteceu realmente? — Eu perguntei abismada.
– Haha Sei lá, foi a impressão que deu!
– Acho que sou a última pessoa com quem ela quer fazer alguma amizade. — Eu disse, suspirando. — De qualquer forma, temos muito mais coisas pra ver!
Eu segurei sua mão e o levei comigo novamente.
Enquanto isso, Alex nos encarava da janela no café que havia se distanciado, mas eu não sabia disso na hora.
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Já havia passado o horário de almoço quando os alunos começavam a sair da escola.
O pequeno grupo andava em direção à saida.
– Bom, se me dão licença, tenho que buscar minha irmã delinquente. — David dizia, suspirando.
– Essa é a primeira vez que vejo ela faltando aula...Por vontade prórpia, eu digo. — Wendy disse.
– É verdade, qual é o motivo disso? — Lucy virou, perguntando para David.
– Ah, — O garoto virou e encarou alguma coisa do outro lado da rua. — É melhor deixar ela mesma contar à vocês.
O grupo virou para ver o que chamava a atenção de David, e viram a garota de franja azulada acenando para os mesmos. Ao seu lado havia um garoto que nunca haviam visto.
Olivia atravessou a rua e se juntou ao grupo.
– Bom dia, desculpe não ter vindo na aula hoje. — Ela sorria, como uma criança que havia acabado de pregar alguma peça.
– Desculpe ir direto ao ponto mas... Quem é o boy? — Lucy disse apontando para Simon.
– Oh! Olivia cabulou aula pra sair com um garoto! — Wendy disse, pondo a mão na boca em espanto.
– Oh oh! Nossa criança já está nessa fase! Rebeldia, garotos, festas e drogas... Onde foi que erramos? — Lucy e Wendy se abraçavam, num pequeno teatro de ''Pai e Mãe''.
– Não faço ideia do que vocês estão falando, mas esse é o Simon.- Olivia disse, apontando para o garoto que acenava para o grupo. — Simon, esses são: Lucy, Wendy e Lyon.
A menina apontava para a respectiva pessoa assim que o nome era dito.
Olivia sentiu que já estava cansativo para Simon ter que contar a mesma história toda vez que encontrava com alguém, então a garota resolveu contar um resumo de tudo que havia acontecido.
Eles caminhavam pela rua conversando, conhecendo o novo garoto que se juntara ao grupo. Sentaram numa mesa numa praça proxima para poderem falar melhor. Não foi surpresa ver que a história chocou o grupo.
Lucy pensou na primeira vez que havia visto Olivia anos atrás na escola. Ela ainda não havia sua franja azul, estáva sempre com uma expressão indiferente e não se esforçava para fazer amigos ou falar com os colegas de classe. A garota de cabelos negros percebeu que isso poderia ter sido parte do trauma de se perder o melhor amigo. Algo como ''Não fazer amigos por saber que iria perde-los também'' é algo que Lucy consegue facilmente imaginar Olivia refletindo sobre.
No meio da história, Wendy deixou lágrimas escorrerem. Isso fez o grupo se assustar e fazer de tudo para anima-la de novo. Wendy sabia, ela entendia, o que era perder amigos, mesmo que fosse de jeitos diferentes.
Já Lyon, parecia pensativo com a história. Apesar de isso ter mudado depois de um tempo, Olivia no inicio era bem reservada e até agora parece esconder bem seus sentimentos. Ele pensou que isso seria algo que foi embora junto com a ''morte de seu melhor amigo'', a coragem de mostrar o que sentia, sem medo de que as pessoas desaparecessem.
Para o grupo, aquilo foi mais que uma história sobre o passado de sua melhor amiga, foi uma porta que os fez conhece-la melhor. Essa porta mostrou duas coisas: Sua dor (a de perder alguém precioso) e seu medo (de novamente, perder alguém precioso).
Com o fim da fala de Olivia, o silêncio reinou. As mentes dos ali presentes ainda processava toda a informação. Lyon foi o primeiro a se pronunciar, ele levantou e ficou de frente para Simon, que o olhava com curiosidade. O menino de olhos esverdeados estendeu a mão.
– É um prazer em conhece-lo Simon, e bem vindo de volta do mundo dos mortos. — Ele disse confiante, logo depois, ficando incerto. — ...Eu acho.
O grupo trocou olhares, logo depois, seguindo o exemplo do mais alto. David, Lucy, Wendy e até mesmo Olivia, se juntaram a Lyon.
– BEM VINDO DE VOLTA! — Eles disseram juntos, trazendo uma expressção surpresa do garoto de óculos, e logo depois um sorriso.
–... Obrigado!
Todos sorriram, como se já fossem velhos amigos.
Quando uma pessoa se abre para falar do passado dela para você, é um sinal de confiança muito forte. Simon não precisava hesitar em confiar naquelas pessoas, eles eram amigos de Olivia. Se ela confiava neles, ele também iria.
O resto da noite foi baseado em histórias, piadas e novas amizades.
O grupo estava voltando para casa, todos andando na rua com uma aura de felicidade. Eles envolviam Simon, querendo saber mais sobre o rapaz. Olivia (que estava mais atrás do grupo) olhava para o menino (que sorria sem graça com a mão atrás da nuca para as pessoas ao seu redor, enquanto respondia ao que falavam), com um sorriso no rosto.
– Olivia.
Ela deu um pulinho de susto ao ouvir a voz atrás dela. O garoto à encarava.
– Ah,.. hum.. o que foi Lyon? — Ela o olhava também. Ambos tinham parado na rua enquanto o grupo continuava andando. Ela tinha que virar um pouco o pescoço para olhar diretamente para os olhos dele. Ele havia crescido.
– ... — Ele serrou um pouco os olhos, que estavam vidrados no da garota (que começava a ficar sem graça pela encarada.) Ele desviou o olhar e coçou a cabeça, dando um suspiro. — Não é nada...
– Hãm? O que foi isso? O que foi? — Olvia perguntou meio confusa com o que acabara de ocorrer. O menino olhou para frente e viu que o grupo já havia se distanciado bastante.
– Ah, o pessoal já está lá na frente. Melhor irmos alcançar eles. — Ele disse, e foi caminhando. Ao passar do lado de Olivia, ele disse baixinho, fazendo um pequeno biquinho emburrado quase impercepitível e as bochechas levemente rosadas. — É que hoje você nem prestou atenção em mim. Só quis que você olhasse para mim por alguns segundos ao menos...
– Hãm...? — A garota engasgou. Ela encarou atônita as costas do garoto, enquanto ele andava em direção aos amigos. Ela olhou para os próprios pés trêmulos, e para as mãos, logo levando-as ao rosto que queimava em vermelho.
– O-O que que foi isso agora??
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